sexta-feira, 19 de abril de 2013

O dia em que o estudante chamou o TCC para um papo reto no bar


– Sufocando?
– É, TCC, você está me sufocando.
– Deixe de ser infantil.
– Infantil? Você simplesmente quer atenção o tempo todo.
– Mas eu não pedi atenção o tempo todo.
– Explicitamente, não. Mas eu consigo fazer outra coisa na vida além de me dedicar a você?
– Pense que TCC é apenas por uma fase. Em breve, você se livra de mim.
– Você sabe há quanto tempo eu não transo?
– Hahaha. Agora a culpa é minha?
– Há quanto tempo eu não vou ao cinema?
– Seja menos dramático. E tome logo essa cerveja. Daqui a pouco você vai dizer que está tomando cerveja quente por minha culpa.
– Quem é o dramático aqui?
– Você ainda vai sentir saudade de mim.
– Se liga, quem sente saudade de um TCC?
– Pense pelo lado positivo: graças a mim, você está lendo mais. Conheceu até a biblioteca.
– Sei.
– E não ir ao cinema no seu caso é coisa boa. Você só via filme ruim mesmo. E nem transava tanto assim antes de me conhecer.
– Você tá folgado, hein, TCC?
– É por minha causa que você está agora aqui, num bar, bebendo. Isso é vida social, não?
– Não, isso é você em todos os momentos da minha vida. Até num bar.
– Eu não sei por que vocês, estudantes, gostam tanto de me rotular assim, como “o cara mau”.
– Não?
– Não. É como se eu fosse o grande problema do curso. Isso é bullying, sabia?
– Não vou nem discutir isso com você.
– Bom, era só isso que tínhamos pra conversar. Acabou a DR?
– Sim, TCC, acabou a DR. Já podemos ir pra casa.
– Eu não vou pra casa agora, não. A noite só está começando.
– Pois é, mas eu tenho que fazer um monte de anotação pra levar amanhã ao meu orientador.
– Coitadinho, não fica triste, não. Eu bebo por nós dois.
(O estudante paga a conta e os dois se levantam)
– TCC, desculpe a minha grosseria. Eu tô muito sensível. Até gosto de você.
– Tudo bem, eu já estou acostumado.
– Posso te pedir um favor?
– Um só, ok?
– Eu tô com uma puta dúvida se escolhi o tema certo. Não tô me sentindo à vontade, sabe?
– Olha, eu até poderia te ajudar, mas preciso confessar uma coisa.
– O quê?
– Sabe o lance do “cara mau”? Pois é, eu adoro ser “o cara mau”.


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.


Curta a página do blog no Facebook aqui.

10 comentários:

Li Melo disse...

Rs. Interessante. Ano que vem, vou conhecer esse cara mau, mas necessário. Se eu já deixo tudo de lado pra fazer trabalhos "normais", imagina no tão temido TCC. E a pressão já começou... ui, ui, ui. Abraço, Duda.

Amabile disse...

Rachei de rir!!! Hhahahahahah

O pior é q é deste jeito mesmo... ele nos perturba, toma todo o nosso tempo, nos deixa malucos e depois q finalmente nos livramos dele ainda pensamos q faltou algo... ehhehehe

Duda Rangel disse...

Li, ele é mau, mas não mata ninguém.
Amabile, quando percebemos que faltou algo, já era o TCC. E a vida segue... :)
Abraços.

Cintia Mesojedovas disse...

É bem assim mesmo. TCC dá um desgaste danado. São muitas coisas para ler e estudar, além da preocupação de colocar tudo conforme as [benditas] normas da ABNT.

E como disse meu professor de Economia, "escolha um tema que te dê muito tesão, porque você vai suportá-lo por um ano, o último da sua graduação."

Duda Rangel disse...

Cintia, boa lembrança das benditas (ou seriam malditas?) normas da ABNT. Abraço.

Vinícius Nunes disse...

Fiz dois.
E por incrível que pareça, sinto falta.

Priscila disse...

Você curtiu fazer o seu tcc?
Qual sua sugestão para escolha do tema?

Duda Rangel disse...

Priscila, sou do tempo em que não existia TCC nos cursos de jornalismo. Ou seja, sou velho mesmo. Acho que a escolha do tema é algo muito pessoal. Cada um tem que escolher o que gosta mais, o que se sente mais à vontade para estudar. Abraço.

Hyonária disse...

Genial! Adorei! Hehe

Duda Rangel disse...

Hyonária, muito obrigado!