segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Dependência


O que seria do correspondente internacional sem a Reuters? Do pauteiro da Sonia Abrão sem as merdas do Rafael Ilha? Do fim do mês sem os frilas? O que seriam das minhas noites viradas de textos pra amanhã cedinho sem o vício do café? Das pautas impossíveis sem fé? Das filosofias de botequim sem os jornalistas de botequim? O que seria do furo sem o faro? Da estagiária ambiciosa-incompetente-mas-gostosinha sem o editor-executivo que adora estagiárias-ambiciosas-incompetentes-mas-gostosinhas? Do crítico musical sem a palavra visceral? O que seriam das mesas-redondas esportivas sem os erros do juiz? Do fotógrafo no vermelho sem os bicos corporativos e os casamentos e as festinhas infantis? Do repórter arrumadinho que aparece na TV sem o produtor faz-tudo que não aparece na TV? O que seria da Rádio SulAmérica Trânsito sem os 439 quilômetros de congestionamento de Sampa? Do analista econômico sem o economês? Do currículo do foca sem as trapaças da Times corpo 16? O que seria do repórter sem o tesão de ser repórter?


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terça-feira, 12 de agosto de 2014

10 dicas para ser um bom jornalista


Tenha paixão pela profissão: ok, amor não enche barriga, já disse mil vezes seu pai, mas paixão é envolvimento, é o que nos impede de desistir nos primeiros, sei lá, 200 obstáculos.

Resgate a essência do jornalismo: curiosidade, investigação, responsabilidade na apuração e na divulgação das informações, essas coisas que há tempos resolveram sair de moda.

Sinta orgulho de ser jornalista: cague geral para os rankings desgracentos que têm os jornalistas sempre no topo. Se você não tem orgulho do que faz, melhor pedir para sair.

Use os recursos tecnológicos para o bem: tecnologia é como colesterol, tem a boa e tem a ruim. A ruim nos deixa preguiçosos, a boa nos permite voar cada vez mais alto.

Não espere respostas prontas sobre seu futuro: sim, jornalistas são os caras que fazem as perguntas, mas no quesito “seu próprio futuro” o que cabe a você são as respostas.

Seduza seu leitor: deixe-o apaixonado por seu texto, com vontade de novos encontros. Nada como a arte da conquista à moda antiga.

Busque sempre: histórias incríveis, personagens invisíveis, momentos risíveis. E jamais bote no seu texto uma rima tosca como essa que eu acabei de botar.

Arrisque uma linguagem diferente: esqueça os leads, as regras, os dogmas. Pegue a velha receitinha de jornalismo sempre fácil de fazer e jogue no lixo. Não reciclável, claro.

Não agonize junto com as mídias tradicionais: há vida jornalística após a morte do jornal impresso. Tá me ouvindo? Enxugue essas lágrimas já. Tem um mundo novo bem aqui.

É bom levar uma vida saudável, mas um porre vez ou outra é ótimo: a alma jornalística carece de purificação. Mas se beber não dirija, nem agende uma entrevista importante.


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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

10 micos de um jornalista no Facebook


1. Postar selfies tietando entrevistados famosos.

2. Entupir a timeline dos amigos com pedidos de personagens para matérias.

3. Publicar intimidades jornalísticas impublicáveis, como o salário de repórter, e acabar sofrendo bullying virtual.

4. Ler uma informação falsa de uma página falsa e, a partir dela, escrever uma matéria falsa, acreditando ser tudo verdade.

5. Curtir a publicação da própria matéria. Aquela que ninguém curtiu.

6. Transformar o Facebook no seu grande pauteiro. Há vida também fora das redes sociais.

7. Dar uma opinião desnecessária só por achar que jornalista deve ter opinião sobre tudo.

8. Marcar 500 pessoas na porra da opinião desnecessária.

9. Encher o saco dos amigos para jogar Freela Heroes Saga.

10. Postar a foto do filé mignon ao molho madeira a ser devorado numa boca-livre.


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terça-feira, 29 de julho de 2014

Técnicas jornalísticas aplicadas ao amor


Jura que você tá me pedindo em casamento? Faz o seguinte: pede de novo que agora eu vou gravar. Pra não ter erro, pode ser? Porque amanhã você não vai poder dizer que não disse o que disse, entende? Porque fonte adora fazer isso. Aiii, amor, jura mesmo? Te adoro, sabia? Vai lá então, pode começar que eu já apertei o REC.

Isso, o Danilo, namorado da Cynthia, tudo bem? Então, hoje pela manhã, a Cynthia falou assim “eu te amo, Dan” e, como a gente não pode acreditar em tudo que ouve, eu queria checar com você que é a melhor amiga dela se é verdade. Ela já comentou isso com você alguma vez, já falou tipo assim “o Dan é o cara da minha vida”? Sei. Ah, falou que não saberia viver sem mim? Ótima informação! O que mais? Pode falar que eu tô anotando.

Ah, então o senhor foi à festa das piriguetes ontem? E foi lá fazer o quê? Safado! E quem você queria encontrar? Hein? Até quando você ficou lá? Diz! E onde você dormiu depois? Senta aí, seu canalha, que eu ainda nem te perguntei o “como” nem o “por quê”!

Então, eu saí com a menina, levei pro motel, mas na hora H o negócio não cresceu. Parecia piso de 5 horas do interior, sabe? Uma vergonha! Só estou te contando isso, porque tu é brother, mas, ó, é off, hein? Se tu espalhar a notícia por aí, te meto um processo por difamação. E umas porradas.

Oi, querido, eu acabei de te mandar por e-mail um release com uma declaração de amor minha a você? O lead tá lindo! Ah, e mandei também uma foto da gente se beijando em 300 dpis. Você pode verificar, por gentileza, se você recebeu?


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terça-feira, 22 de julho de 2014

Futuros jornalistas


Ela se apresenta aos novos amigos como “futura jornalista”. Lá no perfil dele no Twitter tá escrito “futuro jornalista”. Quando eles mandam um e-mail para o Duda Rangel pedindo uma dedicatória meiga no livro que acabaram de comprar pela web, eles lembram: “somos futuros jornalistas”. Quem são os futuros jornalistas? Onde vivem? De que se alimentam? Hoje no Globo Repórter?

Futuro jornalista tem uma carga de ansiedade desgraçada, porque quem é futuro jornalista não vê a hora do futuro virar presente.

Eu não acredito em futuros jornalistas. Acredito em jornalistas neste instante-já (ops, roubei Clarice!), mesmo quando o instante-já é o primeiro semestre do curso. A gente é jornalista desde o momento em que assume a alma de jornalista, no vestibular, na infância, numa vida passada. É uma espécie de condenação sumária, pá-pum, sem chance de apelação para o amanhã.

Assim, meu jovem, deixe de lado o “futuro” de sua apresentação, deixe de lado a ansiedade, viva o presente de ser jornalista. Ou vai acabar virando mais um bicho exótico do Globo Repórter.


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terça-feira, 15 de julho de 2014

Privilégio de jornalista


Não, credencial no pescoço não é privilégio. Descolar uma boca em evento restrito a “poucos e bons” muito menos. Privilégio de ser formador de opinião? Hoje, com as redes sociais e os reclames aqui ali acolá, todo mundo é formador de opinião. O quê? Privilégio de ser o Quarto Poder? Caraca, você insiste com esse Quarto Poder, hein? Já te falei que Poder com caixa alta é um troço tão decadente.

Quer saber? Privilégio de jornalista é ter um olhar que poucos têm, uma sensibilidade rara, um ouvido atento. Coisas simples. Assim.


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terça-feira, 1 de julho de 2014

Tipos de jornalistas neuróticos


Maria Luisa sempre acha que o gravador vai parar de funcionar no meio da entrevista. Ela confere a todo o momento se a luzinha do REC está dando algum sinal de vida. É um olho no gravador, outro no entrevistado. Nas perguntas mais importantes, são os dois olhos no gravador. Os ouvidos que cuidem do resto.

Leonardo é o repórter que lê 15 vezes o texto antes de publicá-lo. Pode ser uma matéria de capa ou um comentário no Facebook. Vai que tem uma vírgula desajeitada, um tropeço de digitação. Até depois de divulgado o texto, Leonardo checa se está tudo certo mesmo. Só mais umas duas leituras. Pra garantir.

Rosinha é assessora de imprensa. Rosinha pira em coletiva. Rosinha, coitada, imagina que o restaurante escolhido para o evento não é tão bom como disseram, que os black blocs vão fechar a rua do restaurante num protesto qualquer, que poucos jornalistas vão aparecer, que o seu cliente vai ficar puto da vida.

Desde que perdeu uma matéria de 80 linhas por um pau no note, Juliana tem pânico de textos longos. Pensou até em desistir do sonho de escrever uma matéria de 11 páginas na Piauí e focar em conteúdo para celular. Com a ajuda de um terapeuta holístico, porém, aprendeu que o remédio é simples: apertar o tal de Ctrl B.

João Henrique não consegue ficar um minuto fora da internet. Algo extraordinário pode acontecer e ele será o último a saber. Nunca! Um dia João Henrique quase surtou ao ficar uma hora desconectado. Uma hora é tempo suficiente para o papa morrer, um Boeing cair ou o Neymar trocar de namorada. Já imaginou?


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quarta-feira, 25 de junho de 2014

10 matérias manjadas de Copa do Mundo


1. Jogadores de búzios, tarólogos, polvos e atrizes pornôs apontam quem vai ganhar a Copa. Como cada um indica uma seleção diferente fica difícil saber em quem acreditar.

2. As torcedoras elegem os jogadores mais gatos. Os torcedores destacam as musas dos estádios. Tem até matéria, acreditem, dos jornalistas mais bonitos do Mundial.

3. Os profissionais que não podem assistir aos jogos do Brasil porque estão trabalhando, como policiais, médicos, os caras da empresa de energia elétrica e, claro, os estagiários.

4. As insuportáveis matérias sobre os colecionadores de figurinhas dos jogadores da Copa, com o ainda mais insuportável enfoque dos “adultos que viram crianças”.

5. A festa nas colônias estrangeiras no Brasil em dias de jogos de suas seleções. Destaque para a animação dos portugueses dançando “o vira”. Com a ilustre presença de Roberto Leal.

6. O comércio de todo tipo de artigo ligado à Copa, de bandeirinhas e roupinhas pra cachorro a camisinhas falantes que dizem “sou artilheiro, com muito orgulho, com muito amor”.

7. Flashes por todo o Brasil da aglomeração de torcedores durante os jogos do Brasil. Gente de peruca, segurando imagens de santos e, claro, a turma do Olodum.

8. Jogadores brasileiros de outras Copas palpitam e falam merda à vontade. Artistas, políticos e outras personalidades não ficam atrás, também palpitando e falando merda à vontade.

9. Torcedores supersticiosos ensinam mandingas que ajudarão o Brasil a ganhar a Copa, como aquele Zé Mané que assiste a todos os jogos com a mesma cueca verde-amarela fedorenta.

10. Crianças de origem humilde sonham ser famosos jogadores de futebol, em emocionantes reportagens em campinhos de terra na periferia. Ser jornalista pobre ninguém quer, né?


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terça-feira, 10 de junho de 2014

A pauta, segundo a narração esportiva


Narrador:
Comeeeço de pauta, torcida brasileira. Olha lá o repórter, já se manda para o ataque. Não quer perder tempo. Vai ligar para o entrevistado, precisa apurar mais alguma informação para fechar o texto. Pega o celular pelo canto esquerdo da mesa, tá procurando o telefone da fonte. Não acha. Recomeça o lance. Abre agora a gaveta pela direita, procura o bloquinho. Deve ter anotado em algum lugar este telefone.

Comentarista:
Tá um começo de pauta meio desorganizado. Tá faltando criatividade ao repórter para encontrar o telefone da fonte.

Narrador:
O repórter decidiu jogar no Google o nome do assessor. Tá lá, consegue o telefone do assessor, parece que ele vai ligar. Ligou. O telefone tá tocando, tá tocando, tá tocando! Cadê o assessor, minha gente? Atendeu! Pede para esperar um instantinho. Que música chata, torcida brasileira. O repórter espera! (Merchan: tá no vermelho? Tá precisando pagar o aluguel? Ligue agora para a CrediPress, a única financeira que empresta dinheiro só para jornalistas. Saia da miséria hoje mesmo!) E o repórter ainda tá esperando o assessor.

Comentarista:
É uma pauta de muita paciência. Não vai ser fácil furar a retranca do assessor.

Narrador:
Acabou a musiquinha chata, o assessor voltou. Diz que a fonte está numa reunião. Sei não! Tá com cara de simulação. A fonte tá fazendo cera. O assessor pede pro repórter ligar mais tarde. O repórter diz tudo bem, mas tá ansioso. O que é que só você viu?

Repórter de campo:
O editor, aqui na beira da redação, já pediu para o repórter dar um gás na pauta, porque hoje o deadline tá apertado.

Narrador:
Haaaja emoção! O repórter decide se levantar da mesa, acho que vai tomar um café. Sai pela esquerda, dribla a mesa do editor, passa pela secretária, consegue chegar à maquina do café. Procura as moedas. Cadê as moedas? Como é atrapalhado esse repórter! Acha as moedas no bolso pela direita. Aperta o botão. Cappuccino. Sem açúcar. O teeempo passa. O repórter tá nervoso por causa do entrevistado que não fala. Acaba de beber o cappuccino, decide voltar para sua mesa. Vai ligar de novo pro assessor. Tá voltando pra mesa. Que é isso? Ele deu uma bela olhada pra bunda da estagiária gostosa. Pode isso?

Comentarista de arbitragem:
Pode, claro que pode. Quem nunca olhou pra bunda da estagiária gostosa? Lance normal. Segue a pauta.

Narrador:
(Merchan: tá a fim de comprar um livro sobre jornalismo com bom humor? Compre já “A vida de jornalista como ela é”, do Duda Rangel. À venda pela página do blog no Facebook!) O assessor pede para o repórter esperar na linha. Acho que acabou a reunião. Não, acabou não. Ou melhor, acabou, mas o entrevistado já entrou em outra reunião. Tá complicada a vida do repórter. E você confere comigo o teeempo da pauta. Faaaltam 20 minutos para o deadline!

Comentarista:
O que o entrevistado está fazendo é a típica antipauta. O fair play passou longe.

Narrador:
(Merchan: Dia dos Namorados chegando e você encalhado, amigo jornalista? Cadastre-se hoje mesmo no Dateline.com, o único site de relacionamento dedicado exclusivamente a jornalistas encalhados. Saia da seca hoje mesmo!) Olha lá o repórter, descolou o celular do entrevistado. Vai ligar direto para a fonte. Não quer esperar mais. Ligou! O celular toca, toca. Atendeu a fonte. Agora não dá pra fugir mais. O repórter é rápido, já faz uma pergunta, mais outra, anota tudo. Quero ver só entender esta letra depois. Faz uma terceira pergunta. Já pode pedir música no Fantástico. Conseguiu tudo.

Repórter de campo:
O editor já avisou que não vai acrescentar nenhum minuto. É só o tempo regulamentar do deadline mesmo.

Narrador:
Minuuutos finais de pauta. O repórter começa a escrever. Tá tentando entender a letra no bloquinho. Eu avisei que não seria fácil. Ele mal respira. É concentração total agora. A estagiária gostosa passa desfilando ao lado do repórter e ele nem percebeu. Por essa ninguém esperava.

Comentarista:
É como diz aquele velho ditado: “cabeça de jornalista é uma caixinha de surpresas”.

Narrador:
Olha lá, o repórter já começa a redigir o título. Não vai dar nem tempo de revisar. Vai lá, vai apertar o “enter”. Apertooou o “enter”. A matéria foi embora, com todas as aspas que o repórter tanto queria.

Comentarista:
Eu diria para você que foi uma pauta apertada, mas o resultado acaba sendo justo, porque o repórter batalhou a informação, teve paciência para quebrar a retranca do entrevistado.

Narrador:
Feeecha-se o template! Fiiim de pauta, torcida brasileira!


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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Se o povo de Em Família fosse jornalista


Helena é a repórter que, na juventude, foi apaixonada pelo jornalismo policial, mas preferiu se casar com a assessoria de imprensa. Após uma relação estável de 20 anos com os releases, reencontra o seu antigo amor e fica completamente balançada.

Luiza é a filha de Helena, que também se envolveu com o jornalismo policial. Agora é toda noite ronda em delegacia, BO com exclusividade, uma loucura.

Os velhinhos do asilo são os revisores. Lembra deles? Os caras que antigamente corrigiam as merdas de Português dos textos.

Juliana é a repórter louca para roubar a pauta dos outros.

Gabriel é o estagiário do assistente do analista de comunicação: tá lá, mas ninguém sabe quem é.

Cadu é o jornalista decadente que luta por um transplante de conta bancária com alguém da família Marinho.

Shirley é a repórter que também quer porque quer a porra do jornalismo policial.

Clara e Marina são uma espécie de casal 20, tipo William Bonner e Fátima Bernardes. Só não me pergunte, por favor, quem é o William Bonner no caso.


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terça-feira, 27 de maio de 2014

Viver o jornalismo é experimentar


Que tal trocar de editoria? Recomeçar? Do zero? Topa? Conhecer pautas novas, fontes novas? Diversificar as ideias? Desacomodar a alma? Que tal desapegar um pouco da redação e curtir uma de assessor? Ou vice-versa? Por que não levar mais a sério o sonho de escrever um livro? De virar correspondente em algum canto do mundo? Deixar os medos de lado? Por que não arriscar uma linguagem que ainda ninguém arriscou? Experimentar novas posições em seu lead? O quem por trás do por quê? O onde por cima do como? Que tal se libertar do lead? Já pensou em usar a tecnologia para construir uma imprensa mais plural? Viver o jornalismo é experimentar. Vai que você gosta.


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terça-feira, 20 de maio de 2014

Sabe esse meu jeito?


Sabe esse meu jeito de querer tudo pra ontem? É o deadline. Sabe esse meu jeito meio ausente? É que eu tenho dois empregos e ainda faço uns frilas por aí. Sabe esse meu jeito de ficar perguntando sobre seus amores passados? É o tal jornalismo investigativo. Sabe esse meu jeito irritado? É tensão pré-matéria especial. Sabe esse meu jeito pensativo? É que amanhã vence o aluguel, porra, e eu preciso de uma solução rápida pra coisa. Sabe esse meu jeito de ficar corrigindo o Português de todo mundo? É um pouco vício e, ok, um pouco de sacanagem. Sabe esse meu jeito desesperado? É que eu ainda tenho três matérias pra escrever. Sabe esse meu jeito todo metido? É que no próximo fim semana eu tô de folga, galera, eu tô de folga! Sabe esse meu jeito sonhador de ser? É charme. Sabe esse meu jeito meio chato? É chatice mesmo.


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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Bate-papo e autógrafos de “A vida de jornalista como ela é” em Palmas, Goiânia e Blumenau


Olá, amigos. A partir de sexta-feira (dia 16 de maio) até o dia 2 de junho, participo de três encontros com jornalistas. Serão bate-papos divertidos sobre o blog Desilusões perdidas e os desafios atuais da nossa profissão, além de sessões de autógrafo do livro “A vida de jornalista como ela é”.

A primeira parada é em Palmas, no Tocantins, para o Prêmio Sebrae de Jornalismo. O evento ocorre no dia 16 de maio, às 20h30, no Espaço Belladata.

No dia 28 de maio, uma quarta-feira, às 19 horas, participo do II Congresso Informe-se de Jornalismo, promovido pela PUC de Goiás. O encontro, dirigido a alunos e não alunos da universidade, será no Teatro Católica (Campus V da PUC), em Goiânia, com entrada pela Avenida Fued José Sebba.


Para saber mais sobre o evento, clique aqui.

Logo após a passagem por Goiás, rola o 7º Festival Interdisciplinar de Comunicação (ICOM) do IBES, em Blumenau (SC). Meu encontro com estudantes e jornalistas catarinenses é no dia 2 de junho, uma segunda-feira, às 18h45, no auditório do IBES (1º andar), localizado na Rua Pandiá Calógeras, 272. O evento também é destinado ao público em geral.


Para saber mais sobre o evento, clique aqui.

Caso sua faculdade se interesse por uma palestra e um personal lançamento do livro, escreva para dudarangel2009@gmail.com. Para eventos universitários sem fins lucrativos, a palestra não tem custo para os organizadores. Apenas eventuais despesas da viagem (transporte, hospedagem e alimentação). Valeu, valeu. Até mais!


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domingo, 11 de maio de 2014

Procurando um livro sobre jornalismo? Saiba como comprar A vida de jornalista como ela é


O livro A vida de jornalista como ela é – o melhor do blog de Duda Rangel, que fala sobre a profissão com bom humor, pode ser comprado pela loja virtual do blog no Facebook aqui (PagSeguro e Paypal) e por depósito ou transferência bancária. O valor do livro é R$ 22,90, com frete grátis para todo o Brasil.

A conta corrente para o depósito ou a transferência: N/Couto Comunicação Ltda. – Banco Itaú (341), Agência: 3094, Conta corrente: 04272-2 – CNPJ: 05.264.054/0001-88. O comprovante da operação deve ser enviado para livrododuda@gmail.com, com o endereço completo de entrega (não se esqueça do CEP).

Você pode pedir também dedicatórias escrevendo para o e-mail livrododuda@gmail.com.

Assim que o livro é encaminhado, o comprador recebe um código de rastreamento dos Correios para acompanhar o pedido. As vendas e entregas são feitas apenas no Brasil.

Peça o seu livro. Indique aos amigos.

O meu singelo obrigado.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

O álbum de figuraças da imprensa








1. A apresentadora reaça de telejornal que é reaça porque dá ibope.





2. O analista de mídias sociais.

3. O jovem jornalista barbudinho de esquerda bancado pelo pai barbeado de direita.

4. A blogueira de Moda chique e elegante bancada pela mãe chique e elegante que não faz ideia do que é um blog.

5. A fotógrafa lésbica de cabelo curtinho que adora um baseado e cultiva uma hérnia de tanto carregar peso.







6. O jornalista que bebe muito (em extinção, quase ficou fora do álbum).





7. A colunista social do jornal do interior filha do dono do jornal do interior.

8. A repórter de Política divorciada louca para viver um novo grande amor.

9. O repórter de Política divorciado louco para comer a assessora bonitinha.

10. O repórter de Internacional que virou repórter de Internacional porque era viciado em War na infância e adorava invadir o Alaska por Vladivostok.

11. O repórter bonitão que ninguém sabe se é metrossexual ou gay.

12. O jornalista que acumula dois empregos para poder pagar todas as contas do mês (a figuraça mais repetida do álbum).






13. A foca de óculos e sonhos e um livro de poesias começado e um ingresso guardado daquele show do Los Hermanos.





14. A jornalista em dúvida entre morar um tempo em Berlim, iniciar um Mestrado e mudar a cor do cabelo.

15. O repórter que vive atormentando os colegas no Facebook à caça de personagens para suas matérias.

16. A moça do tempo que chama mais atenção do que aquele mapinha tosco indicando que, no domingo, vai fazer 32 graus em Cuiabá, 29 em Vitória e 24 em Porto Alegre.

17. O crítico de cinema que usa cachecol até no verão.

18. O fotógrafo que conta piadas até em velório.

19. O repórter policial com quatro décadas de experiência, muitas histórias para contar e uma almofadinha para aliviar as hemorroidas.

20. O jornalista que ganha bem (a figuraça mais difícil de ser encontrada).


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terça-feira, 29 de abril de 2014

10 sintomas da pobreza de um jornalista


1. Ir à pauta de busão para embolsar a grana do táxi.

2. Fazer anotações na mão para economizar folhas do bloquinho.

3. Ir a uma coletiva chata só para garantir o almoço do dia.

4. Esfregar a caneta velha entre as mãos para soltar a tinta ressecada.

5. Passar a madrugada à base de café requentado escrevendo frilas que pagam mal pra cacete.

6. Aproveitar a entrevista com uma dermatologista famosa para perguntar qual o melhor tratamento para olheiras de jornalistas que passam a madrugada à base de café requentado escrevendo frilas que pagam mal pra cacete.

7. Decorar a casa só com presentinhos de assessor.

8. Perguntar ao entrevistado qual a operadora do celular dele para escolher o melhor chip e gastar menos no pré-pago.

9. Vender tudo que é tranqueira no Mercado Livre para conseguir comprar uma máquina fotográfica no Mercado Livre.

10. Usar a mesma calça jeans e o mesmo All Star há anos.


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terça-feira, 22 de abril de 2014

Jornalisten bundamolensen


Carta ao jornalista dinamarquês que ficou chocadinho com o Brasil e desistiu do sonho de cobrir a Copa do Mundo.

Prezado Mikkel Jensen ou “jornalisten bundamolensen” (para falar um dinamarquês bem claro),

Eu adoraria fazer uma cobertura jornalística sobre a bela primavera em Copenhague. A cidade ensolarada e cheia de gente com consciência ecológica pedalando de lá pra cá. Se você me fizer um convite, vou praí com grande satisfação. Desde que o convite inclua, claro, passagem aérea, hospedagem e alimentação.

É muito bom cobrir belas primaveras em qualquer cidade ensolarada do mundo, mas, quando a gente escolhe ser jornalista, precisa estar preparado para tudo, coisas belas ou não.

Mazelas, tragédias, desgraças em geral fazem parte da nossa realidade de jornalista.

Jornalista chocado com a realidade é como um cirurgião chocado com sangue ou uma ninfomaníaca com direito a volumes 1 e 2 chocada com uma “pirocassen” ou uma “xoxotassen” (aliás, estas foram as primeiras palavras que me ensinaram em dinamarquês).

E você, meu caro, chocado com o que ouviu ou imaginou do Brasil ainda abriu mão do sonho de cobrir uma Copa do Mundo? Que porra de jornalista você é, afinal?

Aqui, no Brasil, há muitas coisas lindas para se cobrir, mas aqui também se matam crianças. Se matam velhos, Amarildos, se queimam índios. Violência social é com a gente mesmo. E é por isso que o Brasil precisa tanto do olhar sem medo dos jornalistas.

Não basta ter sangue viking correndo pelas veias. É preciso ter sangue de jornalista correndo pelas veias.

Para não me alongar, paro por aqui. Fico aguardando um convite seu para cobrir a bela primavera em Copenhague. Não me importo de viajar em classe econômica, ok? E torço muito para que você reconsidere sua decisão e volte ao Brasil para realizar o seu sonho. Venha mesmo, mas, por favor, sem “mimimissen” (para falar um dinamarquês bem claro).

Cordialmente,
Duda Rangel


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terça-feira, 15 de abril de 2014

A arte de fazer tudo desaparecer


Apalpou os bolsos e nada.

Foi só voltar à redação e se dar conta de que o bloquinho de anotações havia desaparecido.

Era especialista em fazer as coisas desaparecerem. Bloquinhos, canetas, celulares, ideias geniais de dez minutos atrás. Seu apelido na redação era o “Repórter Lost”.

- Porra, São Longuinho, me ajuda aí.

O santo, que não é bobo, fingia não ouvir. Ajudar jornalista dá muito trabalho.

No bloquinho perdido estavam todas as aspas bombásticas para a grande matéria do dia. Resolveu voltar ao local da pauta, a rodoviária da cidade.

- Por favor, o senhor não viu um bloquinho perdido por aí, não? Um bloquinho de anotações pequeno, assim desse tamanho, capa azul ou vermelha, agora eu não lembro, todo sujo, com umas folhas bem rabiscadas, tipo letra que só farmacêutico entende.

Repetiu a pergunta várias vezes e nada.

Por que não inventam um bloquinho com microchip, rastreado por satélite e o cacete?

Se não reencontrasse o bloquinho, teria de se lembrar das informações e das aspas bombásticas de cabeça. Logo ele que, por três vezes seguidas, havia sido reprovado num curso de memorização a distância.

- Porra, São Longuinho, eu dou mil pulinhos mais juros extorsivos de 13,7% pelo milagre, tipo cheque especial, topa?

O santo, que não é bobo, topou. Mas pediu 15%.

Foi o faxineiro quem encontrou o bloquinho. No banheiro.

- Ó aqui, seu jornalista, seu bloquinho perdido. Mas eu vou falar uma coisa pro senhor: essa letra aí nem farmacêutico entende.

A matéria estava salva, o faxineiro ganhou um beijo na testa e o santo levaria seus 1.150 pulinhos de boa. No carro, voltando à redação pela segunda vez, foi saboreando as aspas bombásticas. O deadline apertou. Pensou num lead.

Mas foi só sentar para escrever a matéria e... O que estava acontecendo? Queria porque queria digitar e nada. A ideia genial de lead de dez minutos atrás havia desaparecido. Assim, sem mais nem menos. E sem deixar rastros.


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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Jornalista, breve definição


Ser jornalista é vida sem meio-termo. É ter diploma de bipolaridade. Ou não ter diploma. É amor e é dor. Entusiasmo e apatia no mesmo dia. É querer salvar o mundo sabendo que essa merda não tem mais jeito, não. É ter muitas ideias para o futuro e não ter a menor ideia do futuro. É bater e é apanhar. É ser seguramente inseguro. É ter ora uma vontade louca de viajar o planeta ora de ficar quietinho no seu canto. É ir do Inferno ao Céu numa única pauta. É odiar Matemática, mas encher a matéria de números. É querer fazer tanta coisa e ter uma preguiça danada. É ser livre sem ser livre. É se achar mesmo quando se está perdido. É ter porra nenhuma para celebrar e, ainda assim, ir ao bar. Um brinde à porra nenhuma! É fazer graça da desgraça. É dormir cheio de aflição e acordar cheio de excitação. Ser jornalista é ser tudo isso e não ser. Eis a confusão.


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terça-feira, 25 de março de 2014

O jornalista supersincero


Você não tem uma foto melhor, não? Eu vi a que você me mandou, mas você tá tão gorda lá, cara de cu. Vai estragar minha matéria.

Caneta de novo? Vocês já deram jabá melhor pra imprensa, hein?

Eu não vou publicar o seu release porque tá uma merda.

Reunião? Teu chefe não tá em porra nenhuma de reunião. Ele não quer é me atender.

Não vem com esse papo de amiguinho. Você só tá me escrevendo porque tá desempregado e quer uma boquinha aqui na redação.

Prefiro que você me envie as respostas por e-mail. É que estou com uma preguiça danada de fazer a entrevista por telefone.

O lançamento do celular em si não me despertou nenhum interesse. Eu só vim mesmo pra coletiva pra comer. Aproveita e me passa aquele canapé. O de tomate seco.

Você não tem uma declaração mais original, não? Essa história de que agora é levantar a cabeça, corrigir os erros e trabalhar duro em busca dos três pontos é tão clichê.

Ele tá em reunião ainda? Escuta, querida, não é que eu me importe com o que ele tem a falar. Eu tô cagando pro que ele tem a falar. É que eu tenho que ouvir a porra do outro lado pra fechar a matéria.

Adoro desgraça de pobre. Sempre dá audiência.

Já que você está muito a fim de me namorar, eu preciso te avisar: eu não sou famoso, eu trabalho de fim de semana e, ontem num e-mail, você escreveu abraço com dois esses. É com cedilha, anta!


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