terça-feira, 22 de abril de 2014

Jornalisten bundamolensen


Carta ao jornalista dinamarquês que ficou chocadinho com o Brasil e desistiu do sonho de cobrir a Copa do Mundo.

Prezado Mikkel Jensen ou “jornalisten bundamolensen” (para falar um dinamarquês bem claro),

Eu adoraria fazer uma cobertura jornalística sobre a bela primavera em Copenhague. A cidade ensolarada e cheia de gente com consciência ecológica pedalando de lá pra cá. Se você me fizer um convite, vou praí com grande satisfação. Desde que o convite inclua, claro, passagem aérea, hospedagem e alimentação.

É muito bom cobrir belas primaveras em qualquer cidade ensolarada do mundo, mas, quando a gente escolhe ser jornalista, precisa estar preparado para tudo, coisas belas ou não.

Mazelas, tragédias, desgraças em geral fazem parte da nossa realidade de jornalista.

Jornalista chocado com a realidade é como um cirurgião chocado com sangue ou uma ninfomaníaca com direito a volumes 1 e 2 chocada com uma “pirocassen” ou uma “xoxotassen” (aliás, estas foram as primeiras palavras que me ensinaram em dinamarquês).

E você, meu caro, chocado com o que ouviu ou imaginou do Brasil ainda abriu mão do sonho de cobrir uma Copa do Mundo? Que porra de jornalista você é, afinal?

Aqui, no Brasil, há muitas coisas lindas para se cobrir, mas aqui também se matam crianças. Se matam velhos, Amarildos, se queimam índios. Violência social é com a gente mesmo. E é por isso que o Brasil precisa tanto do olhar sem medo dos jornalistas.

Não basta ter sangue viking correndo pelas veias. É preciso ter sangue de jornalista correndo pelas veias.

Para não me alongar, paro por aqui. Fico aguardando um convite seu para cobrir a bela primavera em Copenhague. Não me importo de viajar em classe econômica, ok? E torço muito para que você reconsidere sua decisão e volte ao Brasil para realizar o seu sonho. Venha mesmo, mas, por favor, sem “mimimissen” (para falar um dinamarquês bem claro).

Cordialmente,
Duda Rangel


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terça-feira, 15 de abril de 2014

A arte de fazer tudo desaparecer


Apalpou os bolsos e nada.

Foi só voltar à redação e se dar conta de que o bloquinho de anotações havia desaparecido.

Era especialista em fazer as coisas desaparecerem. Bloquinhos, canetas, celulares, ideias geniais de dez minutos atrás. Seu apelido na redação era o “Repórter Lost”.

- Porra, São Longuinho, me ajuda aí.

O santo, que não é bobo, fingia não ouvir. Ajudar jornalista dá muito trabalho.

No bloquinho perdido estavam todas as aspas bombásticas para a grande matéria do dia. Resolveu voltar ao local da pauta, a rodoviária da cidade.

- Por favor, o senhor não viu um bloquinho perdido por aí, não? Um bloquinho de anotações pequeno, assim desse tamanho, capa azul ou vermelha, agora eu não lembro, todo sujo, com umas folhas bem rabiscadas, tipo letra que só farmacêutico entende.

Repetiu a pergunta várias vezes e nada.

Por que não inventam um bloquinho com microchip, rastreado por satélite e o cacete?

Se não reencontrasse o bloquinho, teria de se lembrar das informações e das aspas bombásticas de cabeça. Logo ele que, por três vezes seguidas, havia sido reprovado num curso de memorização a distância.

- Porra, São Longuinho, eu dou mil pulinhos mais juros extorsivos de 13,7% pelo milagre, tipo cheque especial, topa?

O santo, que não é bobo, topou. Mas pediu 15%.

Foi o faxineiro quem encontrou o bloquinho. No banheiro.

- Ó aqui, seu jornalista, seu bloquinho perdido. Mas eu vou falar uma coisa pro senhor: essa letra aí nem farmacêutico entende.

A matéria estava salva, o faxineiro ganhou um beijo na testa e o santo levaria seus 1.150 pulinhos de boa. No carro, voltando à redação pela segunda vez, foi saboreando as aspas bombásticas. O deadline apertou. Pensou num lead.

Mas foi só sentar para escrever a matéria e... O que estava acontecendo? Queria porque queria digitar e nada. A ideia genial de lead de dez minutos atrás havia desaparecido. Assim, sem mais nem menos. E sem deixar rastros.


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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Jornalista, breve definição


Ser jornalista é vida sem meio-termo. É ter diploma de bipolaridade. Ou não ter diploma. É amor e é dor. Entusiasmo e apatia no mesmo dia. É querer salvar o mundo sabendo que essa merda não tem mais jeito, não. É ter muitas ideias para o futuro e não ter a menor ideia do futuro. É bater e é apanhar. É ser seguramente inseguro. É ter ora uma vontade louca de viajar o planeta ora de ficar quietinho no seu canto. É ir do Inferno ao Céu numa única pauta. É odiar Matemática, mas encher a matéria de números. É querer fazer tanta coisa e ter uma preguiça danada. É ser livre sem ser livre. É se achar mesmo quando se está perdido. É ter porra nenhuma para celebrar e, ainda assim, ir ao bar. Um brinde à porra nenhuma! É fazer graça da desgraça. É dormir cheio de aflição e acordar cheio de excitação. Ser jornalista é ser tudo isso e não ser. Eis a confusão.


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terça-feira, 1 de abril de 2014

Promoção Mês do Jornalista: compre o livro do Duda Rangel por um preço especial


No mês em que é comemorado o Dia do Jornalista (7 de abril), o livro "A vida de jornalista como ela é" está em promoção. Aproveite! Normalmente vendido por R$ 22,90, o preço de cada exemplar será de R$ 19,50. A promoção começa à zero hora do dia 1º de abril (não, não é mentira!) e vai até as 23h59 do dia 30 de abril.

A compra pode ser feita pela loja no Facebook aqui (pelos sistemas PagSeguro e Paypal) e por meio de depósito bancário. O frete é grátis para todo o Brasil.

A conta corrente para o depósito ou transferência bancária: N/Couto Comunicação Ltda. – Banco Itaú (341), Agência: 3094, Conta corrente: 04272-2 – CNPJ: 05.264.054/0001-88. O comprovante da operação deve ser enviado para o e-mail livrododuda@gmail.com, assim como o endereço completo de entrega (não se esqueça do CEP).

Você pode pedir também uma dedicatória escrevendo para o e-mail livrododuda@gmail.com. Assim que o livro é encaminhado, o comprador recebe um código de rastreamento dos Correios para poder acompanhar o pedido.

Muito obrigado, meus queridos.

terça-feira, 25 de março de 2014

O jornalista supersincero


Você não tem uma foto melhor, não? Eu vi a que você me mandou, mas você tá tão gorda lá, cara de cu. Vai estragar minha matéria.

Caneta de novo? Vocês já deram jabá melhor pra imprensa, hein?

Eu não vou publicar o seu release porque tá uma merda.

Reunião? Teu chefe não tá em porra nenhuma de reunião. Ele não quer é me atender.

Não vem com esse papo de amiguinho. Você só tá me escrevendo porque tá desempregado e quer uma boquinha aqui na redação.

Prefiro que você me envie as respostas por e-mail. É que estou com uma preguiça danada de fazer a entrevista por telefone.

O lançamento do celular em si não me despertou nenhum interesse. Eu só vim mesmo pra coletiva pra comer. Aproveita e me passa aquele canapé. O de tomate seco.

Você não tem uma declaração mais original, não? Essa história de que agora é levantar a cabeça, corrigir os erros e trabalhar duro em busca dos três pontos é tão clichê.

Ele tá em reunião ainda? Escuta, querida, não é que eu me importe com o que ele tem a falar. Eu tô cagando pro que ele tem a falar. É que eu tenho que ouvir a porra do outro lado pra fechar a matéria.

Adoro desgraça de pobre. Sempre dá audiência.

Já que você está muito a fim de me namorar, eu preciso te avisar: eu não sou famoso, eu trabalho de fim de semana e, ontem num e-mail, você escreveu abraço com dois esses. É com cedilha, anta!


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quinta-feira, 13 de março de 2014

Quer uma palestra gratuita do Duda Rangel na sua faculdade?


Sair do mundo virtual do blog e cair no mundo real dos encontros universitários, de Norte a Sul do Brasil, tem sido uma experiência maravilhosa para mim. É muito bom falar de jornalismo, discutir jornalismo e ouvir o que os jovens estudantes pensam sobre a profissão – seus sonhos, dúvidas, curiosidades.

Nas palestras e bate-papos, abordamos as coisas sérias da profissão com bom humor, os encantos e desencantos, os desafios atuais, o blog Desilusões perdidas e muito mais. Junto com a palestra, rola um lançamento do livro “A vida de jornalista como ela é”, com direito a sessão de autógrafos e fotos meigas para se postar no Facebook.

Para encontros universitários sem fins lucrativos, como semanas de Comunicação, a palestra não tem custo para os organizadores. Apenas eventuais despesas da viagem (transporte, hospedagem e alimentação). Se você desejar uma palestra na sua faculdade, é só escrever para dudarangel2009@gmail.com. Valeu. Até mais!


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terça-feira, 11 de março de 2014

Sem generalizar, por favor


Nem todo dia é um novo dia, nem todo padre é pedófilo, nem todo pastor arranca a grana dos fiéis, nem todo cara de olho puxado é japonês, nem todo cabeleireiro é viado, nem todo político “roba”, nem todo taxista diz que todo político “roba”, nem todo jornalista trabalha na Globo, nem todo partido de esquerda é realmente de esquerda, nem todo policial é corrupto, nem todo jogador de futebol é mercenário, nem todo corintiano é favelado, nem todo mundo odeia o Cris, nem toda venezuelana é miss, nem toda miss leu o Pequeno Príncipe, nem todo homem é igual, nem toda generalização é burra, nem toda loira é burra, nem todo carioca gosta de praia, nem todo paulista gosta de trabalhar, nem todo cearense é engraçado, nem todas as merdas que acontecem no mundo, incluindo guerras e catástrofes naturais, são culpa do PT, nem todo moleque que se chama Romário se chama Romário por causa do Romário, nem toda bruxa tem aquela verruga nojenta na cara, nem toda segunda-feira é deprê, nem todo brasileiro é igual perante a lei, nem todo árabe é terrorista, nem todo dia de finados chove, nem todo mundo no Facebook é feliz como diz, nem tudo vale a pena seja a alma extra large, média ou pequena.


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quinta-feira, 6 de março de 2014

10 formas de você convencer seus pais de que vale a pena estudar jornalismo


Vocês já pensaram quantos prédios eu derrubaria se fosse engenheiro civil? Quantos bisturis eu esqueceria dentro de gente inocente se fosse cirurgião? Ser jornalista é um ato de amor à vida alheia.

Quando eu estiver na bancada do Jornal Nacional dizendo boa noite para milhões de brasileiros, a vizinhança toda vai ter inveja de vocês pelo filho que vocês têm. (nota: o único ponto negativo é que no futuro eles vão cobrar isso de você)

Vocês sabem que eu nunca fui bom em nada. Não sei chutar uma bola de futebol e nas Olimpíadas de Matemática da escola eu sempre era eliminado na primeira fase! Pô, a única coisa que faço direito é contar histórias.

Como o meu irmão mais velho já estudou o que vocês queriam, agora eu vou poder estudar o que eu quero, certo? Tipo ser jornalista, certo?

Vocês têm noção de quanto custa uma faculdade de medicina?

Mãe, como jornalista, eu vou descolar convite pra senhora ver o Roberto Carlos no navio. Quando eu estou aqui eu vivo este momento lindo, mãe! Tudo de graça!

Pai, quem é que precisa de dinheiro? Ok, tá, tudo bem, eu preciso de dinheiro, aliás, eu ia até pedir pro senhor me arrumar uma grana agora, mas dinheiro também não é assim tudo nessa vida.

Aí a Mãe Alzira jogou aquelas pedrinhas na mesa, aí a Mãe Alzira soltou aquela fumaça fedida de cigarro na minha cara, aí a Mãe Alzira disse pra mim “mizifia, suncê vai ser jornalista”, aí eu lembrei que a senhora me disse uma vez, mãe, que a Mãe Alzira não falha.

Pai, eu tô na dúvida entre ser stripper e jornalista. Qual profissão o senhor acha que eu devo seguir? (nota: existe, sim, o risco de alguns pais responderem stripper)

Lembram quando vocês me falavam que ler é o máximo? Quando vocês falavam que a gente tem que lutar por um mundo melhor? Buscar sempre a verdade? Agora, não adianta vocês ficarem me olhando torto. A culpa é toda de vocês.


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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

G.R.E.S. Unidos da Redação


Carnaval de jornalista tem o plantão aí, gente, tem a ala das focas, a ala das assessoras, tem o atrás da grande matéria só não vai quem já morreu, tem credencial que vale mais que abadá, tem ascensão e queda do diploma categoria luxo, tem o bota lá no lead, bota, meu amor, tem a expectativa da apuração, tem a concentração no fechamento, tem a dispersão da equipe após essa correria toda, tem a velha que guarda os textos numa pastinha, tem o empregobeleza, tem release cheio de adereços, tem pauta que é um ziriguidum só, tem entrevistado do balacobaco, tem a porta-jabá a desfilar pela redação, tem o puxador de saco-enredo, tem a rainha da boca-livre, tem jornalista mascarado, tem quem não gosta de rua bom repórter não é, tem ô abre aspas que eu quero publicar, tem a apoteose do furo, tem a folia dos bloquinhos, tem o quesito profissão maluca dez nota dez.

Veja tambémas marchinhas jornalísticas de carnaval cantadas


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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Marchinhas jornalísticas de carnaval






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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Espermatozoides



Apenas um entre milhões de espermatozoides consegue fecundar o óvulo. É desta competição da porra que a gente nasce.

Então, a gente compete pelos mimos da mamãe, por um brinquedinho de pilha. A gente compete pelo último biscoito Passatempo do pacote, pelas melhores notas na escola, pelo primeiro beijo. A gente compete na natação, no futebol, no Candy Crush, no Playstation. A gente compete por seguidores no Twitter, por curtidas no Facebook. A gente compete pelo amor da pessoa amada. Pela barriga mais sarada. Por ouvidos para os nossos desabafos. A gente compete no Enem, no estágio, na entrevista de emprego. A gente compete por aumento de salário, por um cargo mais alto na firma. A gente compete pelo peru da Sadia em promoção no Carrefour. Por um banheiro público no carnaval. Pelos milhões da Mega-Sena. Por um horário na agenda do dentista. A gente compete por um assento no busão. Pelo melhor lugar no cinema. A gente compete com carros, gente, bicicletas pelo mesmo espaço nas ruas. No casamento, a gente compete pela merda do controle remoto da TV. A gente compete com a gente mesmo. Com nossa memória, com nossa preguiça. A gente compete por um leito no hospital, por uma vaga na UTI. A gente compete até por uma boquinha no Céu.


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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Santiago e os riscos da vida de jornalista


Jornalismo é uma profissão de riscos.

Alguns bons, como o risco de se apaixonar por contar histórias.

E para contar histórias a gente vai chegando pertinho delas. Meio sem pedir licença.

Não se faz bom jornalismo de um helicóptero.

Santiago Andrade foi morto na rua, no meio de um protesto, no meio de uma história.

Ah, sim, há também os riscos ruins da profissão, como o risco de morrer tentando contar uma história.

Porque, por mais que pareça improvável, há o risco de um babaca acender um rojão no meio da história.

E o jornalista, acostumado a dar o sangue, derrama seu sangue.

E os outros jornalistas, que seguimos vivos, ficamos confusos com tantos riscos para calcular, o que vale a pena correr, o que não vale, logo nós, que nunca fomos bons em cálculos. Apenas em contar histórias.


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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

10 ótimas razões para protestar contra a Copa do Mundo no Brasil


Enquanto muito se fala em estádios superfaturados e no provável caos da mobilidade urbana, questões bem mais importantes são deixadas de lado. Sem medo de botar o dedo nas feridas reais, o blog levantou 10 motivos para fazer um protesto contra a Copa no Brasil realmente valer a pena. Pense nisso antes de ir pra rua.

1. No show de abertura, periga Claudinha Leitte, que se acha a globalizada, querer cantar em inglês, em francês, italiano ou em todas essas línguas ao mesmo tempo, botando em risco a ótima reputação que a música popular brasileira conquistou ao longo de tanto tempo.

2. O ufanismo de Galvão Bueno chegará a níveis estratosféricos.

3. A concentração de argentinos no Brasil, normalmente restrita a Floripa e Búzios, se dará no País inteiro. Já imaginou encontrar argentino em todo canto? Pior que um surto nacional de dengue.

4. Será insuportável ver a criativa imprensa brasileira fazer, pela milionésima vez, matérias sobre o risco de um novo Maracanazo, com direito a entrevistas psicografadas com o goleiro Barbosa defendendo-se da cruel acusação de vilão de 50.

5. Tudo ficará muito inflacionado durante a Copa. Uma ex-panicat ou uma ex-capa da Sexy que normalmente cobra R$ 5 mil por um city tour completo vai aproveitar a invasão de gringos e pedir o triplo deste valor.

6. Com a realização da Copa no Brasil, uma confusão mental sem precedentes afetará o nosso povo. Protesto por um País melhor ou assisto aos jogos? Protesto ou assisto apenas aos jogos do Brasil? Protesto ou assisto apenas aos jogos do Brasil a partir das oitavas? Grito por mais educação ou por mais um gol do Neymar? Uma mistura de dúvidas e culpa pode levar milhões de brasileiros ao divã num tratamento que duraria até a Copa de 2018.

7. Ninguém merece mascote de nome Fuleco.

8. Numa das maiores ações de marketing de guerrilha já vistas no mundo, a Dolly pode criar uma versão pirata da Coca-Cola Fun Fest. Já pensou? Um evento com centenas de tevês de tubo para o povo acompanhar os jogos do Brasil, muito funk, distribuição de ovinhos de amendoim e Dollynho Guaraná que pisca.

9. Assistir a um jogo num estádio de futebol será de uma chatice padrão Fifa. O brasileiro, dado a uma falta básica de civilidade, terá pequenos prazeres furtados, como o arremesso de copo cheio de mijo na galera e a brincadeira de apontar um sinalizador para a cabeça de torcedores rivais, no caso para a cabeça dos torcedores argentinos.

10. Eles podem odiar, mas existe também o risco de os gringos amarem Claudinha Leitte globalizada poliglota. A loira se tornaria a nova referência do País pós-Bossa Nova e a música popular brasileira estaria lascada para sempre.


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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Outras desilusões risíveis


A gente se desilude com a profissão, com o amor, com o time do coração, com o governo, com a vida. Desilusão é algo inerente ao ser humano, assim como a vontade de falar mal do Big Brother. A desilusão machuca, porque é atrito entre os nossos sonhos mais lindos com o mundo mais perfeito e a realidade dura.

Antes, eu botava a culpa em Deus. Custava ter criado um mundo perfeito? É o que dá fazer tudo nas coxas, em seis dias. Meta de produtividade e deadline são coisas do capeta. Deus poderia ter levado, sei lá, uns dois ou três meses, com direito a descansar sábados, domingos e, com sorte, algum feriado prolongado.

Não, a culpa não é d’O Apressadinho. A graça da vida e do mundo é justamente a imperfeição. A desilusão, assim como a perda e a dor, suas primas de primeiro grau, pode significar um recomeço, a chance de uma reconciliação.

Há cinco anos, escrevo sobre desilusões e reconciliações da vida de jornalista. Com bom humor. Fico feliz quando alguém manda uma mensagem dizendo que texto ou outro lhe deixou com um sorriso no canto da boca. Rir do que é ou está desajustado é terapêutico.

A partir de hoje, começarei a escrever também sobre outras pedras em outros caminhos. Sobre outras desilusões risíveis, de gente variada, inclusive jornalistas. E, claro, seguirei escrevendo sobre o Jornalismo, com quem tenho uma ligação quase sexual.

Se Deus tivesse buscado a perfeição, ainda que na correria dos seis dias, não haveria as merdas do mundo e sem as merdas do mundo não haveria o riso. E tudo seria muito chato.


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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Sobre o tempo


Tem o tempo em que a gente se descobre jornalista e cada jornalista tem um tempo diferente pra isso.

Tem o tempo em que a gente tem todo o tempo do mundo e vive o jornalismo com uma intensidade maluca como se o tempo fosse se esgotar em pouco tempo. Tem o tempo bom de redação que não volta nunca mais que a gente cantarola cheio de nostalgia lembrando o Thaíde na mesa de um bar.

Tem o tempo de ir até lá só pra tomar um café rapidinho, beleza? Pra acordar, pra respirar, e já voltar pro texto. Porque o tempo pro deadline é sempre curto.

Tem o tempo em que a gente é estudante de jornalismo, tempo das vacas magras, ou vacas anoréxicas, como se diz nos tempos de hoje. Apesar de tanto tempo ruim, um tempo bom.

Além da falta de tempo, tem também a sobra de tempo, que é o tempo em que a gente fica sem emprego.

Tem o tempo lento – o tempo quase sempre apressado às vezes resolve ser lento –, que é o tempo do plantão de domingo que a gente precisa matar de algum jeito.

E tem o tempo de dar um tempo.

O blog Desilusões perdidas vai dar um tempo. Volta logo, eu prometo.

Meu obrigado a quem acompanhou os posts por mais um ano, o quinto de vida do blog. Aos que compraram o livro “A vida de jornalista como ela é”. A quem ainda não comprou, é só clicar aqui. Obrigado a cada pessoa cujo caminho eu cruzei em tantos encontros universitários este ano, de Norte a Sul do Brasil, literalmente. Em 2014, tem mais.

E pra gente não perder mais tempo, me despeço aqui.

Um puta ano novo pra todos vocês.

Duda.

PS: Assim como a venda do livro, as atualizações das redes sociais não tiram férias. Acompanhe a página do blog no Facebook aqui e siga pelo Twitter aqui. Valeu.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O horóscopo dos jornalistas para 2014


Trabalho – Um ano com eleições gerais, Copa do Mundo no Brasil e Big Brother 14 tem tudo para ser muito agitado para os jornalistas. Para deixar o cenário astral mais complexo, Plutão entra em conjunção com as redações enxutas, indicando um período muito propício à perda de folgas e a longas jornadas de fechamento de cadernos especiais. Mas nada que um café bem forte em conjunção com um energético não resolva.

Finanças – Apesar de 2014 ser um ano que terá o azul como cor predominante, isso não significa que a conta bancária dos jornalistas sairá do vermelho. A previsão de um ano financeiramente delicado é a mesma de 2013 e de todos os anos anteriores desde Gutenberg. Em 2014, serão necessários muitos esforços, frilas e até mesmo uma tripla jornada de trabalho. Nenhum mistério esotérico.

Amor – No início do ano, Júpiter caminha pelos relacionamentos dos jornalistas. O que isso significa? Não faço a menor ideia. A Lua revela, por meio de sua assessoria de imprensa, que a influência astrológica do Juju, aplicativo que avalia o desempenho amoroso dos jornalistas, torna 2014 fértil para muitas DRs. Para os encalhados, pessoas exóticas devem entrar em suas vidas. E elas não são jornalistas. Jornalistas são pessoas estranhas mesmo.

Horóscopo chinês – O ano de 2014 será regido pelo Cavalo, o que favorece ações concretas, como tomar vergonha na cara, atualizar o currículo e buscar um trabalho decente. É também um ano propício para se levar muitos coices, principalmente de chefes e entrevistados. Alguns astrólogos acreditam que, como os jornalistas passam grande parte da vida pastando, para eles todo ano é ano do Cavalo.

Saúde – Os longos períodos sem comer em quadratura com os dias em que se almoça porcaria na padaria às cinco da tarde indicam que, em 2014, os jornalistas terão uma saúde mais fragilizada, o que requer atenção. Os momentos mais críticos ocorrem no primeiro semestre. E no segundo semestre também. Os astros aconselham a adoção de uma dieta mais balanceada ou, pelo menos, doses extras de Omeprazol.

Sexo – Com o safado de Vênus retrógrado nos primeiros seis meses do ano, a vida sexual dos jornalistas também será morna no período. Mas, depois disso, vai rolar uma putaria astral só. O ápice da sacanagem jornalística acontece nas eleições, por razões já conhecidas. A chegada de Urano ao centro do signo de Áries não significa porra nenhuma, mas eu achei legal botar isso no texto.

Família – A ranzinzice do pai em desconjunção com a impaciência da mãe em desarmonia com a birra dos irmãos em desalinhamento com a TPM da cunhada em desequilíbrio com a encheção de saco do tio desempregado sugere que a vida familiar em 2014 vai ser foda. Mas como jornalista vive trabalhando e não tem tempo para a família, o ano promete ser maravilhoso.


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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Imprensa Retrô 2013


A velha imprensa ficou perdidinha com os protestos de junho. Chamou manifestante de vândalo, depois elogiou a polícia, depois mudou o discurso total. Vinagre na mão de jornalista virou arma e deu cadeia. Bala de borracha doeu no olho e na alma. Os ninjas mostraram do asfalto o que a Globo tentou mostrar do helicóptero. As redes sociais pautaram a imprensa. E tudo isso reforçou a questão: qual o futuro do jornalismo? A audiência em queda do Jornal Nacional passou a ser exibida em HD. Bento 16 sacaneou a Ilze, ao renunciar bem nas férias da setorista papal. O El País chegou ao País. A Abril “descontinuou” várias revistas, como a Bravo!. Empresas de comunicação “descontinuaram” o emprego de jornalistas em todo o Brasil. Os bravos do Diário do Pará cruzaram os braços por mais dignidade. O pessoal da EBC também parou. Jornalista faz greve, sim. Pimenta Neves – que medo – passou a andar solto por aí. A Vejinha precisou provar que o Rei do Camarote não era pegadinha do Mallandro. O Fantástico trocou uma Renata por outra. A imprensa começou o ano babando ovo pro Eike e acabou o ano jogando ovo no Eike. O Globo, com meio século de atraso, admitiu que o apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro. Marcelo Rezende coçou o saco ao vivo no Cidade Alerta. A Poeta, com pressa de ver a novela, se levantou da bancada antes da hora. O Tralli chamou o Cheirão de Chorão, ops!, chamou o Chorão de Cheirão. E o Lobão virou colunista da Veja, o que torna o debate sobre o futuro do jornalismo ainda mais urgente, porque o bagulho ficou ainda mais foda.


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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Jornalista é jornalista até quando está fazendo outras coisas


Carla é repórter de Economia e taróloga nas horas vagas

Querida, a carta que você tirou tá com um viés de alta esta semana. O arcano, então, super-recomendado pelo mercado. Você tava me contando que seu marido saiu de casa, mas já dá pra notar uma reversão dessa sua volatilidade emocional e um cenário mais otimista. Numa projeção de curto prazo, eu digo que este homem volta. Seu déficit sexual vai acabar.

Márcio é repórter esportivo e corretor imobiliário

Este apartamento, meu amigo, é show de bola. E a vista da sacada? Uma pintura. Coisa mais linda. Chega a lembrar aquele gol do Neymar contra o Flamengo na Vila. Sabe qual eu tô falando? Vou te dizer uma coisa: é assinar o contrato e correr para o abraço.

Catarina é colunista social e coordenadora informal de Comunicação do Villagio Città, condomínio onde mora

Sabe o seu Antônio do 64? Vou te contar em primeira mão: é corno.

Bruno é repórter policial e toca Raul de quinta a domingo num barzinho xexelento

♫ Prefiro ser
Esse repórter ambulante
Eu prefiro ter
Uma rotina emocionante
Do que ter aquela velha pauta chata
Apurada via Google. ♫

Beatriz é moça do tempo na TV e atendente voluntária do Centro de Valorização da Vida

Por que se matar? Escuta: a vida é assim, sujeita a tempestades. Você só precisa entender a sua existência neste mundo como uma imagem de satélite. Amanhã é outra imagem, outro dia, um dia ensolarado, sem nuvens. Você só está passando por um período de instabilidade.

Gabriela é editora de Política e faz sexo sempre que arruma um tempinho

Amor, solta logo esse texto, ou melhor, solta logo o meu sutiã.


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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

10 coisas que os namorados de jornalista deveriam saber


Como os jornalistas vivem intensamente o trabalho, pode até parecer que eles amam mais a profissão do que amam seus parceiros. Em alguns casos, muitos casos, isso é verdade, mas também não chega a ser assim muuuito mais.

O jeito meio reclamão dos jornalistas é uma questão cultural, histórica, antropológica, metafísica. E um pouco de charme.

O jeito meio chato é chatice mesmo.

Numa briga ou DR, não tente entender por que eles insistem em perguntar o que, quem, quando, onde, como e por quê.

Não é por mal que eles riem dos erros de português da pessoa amada.

É normal eles passarem a madrugada em frente a um computador.

É normal eles serem um pouco anormais.

Levar um bloquinho de anotações para o jantar de aniversário de namoro é apenas precaução. É que a notícia não marca hora.

Acredite: a Patrícia Poeta também tem crises existenciais e o William Bonner também brocha.

Apesar de tudo, é comum as pessoas sentirem orgulho de namorar um jornalista. Confessa, vai.


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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Ser assessor de imprensa é...


Ter uma cara de pau elevada à enésima potência.

Festejar a notinha do colunista famosão como se fosse um furo de reportagem.

Viver explicando pro povo de redação que assessor também é jornalista.

Viver explicando pro povo de relações públicas que jornalista também é assessor.

Saber vender seu peixe. Quer levar, não, freguesia? Pauta fresquinha.

Ouvir do assessorado desinteressante o pedido de uma entrevista pro Jô, e pensar “tô fodido”.

Ralar como qualquer jornalista, mas levar fama de vida boa.

Montar sua própria agência acreditando que vai, enfim, ficar rico.

Buscar o difícil equilíbrio entre o interesse do assessorado e o do repórter.

Buscar o difícil equilíbrio entre o ego do assessorado e o do repórter.

Responder 20 perguntas por e-mail pra ontem, por favor, e não esquece uma foto em alta resolução, tipo 300 dpi, pode ser?

Lidar com assessorado que não tem a menor noção de como funciona a imprensa.

Apagar incêndios quando o assessorado faz alguma merda.

Ser criativo para produzir press kits maneiros por um custo baixo.

Organizar coletiva e rezar pra tudo que é santo pra não chover.

Ir a almoços chatérrimos de “fortalecimento de relações”.

Planejar, pensar pautas originais, ter bons contatos na imprensa, texto bom. Mais alguma coisa?

Usar expressões chiques, como “ativo de imagem”.

Distribuir presentinhos e não ser o Papai Noel.

Explicar o tempo todo aos leigos o que um assessor de imprensa faz. E ter a certeza de que ninguém vai entender.


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