O repórter heterossexual de Cultura
– Eu desconfio que o Carlão é.
– Hetero?
– Nunca viram o jeito como ele fala de futebol?
– Ai, que maldade. De repente, ele curte ver as coxas dos bofes.
– Ele sabe o que é impedimento.
– Gente, nada a ver, o Carlão a-do-ra teatro, moda...
– Fachada. Conheço esse tipo de hetero enrustido.
O único assessor de imprensa num BBB só com jornalistas de redação
(Notem como o assessor é discriminado)
(Jornalista 1): Meu voto vai pro assessor, porque numa escala de afinidade é o que eu menos gosto.
(Jornalista 2): Oi, Bial, oi, Brasil, eu vou votar no assessor de imprensa. Tá rolando um estresse aqui na casa. Bial, ele só quer trabalhar até as 6 da tarde da sexta. Não faz nada no fim de semana, não lava um prato, uma cueca.
(Jornalista 3): Hoje, eu voto no assessor de imprensa, porque, na semana passada, ele prometeu dar o anjo com exclusividade para uns três jornalistas. Sacanagem, Bial.
O repórter que recebe a grana do frila sem atraso
– Beto, vai pagar o chope da galera, sim, senhor!
– Peraí. Vamos dividir esse negócio.
– Dividir nada. Você é único da mesa que faz frila e recebe certinho, não é? Tá sempre com a grana.
– Mas...
– Ô, Beto, eu demoro uns três meses pra receber um frila, quando recebo. E ainda me pedem uma porrada de mudança no texto.
– E eu, gente, que só vou receber daquela revista esotérica na próxima lua minguante. Aliás, alguém aí sabe quando é a próxima lua minguante?
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
O juramento do jornalista
Juro (sem cruzar os dedos) ser um jornalista responsável e comprometido com a verdade.
Juro ouvir o outro lado. Mas só até o fechamento da edição.
Juro respeitar os valores aprendidos na faculdade, como não roubar no jogo de truco, nem chamar o adversário de “marreco”.
Juro não chorar se receber cinco pautas num mesmo dia.
Juro (cruzando os dedos) usar a carteira da Fenaj apenas nos eventos em que estiver a trabalho.
Juro honrar a tradição jornalística de comer porcaria em botecos de má reputação.
Juro não cobiçar a pauta alheia.
Juro não ficar contando piadinhas em velórios de gente famosa, com exceção do velório do Gilmar Mendes.
Juro não praticar jornalismo sensacionalista, a menos que a audiência esteja muito fraca.
Juro (cruzando os dedos das duas mãos) recusar todo tipo de jabá em coletivas de imprensa.
Juro não rasgar o meu diploma, apesar da vontade que vai me dar de vez em quando.
Juro encher de porrada o não-jornalista que falar mal da minha profissão.
Juro não esmorecer nos dias mais difíceis da carreira, que serão praticamente todos os dias.
Juro ser um jornalista etílico e, claro, ético também.
Juro que esta é a última vez que eu juro tanta coisa ao mesmo tempo. Ô, troço chato!
Juro ouvir o outro lado. Mas só até o fechamento da edição.
Juro respeitar os valores aprendidos na faculdade, como não roubar no jogo de truco, nem chamar o adversário de “marreco”.
Juro não chorar se receber cinco pautas num mesmo dia.
Juro (cruzando os dedos) usar a carteira da Fenaj apenas nos eventos em que estiver a trabalho.
Juro honrar a tradição jornalística de comer porcaria em botecos de má reputação.
Juro não cobiçar a pauta alheia.
Juro não ficar contando piadinhas em velórios de gente famosa, com exceção do velório do Gilmar Mendes.
Juro não praticar jornalismo sensacionalista, a menos que a audiência esteja muito fraca.
Juro (cruzando os dedos das duas mãos) recusar todo tipo de jabá em coletivas de imprensa.
Juro não rasgar o meu diploma, apesar da vontade que vai me dar de vez em quando.
Juro encher de porrada o não-jornalista que falar mal da minha profissão.
Juro não esmorecer nos dias mais difíceis da carreira, que serão praticamente todos os dias.
Juro ser um jornalista etílico e, claro, ético também.
Juro que esta é a última vez que eu juro tanta coisa ao mesmo tempo. Ô, troço chato!
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
O jornalismo é como a poesia
O jornalismo e a poesia.
Dor. Lamentação.
Utopia.
A poesia tem paixão,
tem noite maldormida.
Tem corno de plantão.
Quem nunca escreveu versinhos numa tarde de solidão?
E o jornalismo, o que dizer desse cara então?
Tem tudo que a poesia tem.
É caso sem solução.
O jornalismo e a poesia.
Malditos. Marginais.
Vida na periferia.
Em um sebo é lá no fundo,
beeeeem no fuuuuundo...
que fica a poesia.
Mais longe que enciclopédia. Estante de Biologia.
O jornalismo é igualzinho, parece que causa alergia.
Vive sempre em quarentena.
Estranha patologia.
O jornalismo e a poesia.
Inspiração. Beleza.
Magia.
A poesia é urgente,
tem denúncia, apelo.
Tem palavra envolvente.
Quando lida ou cantada fica toda atraente.
Jornalismo é irmão gêmeo, não é nada diferente.
Incomoda e transforma.
Mexe com a alma da gente.
Dor. Lamentação.
Utopia.
A poesia tem paixão,
tem noite maldormida.
Tem corno de plantão.
Quem nunca escreveu versinhos numa tarde de solidão?
E o jornalismo, o que dizer desse cara então?
Tem tudo que a poesia tem.
É caso sem solução.
O jornalismo e a poesia.
Malditos. Marginais.
Vida na periferia.
Em um sebo é lá no fundo,
beeeeem no fuuuuundo...
que fica a poesia.
Mais longe que enciclopédia. Estante de Biologia.
O jornalismo é igualzinho, parece que causa alergia.
Vive sempre em quarentena.
Estranha patologia.
O jornalismo e a poesia.
Inspiração. Beleza.
Magia.
A poesia é urgente,
tem denúncia, apelo.
Tem palavra envolvente.
Quando lida ou cantada fica toda atraente.
Jornalismo é irmão gêmeo, não é nada diferente.
Incomoda e transforma.
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
50 manias típicas de jornalista
1. Mania de guardar recorte de matéria pra nunca mais ler.
2. Mania de reclamar demais.
3. Mania de passar a madrugada na internet, mesmo depois de um dia intenso de trabalho.
4. Mania de tomar remédio pra dormir.
5. Mania de achar que sabe tudo.
6. Mania de ter opinião sobre tudo.
7. Mania de se sentir perseguido por todos.
8. Mania de querer salvar o mundo.
9. Mania de liberdade.
10. Mania de acreditar que um dia a coisa melhora.
11. Mania de recorrer a velhos clichês na hora de escrever uma matéria.
12. Mania de ajeitar o cabelo um milhão de vezes antes do link.
13. Mania de dar carteirada.
14. Mania de comer e escrever um texto ao mesmo tempo.
15. Mania de deixar o teclado todo cheio de gordura e resto de comida.
16. Mania de querer tudo pra ontem.
17. Mania de fingir riqueza pros vizinhos.
18. Mania de ter um blog.
19. Mania de chegar atrasado às pautas.
20. Mania de tomar café.
21. Mania de escrever um texto enorme e depois ficar cortando pra caber.
22. Mania de ir pra rua e ficar olhando pra tudo e todos, feito cachorro que vive preso em apartamento.
23. Mania de ler 50 vezes o próprio nome estampado na primeira página do jornal.
24. Mania de falar mal dos outros, principalmente de outros jornalistas.
25. Mania de declarar guerra aos assessores de imprensa.
26. Mania de achar que tudo pode render, pelo menos, uma nota.
27. Mania de ficar feliz com qualquer presentinho, feito cachorro carente.
28. Mania de rabiscar umas três frases por página do bloquinho e já pular pra outra.
29. Mania de encher o saco dos amigos na caça de bons personagens.
30. Mania de encher o texto de aspas.
31. Mania de ser DJ nas horas vagas.
32. Mania de ser poeta nas horas vagas.
33. Mania de ser esquisito.
34. Mania de namorar outros jornalistas.
35. Mania de roubar a pauta dos outros.
36. Mania de “produzir” fotos, de orientar personagem, de acabar com a naturalidade.
37. Mania de ser saudosista.
38. Mania de requentar informação.
39. Mania de fazer pergunta óbvia.
40. Mania de se fingir de morto na reunião de pauta pra não pegar roubada do chefe.
41. Mania de pisar no pé do colega na luta pra chegar mais perto do entrevistado.
42. Mania de achar que vai conseguir furos fuçando no Twitter.
43. Mania de desorganização.
44. Mania de parecer envergonhado na hora de tietar entrevistado famoso.
45. Mania de esconder o time de coração quando se é jornalista esportivo.
46. Mania de se sentir mais importante só porque trabalha num jornal grande.
47. Mania de se sentir menos importante só porque trabalha num jornal pequeno.
48. Mania de ir ao bar e passar 76,7% do tempo falando só de jornalismo.
49. Mania de ir ao bar e passar 23,3% do tempo discutindo quem é e quem não é gay na redação.
50. Mania de dizer que não tem manias.
2. Mania de reclamar demais.
3. Mania de passar a madrugada na internet, mesmo depois de um dia intenso de trabalho.
4. Mania de tomar remédio pra dormir.
5. Mania de achar que sabe tudo.
6. Mania de ter opinião sobre tudo.
7. Mania de se sentir perseguido por todos.
8. Mania de querer salvar o mundo.
9. Mania de liberdade.
10. Mania de acreditar que um dia a coisa melhora.
11. Mania de recorrer a velhos clichês na hora de escrever uma matéria.
12. Mania de ajeitar o cabelo um milhão de vezes antes do link.
13. Mania de dar carteirada.
14. Mania de comer e escrever um texto ao mesmo tempo.
15. Mania de deixar o teclado todo cheio de gordura e resto de comida.
16. Mania de querer tudo pra ontem.
17. Mania de fingir riqueza pros vizinhos.
18. Mania de ter um blog.
19. Mania de chegar atrasado às pautas.
20. Mania de tomar café.
21. Mania de escrever um texto enorme e depois ficar cortando pra caber.
22. Mania de ir pra rua e ficar olhando pra tudo e todos, feito cachorro que vive preso em apartamento.
23. Mania de ler 50 vezes o próprio nome estampado na primeira página do jornal.
24. Mania de falar mal dos outros, principalmente de outros jornalistas.
25. Mania de declarar guerra aos assessores de imprensa.
26. Mania de achar que tudo pode render, pelo menos, uma nota.
27. Mania de ficar feliz com qualquer presentinho, feito cachorro carente.
28. Mania de rabiscar umas três frases por página do bloquinho e já pular pra outra.
29. Mania de encher o saco dos amigos na caça de bons personagens.
30. Mania de encher o texto de aspas.
31. Mania de ser DJ nas horas vagas.
32. Mania de ser poeta nas horas vagas.
33. Mania de ser esquisito.
34. Mania de namorar outros jornalistas.
35. Mania de roubar a pauta dos outros.
36. Mania de “produzir” fotos, de orientar personagem, de acabar com a naturalidade.
37. Mania de ser saudosista.
38. Mania de requentar informação.
39. Mania de fazer pergunta óbvia.
40. Mania de se fingir de morto na reunião de pauta pra não pegar roubada do chefe.
41. Mania de pisar no pé do colega na luta pra chegar mais perto do entrevistado.
42. Mania de achar que vai conseguir furos fuçando no Twitter.
43. Mania de desorganização.
44. Mania de parecer envergonhado na hora de tietar entrevistado famoso.
45. Mania de esconder o time de coração quando se é jornalista esportivo.
46. Mania de se sentir mais importante só porque trabalha num jornal grande.
47. Mania de se sentir menos importante só porque trabalha num jornal pequeno.
48. Mania de ir ao bar e passar 76,7% do tempo falando só de jornalismo.
49. Mania de ir ao bar e passar 23,3% do tempo discutindo quem é e quem não é gay na redação.
50. Mania de dizer que não tem manias.
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
O jornalismo, de A a Z
Alienante, anárquico, apaixonante.
Bisbilhoteiro, boêmio, biscateiro.
Corajoso, canalha, curioso.
Desconfiado, dateniano, desassossegado.
Egocêntrico, efêmero, excêntrico.
Futriqueiro, figuraça, fuleiro.
Glorioso, googlemaníaco, guloso.
Humano, hediondo, hamletiano.
Inquieto, insone, indiscreto.
Justiceiro, jeitosinho, jornaleiro.
Luciferino, libertário, libertino.
Matinal, mambembe, marginal.
Narcótico, nervosinho, neurótico.
Orgiástico, orgânico, orgástico.
Persistente, provocador, paudurecente.
Querente, quixotesco, quente.
Revolucionário, ranzinza, reacionário.
Sonhador, sobrevivente, sedutor.
Tendencioso, transparente, teimoso.
Unido, urgente, ungido.
Viajante, vaidoso, viciante.
Xerocador, xereta, xavecador.
Zombeteiro, zumbi, zen-dinheiro.
Bisbilhoteiro, boêmio, biscateiro.
Corajoso, canalha, curioso.
Desconfiado, dateniano, desassossegado.
Egocêntrico, efêmero, excêntrico.
Futriqueiro, figuraça, fuleiro.
Glorioso, googlemaníaco, guloso.
Humano, hediondo, hamletiano.
Inquieto, insone, indiscreto.
Justiceiro, jeitosinho, jornaleiro.
Luciferino, libertário, libertino.
Matinal, mambembe, marginal.
Narcótico, nervosinho, neurótico.
Orgiástico, orgânico, orgástico.
Persistente, provocador, paudurecente.
Querente, quixotesco, quente.
Revolucionário, ranzinza, reacionário.
Sonhador, sobrevivente, sedutor.
Tendencioso, transparente, teimoso.
Unido, urgente, ungido.
Viajante, vaidoso, viciante.
Xerocador, xereta, xavecador.
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
O insólito caso da piriguete com nome cheio de consoante
(Checar a grafia do nome da piriguete).
Puta que pariu! Foi só acordar, abrir o jornal e entrar em pânico. A observação ainda estava lá. Publicada. Terceira linha do quinto parágrafo. Mico-mor da minha carreira!
É o que dá fazer na pressa, não revisar o texto. E o editor que deixou passar? Putz, eu sempre tão cuidadoso.
A piriguete é uma das personagens da matéria, uma estudante. Protesto na Paulista pelo direito de ouvir música no iPod durante as aulas. Ela chamava a atenção. A única de microssaia e salto alto. Mas tinha um nome difícil, daqueles cheios de consoante, sabe? Tipo islandês, russo, sei lá.
Nos portais de informação da internet, a gente faz merda, vai lá e corrige. Impresso é diferente. Não tem como abortar informação indesejada. Impresso não tem pílula do dia seguinte.
A chefia gosta de mim, não devo perder o emprego, mas a vergonha tortura. Meu nome lá. Assinado. Vão me dizer que amanhã a vergonha passa, a gente esquece, a vida segue. Só que o hoje é uma eternidade.
Daqui a pouco chego à redação. Já estou até vendo: a galera rindo, sacaneando. Vou ganhar apelido novo: Paulo Piriguete. O Pê Pê. Vou entrar para os anais da imprensa. Virar piada em show do Maurício Menezes.
Será que alguém vai me reconhecer na rua, apontar aquele dedo que diz “ó lá o cara que escreveu piriguete no jornal”? Tormento. Sou o próprio Raskolnikov. Ras-kol-ni-kov. Porra, escrevi certo?
Medo de acessar a web. E-mails aos montes? Uma mensagem indignada da piriguete? E se eu parar nas redes sociais? Nos TTs mundiais? A cagada do repórter viralizada!
Nunca mais deixo este tipo de observação nos textos. E o principal: não entrevisto mais gente com nome difícil. Com nome cheio de consoante. Tipo islandês, russo, sei lá. E imaginar que no protesto tinha um monte de menina com cara de Maria da Graça. Rita de Cássia. Simples. Assim.
Puta que pariu! Foi só acordar, abrir o jornal e entrar em pânico. A observação ainda estava lá. Publicada. Terceira linha do quinto parágrafo. Mico-mor da minha carreira!
É o que dá fazer na pressa, não revisar o texto. E o editor que deixou passar? Putz, eu sempre tão cuidadoso.
A piriguete é uma das personagens da matéria, uma estudante. Protesto na Paulista pelo direito de ouvir música no iPod durante as aulas. Ela chamava a atenção. A única de microssaia e salto alto. Mas tinha um nome difícil, daqueles cheios de consoante, sabe? Tipo islandês, russo, sei lá.
Nos portais de informação da internet, a gente faz merda, vai lá e corrige. Impresso é diferente. Não tem como abortar informação indesejada. Impresso não tem pílula do dia seguinte.
A chefia gosta de mim, não devo perder o emprego, mas a vergonha tortura. Meu nome lá. Assinado. Vão me dizer que amanhã a vergonha passa, a gente esquece, a vida segue. Só que o hoje é uma eternidade.
Daqui a pouco chego à redação. Já estou até vendo: a galera rindo, sacaneando. Vou ganhar apelido novo: Paulo Piriguete. O Pê Pê. Vou entrar para os anais da imprensa. Virar piada em show do Maurício Menezes.
Será que alguém vai me reconhecer na rua, apontar aquele dedo que diz “ó lá o cara que escreveu piriguete no jornal”? Tormento. Sou o próprio Raskolnikov. Ras-kol-ni-kov. Porra, escrevi certo?
Medo de acessar a web. E-mails aos montes? Uma mensagem indignada da piriguete? E se eu parar nas redes sociais? Nos TTs mundiais? A cagada do repórter viralizada!
Nunca mais deixo este tipo de observação nos textos. E o principal: não entrevisto mais gente com nome difícil. Com nome cheio de consoante. Tipo islandês, russo, sei lá. E imaginar que no protesto tinha um monte de menina com cara de Maria da Graça. Rita de Cássia. Simples. Assim.
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Previsões para os jornalistas em 2012
Mãe Dinah
- A PEC do Diploma vinga em 2012?
- Quem?
- O diploma de jornalista. Ele volta em 2012?
- Vejo um ano de renascimento para o diproma.
- E isso na prática quer dizer o quê?
- Quer dizer que o diproma saiu pra comprar cigarro, mas volta em 2012, craro que volta.
Pai Reginaldo de Ogum
- O ano de 2012 será bom para os jornalistas?
- Será um ano de muita fartura.
- Vai ter aumento decente de salário?
- Não, fartura de trabalho. O fim do mundo vai render muita pauta.
- Porra, é o fim do mundo mesmo!
- Mas vejo aqui gente que vai adorar essa desgraceira toda, como aquele moço, o Datena.
Clara Zen
- O que os jornalistas podem esperar de 2012?
- 2012 vai ser foda.
- Mas de novo?
- Estamos falando de uma foda no sentido literal. 2012 será o ano da Lua, que rege a fertilidade. Ano de jornalista fazer filho!
- Opa, vai rolar sexo em 2012! Finalmente uma previsão boa.
- A Lua, meu querido, detesta essa coisa só de plantão.
- A PEC do Diploma vinga em 2012?
- Quem?
- O diploma de jornalista. Ele volta em 2012?
- Vejo um ano de renascimento para o diproma.
- E isso na prática quer dizer o quê?
- Quer dizer que o diproma saiu pra comprar cigarro, mas volta em 2012, craro que volta.
Pai Reginaldo de Ogum
- O ano de 2012 será bom para os jornalistas?
- Será um ano de muita fartura.
- Vai ter aumento decente de salário?
- Não, fartura de trabalho. O fim do mundo vai render muita pauta.
- Porra, é o fim do mundo mesmo!
- Mas vejo aqui gente que vai adorar essa desgraceira toda, como aquele moço, o Datena.
Clara Zen
- O que os jornalistas podem esperar de 2012?
- 2012 vai ser foda.
- Mas de novo?
- Estamos falando de uma foda no sentido literal. 2012 será o ano da Lua, que rege a fertilidade. Ano de jornalista fazer filho!
- Opa, vai rolar sexo em 2012! Finalmente uma previsão boa.
- A Lua, meu querido, detesta essa coisa só de plantão.
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Novos provérbios jornalísticos
De detetive, masoquista e louco, todo jornalista tem um pouco.
É ralando que se aprende.
A bom entrevistador meia palavra não basta.
Nunca diga “desse release não beberei”.
É melhor suprimir do que acrescentar.
Escreveu, não leu, barriga comeu.
Um repórter não demitido trabalha por dois.
Um dia é do pauteiro, o outro do assessor.
É melhor não cutucar o anunciante com denúncia curta.
Quem não tem fato caça com boato.
Foca mole em pauta dura tanto bate a cabeça que o prazo fura.
Repórter pilhado tem medo de pauta fria.
Quem ri por último vai rir, com certeza, do desgraçado do Gilmar Mendes.
Antes só do que mal-assessorado.
Filho de jornalista, pobrezinho é.
Errar é danielalbuquerquiano.
Leia também: Provérbios jornalísticos
É ralando que se aprende.
A bom entrevistador meia palavra não basta.
Nunca diga “desse release não beberei”.
É melhor suprimir do que acrescentar.
Escreveu, não leu, barriga comeu.
Um repórter não demitido trabalha por dois.
Um dia é do pauteiro, o outro do assessor.
É melhor não cutucar o anunciante com denúncia curta.
Quem não tem fato caça com boato.
Foca mole em pauta dura tanto bate a cabeça que o prazo fura.
Repórter pilhado tem medo de pauta fria.
Quem ri por último vai rir, com certeza, do desgraçado do Gilmar Mendes.
Antes só do que mal-assessorado.
Filho de jornalista, pobrezinho é.
Errar é danielalbuquerquiano.
Leia também: Provérbios jornalísticos
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Sobre dores, coisas boas e uma despedida
“O jornalista é, antes de tudo, um forte”
(Euclides da Cunha)
Quem já teve pedra no rim (meu caso) ouviu alguém falar que a dor da danada se mexendo é pior que a dor do parto. E a dor de ser jornalista, como é? É pior que cólica renal. Porra, então vamos desistir desta profissão, vocês vão dizer. Sofrer pra quê? Mas não se foge da dor. Ela faz parte da vida. Para ser jornalista – assim como para viver – é preciso conviver com a dor, ser mais forte que ela. Defendo até que as faculdades de jornalismo, além dos estúdios de rádio e TV, tenham um Laboratório da Dor, para simular sensações como a perda do emprego, da liberdade, das ilusões, dos cabelos.
O ano de 2011 foi doloroso para os jornalistas por velhas razões. Passaralhos, violência, desrespeito. O diploma, tadinho, seguiu marginalizado. Deu até entrevista para o blog revelando, por exemplo, que tentou o suicídio. Mas sobrevivemos. Sempre sobrevivemos. Só quem é capaz de suportar a dor é capaz de saborear as coisas boas da vida e dessa nossa profissão maluca. E posso garantir: são muitas as coisas boas pra gente saborear!
Que em 2012 a gente continue mais forte que qualquer dor.
Quero agradecer aos leitores fiéis que prestigiam meus textos neste blog, aos que dão uma passadinha de vez em quando, aos que postam comentários, aos que comentam só em pensamento, aos que mandam mensagens carinhosas, aos que discordam do que escrevo, aos que divulgam meus escritos por aí, aos que choram, aos que riem.
O blog entra em férias e volta a ser atualizado em 16 de janeiro. Neste período de hibernação, vai rolar o “Desilusões perdidas Retrô” no Facebook e no Twitter, com os melhores (ou piores) posts de 2011. A quem estiver na área, é só ficar ligado. Ano que vem, tem mais. Valeu, amigos, vocês são a razão deste blog! Feliz ano novo! Duda.
(Euclides da Cunha)
Quem já teve pedra no rim (meu caso) ouviu alguém falar que a dor da danada se mexendo é pior que a dor do parto. E a dor de ser jornalista, como é? É pior que cólica renal. Porra, então vamos desistir desta profissão, vocês vão dizer. Sofrer pra quê? Mas não se foge da dor. Ela faz parte da vida. Para ser jornalista – assim como para viver – é preciso conviver com a dor, ser mais forte que ela. Defendo até que as faculdades de jornalismo, além dos estúdios de rádio e TV, tenham um Laboratório da Dor, para simular sensações como a perda do emprego, da liberdade, das ilusões, dos cabelos.
O ano de 2011 foi doloroso para os jornalistas por velhas razões. Passaralhos, violência, desrespeito. O diploma, tadinho, seguiu marginalizado. Deu até entrevista para o blog revelando, por exemplo, que tentou o suicídio. Mas sobrevivemos. Sempre sobrevivemos. Só quem é capaz de suportar a dor é capaz de saborear as coisas boas da vida e dessa nossa profissão maluca. E posso garantir: são muitas as coisas boas pra gente saborear!
Que em 2012 a gente continue mais forte que qualquer dor.
Quero agradecer aos leitores fiéis que prestigiam meus textos neste blog, aos que dão uma passadinha de vez em quando, aos que postam comentários, aos que comentam só em pensamento, aos que mandam mensagens carinhosas, aos que discordam do que escrevo, aos que divulgam meus escritos por aí, aos que choram, aos que riem.
O blog entra em férias e volta a ser atualizado em 16 de janeiro. Neste período de hibernação, vai rolar o “Desilusões perdidas Retrô” no Facebook e no Twitter, com os melhores (ou piores) posts de 2011. A quem estiver na área, é só ficar ligado. Ano que vem, tem mais. Valeu, amigos, vocês são a razão deste blog! Feliz ano novo! Duda.
PS: Não sei se o mundo acaba mesmo em 2012, mas, se acabar, torçam para não estar de plantão. Porque, acreditem, cobrir o apocalipse vai ser muito foda.
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011
40 resoluções para não cumprir em 2012
1. Passar os telefones do bloquinho para a agenda do celular.
2. Não perder o celular.
3. Organizar a pilha de jornais com os recortes de suas matérias.
4. Não aceitar mais frila por uma merreca.
5. Mudar para um emprego decente.
6. Mudar para uma profissão decente.
7. Criar uma superagência de assessoria e dominar o mercado.
8. Fazer um plano de previdência para não correr o risco de acabar no Retiro dos Jornalistas.
9. Não assistir mais ao BBB. Nenhuma espiadinha.
10. Reclamar menos.
11. Transar mais.
12. Fazer um plano anual na academia.
13. Largar o cigarro.
14. Moderar na cerveja.
15. Beber pelo menos dois litros de água por dia.
16. Fazer refeições de 3 em 3 horas.
17. Não ter medo do passaralho.
18. Atualizar o blog toda semana.
19. Pagar todas as contas sem atraso.
20. Devolver o dinheiro que pegou emprestado de um amigo (não-jornalista, claro).
21. Dar mais atenção ao “eu interior”.
22. Perder menos tempo lendo o blog do Duda Rangel.
23. Ficar menos dependente do Google para apurar matérias.
24. Ficar menos dependente das redes sociais para viver.
25. Ser mais tolerante com os assessores de imprensa.
26. Voltar a estudar inglês.
27. Ler pelo menos 25 livros no ano.
28. Ler pelo menos 3 jornais todas as manhãs.
29. Realizar o sonho do iPad próprio.
30. Não aceitar mais jabás.
31. Ter mais engajamento social (é diferente de ir a baladas).
32. Doar sangue (mais a quem precisa e menos ao dono do jornal).
33. Escrever um livro.
34. Comprar um All Star novo e aposentar o velho encardido.
35. Parar de se entupir de remédio para dormir.
36. Parar de ficar procurando o amor de sua vida em eventos só com jornalistas.
37. Parar de odiar o Gilmar Mendes.
38. Parar de ficar tanto tempo parado.
39. Procurar mais personagem nas ruas e menos no Twitter.
40. Não fazer mais listas com resoluções de ano novo.
2. Não perder o celular.
3. Organizar a pilha de jornais com os recortes de suas matérias.
4. Não aceitar mais frila por uma merreca.
5. Mudar para um emprego decente.
6. Mudar para uma profissão decente.
7. Criar uma superagência de assessoria e dominar o mercado.
8. Fazer um plano de previdência para não correr o risco de acabar no Retiro dos Jornalistas.
9. Não assistir mais ao BBB. Nenhuma espiadinha.
10. Reclamar menos.
11. Transar mais.
12. Fazer um plano anual na academia.
13. Largar o cigarro.
14. Moderar na cerveja.
15. Beber pelo menos dois litros de água por dia.
16. Fazer refeições de 3 em 3 horas.
17. Não ter medo do passaralho.
18. Atualizar o blog toda semana.
19. Pagar todas as contas sem atraso.
20. Devolver o dinheiro que pegou emprestado de um amigo (não-jornalista, claro).
21. Dar mais atenção ao “eu interior”.
22. Perder menos tempo lendo o blog do Duda Rangel.
23. Ficar menos dependente do Google para apurar matérias.
24. Ficar menos dependente das redes sociais para viver.
25. Ser mais tolerante com os assessores de imprensa.
26. Voltar a estudar inglês.
27. Ler pelo menos 25 livros no ano.
28. Ler pelo menos 3 jornais todas as manhãs.
29. Realizar o sonho do iPad próprio.
30. Não aceitar mais jabás.
31. Ter mais engajamento social (é diferente de ir a baladas).
32. Doar sangue (mais a quem precisa e menos ao dono do jornal).
33. Escrever um livro.
34. Comprar um All Star novo e aposentar o velho encardido.
35. Parar de se entupir de remédio para dormir.
36. Parar de ficar procurando o amor de sua vida em eventos só com jornalistas.
37. Parar de odiar o Gilmar Mendes.
38. Parar de ficar tanto tempo parado.
39. Procurar mais personagem nas ruas e menos no Twitter.
40. Não fazer mais listas com resoluções de ano novo.
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
O presente de Natal certo para cada tipo de jornalista
Para o jornalista que não terá férias em janeiro: o livro “Como descolar pautas bacanas num período em que porra nenhuma acontece”.
Para o jornalista metido a intelectual: assinatura da revista New Yorker para ele deixar sobre a mesa de trabalho. Ele não sabe Inglês? Tudo bem. É só para deixar sobre a mesa.
Para um jornalista chato que você tá bem a fim de sacanear: livro do Gabriel Chalita. Qualquer um tá valendo. Se achar aquele em que ele troca cartas com o padre, ótimo.
Para o jornalista que sempre perde o bloquinho de anotações: um moderno bloquinho com rastreador e sinal sonoro que repete “atenção, este bloquinho está sendo perdido”.
Para o jornalista que não entende a própria letra no bloquinho: curso de caligrafia a distância do IUB, com método que vai de entrevistas rápidas a convites de casamento.
Para o jornalista obcecado por furos: uma cesta de queijos do tipo Emmental.
Para a jornalista cheia de glamour da editoria “Geral”: um kit bem brega com botas de borracha e capa de chuva, afinal o verão tá aí, e enchente não é nada fashion, bebê.
Para um jornalista sem diploma: porta-retratos com uma foto sua levantando o troféu de campeão da Copa Jürgen Habermas de Truco Universitário. Só para fazer inveja.
Para o bom assessor de imprensa (no crees en asesores de prensa buenos, pero que los hay, los hay): um almoço em sua casa, para retribuir todas as bocas-livres que ele lhe proporcionou ao longo do ano.
Para o foca que acha que já sabe tudo: uns tapas na orelha para ele ficar esperto.
Para o jornalista que padece de insônia: a indicação do blog do Duda Rangel. Se é para ficar a noite toda de bobeira, aproveita então para ler os textos do pobre coitado.
Para o jornalista que adora ser a notícia: capa fake da Caras com a foto dele, claro, e a chamada: “Fulano de tal abre sua casa em Búzios e fala dos novos projetos jornalísticos”.
Para uma apresentadora global desempregada: um programa matinal em 2012.
Para o jornalista que não consegue um aumento de salário decente: um mês com apenas 15 dias. Se encontrar um com 10, melhor ainda. Presentaço de Natal.
Para o jornalista metido a intelectual: assinatura da revista New Yorker para ele deixar sobre a mesa de trabalho. Ele não sabe Inglês? Tudo bem. É só para deixar sobre a mesa.
Para um jornalista chato que você tá bem a fim de sacanear: livro do Gabriel Chalita. Qualquer um tá valendo. Se achar aquele em que ele troca cartas com o padre, ótimo.
Para o jornalista que sempre perde o bloquinho de anotações: um moderno bloquinho com rastreador e sinal sonoro que repete “atenção, este bloquinho está sendo perdido”.
Para o jornalista que não entende a própria letra no bloquinho: curso de caligrafia a distância do IUB, com método que vai de entrevistas rápidas a convites de casamento.
Para o jornalista obcecado por furos: uma cesta de queijos do tipo Emmental.
Para a jornalista cheia de glamour da editoria “Geral”: um kit bem brega com botas de borracha e capa de chuva, afinal o verão tá aí, e enchente não é nada fashion, bebê.
Para um jornalista sem diploma: porta-retratos com uma foto sua levantando o troféu de campeão da Copa Jürgen Habermas de Truco Universitário. Só para fazer inveja.
Para o bom assessor de imprensa (no crees en asesores de prensa buenos, pero que los hay, los hay): um almoço em sua casa, para retribuir todas as bocas-livres que ele lhe proporcionou ao longo do ano.
Para o foca que acha que já sabe tudo: uns tapas na orelha para ele ficar esperto.
Para o jornalista que padece de insônia: a indicação do blog do Duda Rangel. Se é para ficar a noite toda de bobeira, aproveita então para ler os textos do pobre coitado.
Para o jornalista que adora ser a notícia: capa fake da Caras com a foto dele, claro, e a chamada: “Fulano de tal abre sua casa em Búzios e fala dos novos projetos jornalísticos”.
Para uma apresentadora global desempregada: um programa matinal em 2012.
Para o jornalista que não consegue um aumento de salário decente: um mês com apenas 15 dias. Se encontrar um com 10, melhor ainda. Presentaço de Natal.
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
O que alguns jornalistas esperam para o ano novo
Como os sonhos sempre se renovam, um post para relembrar.
Fábio espera ser promovido de estagiário pessimamente remunerado sênior para repórter com salário de merda júnior.
Letícia espera fazer uma especialização em Jornalismo na Espanha. Ou um mestrado em Mídias Sociais na USP. Ou trabalho voluntário. Ou mudar o corte do cabelo.
Murilo espera cobrir uma guerra no Oriente Médio, mas, se não rolar, serve um morro no Rio de Janeiro.
Sérgio espera não esperar nada para depois não se frustrar.
Tatiana espera arrumar um empregão, igual ao da Ilze Scamparini.
Diogo espera deixar a revista Hidráulica Moderna e poder, enfim, escrever sobre cinema.
Joana espera roubar todos os clientes da agência de assessoria de imprensa de seu chefe canalha e abrir sua própria agência.
Pedro espera parar de fumar, beber e se entupir de comidas gordurosas. Mas só às segundas-feiras de lua cheia.
Patrícia espera que o jornal em que trabalha não vá à falência ou vire apenas uma edição eletrônica.
Fernanda espera arrumar um namorado novo. Mas, por favor, Deus, que não seja outro jornalista.
Roberto espera fazer menos plantão. E mais sexo.
Fábio espera ser promovido de estagiário pessimamente remunerado sênior para repórter com salário de merda júnior.
Letícia espera fazer uma especialização em Jornalismo na Espanha. Ou um mestrado em Mídias Sociais na USP. Ou trabalho voluntário. Ou mudar o corte do cabelo.
Murilo espera cobrir uma guerra no Oriente Médio, mas, se não rolar, serve um morro no Rio de Janeiro.
Sérgio espera não esperar nada para depois não se frustrar.
Tatiana espera arrumar um empregão, igual ao da Ilze Scamparini.
Diogo espera deixar a revista Hidráulica Moderna e poder, enfim, escrever sobre cinema.
Joana espera roubar todos os clientes da agência de assessoria de imprensa de seu chefe canalha e abrir sua própria agência.
Pedro espera parar de fumar, beber e se entupir de comidas gordurosas. Mas só às segundas-feiras de lua cheia.
Patrícia espera que o jornal em que trabalha não vá à falência ou vire apenas uma edição eletrônica.
Fernanda espera arrumar um namorado novo. Mas, por favor, Deus, que não seja outro jornalista.
Roberto espera fazer menos plantão. E mais sexo.
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
O dia seguinte
Oi. Eu pensei que você fosse ligar.
Fiquei de ligar?
Não, mas eu esperei, sei lá. Imaginei que pudesse rolar algo mais.
Não devia esperar, sabe disso.
É que eu sou boba mesmo.
Eu avisei que era coisa momentânea.
Avisou, sim. Só me diz uma coisa.
O quê?
Sobre ontem.
O quê?
Não foi legal?
Foi ótimo.
Sério?
Claro, você é excelente.
Eu fico mais feliz assim.
O problema não é você. É que a gente não tem vaga mesmo.
Eu sempre me iludo com algo mais sério, tipo emprego, sabe?
Foi ótimo, mas foi só um frila.
Ok, ok, foi só um frila (risos). Se pintar outro, me avisa, tá? A grana é boa. E obrigada pelo “você é excelente”!
Sabe que eu gosto de você, né?
Então, tchau.
Peraí, moça.
O quê?
Quer sair comigo hoje à noite?
Hoje?
É. Hoje.
...
Vamos?
Tá bom, mas, ó, já vou avisando: é só sexo, tá? Sem compromisso.
Fiquei de ligar?
Não, mas eu esperei, sei lá. Imaginei que pudesse rolar algo mais.
Não devia esperar, sabe disso.
É que eu sou boba mesmo.
Eu avisei que era coisa momentânea.
Avisou, sim. Só me diz uma coisa.
O quê?
Sobre ontem.
O quê?
Não foi legal?
Foi ótimo.
Sério?
Claro, você é excelente.
Eu fico mais feliz assim.
O problema não é você. É que a gente não tem vaga mesmo.
Eu sempre me iludo com algo mais sério, tipo emprego, sabe?
Foi ótimo, mas foi só um frila.
Ok, ok, foi só um frila (risos). Se pintar outro, me avisa, tá? A grana é boa. E obrigada pelo “você é excelente”!
Sabe que eu gosto de você, né?
Então, tchau.
Peraí, moça.
O quê?
Quer sair comigo hoje à noite?
Hoje?
É. Hoje.
...
Vamos?
Tá bom, mas, ó, já vou avisando: é só sexo, tá? Sem compromisso.
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Adote um jornalista carente neste Natal
Um post cheio de espírito natalino para relembrar. Escolha uma cartinha, dê o presente e faça um jornalista feliz.
“Estar desempregado não afeta apenas a auto-estima de um jornalista. Afeta o seu estômago. Vocês não imaginam o que é comer todo dia o marmitex de cinco reais do bar do Sassá, na Vila Buarque. Como fica a dignidade do ser humano? Logo eu, um cara acostumado ao bem-bom das coletivas de imprensa. São dois anos longe de um canapezinho de atum com damasco, de um carpaccio de salmão. Mas o que eu queria ganhar mesmo neste Natal é o meu prato favorito: filé mignon ao molho madeira com batatas prussianas. Eu só peço a refeição, mas se rolar também um presentinho-surpresa eu ficaria ainda mais feliz.”
Ricardo Macedo
“Eu acabei de me formar e ainda não consegui um emprego. Eu podia estar jogando videogame, podia estar assistindo àqueles videozinhos de stand-up comedy no YouTube, mas prefiro pedir uma chance de trabalho. Aceito qualquer coisa, por qualquer salário. Se for o caso, trabalho até de graça. Sei que é difícil apostar num jovem com um currículo de uma página e ainda assim em Arial 16. Para não dizer que não tenho experiência alguma com técnicas de apuração jornalística, eu gosto muito de monitorar as frases dos famosos no Twitter. Lá, vocês sabem, é sempre possível encontrar grandes furos.”
Bruno Felipe de Oliveira
“A maior frustração da minha vida é nunca ter recebido um prêmio jornalístico. Até hoje, só consegui um troféu mixuruco de terceiro lugar no concurso de poesia na 5ª série. Prêmio faz o jornalista se sentir mais importante. Umas amigas já ganharam. Eu perdi as contas de quantas vezes já reescrevi o meu discurso de agradecimento nesses últimos 15 anos. Eu gostaria muito neste Natal que alguma grande empresa, tipo uma multinacional, se sensibilizasse com a minha história e criasse um prêmio jornalístico exclusivo para mim. Tenho até um espaço reservado na estante da minha sala, ao lado do troféu de poesia da 5ª série.”
Cássia Monteiro
“Fim de ano e o Retiro dos Jornalistas fica cheio. As pessoas só lembram da gente no Natal. No resto dos dias é um esquecimento só. Mas, tudo bem, já é alguma coisa. O que eu queria receber de presente é algo um pouco complicado, eu sei. Queria alguém para me ouvir. Hoje, é tão complicado encontrar alguém para nos ouvir. E eu tenho tanta história para contar. Era eu quem redigia as receitas de bolo para publicar no jornal quando o pessoal da censura baixava na redação. Um dia esqueci de colocar a farinha na lista dos ingredientes. Já viram bolo sem farinha? E as figuras que eu já entrevistei? Teve uma mulher que jurava ser a reencarnação da Nossa Senhora. Dá para acreditar? Reencarnação de Nossa Senhora?”
Marcos Saldanha
“Estar desempregado não afeta apenas a auto-estima de um jornalista. Afeta o seu estômago. Vocês não imaginam o que é comer todo dia o marmitex de cinco reais do bar do Sassá, na Vila Buarque. Como fica a dignidade do ser humano? Logo eu, um cara acostumado ao bem-bom das coletivas de imprensa. São dois anos longe de um canapezinho de atum com damasco, de um carpaccio de salmão. Mas o que eu queria ganhar mesmo neste Natal é o meu prato favorito: filé mignon ao molho madeira com batatas prussianas. Eu só peço a refeição, mas se rolar também um presentinho-surpresa eu ficaria ainda mais feliz.”
Ricardo Macedo
“Eu acabei de me formar e ainda não consegui um emprego. Eu podia estar jogando videogame, podia estar assistindo àqueles videozinhos de stand-up comedy no YouTube, mas prefiro pedir uma chance de trabalho. Aceito qualquer coisa, por qualquer salário. Se for o caso, trabalho até de graça. Sei que é difícil apostar num jovem com um currículo de uma página e ainda assim em Arial 16. Para não dizer que não tenho experiência alguma com técnicas de apuração jornalística, eu gosto muito de monitorar as frases dos famosos no Twitter. Lá, vocês sabem, é sempre possível encontrar grandes furos.”
Bruno Felipe de Oliveira
“A maior frustração da minha vida é nunca ter recebido um prêmio jornalístico. Até hoje, só consegui um troféu mixuruco de terceiro lugar no concurso de poesia na 5ª série. Prêmio faz o jornalista se sentir mais importante. Umas amigas já ganharam. Eu perdi as contas de quantas vezes já reescrevi o meu discurso de agradecimento nesses últimos 15 anos. Eu gostaria muito neste Natal que alguma grande empresa, tipo uma multinacional, se sensibilizasse com a minha história e criasse um prêmio jornalístico exclusivo para mim. Tenho até um espaço reservado na estante da minha sala, ao lado do troféu de poesia da 5ª série.”
Cássia Monteiro
“Fim de ano e o Retiro dos Jornalistas fica cheio. As pessoas só lembram da gente no Natal. No resto dos dias é um esquecimento só. Mas, tudo bem, já é alguma coisa. O que eu queria receber de presente é algo um pouco complicado, eu sei. Queria alguém para me ouvir. Hoje, é tão complicado encontrar alguém para nos ouvir. E eu tenho tanta história para contar. Era eu quem redigia as receitas de bolo para publicar no jornal quando o pessoal da censura baixava na redação. Um dia esqueci de colocar a farinha na lista dos ingredientes. Já viram bolo sem farinha? E as figuras que eu já entrevistei? Teve uma mulher que jurava ser a reencarnação da Nossa Senhora. Dá para acreditar? Reencarnação de Nossa Senhora?”
Marcos Saldanha
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Crise existencial
De onde vim e pra que pauta irei?
Existe vida após um dia de trabalho de 14 horas?
O jornal impresso vai mesmo acabar em 2012?
Onde estava Deus na hora em que decidi prestar jornalismo?
Por que a liberdade vem sempre pela metade?
Por que o tempo passa mais rápido quando a gente tá atrasado?
Qual o sentido da faculdade de jornalismo? Pra lá ou pra cá?
O que é felicidade? Uma manchete assinada? Uma porção de calabresa?
Deus está vivo? Roberto Marinho é o Deus? Roberto Marinho está vivo?
Ser assessor de imprensa ou não ser?
Se existem perguntas sem resposta, por que o meu editor me enche tanto o saco?
Existe vida após um dia de trabalho de 14 horas?
O jornal impresso vai mesmo acabar em 2012?
Onde estava Deus na hora em que decidi prestar jornalismo?
Por que a liberdade vem sempre pela metade?
Por que o tempo passa mais rápido quando a gente tá atrasado?
Qual o sentido da faculdade de jornalismo? Pra lá ou pra cá?
O que é felicidade? Uma manchete assinada? Uma porção de calabresa?
Deus está vivo? Roberto Marinho é o Deus? Roberto Marinho está vivo?
Ser assessor de imprensa ou não ser?
Se existem perguntas sem resposta, por que o meu editor me enche tanto o saco?
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Rápidas lições para fingir ser um jornalista cheio de glamour
Com o sucesso das rápidas lições para fingir ser um jornalista intelectual, o blog decidiu criar outro módulo intensivo. Nós, jornalistas, sabemos que nossa vida não tem glamour algum, mas as pessoas leigas, tadinhas, acreditam que tem. Por que frustrá-las com a triste realidade? Não, nada disso! Mantenha viva nestes pobres mortais a fantasia de profissão chique. E mais: engane a si próprio! Sim, você pode. É o que muitos jornalistas tanto querem! A ilusão tem gosto de mel.
Todo jornalista que busca fingir uma vida de encantos deve cobrir, ao menos uma vez, a São Paulo Fashion Week. O primeiro passo é aposentar o seu guarda-roupa by Renner. Básico. Descole roupas e acessórios de grifes internacionais. Vale uma peça falsificada? Se for impecável, sim. Use aqueles óculos que ocupam 77,8% do seu rosto, porque, além de chiques, eles escondem suas olheiras de cansaço e as rugas de preocupação pela falta de dinheiro. Nada de ficar pegando sacolinha de jabá, hein? Pelo amor de Deus! Eu sei que é difícil recusar, mas elas são muito atestado de pobreza! Não deixe também de entrar de penetra nas festas bacanas que rolam todos os dias e faça de tudo por uma foto com a Gisele Bündchen. Poste no Face, óbvio, no álbum “badalando com a Gi na SPFW”.
Os gays – e existem muitos gays no mundo jornalístico – são um ótimo benchmarking. Até a bicha mais pão-com-ovo do mundo consegue fingir glamour. É este o espírito! Assistir ao filme O Diabo Veste Prada à exaustão também ajuda na inspiração. Ser chique é ainda liderar um abaixo-assinado pela internet em prol de qualquer merda, viajar (ninguém precisa saber que foi a convite de uma operadora de turismo) para Copenhague – aliás, já descobriu onde fica Copenhague? –, ter um prêmio na estante da sala. Como? Vá até uma loja de troféus e medalhas e encomende uma estatueta superexclusiva para você. Invente um nome legal, tipo Prêmio Top Top de Jornalismo Investigativo, e, lógico, deixe-a bem à mostra quando rolar um jantarzinho para os amigos na sua casa. Humilhou!
Seres humanos que exalam glamour merecem ser paparicados. Fã é um troço chato, grudento, mas necessário. No seu caso, o papel de fã caberá aos assessores de imprensa. Eu sei que você vai protestar: “pô, com tanta gente legal pra ser meu fã, por que logo um assessor de imprensa?”. Primeiro: fã a gente não escolhe. Segundo: tudo isso aqui é um grande fingimento, já esqueceu? Imagine que a bajulação dos assessores é carinho, idolatria. Esqueça que eles têm outros interesses. Relaxe, aproveite os presentinhos, os jantares no Fasano. E uma dica ótima: quando eles se aproximarem para vender alguma pauta (não falei que fã é chato?), seja mais rápido: “querido, você quer um autógrafo?”.
Se você trabalha ou tem algum amigo no jornalismo automotivo, a dica final é desfilar com aqueles carrões que as montadoras cedem à imprensa para testes e produção de matérias. Os vizinhos, coitados, não sabem que os carros são emprestados. A cada semana, exiba uma máquina diferente. Só pra fazer inveja! E muita atenção: se um dia você trombar um vizinho no trem e ele lhe perguntar sobre o BMW que você tinha comprado, diga sem vacilar que deixou na garagem de casa, para evitar a emissão de CO2. “Ser chique não é só ter dinheiro, bebê! Ser chique também é salvar o planeta.” Arrasou!
Todo jornalista que busca fingir uma vida de encantos deve cobrir, ao menos uma vez, a São Paulo Fashion Week. O primeiro passo é aposentar o seu guarda-roupa by Renner. Básico. Descole roupas e acessórios de grifes internacionais. Vale uma peça falsificada? Se for impecável, sim. Use aqueles óculos que ocupam 77,8% do seu rosto, porque, além de chiques, eles escondem suas olheiras de cansaço e as rugas de preocupação pela falta de dinheiro. Nada de ficar pegando sacolinha de jabá, hein? Pelo amor de Deus! Eu sei que é difícil recusar, mas elas são muito atestado de pobreza! Não deixe também de entrar de penetra nas festas bacanas que rolam todos os dias e faça de tudo por uma foto com a Gisele Bündchen. Poste no Face, óbvio, no álbum “badalando com a Gi na SPFW”.
Os gays – e existem muitos gays no mundo jornalístico – são um ótimo benchmarking. Até a bicha mais pão-com-ovo do mundo consegue fingir glamour. É este o espírito! Assistir ao filme O Diabo Veste Prada à exaustão também ajuda na inspiração. Ser chique é ainda liderar um abaixo-assinado pela internet em prol de qualquer merda, viajar (ninguém precisa saber que foi a convite de uma operadora de turismo) para Copenhague – aliás, já descobriu onde fica Copenhague? –, ter um prêmio na estante da sala. Como? Vá até uma loja de troféus e medalhas e encomende uma estatueta superexclusiva para você. Invente um nome legal, tipo Prêmio Top Top de Jornalismo Investigativo, e, lógico, deixe-a bem à mostra quando rolar um jantarzinho para os amigos na sua casa. Humilhou!
Seres humanos que exalam glamour merecem ser paparicados. Fã é um troço chato, grudento, mas necessário. No seu caso, o papel de fã caberá aos assessores de imprensa. Eu sei que você vai protestar: “pô, com tanta gente legal pra ser meu fã, por que logo um assessor de imprensa?”. Primeiro: fã a gente não escolhe. Segundo: tudo isso aqui é um grande fingimento, já esqueceu? Imagine que a bajulação dos assessores é carinho, idolatria. Esqueça que eles têm outros interesses. Relaxe, aproveite os presentinhos, os jantares no Fasano. E uma dica ótima: quando eles se aproximarem para vender alguma pauta (não falei que fã é chato?), seja mais rápido: “querido, você quer um autógrafo?”.
Se você trabalha ou tem algum amigo no jornalismo automotivo, a dica final é desfilar com aqueles carrões que as montadoras cedem à imprensa para testes e produção de matérias. Os vizinhos, coitados, não sabem que os carros são emprestados. A cada semana, exiba uma máquina diferente. Só pra fazer inveja! E muita atenção: se um dia você trombar um vizinho no trem e ele lhe perguntar sobre o BMW que você tinha comprado, diga sem vacilar que deixou na garagem de casa, para evitar a emissão de CO2. “Ser chique não é só ter dinheiro, bebê! Ser chique também é salvar o planeta.” Arrasou!
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Ajude um repórter
Repórter da revista Plástica & Recauchutagem procura mulher que já passou por inúmeras intervenções estéticas, mas que, pelo amor de Deus, não seja a Angela Bismarchi.
Repórter de revista médica procura pessoa com sonolência excessiva (matéria sobre distúrbios do sono), que consiga ficar acordada, pelo menos, durante duas perguntas.
Repórter procura desesperadamente telefone de fonte importante anotado onde mesmo?
Repórter de revista especializada em Comunicação procura cinco personagens para matéria “Fiquei rico sendo jornalista”. Mas aceita apenas três ou dois. Ok, um só já tá bom.
Repórter-fotográfico procura celebridade decadente, mas ainda gostosa, para fotos “superespontâneas” em praia carioca.
Repórter esportivo de rádio procura voz que sumiu após gritar gol do time do coração à beira do gramado.
Repórter de programa religioso procura mulher que pegou o marido com outra para depoimento sem aquela voz de pato.
Repórter, que já tem “que”, “quem”, “quando” e “onde”, procura urgentemente o “como” e o “por quê” para fechar o maldito lead.
Repórter divorciada e sem filhos procura fonte do sexo masculino, entre 39 e 50 anos, também sem filhos, heterossexual, para relacionamento jornalístico sério e algo mais.
Repórter, de saco cheio, procura barraquinha de cachorro-quente em ponto privilegiado.
Repórter diplomado que vai entrevistar o senador Collor procura advogado criminalista especializado em homicídios com requintes de crueldade. Para eventual necessidade.
Repórter de revista médica procura pessoa com sonolência excessiva (matéria sobre distúrbios do sono), que consiga ficar acordada, pelo menos, durante duas perguntas.
Repórter procura desesperadamente telefone de fonte importante anotado onde mesmo?
Repórter de revista especializada em Comunicação procura cinco personagens para matéria “Fiquei rico sendo jornalista”. Mas aceita apenas três ou dois. Ok, um só já tá bom.
Repórter-fotográfico procura celebridade decadente, mas ainda gostosa, para fotos “superespontâneas” em praia carioca.
Repórter esportivo de rádio procura voz que sumiu após gritar gol do time do coração à beira do gramado.
Repórter de programa religioso procura mulher que pegou o marido com outra para depoimento sem aquela voz de pato.
Repórter, que já tem “que”, “quem”, “quando” e “onde”, procura urgentemente o “como” e o “por quê” para fechar o maldito lead.
Repórter divorciada e sem filhos procura fonte do sexo masculino, entre 39 e 50 anos, também sem filhos, heterossexual, para relacionamento jornalístico sério e algo mais.
Repórter, de saco cheio, procura barraquinha de cachorro-quente em ponto privilegiado.
Repórter diplomado que vai entrevistar o senador Collor procura advogado criminalista especializado em homicídios com requintes de crueldade. Para eventual necessidade.
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quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Rápidas lições para fingir ser um jornalista intelectual e descolado
Atenção à primeira dica: jornalistas intelectuais e descolados não vêem TV, ok? Mídia alienante não pega bem. Confessar que você adora o quadro “Minha patroa é um avião”, da Luciana Gimenez, então, pega mal ao cubo. Abra exceção apenas para os telejornais, da CNN ou BBC, afinal você precisa estar bem-informado. Como a proposta destas rápidas lições não é ser um intelectual, apenas fingir ser, você pode destacar também que assiste sempre ao Manhattan Connection. Como viver sem aquelas dicas cool de Nova York?
Quando o assunto é leitura, diga que seus cadernos preferidos do jornal são os de Cultura e Internacional. Decore o nome e a situação política de alguns países da África que ninguém conhece. Critique, sempre que possível, o caderno de Esportes, aquela coisa menor que não agrega nada à sua intelectualidade. Compre revistas cults com nomes esquisitos e ande com elas debaixo do braço. Nem precisa ler. Enaltecer os clássicos russos da literatura e falar mal do Paulo Coelho (mesmo sem nunca tê-lo lido) também é de bom-tom.
Na segunda-feira, elogie um filme iraniano ou um documentário brazuca que você fingirá ter visto no fim de semana, mesmo sabendo que eles são muito chatos. O mesmo serve para espetáculos de dança. Música? Pesquise na web uma banda indie do momento. Da Islândia. Na mesa do bar, discorra sobre o novo álbum, “o mais emblemático e visceral” de todos os dois já lançados, e, claro, fale do cenário musical islandês atual. Se alguém mencionar um tal Luan Santana, franza as sobrancelhas e pergunte “quem é Juan Santana?”.
Viagens internacionais também dão um toque descolado ao jornalista. Mas, por favor, nada de postar no Facebook fotos suas em parques de diversão de Orlando, ok? Londres, que já foi o sonho de consumo de jornalistas pseudo-intelectuais, anda meio caída e cheia daquele povo ilegal dos Brics. Esqueça. Que tal montar um álbum com suas viagens para Berlim ou Copenhague? Antes, claro, pesquise na internet onde fica Copenhague. Como você nunca visitou estas cidades, faça uma montagem. Photoshop existe pra quê? E não se esqueça de postar nas fotos comentários como “gente, Berlim é tudo”, de preferência em alemão.
Ufa, muita informação? Bom, agora que você aprendeu algumas lições de como fingir ser um jornalista bacana, que tal relaxar? Se não tiver ninguém por perto para você ter que se exibir, fique à vontade para ler o caderno de Esportes ou o horóscopo do dia. E uma última coisa: hoje tem Luan Santana na Luciana Gimenez, hein? Imperdível!
Quando o assunto é leitura, diga que seus cadernos preferidos do jornal são os de Cultura e Internacional. Decore o nome e a situação política de alguns países da África que ninguém conhece. Critique, sempre que possível, o caderno de Esportes, aquela coisa menor que não agrega nada à sua intelectualidade. Compre revistas cults com nomes esquisitos e ande com elas debaixo do braço. Nem precisa ler. Enaltecer os clássicos russos da literatura e falar mal do Paulo Coelho (mesmo sem nunca tê-lo lido) também é de bom-tom.
Na segunda-feira, elogie um filme iraniano ou um documentário brazuca que você fingirá ter visto no fim de semana, mesmo sabendo que eles são muito chatos. O mesmo serve para espetáculos de dança. Música? Pesquise na web uma banda indie do momento. Da Islândia. Na mesa do bar, discorra sobre o novo álbum, “o mais emblemático e visceral” de todos os dois já lançados, e, claro, fale do cenário musical islandês atual. Se alguém mencionar um tal Luan Santana, franza as sobrancelhas e pergunte “quem é Juan Santana?”.
Viagens internacionais também dão um toque descolado ao jornalista. Mas, por favor, nada de postar no Facebook fotos suas em parques de diversão de Orlando, ok? Londres, que já foi o sonho de consumo de jornalistas pseudo-intelectuais, anda meio caída e cheia daquele povo ilegal dos Brics. Esqueça. Que tal montar um álbum com suas viagens para Berlim ou Copenhague? Antes, claro, pesquise na internet onde fica Copenhague. Como você nunca visitou estas cidades, faça uma montagem. Photoshop existe pra quê? E não se esqueça de postar nas fotos comentários como “gente, Berlim é tudo”, de preferência em alemão.
Ufa, muita informação? Bom, agora que você aprendeu algumas lições de como fingir ser um jornalista bacana, que tal relaxar? Se não tiver ninguém por perto para você ter que se exibir, fique à vontade para ler o caderno de Esportes ou o horóscopo do dia. E uma última coisa: hoje tem Luan Santana na Luciana Gimenez, hein? Imperdível!
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Toca Raul (versão para jornalistas)
Repórter ambulante (versão de Metamorfose ambulante)
Prefiro ser
Esse repórter ambulante
Eu prefiro ter
Uma rotina emocionante.
Do que ter aquela velha pauta chata
Apurada via Google
Do que ter aquela velha pauta chata
Apurada via Google.
Publiquei há 10 minutos atrás*
(versão de Eu nasci há 10 mil anos atrás)
*com erro de português e tudo mais
Publiquei há 10 minutos atrás (publiquei há 10 minutos)
E não tem outro site no mundo que vai me furar mais.
Publiquei há 10 minutos atrás (publiquei há 10 minutos)
E não tem outro site no mundo que vai me furar mais.
Ouvi primeiro o fato ser anunciado
Corri pro note e escrevi bem-apressado
E quando o resto da imprensa descobriu, eu já tinha publicado
Já, sim.
Publiquei há 10 minutos atrás (publiquei há 10 minutos)
E não tem outro site no mundo que vai me furar mais.
Meio duro (versão de Óculos escuros)
Quem não tem emprego anda sempre meio duro
Quem não pega frila toma grana e paga juro
Quem não tem amigo tá na Catho e em apuro.
Medo da chuva (versão de Medo da chuva)
Não perdi o meu medo
O meu medo, o meu medo da chuva
Pois a chuva voltando
Pra Sampa faz tudo alagar.
Aprendi que a pauta, a pauta
A pauta maldita
É a velha matéria de enchente
Pra gente apurar.
Herói eu não serei (versão de Cowboy fora da lei)
Mamãe, não vou fazer Direito
Para as leis não tenho jeito
Será que o papai vai me matar?
Eu sonho trampar em jornais
Salvar o mundo eu sou capaz
Não quero no cabelo gel passar.
Fui muito besta de tirar onda de herói
Ser jornalista como dói
Papai, exagerei
O Super-homem só existe no gibi
Mas nesta vida vou seguir
E contar histórias pra vocês.
Reportagem Criativa (versão de Sociedade Alternativa)
Viva! Viva!
Viva a Reportagem Criativa!
Viva! Viva!
Viva a Reportagem Criativa!
Liberte-se (versão de Aluga-se)
A solução para ser livre
Eu vou dar
Vamo acabar
Com essa pressão mercantil
O meu jornal
Agora eu vou fundar
Patrão que vá pra puta que o pariu.
Ninguém manda mais em nada
Ninguém manda mais em nada
É tudo free
Tá na hora
Eu já sofri
Mas tô fora
Rabo preso eu vou soltar
Já cansei de me alugar.
Microempresa (versão de Maluco beleza)
Enquanto você
Se esforça pra ser
Um jornalista anormal
Com emprego formal.
Eu do meu lado
Aprendendo a ser frila
PJ total
Só na nota fiscal.
Compro a nota
Todo fim do mês
Mas agora é
A minha vez...
De criar-ar-ar
Criar com certeza
Uma microempresa
Eu vou criar-ar-ar
Criar com certeza
Uma microempresa.
Jornalista (versão de Gita)
Às vezes você se pergunta
Por que ainda está do meu lado
Não dou dinheiro, nem fama
E sempre te deixo estressado.
Você vive em mim toda hora
Nem no feriado me deixa
Reclama de mim pra caraca
Mas hoje eu vou lhe mostrar.
Eu sou o Jornalismo
Eu sou o seu respirar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou a história a contar.
Eu sou o aluguel atrasado
Mas sou sua vocação
Eu sou os seus olhos pro mundo
Eu sou...! Eu fui...! Eu vou!
Prefiro ser
Esse repórter ambulante
Eu prefiro ter
Uma rotina emocionante.
Do que ter aquela velha pauta chata
Apurada via Google
Do que ter aquela velha pauta chata
Apurada via Google.
Publiquei há 10 minutos atrás*
(versão de Eu nasci há 10 mil anos atrás)
*com erro de português e tudo mais
Publiquei há 10 minutos atrás (publiquei há 10 minutos)
E não tem outro site no mundo que vai me furar mais.
Publiquei há 10 minutos atrás (publiquei há 10 minutos)
E não tem outro site no mundo que vai me furar mais.
Ouvi primeiro o fato ser anunciado
Corri pro note e escrevi bem-apressado
E quando o resto da imprensa descobriu, eu já tinha publicado
Já, sim.
Publiquei há 10 minutos atrás (publiquei há 10 minutos)
E não tem outro site no mundo que vai me furar mais.
Meio duro (versão de Óculos escuros)
Quem não tem emprego anda sempre meio duro
Quem não pega frila toma grana e paga juro
Quem não tem amigo tá na Catho e em apuro.
Medo da chuva (versão de Medo da chuva)
Não perdi o meu medo
O meu medo, o meu medo da chuva
Pois a chuva voltando
Pra Sampa faz tudo alagar.
Aprendi que a pauta, a pauta
A pauta maldita
É a velha matéria de enchente
Pra gente apurar.
Herói eu não serei (versão de Cowboy fora da lei)
Mamãe, não vou fazer Direito
Para as leis não tenho jeito
Será que o papai vai me matar?
Eu sonho trampar em jornais
Salvar o mundo eu sou capaz
Não quero no cabelo gel passar.
Fui muito besta de tirar onda de herói
Ser jornalista como dói
Papai, exagerei
O Super-homem só existe no gibi
Mas nesta vida vou seguir
E contar histórias pra vocês.
Reportagem Criativa (versão de Sociedade Alternativa)
Viva! Viva!
Viva a Reportagem Criativa!
Viva! Viva!
Viva a Reportagem Criativa!
Liberte-se (versão de Aluga-se)
A solução para ser livre
Eu vou dar
Vamo acabar
Com essa pressão mercantil
O meu jornal
Agora eu vou fundar
Patrão que vá pra puta que o pariu.
Ninguém manda mais em nada
Ninguém manda mais em nada
É tudo free
Tá na hora
Eu já sofri
Mas tô fora
Rabo preso eu vou soltar
Já cansei de me alugar.
Microempresa (versão de Maluco beleza)
Enquanto você
Se esforça pra ser
Um jornalista anormal
Com emprego formal.
Eu do meu lado
Aprendendo a ser frila
PJ total
Só na nota fiscal.
Compro a nota
Todo fim do mês
Mas agora é
A minha vez...
De criar-ar-ar
Criar com certeza
Uma microempresa
Eu vou criar-ar-ar
Criar com certeza
Uma microempresa.
Jornalista (versão de Gita)
Às vezes você se pergunta
Por que ainda está do meu lado
Não dou dinheiro, nem fama
E sempre te deixo estressado.
Você vive em mim toda hora
Nem no feriado me deixa
Reclama de mim pra caraca
Mas hoje eu vou lhe mostrar.
Eu sou o Jornalismo
Eu sou o seu respirar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou a história a contar.
Eu sou o aluguel atrasado
Mas sou sua vocação
Eu sou os seus olhos pro mundo
Eu sou...! Eu fui...! Eu vou!
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Raul Seixas
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Artistas globais em defesa dos jornalistas (versão do Movimento Gota D’água)
Juliana Paes: Você já ouviu falar que jornalista é chato?
Marcos Palmeira: Você já visitou sites de fofoca?
Elizângela: Você sabe o que quer dizer invasão de privacidade?
Isis Valverde: Paparazzi? Já ouviu falar?
Nathália Dill: Eu tenho culpa de ser famosa?
Maitê Proença: Eu tenho culpa de ser famosa?
Bruno Mazzeo: Mas eu tenho culpa de ser famoso?
Juliana Paes: Bom, eu divulgo release, nota oficial de gravidez, marco coletiva de imprensa...
Carol Castro: Eu ainda tenho que me preocupar com esse povo mala quando tô num restaurante no Leblon?
Marcos Palmeira: Olha, se não tiver imprensa no mundo, não vai ter jornalista. Se não tiver jornalista, a gente vai falar mal de quem com os amigos? Como eu vou fazer?
Cissa Guimarães: Deus me livre ficar sem jornalista pra falar mal!
Luana Piovani: Quem eu vou xingar no Twitter, gente?
Caio Castro: Jornalista sempre distorce o que a gente fala! Imprensa marrom.
Sérgio Marone: Mas do que adianta a gente ficar aqui detonando jornalista se vira-e-mexe a gente precisa desses caras?
Eriberto Leão: Peraí, como assim? A gente precisa de jornalista?
Elizângela: Claro, eles divulgam nossos projetos artísticos quando nos interessa.
Isis Valverde: Eu não tô entendendo, gente. Eu vou ter que pesquisar.
Maitê Proença: Eu pesquisei, vai olhar.
Elizângela: Pesquisei. E sabe o que eu descobri? Tem jornalista que ganha 500 Reais por mês.
Ingrid Guimarães: Quanto?
Guilhermina Guinle: 500 Reais.
Ingrid Guimarães: 500 Reais?
Bruno Mazzeo: 500.
Juliana Paes: Reais?
Cissa Guimarães: Faz as contas, realiza. Como alguém com faculdade sobrevive com 500 reais?
Maitê Proença: Esse povo, coitado, ganha uma miséria mesmo.
Cissa Guimarães: E ninguém vai discutir o assunto?
Ingrid Guimarães: Agora eu tô entendendo por que jornalista come pra caramba em evento.
Eriberto Leão: Nas festas fechadas, eles ficam pedindo prosecco pro segurança. Pode isso?
Maitê Proença: Eles precisam de ajuda! De onde tiraram essa idéia de que jornalista é o todo-poderoso?
Bruno Mazzeo: Peraí, peraí. Esses caras têm o poder de me encher o saco. Falam das minhas ex-namoradas, falam mal do meu filme.
Ingrid Guimarães: Uma pergunta.
Marcos Palmeira: Como se resolve a questão do perrengue dos jornalistas?
Eriberto Leão: É possível criar alternativas para o jornalista gerar renda: três empregos, frilas, vender Avon na redação, rifa, vender o corpinho.
Dira Paes: Mas com tanto bico assim, como fica a situação dos jornalistas investigativos, os que denunciam falcatruas, que defendem a verdade?
Cláudia Ohana: Mas quem se importa com os jornalistas investigativos?
Bruno Mazzeo: Ó, a gente dá uma internet rápida pra eles e eles investigam tudo pelo Google.
Murilo Benício: Pra mim, jornalista investigativo hoje só quer moleza.
Ary Fontoura: Tomar café na redação o dia inteiro.
Murilo Benício: Dossiê pronto, conforto.
Cissa Guimarães: Jornalista investigativo? Ainda tem jornalista investigativo?
Dira Paes: Será que os jornalistas são ouvidos?
Maitê Proença: É muita pergunta sem resposta.
Carol Castro: Precisamos ficar atentos aos jornalistas.
Cláudia Ohana: Eles precisam de apoio!
Luana Piovani: Pensando melhor, eu adoro os jornalistas!
Carolina Dieckmann: Eu amo jornalista. Fiz até o papel de uma há pouco tempo.
Caio Castro: Eu quero deixar claro que não tenho preconceito algum contra jornalistas. Tenho, inclusive, vários amigos jornalistas!
Sérgio Marone: Neste momento, em todo o Brasil, milhares de pessoas estão indo pra internet lutar em defesa dos jornalistas.
Eriberto Leão: Entre nessa corrente! Tem um blog de um cara que mostra a realidade dos jornalistas. E com bom humor.
Sérgio Marone: Entra lá. O endereço do blog é http://desilusoesperdidas.blogspot.com/.
Ingrid Guimarães: Vocês entendem que, se este blog conseguir uma enorme quantidade de leitores, a gente pode entender melhor a vida desse povo e ajudá-lo?
Marcos Palmeira: Leia os posts e comente com os amigos.
Juliana Paes: Tá, peraí, se você tá lendo este texto, já conhece o blog. Então, vai lá, tem outros posts bem legais. Quero dizer, acho que tem.
Sérgio Marone: É apenas entrar naquele endereço.
Juliana Paes: Tá sem pauta? Aproveita, entra!
Maitê Proença: Ai, falar de jornalista me deu um calor! Lembrei do meu ex, o Rodrigo. Vou tirar o sutiã pra ficar mais à vontade.
Juliana Paes: E aí? Tô esperando você entrar no blog.
Maitê Proença: (gemidos pensando no Rodrigo)
Sérgio Marone: Eu não sou o Duda Rangel, o autor do blog, mas... entra lá.
Isis Valverde: Se você, assim como eu, já entrou no blog, é só passar este link para mais uns 10 jornalistas.
Malvino Salvador: Você enche o saco deles.
Maitê Proença: Não conhece 10 jornalistas?
Nathália Dill: Ah, você deve conhecer 10 jornalistas. Hoje em dia, com tanta faculdade por aí, todo mundo conhece, sei lá, um milhão de jornalistas. Fora os que não têm diploma.
Bruno Mazzeo: Ah, o Duda também tá no Twitter. É @duda_rangel, que tal?
Juliana Paes: Assim criamos uma onda.
Letícia Sabatella: Uma onda de divulgação.
Marcos Palmeira: Ainda há tempo.
Sérgio Marone: Passe esse blog adiante.
Marcos Palmeira: Você já visitou sites de fofoca?
Elizângela: Você sabe o que quer dizer invasão de privacidade?
Isis Valverde: Paparazzi? Já ouviu falar?
Nathália Dill: Eu tenho culpa de ser famosa?
Maitê Proença: Eu tenho culpa de ser famosa?
Bruno Mazzeo: Mas eu tenho culpa de ser famoso?
Juliana Paes: Bom, eu divulgo release, nota oficial de gravidez, marco coletiva de imprensa...
Carol Castro: Eu ainda tenho que me preocupar com esse povo mala quando tô num restaurante no Leblon?
Marcos Palmeira: Olha, se não tiver imprensa no mundo, não vai ter jornalista. Se não tiver jornalista, a gente vai falar mal de quem com os amigos? Como eu vou fazer?
Cissa Guimarães: Deus me livre ficar sem jornalista pra falar mal!
Luana Piovani: Quem eu vou xingar no Twitter, gente?
Caio Castro: Jornalista sempre distorce o que a gente fala! Imprensa marrom.
Sérgio Marone: Mas do que adianta a gente ficar aqui detonando jornalista se vira-e-mexe a gente precisa desses caras?
Eriberto Leão: Peraí, como assim? A gente precisa de jornalista?
Elizângela: Claro, eles divulgam nossos projetos artísticos quando nos interessa.
Isis Valverde: Eu não tô entendendo, gente. Eu vou ter que pesquisar.
Maitê Proença: Eu pesquisei, vai olhar.
Elizângela: Pesquisei. E sabe o que eu descobri? Tem jornalista que ganha 500 Reais por mês.
Ingrid Guimarães: Quanto?
Guilhermina Guinle: 500 Reais.
Ingrid Guimarães: 500 Reais?
Bruno Mazzeo: 500.
Juliana Paes: Reais?
Cissa Guimarães: Faz as contas, realiza. Como alguém com faculdade sobrevive com 500 reais?
Maitê Proença: Esse povo, coitado, ganha uma miséria mesmo.
Cissa Guimarães: E ninguém vai discutir o assunto?
Ingrid Guimarães: Agora eu tô entendendo por que jornalista come pra caramba em evento.
Eriberto Leão: Nas festas fechadas, eles ficam pedindo prosecco pro segurança. Pode isso?
Maitê Proença: Eles precisam de ajuda! De onde tiraram essa idéia de que jornalista é o todo-poderoso?
Bruno Mazzeo: Peraí, peraí. Esses caras têm o poder de me encher o saco. Falam das minhas ex-namoradas, falam mal do meu filme.
Ingrid Guimarães: Uma pergunta.
Marcos Palmeira: Como se resolve a questão do perrengue dos jornalistas?
Eriberto Leão: É possível criar alternativas para o jornalista gerar renda: três empregos, frilas, vender Avon na redação, rifa, vender o corpinho.
Dira Paes: Mas com tanto bico assim, como fica a situação dos jornalistas investigativos, os que denunciam falcatruas, que defendem a verdade?
Cláudia Ohana: Mas quem se importa com os jornalistas investigativos?
Bruno Mazzeo: Ó, a gente dá uma internet rápida pra eles e eles investigam tudo pelo Google.
Murilo Benício: Pra mim, jornalista investigativo hoje só quer moleza.
Ary Fontoura: Tomar café na redação o dia inteiro.
Murilo Benício: Dossiê pronto, conforto.
Cissa Guimarães: Jornalista investigativo? Ainda tem jornalista investigativo?
Dira Paes: Será que os jornalistas são ouvidos?
Maitê Proença: É muita pergunta sem resposta.
Carol Castro: Precisamos ficar atentos aos jornalistas.
Cláudia Ohana: Eles precisam de apoio!
Luana Piovani: Pensando melhor, eu adoro os jornalistas!
Carolina Dieckmann: Eu amo jornalista. Fiz até o papel de uma há pouco tempo.
Caio Castro: Eu quero deixar claro que não tenho preconceito algum contra jornalistas. Tenho, inclusive, vários amigos jornalistas!
Sérgio Marone: Neste momento, em todo o Brasil, milhares de pessoas estão indo pra internet lutar em defesa dos jornalistas.
Eriberto Leão: Entre nessa corrente! Tem um blog de um cara que mostra a realidade dos jornalistas. E com bom humor.
Sérgio Marone: Entra lá. O endereço do blog é http://desilusoesperdidas.blogspot.com/.
Ingrid Guimarães: Vocês entendem que, se este blog conseguir uma enorme quantidade de leitores, a gente pode entender melhor a vida desse povo e ajudá-lo?
Marcos Palmeira: Leia os posts e comente com os amigos.
Juliana Paes: Tá, peraí, se você tá lendo este texto, já conhece o blog. Então, vai lá, tem outros posts bem legais. Quero dizer, acho que tem.
Sérgio Marone: É apenas entrar naquele endereço.
Juliana Paes: Tá sem pauta? Aproveita, entra!
Maitê Proença: Ai, falar de jornalista me deu um calor! Lembrei do meu ex, o Rodrigo. Vou tirar o sutiã pra ficar mais à vontade.
Juliana Paes: E aí? Tô esperando você entrar no blog.
Maitê Proença: (gemidos pensando no Rodrigo)
Sérgio Marone: Eu não sou o Duda Rangel, o autor do blog, mas... entra lá.
Isis Valverde: Se você, assim como eu, já entrou no blog, é só passar este link para mais uns 10 jornalistas.
Malvino Salvador: Você enche o saco deles.
Maitê Proença: Não conhece 10 jornalistas?
Nathália Dill: Ah, você deve conhecer 10 jornalistas. Hoje em dia, com tanta faculdade por aí, todo mundo conhece, sei lá, um milhão de jornalistas. Fora os que não têm diploma.
Bruno Mazzeo: Ah, o Duda também tá no Twitter. É @duda_rangel, que tal?
Juliana Paes: Assim criamos uma onda.
Letícia Sabatella: Uma onda de divulgação.
Marcos Palmeira: Ainda há tempo.
Sérgio Marone: Passe esse blog adiante.
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