quarta-feira, 6 de junho de 2012

O que vi da vida de jornalista


Duda Rangel dá um depoimento corajoso, revelador e, claro, sensacionalista pra cacete.

O começo
Eu estava no trem e vi um cara lendo um jornal de cabeça pra baixo. Eu me interessei por aquilo. Ele percebeu meu interesse e perguntou: quantos anos você tem? Eu disse 12. Ele avançou: você não pensa em ser jornalista? Eu respondi sim, não, talvez, não sabia se meus pais concordariam. O homem afirmou que meu olhar atento para o jornal revelava minha paixão pela profissão, que aquilo era um sinal. E eu respondi: só achei engraçado o senhor ler o jornal de cabeça pra baixo. Ele ficou sem graça. À noite, abordei com meu pai a coisa de um dia ser jornalista. Lembro bem a resposta do velho: a pobreza está no DNA de nossa família, filho. Vai fundo, seja jornalista.

Os amores
Nunca fui muito namoradeiro e hoje eu me arrependo. Eu podia ter aproveitado mais, mas quem consegue namorar fazendo plantão quase todo fim de semana, pescoção até as três da manhã?

A luta
Eu consigo me colocar no lugar dos focas. No início da minha carreira, eu fui abusado e sei o que um foca sente. Esta é a razão da minha luta. Primeiro, foi um editor de Geral que me mandava cobrir de três a cinco matérias por dia. Na rua, por telefone. E ai de mim se atrasasse o fechamento. Outro editor, de Cultura, me mandava cobrir show de dupla sertaneja, grupo de pagode. E foi assim durante muitos anos. Eu me sentia sujo. E o mais triste é que muitos destes abusos acontecem dentro da própria redação.

O preço da fama
Fama? Pergunta isso pro Bonner! Tá de sacanagem comigo?

Michael Jackson
Essa história é muito louca. Um dia fui chamado pelo empresário dele para uma visita ao seu rancho, na Terra do Nunca. Eu encontrei o Michael chupando um pirulito. O pirulito era tão grande que ele precisou tirar o nariz para não atrapalhar. Jantamos e ele então fez a proposta. Queria um assessor de imprensa no Brasil que batalhasse uma participação dele no programa da Luciana Gimenez. Eu estava emocionado, ele era meu ídolo, mas a coisa de ser assessor de imprensa era muito doida. Respondi que não. Ele não gostou da recusa, deu piti, me atirou o nariz com toda força. Ainda bem que eu sempre fui ágil nos reflexos.

7 comentários:

Andreza disse...

Parabéns por toda sua luta. Tenho certeza que o Brasil estará ao seu lado.
Saiba que seu depoimento vai ajudar muitos estagiários que são abusados todos os dias mas sentem vergonha de assumir.
Muito corajoso de sua parte. Nós, focas, agradecemos por sua compreensão.

Yago Sales disse...

Andreza, acho que o desabafo do Duda poderá evitar que jovens como eu, aspirantes a jornalismo, entram nessa roubada.

Anônimo disse...

Excelenteeeeeeeeeee

Duda Rangel disse...

Andreza, muito obrigado pelo apoio. Confesso que não foi fácil me abrir desse jeito (no bom sentido, é claro), mas me sentia no dever de denunciar esses abusos. Fiquei sabendo que, após o meu depoimento, aumentou o número de ligações de focas para o Disque-Denúncia. Essa é minha pequena contribuição. Abraços.

Nega Maluca disse...

Duda é foda!
http://assessorices.blogspot.com.br/

Duda Rangel disse...

Grande Nega Maluca!

Ricardo Welbert disse...

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA... (risos não param)>