sexta-feira, 14 de junho de 2013

Um texto aos jovens que vão construir um outro jornalismo


A maioria dos leitores deste blog é formada por jovens jornalistas, gente que acabou de chegar ao mercado ou que ainda está na faculdade. Tenho o privilégio de escrever para uma geração que vai construir um outro jornalismo. Sim, esta é a missão de vocês. Este é o privilégio de vocês.

Na noite da quinta-feira 13 de junho de 2013, após acompanhar diversos relatos da truculência policial pelas ruas de São Paulo diante de uma manifestação até então pacífica, de ver imagens de agressões covardes por parte da PM, eis que leio a chamada principal da edição digital da revista Veja: “Com ação rigorosa, PM impediu depredação da Paulista”. Não me surpreendeu. Nas redes sociais, pipocaram reações de indignação contra a revista, inclusive de jornalistas, gente se dizendo com nojo, cobrando uma cobertura mais honesta.

A questão é: se este não é mais o jornalismo que se quer, já não está na hora de se construir outro?

A indignação é legítima, mas não basta apenas se indignar contra a velha imprensa. É hora de buscar uma nova.

E não se trata de utopia. Hoje, sobram meios, tecnologias, infinitas possibilidades de criação. Na mesma noite tensa de quinta em São Paulo, já comecei a perceber ares deste novo jornalismo. Muitos jovens indo às ruas fazer seus registros, com textos e imagens. Cobertura ampla, diversa.

Também não adianta viver chorando os passaralhos, os jornais que deixam de existir aos muitos por aí. É triste, claro, ver amigos sendo demitidos, postos de trabalho sendo extintos, mas será que os velhos jornais em crise são a nossa única alternativa?

Por mais que grandes grupos de comunicação definhem e possam vir a morrer, o jornalismo não morre com eles. Porque a busca por informação vai existir sempre, porque as boas histórias terão leitores interessados sempre. Só precisamos aprender a contá-las de formas diferentes.

Os jovens jornalistas podem se resignar e achar que tudo é uma grande merda sem jeito. Ou podem começar a pensar outros caminhos. Parece castigo, mas é um privilégio, sim.



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9 comentários:

Maya disse...

Duda, você é genial. Obrigada por sua iniciativa em compartilhar talento e bom jornalismo com todos! Descobri o blog recentemente e passei as duas ultimas semanas lendo os posts desde sua criação. Já ri (muito), me comovi, pensei, me inspirei e informei. Não são essas as reações que provocam exímias reportagens em seus leitores? Em síntese você é um exímio jornalista. Pretendo começar a faculdade para ser sua colega nesse segundo semestre ou início de 2014; tive certeza após ler "20 requisitos para ser jornalista", NÃO, EU NÃO ME INTIMIDEI! (talvez um pouco...) Estarei dia 20 no lançamento do seu livro na FACHA, um beijo no Nestor e um vsf a sua ex; já da pra fazer a versão jornalística de "Baba Baby" dedicada a ela, esfregando o sucesso de seu blog!!!
Um abraço gigante e toda minha gratidão e reconhecimento!!

Anônimo disse...

Como comentarista político, duda é um excelente humorista.

Duda Rangel disse...

Maya, muito obrigado pelas palavras. Para um escritor, saber que seus textos trazem reflexão e inspiram os mais jovens é o que vale a pena nesta vida. Sucesso na tua futura carreira de jornalista. Abraços gigantes pra você também, meus e do Nestor.

Duda Rangel disse...

Maya, tudo bem? Um aviso importante: a palestra e o lançamento do livro, programados para o dia 20, foram ADIADOS em função do jogo da Copa das Confederações que será realizado na mesma tarde, no Maracanã. A nova data será em agosto, a ser definida. Em breve, avisarei a todos. Obrigado.

Maya disse...

Obrigada por avisar!! No dia que for, estarei lá!

Renata Martins disse...

Estou no terceiro ano do ensino médio e já decidi que irei fazer jornalismo! Minha mãe é contra esta decisão mas está me dando total apoio.
Este blog me instiga cada vez mais em entrar pra faculdade e concluir o curso. Não estou buscando dinheiro nem apenas sucesso, mas me realizar e fazer parte, de como dito, deste novo jornalismo. Espero seguir teus passos. Muito agradecida.

Duda Rangel disse...

Renata, é muito bom ouvir jovens iguais a você que desejam ser jornalistas com este espírito de mudança, de luta por um novo jornalismo. Muito sucesso na tua carreira. Beijão.

Abner Moabe disse...

Meu nome é Abner, estou no 4° período do curso de jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Li esse texto no dia em que foi postado e sempre volto à lê-lo, pois é quase que meu texto motivacional para seguir em frente. Desde quando entrei na universidade, comecei a me envolver com movimentos sociais e principalmente, relacionados a luta pela democratização dos meios de comunicação. Aqui tem uma galera bem engajada, mas é impressionante como a grande maioria ainda insiste em engrandecer a velha mídia. Na TV Universitária, onde nós estudantes deveríamos experimentar e criar um novo jeito de se fazer TV, a galera insiste em copiar o Padrão Globo de produção. Com relação as minhas posições, muita gente me pergunta como me manterei no futuro, tendo em vista que, me vender não faz parte dos mus planos. Vejo comunicação como um direito de todo cidadão e não como uma mercadoria. Pra mim, não da mais pra aceitar essa imprensa unilateral, que não dá voz ao povo brasileiro, mas só atende aos interesses das 11 famílias que a dominam. Refletindo sobre isso, chego a chorar e a pensar se seria melhor esquecer tudo isso e partir para algo que minhas ideologias não interfiram tanto e que seja mais fácil de se viver, mas aí eu lembro desse seu texto e percebo que as coisas não caem do céu. Esse texto vem me mantendo firme no curso e me fazendo crer que minha missão é mais do que sentar na bancada do Jornal Nacional, mas sim, ir a luta pela democratização dos meios de comunicação. Não sei se chegarei a ver isso, mas penso que nossa passagem pela terra é pra lutar e quando eu não puder mais ir a luta, outro virá e dará continuidade. Obrigado por "salvar".

Duda Rangel disse...

Caro Abner, adorei a tua mensagem e o teu interesse pela mudança, pela democratização dos meios. O processo é lento, mas possível. Tenho muito orgulho em saber que este simples texto te motiva a seguir na luta. Não desista, não. Valeu, meu caro!