O redator de Geral encontra os amigos no bar – mesmo nos dias em que deixa a redação bem tarde – e, com um copo de chope, brinda a sobrevivência a mais um dia de trabalho.
A repórter de TV, após acompanhar o Big Brother no Multishow, toma umas três xícaras de café forte e começa a escrever o texto que deve entregar no dia seguinte cedinho à editora.
O diagramador liga o computador assim que chega em casa – passou o dia inteiro na frente de outro – e fica fuçando o Facebook alheio, postando no Twitter, curtindo sacanagem.
O foca fica trancado no quarto, deitado na cama, Kafka aberto no peito, olhando pro teto e pensando que já é hora de alugar um apê, mesmo minúsculo, e deixar a casa dos pais.
O redator de Internacional janta com a mulher e os filhos, vê um pedaço do jogo na TV, dá uma transadinha bem meia-boca e prova que existem, sim, jornalistas com vida normal.
A moça do Arquivo, sempre sem sono, assiste a filmes dublados na TV aberta – queria ter dinheiro para pagar um Telecine – e se irrita com o vira-lata do vizinho que late sem parar.
A estagiária dá papinha pro filho, limpa a bunda de merda do filho, se esforça pra lembrar cantigas de ninar pro filho e reflete: “por que dei praquele editor casado sem camisinha?”.
A fotógrafa vai a um inferninho, entra em transe com o mix de música eletrônica e vodca, e esquece que não recebe um aumento de salário há exatos dois anos, três meses e 17 dias.
Duda lembra que precisa escrever um texto para postar no blog na manhã seguinte e que ainda não produziu porra nenhuma. No passado, entraria em pânico, mas agora está relaxado. Um cronista famoso disse certa vez que “o deadline apertado é a melhor inspiração”. Começa a imaginar então o que o redator de Geral boêmio, o foca oprimido, a moça do Arquivo insone estariam fazendo naquele momento.
Mostrando postagens com marcador fim de noite. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fim de noite. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Assinar:
Postagens (Atom)