segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Coletiva de imprensa


Coletiva de imprensa tem credenciamento na porta da sala Esmeralda. Topázio. Rubi. Tem press kit montado às pressas. Tem recepcionista com cara de sono. Com cara de sapato apertado.

Coletiva tem microfone que não funciona, tem microfonia, tem entrevistado que fica com aquela porra de Alô, um, dois, três, testando, som, som. Testando.

Tem coletiva que é um fiasco. De crítica e público. Tem coletiva com transmissão ao vivo pela TV, corre-corre, gravadores amontoados na mesa, fios emaranhados no chão. Cinegrafistas se esforçando pra conviver em harmonia. Olha o meu tripé aí, pô.

Tem fotógrafo que conta piada sem graça enquanto a entrevista não começa. Tem o engraçadinho que grita Vai começar, vai começar só pra ver colega correndo desesperado. Tem assessor de imprensa pedindo silêncio uma, duas, três, cinco, dez vezes.

Coletiva tem repórter que demora meia hora pra fazer uma pergunta, divaga, fala da própria vida. Que faz três perguntas numa só. Que chega atrasado e faz pergunta que já foi feita. Que clama preferência porque está num link. Que sussura uma pergunta exclusiva no ouvido do entrevistado ao fim do evento.

Tem repórter que quer fazer a pergunta mais inteligente. Que ganha o dia se o entrevistado lhe diz Muito boa sua questão. Tem repórter que não abre a boca. Que dorme de boca aberta. Que baba. Tem repórter concentrado nos e-mails. No Sudoku.

Tem repórter que puxa o saco da entrevistada famosa, Dani querida pra cá, Carol linda pra lá. Tem repórter que pede autógrafo pra mãe. Pra tia. Pra rifar na redação.

Coletiva tem croissant frio, carpaccio de todo tipo. Suco de laranja de caixinha. Tem repórter que pega canapé com guardanapo pra bancar o fino. Tem quem pega com a mão mesmo. Tem pão de queijo malocado no bolso. Tem filé mignon ao molho madeira!

Tem assessor que pede um espaço bacana para o repórter. Tem repórter que pede um jabá bacana para o assessor.

Tem celular que toca quando deveria estar desligado. Entrevistado que derruba o microfone com a mão falante. Tem discussão, provocação. Tem assessor que diz Deu, né, gente? Só mais uma pra acabar, ok? Então, tem alvoroço entre a reportaiada. Braço erguido, indicador esticado. Aqui. Aqui. Voz que atropela voz.

Coletiva de imprensa é uma grande suruba.


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.

Curta a página do blog no Facebook aqui.

7 comentários:

Patrícia Cordeiro disse...

Né? É. rs.

JD - João Damasio disse...

Duda passa medo em foca que nem eu.
Só fui a uma coletiva de imprensa até hoje. Fui quase de colete depois de ler um post sobre coletivas aqui no Desilusões, rsrs.
Pode ser a exceção, mas foi tão tranquilo. Ah... a parte dos canapés e do suquinhos de caixinha é fato.

A viajante disse...

Duda...passa em meu bloguito..mencionei vc, por lá:http://foiassimdoispontos.blogspot.com/2011/10/distancia-necessaria.html.

Abraços!

Cor de Rosa e Carvão disse...

É bem assim mesmo Duda. Uma grande suruba [e querem te processar por isso?] Vou confessar: adoro coletivas justamente por causa disso. Dar uma... relaxada com os colegas e ainda fazer uma boquinha. Delícia!

Duda Rangel disse...

Coletiva boa é coletiva com suruba. Obrigado a todos pelas mensagens.
Viajante, vou ler o post, sim.
Abraços.

Golby Pullig disse...

Acho que é tudo mentira. Nunca vi nada disso..rs..rs.

Duda Rangel disse...

Verdades são sempre relativas.