sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A arte de conciliar empregos


Sabe aquele cara que tem umas três mulheres ao mesmo tempo, três famílias diferentes, uma em cada canto? Então, muito jornalista é adepto desta relação múltipla, mas no que diz respeito a emprego. Jornalista vive uma espécie de poligamia trabalhista.

Porque se a gente somar uma miséria aqui, uma miséria ali e uma miséria acolá, no fim do mês a gente pode ganhar uma miséria com mais sustância.

Ok, não são necessariamente três empregos. Pode ser um emprego fixo e, para complementar a renda, uns frilas ou bicos, que equivalem às puladas de cerca. Fidelidade e exclusividade são coisas bacanas, mas, no mundo jornalístico, não enchem barriga.

Os combos são variados. Peça pelo número: 1) assessor de imprensa na prefeitura pela manhã, redator no jornal diário à tarde, frilas de texto à noite; 2) repórter de rádio pela manhã, produtor de TV à tarde, voz e violão no barzinho à noite; 3) fotógrafa de revista pela manhã, de eventos corporativos à tarde, vendedora de Avon 24 horas por dia. E por aí vai.

Se com um único emprego já não é fácil descolar um tempo livre, imagine com três. É correria para comer, para escapar do trânsito entre um trabalho e outro. Time is money do inferno.

Agora, a gente aqui falando de poligamia trabalhista, mas há muito repórter que não tem sequer um emprego. Para este, meio-emprego já seria bom demais. Um quarto de emprego que fosse. Um blog?


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17 comentários:

Jaqueline Oliveira disse...

De fato somos uma raça "multiuso" ainda bem, senão como pagaríamos as contas não é mesmo? Time is money!

Renan Barbosa disse...

rs... Ri demais com o combo 2. Na verdade o meu seria uma mistura do 1 e do 2. Assessor de instituição de ensino durante o dia, voz e violão durante a noite e claro um blog para alimentar o desejo utópico de contribuir para a mudança do mundo (nem que seja uma mudança chamada "aumento de salário") rs... Abraço!

A viajante disse...

Duda... professor também é polígamo... e mesmo sendo DE de alguma universidade pública, precisa lutar e ficar em estado de greve (e não de graça) para conseguir manter-se fiel... uma lástima.

Fabiana Cortez disse...

Aaaah Duda, você é demais...
vida de jornalista é uma loucura apaixonante... é realmente uma relação extraconjugal, um "Cadinho" do meio jornalístico.
Dai você alimenta a esperança, bem típica do brasileiro nato,e vai aceitando um contrato na jornal aqui, outro na tv, um freela de garoto (a) propaganda, sempre focado na tal esperança.
... mas tudo é uma opção, certamente quem escolheu viver a "badalada" profissão foi alertado das contraindicações.

Fábio Alves disse...

Mas vc há de convir q é uma loucura viciante, né?!?

Duda Rangel disse...

Jaqueline, ficaria difícil mesmo.
Boa, Renan.
Viajante, tem muito professor polígamo por aí.
Fabiana, um salve aos Cadinhos do jornalismo.
Fábio, para alguns, é um vício; para outros, necessidade.
Abraços a todos.

Carol Bonamigo disse...

Me estourei de rir no 3º combo! Vendedora de Avon 24h foi ótimo!!
E faz parte né! Bem que meus pais tentaram me fazer virar funcionária pública.. Mas o coração fala mais alto.. Agora aguenta a poligamia trabalhista!
Mas uma coisa é certa: ser jornalista encurtou 10 anos da minha vida.. Mas em compensação, tenho vivido muito mais que outros amigos "acomodados" por aí..

Ariadne M. Bognar disse...

E no meio disso tudo ainda tem uma pegada com o bonito do comercial, o outro assessor, mas e quando é relacionamento sério? Ah, ai é melhor optar pelos empregos mesmo, por que ter dr depois do plantão de domingo não tem preço!

Duda Rangel disse...

Carol, o coração falar mais alto é, geralmente, um bom sinal. Beijos.

mimimimi disse...

Olá, tenho uma dúvida e queria saber se vocês podem ajudar... No Brasil é possível ser jornalista e assessor ao mesmo tempo? Ou é possível ter alguma actividade que misture jornalismo e entretenimento ou política?
Sou brasileira, entrei para a UFF, mas não consegui cursar no Brasil, uma vez que nos mudamos para Portugal. Aqui, cursei Coimbra e de acordo com o código deontológico a acumulação destas actividades não é possível.Durante o curso os jornalistas que «pulavam a cerca» eram bastante criticados. Ou seja, em Portugal, é preciso devolver a carteira profissional para desempenhar qualquer função de assessoria... Algo ligado com a política então, nem pensar. Quem se envereda por essas áreas, quando quer voltar para uma redacção, quase sempre passa por um período de quarentena... onde fica meio na gaveta, na geladeira, até a redacção deixar de olhar meio torto... Ah, adorei o blog. E agora ando a ler todas as postagens mais antigas! parabéns e votos de sucesso.

Duda Rangel disse...

Olá, mimimimi. No Brasil, jornalistas diplomados trabalham como assessores de imprensa. É um caminho comum a muitos jovens, que saem da faculdade e não vão para uma redação. Conciliar empregos de jornalista de redação e assessor é possível (no Brasil, tudo é possível), mas a prática também não é bem vista por aqui. O negócio é estar de apenas um lado do balcão. Obrigado por sua contribuição aí de Portugal. Volte mais vezes ao blog. Abraços.

Eduardo R. Schmitz disse...

Não conheço muito o autor do blog, mas este texto tem muitos elementos que discordo, principalmente se pensarmos no jornalista como aquele cara que quer se formar para mudar a sociedade. Tudo isso que aparece no texto é um tiro no pé da classe falida dos jornalistas. Por mais que as entidades de classe tentem, fica impossível fortalecer qualquer movimento assim. Logo, os salários continuarão sendo essa miséria.

Vamos lá: se você tem três empregos, significa que você está tirando a vaga de mais duas pessoas. Essas duas, pessoas para conseguirem um emprego, vão se vender por qualquer merreca, ou contratam alguém sem diploma. A classe tem que se valorizar e se dar ao respeito.

E respondendo à mimimimi, no Brasil, o código de ética dos jornalistas também é contra a pessoa trabalhar dos dois lados do balcão. Mas pelo visto, em Portugal, a situação já está mais evoluída.

Espero ter contribuído com o debate e não só apenas ter feito críticas destrutivas.

Duda Rangel disse...

Eduardo, obrigado por sua opinião. Vamos debater sempre.
Só te esclarecendo: o blog não tem como objetivo fortalecer ou enfraquecer movimentos.
O que está aí no texto é uma realidade. Você pode até julgar esta realidade injusta e cruel, mas não há como fingir que isso não acontece. Acontece muito e em vários cantos do Brasil. Mostrá-la não é defendê-la. Pelo contrário, é ajudar o povo a não fechar os olhos. Abraços e volte sempre para opinar.

Wil araujo disse...

no meu caso sou militar pela manhã e aspirante a repórter a tarde e segurança nas horas vagas

Eduardo R. Schmitz disse...

O que me preocupa é este texto estar no ar desde agosto e eu ter sido o primeiro a criticá-lo peliticamente. Isso significa que muitos daqueles que querem mudar o mundo acham que vão fazer isso passando a perna nos colegas de profissão.

Eu mesmo parei pra ler algumas outras postagens do blog e sei reconhecer que é de um humor bacana. Mas fico desconfiado quando vejo muitas risadas e pouca crítica. Nem parecem jornalistas. Preferem se confortar com estereótipos de jornalistas da novela das nove.

Abraço.

Débora Oliveira disse...

Seguindo a lógica, o desemprego equivale a ser uma tia solteirona que gosta de assistir Silvio Santos enquanto alisa seu gato velho. Tô nesse pique, qlqr meio emprego ou quarto de emprego para me tirar da solidão tava bom.

FAÇA UMA BA AÇÃO PELO MARANHÃO- SEJA SOLIDÁRIO! disse...

Eduardo, me fale mais sobre "MUDAR O MUNDO". Gosto do texto e do blog. Sou assessora de comunicação e professora da área de comunicação no SENAC. Enfim, trabalho os três turnos e vejo que isso é realidade de muitos colegas. Há o "ideal" e há o "real". Vejo que o texto trata- claramente- do "real". Não acredito em imparcialidade, isenção, nem em propostas para "mudar o mundo" (mas isso é outra discussão). Enfim, sou pessimista? Acho que não! Só acho que já entendi, ao longo de alguns poucos anos como jornalista nesse país, que seu eu não me virar em dois, três empregos eu passo fome, infelizmente!