segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

As desilusões perdidas


O sujeito esquisitão retratado por Joe Sorren (acima) tem muito de minha antiga aflição. Hoje, pós-blog, já me sinto um novo homem, mais vivo, sem essa cara mórbida de vegetariano de longa data

Quando se é jovem e se está começando no jornalismo, existem as naturais ilusões da profissão. No meu caso, queria mudar o mundo com as palavras e, conseqüentemente, ficar famoso e, mais conseqüentemente ainda, comer toda a mulherada gostosa que fosse possível neste mundo, finalidade-mor de toda empreitada masculina.

Com o passar do tempo, você percebe que não mudou o mundo. Você muda de emprego, muda de aparência (geralmente para pior), muda de humor várias vezes num só dia, mas não muda o mundo. Conseqüentemente não fica famoso. Pior: é condenado a comer um monte de baranga. O único consolo é que seus amigos, também jornalistas, estarão no mesmo patamar que você e, logo, ninguém pode sacanear ninguém. E a vida segue.

É neste momento que você conclui que seus sonhos de “foca” eram, sim, ilusões, ilusões que você acaba de perder. Então, você culpa o seu chefe, o governo, as faculdades de jornalismo, o sistema capitalista, o mercado canibal. Começa a avaliar a possibilidade de mudar de ramo – cheguei a pensar em vender água de coco em garrafinhas num quiosque no Carrefour –, mas descobre que não sabe fazer nada além de contar histórias, aliás, ama contar histórias. Por que então não contar histórias pro resto de sua vida, mesmo ganhando mal e comendo mal a mulherada?

É a fase do amadurecimento do jornalista. Primeiro você perdeu as ilusões e, agora, perde as desilusões. É como se fosse um recomeço, um renascimento. Esse cara sou eu. E como ainda estou sofrendo os reveses da reestruturação do jornal em que trabalhava (entenda-se desempregado) vou aproveitar meu tempo livre para contar as minhas histórias neste blog. E feliz por saber que não tenho de mudar mundo algum. Tenho, sim, é de mudar de advogado, pois acabo de descobrir que perdi a guarda do Nestor para minha “ex”. Pobre cão!



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19 comentários:

marcosmro disse...

A coisa promete! Aguardarei ansiosamente os próximos e emocionantes capítulos dessa saga que se afigura grandiosa.

Julia disse...

Adorei o blog, acho que vou virar freguesa. Em todo caso, vai num daqueles lugares que adotam animais e substitui o Nestor... Eu sei que ele é insubstituível, e tudo, mas é preciso dividir a cama com alguém que não te engane... hahaha. Mas é sério. Adote um novo cão.

nat disse...

Eu não renasci no jornalismo. Depois de 10 anos de plantões, pouca grana e muita raiva, parti para a carreira pública. Pelo menos ainda vou continuar contando histórias- de deputados, é verdade, mas ainda são histórias. A única coisa da qual realmente gostamos. De qualquer forma, ainda vou processar minha universidade por não ter me avisado que mesmo trabalhando em Tv eu não ganharia nunca o que Fátiam Bernardes ganha e que ainda teria que ouvir: " O que é isso? Vc é famosa. Tá pedindo desconto?". Descobri, a duras penas, que status não paga a conta de ninguém.

bpaludeti disse...

Pois é, não tenho tantos anos de jornalismo, porém, as ilusões eu já perdi há tempos e ainda não renasci, como vc.

Espero que ainda me reste algo, mas a ideia de vender água de coco muito me apetece. Virei sempre aqui.

Beijos.

Ludmilla Yara disse...

Concordo com bpaludeti...há apenas alguns anos no jornalismo já estou com as ilusões perdidas...agora espero pelas desilusões.
E a vida segue!

Mariana Serafini disse...

Nem saí da faculdade de Jornalismo ainda e, graças ao seu blog já consigo pular toda essa parte de salvar e (des)salvar o mundo. já entendi que vou almoçar coxinha pro resto da vida, afinal, nunca me preocupei com hábitos saudáveis!

Valeu,Duda! o blog é ótimo, mesmo!

Eliane Santos disse...

Queria muito ler como tudo isso começou e li agora, estou viciada em seus posts, consigo lembrar (o que é raro) de passar todos os dias aqui.
Mas não entendo por que você continua desempregado... seus textos são muito bons, hilários e muito reais também!

Duda Rangel disse...

A todos que deixaram suas opiniões neste espaço, meu muito obrigado. Voltem sempre que quiserem ao blog. Abraços.

Daniel disse...

Duda, não entendi o que você quis dizer com "comendo mal".

"Mal" eu até sei o que é, mas "comendo" eu não me lembro...

Duda Rangel disse...

Daniel,
Tem certas coisas que o homem esquece com o tempo. Abração.

xxxxxxx disse...

Blog sensacional... perigoso isso, mas me identifiquei com 90% das coisas que você escreve... esse papo de desiludir com a desilusão é sério rs!!!

Taiana (tb jornalista!)

Duda Rangel disse...

Oi, Taiana. Perder as desilusões foi o meu renascimento. Valeu pelo carinho. Muito bom saber que você se identifica com meus textos. Beijão.

Anônimo disse...

Eu tenho 13 anos e já pensei em cursar jornalismo, tenho até um blog, então Duda quais são as vantagens e desvantagens do jornalismo?

Duda Rangel disse...

Caro Anônimo, em linhas gerais, o jornalismo é uma profissão que exige muita dedicação, é desgastante, sim, e o retorno financeiro fica bem abaixo do que gostaríamos de ter. Por outro lado, é uma área apaixonante, que permite ter contato com muitas pessoas, conhecer e contar diferentes histórias, prestar serviços para a sociedade etc. Boa sorte.

Nicolle Expósito disse...

Duda, Duda...

Como fico encantada e me identifico com esses teus textos... Riso, choro, indagações são algumas das reações que tenho ao ler teus posts.
Retratar as agruras e alegrias ímpares do jornalismo e da vida do jornalista realmente é a tua missão.

Parabéns pelo blog!!

Duda Rangel disse...

Nicolle,
Como eu fico encantado com mensagens como a sua. Muito obrigado. :)

Unknown disse...

Ser jornalista é viver um dia de cada vez. Acordar pela manha e poder não saber o que me espera. É viver em linha tênue entre o Amor e ódio.

Núbia Pereira Alves disse...

Duda, te falar uma coisa, tenho 17 anos e acabei de fazer vestibular, pra jornalismo, claro. Desde SEMPRE (sempre mesmo, desde o feto) eu sonho em ser jornalista, por diversos motivos, motivos estes que jornalistas e estudantes de jornalismo já invalidaram. Todo mundo me desanima em relação ao jornalismo (minha mãe queria que eu fizesse direito, rs, coitada), dizem que a profissão não dá dinheiro, não é uma boa opção. que eu lendo uns 3 livros aí (não lembro quais) já posso ser jornalista, que não preciso de faculdade. Um formado pela UFG já me fez chorar de tanta merda que ele falou pra mim sobre o jornalismo. Ainda tô na fase das ilusões, de querer investigar tudo e todos e denunciá-los. Mesmo sabendo o meu destino (espero que eu seja diferente dos demais), eu não desanimo do jornalismo, é um sonho, é uma paixão, é o que eu sempre quis pra minha vida e depois de 17 anos sem mudar de ideia, acho que não mudarei mais. Jornalismo é vida. Leio os seus textos com a mesma admiração que um fã tem por um ídolo, como um irmão mais velho, um exemplo a ser seguido. Mesmo ainda não tendo vivenciado a maioria das coisas que você relata não só nesse texto , como nos outros, me identifico sim e sonho com o dia que tudo isso acontecerá comigo. Quem tá na chuva é pra se molhar.

Abraço, Núbia.

Duda Rangel disse...

Oi, Núbia, valeu pela mensagem, por compartilhar tua história com a gente. Vejo muitos jovens em dúvida sobre estudar ou não jornalismo porque não estão certos do que querem pra vida. E este não é o teu caso. Uma paixão que vem do útero não é pouca coisa, não. Já são 17 anos! Fazer o que realmente se gosta é fundamental para superar as pedras no caminho, que existem em qualquer profissão, inclusive no Direito. O sucesso na carreira depende de cada pessoa, por isso estude muito e invista em você. Depois volte para me contar as novidades. Bem-vinda ao clube. Abração. Duda.