quarta-feira, 3 de junho de 2009

E depois criticam a mãe Dinah


De pijama e chinelão no aconchego do meu apê de 49 metros quadrados, acompanhei, nos últimos dois dias, as notícias do desaparecimento do avião da Air France. Mais uma tragédia para a imprensa dissecar até o bagaço. Só se fala disso nos telejornais, na mídia impressa, nas rádios, na internê. Esqueceram a quebra da GM, a enchente no Piauí e a ameaça de a Coréia do Norte jogar bosta nuclear no ventilador. A desgraça do momento é outra!

A falta de informação aliada à necessidade de furar a concorrência é uma mistura desastrosa. Choveu especialista comentando o que ninguém sabe ao certo o que aconteceu. Hipóteses aqui, suspeitas ali, análises vazias acolá. Um jogo de adivinhações. A princípio, um raio poderia ter sido a causa principal da “queda”. Horas mais tarde, essa versão passou a ser absurda. Já falaram em pane elétrica, zona de convergência intertropical, turbulência, bomba. Daqui a pouco a culpa será do Dunga. Depois criticam quando a mãe Dinah fala alguma besteira.

É fato que, no primeiro dia da cobertura, era mais fácil encontrar um político honesto em Brasília do que algum dado oficial sobre a tragédia. Nessas horas, o problema para o jornalista é ter a obrigação de informar o público a todo o momento sem ter nada de novo para acrescentar. Vira um vale-tudo danado. Alguns coleguinhas chegaram a matar 80 brasileiros; depois este número caiu para 59, 58. Jornalista é ruim de matemática mesmo!

A carga de dramaticidade também é proporcional ao tamanho da tragédia. O desespero dos familiares em busca de notícias nos aeroportos, por exemplo, sempre foi um prato cheio para os urubus de plantão, principalmente de programas sensacionalistas. A Air France, pelo menos, reservou uma área especial para receber parentes e amigos dos passageiros e não deixá-los tão expostos. Bem, podem meter o pau na imprensa, mas o público também adora se deliciar com todos os detalhes da desgraça alheia. Coisa de ser humano.

E como não poderia ser diferente, a partir de agora vão pipocar as matérias sobre segurança nos vôos, o papel das autoridades, a responsabilidade das empresas aéreas e aquele blablablá todo que já conhecemos. Depois, a gente esquece a tragédia e tudo volta ao normal, sem soluções para os problemas. A vida e a pauta diária seguem. Até a queda do próximo avião.

8 comentários:

Ricardo AC disse...

O ruim é ficar alheio a esse assunto.Eu gostava mais quando tinha o Big Brother.
Que bom que não comentam tanto sobre o novo (?) reality show da Record.
Desgraça é ver o Dado Dolabella.

Mônica Pinheiro disse...

Só falto um item no seu lead: uma tal de influenza A, que falaram por aí? É assim mesmo que se fala? hehehe!

Agora chovem os editorias e especiais sobre a crise aérea no Brasil....até o próximo acidente aéreo...

abraços

smackpot disse...

gosto de pensar que estão todos bem, vivendo mais ou menos bem, em uma ilha deserta, com um campo magnético alterado, com ursos polares e fumaças pretas.

Fernando disse...

Alguma coisa a comentar sobre a declaração de Lula sobre o episódio? Não, né?

Flávia Romanelli disse...

É sempre a mesma coisa, a cada tragédia o circo se repete e ninguém está preocupado em mudar nada!

Ricardo Muza disse...

Aliás, até agora não entrevistaram a mãe Dinah sobre o episódio. Que falha.....

Ewerton Martins Ribeiro disse...

Esse tipo de cobertura me dá nos cornos também.

The Ideas of a Vintage Doll disse...

Não, amor, isso é coisa de ser "um mano". Diferente... muito diferente!
Mas quer saber minha teoria? O aviãlo está na ilha de Lost com o Jack, a Kate e o padre baloeiro. Maldade, eu sei... mas é irresistível!