quarta-feira, 24 de junho de 2009

Pobre, mas limpinho



Dias desses o frio me convidou a pegar uns DVDs na velha locadora de bairro. Como eu sempre fujo da estante dos lançamentos, mais caros, decidi rever La Dolce Vita, de Fellini, um filme que, há 50 anos, já discutia uma questão bastante atual: o deslumbramento de muitos jornalistas. Marcello Rubini, o protagonista, é o repórter fascinado pelo mundo dos famosos, apaixonado por uma atriz hollywoodiana, pelas festas fúteis da aristocracia romana.

Meio século depois, é possível encontrar Marcellos aos montes por aí. Como tem jornalista que adora bajular uma atriz famosa ou uma estrela do futebol. Parece que, por um momento, deixam toda a sua insignificância de lado e se tornam importantes. A Via Veneto de Fellini, cheia de celebridades, são hoje as boates badaladas de Rio e São Paulo, o Projac, a porta das igrejas em dia de casamento de gente distinta como o Roberto Justus.

Ser amigo de um famoso pode garantir aos jornalistas algumas facilidades, como entrar em uma festa reservada a poucos ou o acesso a um camarote vip. Já vi repórter esportivo se aproveitar de um suposto bom relacionamento com um jogador de futebol para pedir dinheiro emprestado. Ou para ir a baladas com os boleiros só para impressionar as marias-chuteiras.

Sou um jornalista miserável, sim, do que tipo que aluga DVDs de catálogo, mas mantenho a minha dignidade intacta. Isso significa dizer que jamais precisarei elogiar o “corpinho” da Susana Vieira só para ficar amigo de tal senhora. Deus me livre um dia ser amigo de tal senhora. Sou pobre, mas sou limpinho.

7 comentários:

Lays Rodrigues disse...

Hahahahah
Esse filme é óóótimo!
Na verdade, todos de Fellini são!
Concordo com você, viu? Tem gente que quer ser jornalista só para aparecer, tá sempre nessas festas badaladas. Se bem que não só em jornalismo, gente fútil tem em toda profissão.

The Ideas of a Vintage Doll disse...

Um dia um "Rock Star" me convidou para sair depois de uma entrevista. Mas assim como você, sou probe, mas sou limpinha, recusei o convite... Decididamente não dá pra sair com um emo...

RV disse...

Caro, Duda. Entre os filmes que falam sobre a profissão, gosto bastante de A Embriaguez do Sucesso que trata sobre a relação entre jornalistas e assessores de imprensa. Fora clássicos como: Todos os Homens do Presidente, A Montanha dos Sete Abutres, O Quarto Poder, entre tantos outros. Aliás, amanhã devo assistir Intrigas de Estado que dizem ser muito bom.

Abraços e parabéns pelo Desilusões Perdidas

Raildon Lucena - Jornalista Diplomado e Cozinheiro de plantão

Erickblog disse...

Esse filme do Felline é um daqueles que sou doido para assistir mais não encontro de jeito nenhum. Sem falar nos do Passolini e tantos outros que são raros de encontrar. Se tiver uma alma caridosa lendo esse blog favor me passar uma dica de como conseguir essas raridades.
Mas, falar de filme sobre profissão e esse mundo cão que nós vivemos é com Constantin Costa-Gavras. Falo mais precisamente do filme "O corte" (em francês acho que é Le couperet). Quem não assistiu faço o favor de vê-lo imediatamente.

smackpot disse...

Recomendo o filme "Um louco apaixonado" o título é horrível e na verdade chama "How to Lose Friends & Alienate People". Tem o Simon Peeg e a Megan Fox no filme, e fala basicamente de um jornalista de um pqno jornal de londres que vai parar em Hollywood. Muito bommm o filme. Recomendo.

Duda Rangel disse...

Caros amigos,
Obrigado pelos comentários. Tô cheio de dicas de novos filmes sobre a profissão para assistir com o Nestor. Raildon, você citou alguns essenciais. Erick, não sei como é aí em Vitória, mas, em Sampa, acha-se uma cópia em qualquer locadora. Pena não ter uma para te mandar. Mas, em tempos de internet e downloads em geral, você deve encontrar em algum lugar para baixar. Beijos e abraços a todos.

Ewerton Martins Ribeiro disse...

Perfeito.