sexta-feira, 5 de junho de 2009

Sobre desgraças e cervejas


Eu, que perdi o rumo quando me vi desempregado e corno, hoje dou um valor danado a quem se fode e não sucumbe ao desespero. E digo mais: admiro quem se fode e ainda consegue relaxar e curtir o momento. Nada como aprender a lidar com uma carreira tão cheia de turbulência. Quando se menos espera, vem um passaralho ou se declara a morte de um jornal. Viver na corda bamba dá medo, mas também dá coragem. Então relaxemos, de preferência com uma cervejinha.

Dias atrás, uma amiga e leitora me enviou uma matéria sobre o fim da Gazeta Mercantil. Sexta-feira, dia 29 de maio, circulou sua última edição. Nelson Tanure, dono da CBM, uma espécie de Lex Luthor tupiniquim, decidiu romper o contrato pelo uso da marca Gazeta Mercantil. Os jornalistas ganharam férias coletivas e a promessa de que receberão todos os seus direitos. Alguns ainda podem ser aproveitados em outras publicações de Tanure. É óbvio que os jornalistas acreditaram na promessa assim como acreditam no Papai Noel.

Mas o que mais chamou a atenção na tal matéria, da Folha de S.Paulo, se não me engano, foi o seguinte trecho: Apesar de acreditarem ser difícil a volta da publicação, os funcionários tentaram evitar o clima pesado no último dia. Após o fechamento da última edição do jornal, na noite de quinta (dia 28), houve cervejada na redação. Segundo jornalistas, o clima era de "dever cumprido e cabeça erguida”.

Isso que é despedida honrosa: encher a cara de cerveja.

Além do dever cumprido, eles devem ter celebrado também a libertação de Tanure. Ou a capacidade desenvolvida ao longo dos anos de enfrentar tanta coisa ruim. Com o tempo, nós, jornalistas, criamos anticorpos poderosíssimos contra desgraças em geral!

8 comentários:

Erickblog disse...

Ótimo texto. Considerando a atual realidade do mercado de trabalho para jornalistas.

Flávia Romanelli disse...

Infelizmente essa não foi a primeira morte da Gazeta Mercantil e de tantos outros periódicos.
Pior que o Tanure só como o Sílvio Santos trata a classe jornalística.

TetoSolo disse...

Duda,

as vezes acho que não seria de todo o mal a Koreia jogar merda atômica no ventilador...hahahha

Abs!

Marco Ribeiro disse...

Legal, esse blog. Vou colocar um link para ele lá no meu.

Ewerton Martins Ribeiro disse...

Foda esse lance da gazeta. Mais de 100 pessoas, né...

Anônimo disse...

Nós jornalistas, somos muito parecidos com hienas. E gostamos.

The Ideas of a Vintage Doll disse...

Eu teria tomado tequila...

The Ideas of a Vintage Doll disse...

PS: Terapia de pobre é a cachaça...