sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A vida pobre de um estudante de jornalismo


A geladeira coletiva da república. O iogurte com nome do dono dentro da geladeira coletiva da república. Os porres de Balalaika de doer a cabeça por uma semana. A cerveja nunca acompanhada por petiscos no bar. Aqueles espetáculos teatrais chatíssimos, mas gratuitos. Filme brasileiro a dois reais na segunda-feira. O Catraca Livre na lista dos favoritos. A privação dos megashows internacionais. As longas horas de leitura nos pufes da livraria bacana. A saída estratégica da livraria bacana sem comprar um único livro. Motel que cobra por hora, que tem TV de tubo de 14 polegadas no teto. A venda de tudo que é bugiganga no Mercado Livre pra levantar uma grana. A venda do vale-transporte do estágio pra levantar uma grana. As aulinhas particulares de Português pra aluno do ensino médio. A venda de pão de mel, de rifa com nome de mulher, Iranilde, Zuleica, Veridiana, nos corredores da faculdade. As moedas catadas pelos bolsos para o hot-dog na barraca da esquina. A fila imensa do restaurante popular. O incentivo à pirataria. A calça jeans que resiste bravamente ao tempo. O trem lotado. O ônibus lotado. A carona filada no carro do amigo do amigo. O maço de cigarro socializado. A vontade de assassinar o desconhecido mala que ajuda a pagar o quarto da pensão. A saudade filho-da-puta da família que mora longe, mas, paciência, a passagem do busão tá sempre muito cara.

O estudante de jornalismo suporta todos estes perrengues, com a certeza de que a miséria tem dia certo pra acabar. É só uma questão de se formar e conseguir um bom emprego. Tolinho.


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46 comentários:

Cristine Bartchewsky disse...

Faltou falar sobre levar marmita para o estágio e, se tiver sorte e receber VR, vendê-lo para inteirar a mensalidade na faculdade.
Alguém aí sabe de um estágio que, além de bolsa-auxílio honesta, dê um bom VR???

Carolina Teixeira disse...

Hahahaha...bem que o professor ontem falou: vocês não esperam ficar ricos com jornalismo né?! Esperam?! - e a sala ficou em silêncio...

carlos homci disse...

Bacana, gostei. A carona do amigo do amigo, uau! essa doeu.

Paloma, a mãe disse...

Nos meus tempos de estudante, rolou até rifa de maconha, feita por um amigo. E estudante de jornalismo é tão sem sorte que quem ganhou a rifa foi um professor!

Mas, ó, mais tolinhos são os estudantes de jornalismo que entram na faculdade para aparecer na televisão, ser da Globo. São os que escrevem pior e não têm nenhuma cultura geral. Morro de pena...

Anônimo disse...

Duda, vc sempre escreve sobre os estudantes de adm se vestirem melhor.
Na época da faculdade eu ficava intrigada com isso: as meninas do direito vestiam longa, as de adm, terno, as de enfermagem, branco... só a gente não tem identificação visual...
Escreva sobre isso!
Beijo

Manu

Fernando Bologna disse...

hahaha.. Muito bom!! Faltou acrescentar os que passam por perrengues, se formam e não conseguem entrar para trabalhar na area.

Gabriela disse...

Mochila com cheiro de marmita, tênis rasgado, celular sem crédito, canetas achadas no estágio para fazer as provas, a bebida sempre na aba dos outros. Choose a better career.

Dany Mariah disse...

Realidade, dura realidade...

eu acrescentaria ficar puto com um professor que pediu uma apostila de trocentas páginas, que a gente só vai usar a primeira página e lá se vão as moedinhas para o hot dog na barraquinha da esquina...

Ou melhor mão acrescentaria nd não, texto perfeito.

E colega Manu, em dias de aula de Tele-jor você encontra muita gente de terno. Bem, pelo menos o paletó emprestado por cima da camiseta de banda de rock e da calça jeans que insiste que resiste bravamente ao tempo. RSRS

Anônimo disse...

Como é bom ler textos de gente que sabe das verdades da nossa profissão. Sensacional!

Camila Sol disse...

Nó...só faltou falar do xerox da faculdade e das noites sem dormir pra entrega do trabalho final.

não sei de onde tira tanta inspiração...mas isso ´tudo é hilário...rs

Matheus Farizatto disse...

Tolinho mesmo...

diariodecarina disse...

Esta é mais pura realidade, pelo menos pra quem não nasceu em berço de ouro.

Até me fez lembrar um desabafo que postei no blog em tempos de faculdade:

http://diariodecarina.wordpress.com/2009/03/11/boa-sorte-para-nos/

Abraço!

Dayana Hashim disse...

É... Sou uma tolinha mesmo. XD

Elisandra Amâncio disse...

Esse "tolinho" detonou. Ô vida!
Quando crescer, se pelo menos escrever como você já estou feliz.

Aline disse...

Adorei ....realmente nós pobres estudantes de jornalismo somos tolinhos. Mas o pior é povo q qdo falamos q fzemos jornalismo já falam :"Hum vai aparecer na Globo".Eles concerteza são mais tolos q a gente!rs
bjos

Duda Rangel disse...

Obrigado por todas as lembranças e contribuições para deixar a vida do estudante de jornalismo ainda mais miserável. Manu, vou pensar na tua sugestão de post, sim. Valeu pela idéia.
Abraços.

Elga disse...

Duda, seu blog é uma verdadeira droga!!!! Li o primeiro post e não consigo mais parar de ler. Estou viciada! rsrsrs
Você é sensacional, meus parabéns!?

A viajante disse...

a vida dura de um estudante de jornalismo...pobre, nada...toda crise é criativa! Bj

Anônimo disse...

Não me encaixo nesses aspectos. Mas, eu, como estudante de jornalismo, saio deste blog profundamente desestimulado. É muita "negatividade". É quase que uma auto-depressão, nossa! Fiquei realmente com muitas dúvidas se devo seguir a diante ou não. Abraço

Duda Rangel disse...

Elga, há drogas bem piores. Você poderia estar viciada em televisão, por exemplo. Curta bastante a tua dependência e não tenha crise de abstinência do blog.
Viajante, sem dúvida. E bota criativa nisso.
Anônimo, meu caro, não fique desestimulado, não. Esta profissão é apaixonante. A realidade é dura mesmo, mas tente levar a vida com mais bom humor, tente rir das desgraças. Tudo ficará mais leve.
Abraços a todos.

tati disse...

Ai Duda, ainda bem q estou me despedindo dessa vida dura. Vou começar outra mais cruel ainda... rsrs

Anônimo disse...

Hah, eu acrescentaria roubar o pão do café da manhã do estágio prá comer no almoço. O cúmulo da miserabilidade! Mesmo assim adoro jornalismo, mesmo sabendo que o perrengue continua!

Fernanda Medeiros disse...

Cara, eu estava em crise 'profissional', depois de ler esse texto tive certeza, TÔ FERRADA!!!

Parabéns pelo blog, adorei. Já está entre os meus favoritos ;)

Duda Rangel disse...

Tati, boa sorte na nova fase da vida.
Caro Anônimo, confesso que já almocei muito pão do café da manhã.
Fernanda, não desanima, não. As crises profissinais vêm e vão.
Abraços!

INSÔNIA e PRAZO DE VALIDADE disse...

Esqueceu do trajeto do ônibus, ruas sem asfalto para um ônibus público de uso universitário que visa a qualidade de vida das pessoas que eram pra ficar na cidade, mas que pretendem terminar o curso e sumir para nunca mais imaginar entrar num ônibus.

Joyce Noronha disse...

Adorei!!!

Mas fod... mesmo é você nessa profi do cão e seus amigos escolhendo "carreiras" duradouras. Daí todo findi eles querem cinema, jantinha num restaurante bacana e a balada mais playba da cidade, você pra ñ ficar de fora curte um cinema, diz q surgiu um imprevisto e vaza pro buteco mais perto. Joga uma sinuca, bebe umas gelas na pussuca e depois acha alguma balada free p universitários. hehehehe... Vida em Santa Maria é assim.

Agora tenho que concordar com a PALOMA, A MÃE, são tolinhos os que acham que a Globo é tudo =/ Pensamento muito FAIL.

Eneas Peixoto disse...

Eu já nem sei se você estimula ou não essa molecada a fazer jornalismo.
Muito bom!

apampaepop disse...

Vamos lá, temos "A vida pobre de um jornalista" na selva de registrados sem diploma, no mercado de trabalho que tira até as tuas entranhas. Das 18 horas por dia trabalhadas, dos frilas pra sobreiver nesta selva que é o mercado de trabalho. Jornalista PHD (por hora desempregado) como eu já passou por tudo, até dividir sanduíche com a amiga. Por isso meu conselho pra minha filha foi: faça qualquer coisa, mas se quiser viver, não faça jornalismo, que pra mim é uma cachaça, um vício. estudantes ainda têm esperança. Muitos de nós, formados, já perdemos. C'est la vie

Duda Rangel disse...

Eneas, o blog é apenas um espaço para mostrar os lados bom e ruim da vida de um jornalista de forma bem-humorada. Não há estimulos nem desestímulos. Cabe a cada um escolher o que quer da vida. Abração, rapaz.

Ísis Sousa Franco disse...

Hahahahahahahaha, excelente. Não sou estudante de Jornalismo mas me identifiquei com o Catraca Livre (www.catracalivre.com.br) na lista de favoritos, rsssss.

ROBERTINHO RIOS disse...

Genteee! Sou apaixonado por jornalismo, mas quando eu começo a ler este blog... Santa decepção! rs
É realmente uma desilusãooo... mas pensa q desisto? Nuncaaa... tolinho sempre! rs

Duda Rangel disse...

Robertinho, meu caro, não desista, não. No começo, é difícil mesmo, mas depois, acredite, fica pior ainda...rs. Sucesso!

Vinicius disse...

Isso não é exclusividade de estudantes de jornalismo, Duda.

É a triste realidade de todos os secundaristas fodidos desse país.

Jess Block disse...

Isso vale também pra estudante de história e geografia. Em alguns casos, chega a ser pior... mas, um dia, dá até saudade.

Dine Estela disse...

Pois é...Sabe quando eu descobri que essa era a profissão da minha vida???
Quando percebi que estava pagando para trabalhar...Foi assim desde o início, começei no rádio, fui para assessoria de imprensa e depois para a academia. Já conheço as dificuldades de ganhar quase nada porque não tinha o diploma. O pior é que as coisas não melhoram depois do canudo na mão. Mas pensa que desisto??? Nunca!!! Amo o que faço...E recomendo que cada um faça o que ama.

Duda Rangel disse...

Vinicius e Jess, concordo que esta não é uma desgraça exclusiva do estudante de jornalismo.
Dine Estela, muito sucesso! Abraços.

Rastichong disse...

Huahuahuahuahuahua!

Gênial! Esse textículo é a quinta essência. Solilóquio trivial baseado em sincera certeza. Fé meu querido! E boa sorte!

Duda Rangel disse...

Rastichong, boa sorte a todos nós. Abração.

Erica Maruzi disse...

O pior é passar por tudo isso e formar e ainda não ter emprego!!! Eita vida dura!

Erica Maruzi disse...

O pior é passar por tudo isso, formar e não ter um emprego!Ai a dureza permanece por tempo indeterminado...

Duda Rangel disse...

E bota tempo nisso, Erica.

Anônimo disse...

POR ISSO MESMO AMANDO O JORNALISMO, PENSO EM MUDAR DE CURSO, EU NÃO NASCI PARA VIVER NA PIOR! MUAHAHAHA,é uma pena ter que falar isso, adoraria que o jornalismo fosse um tanto justo com seus profissionais, alguém aí me faz mudar de idéia? Ou será que estou correta? ;)
MARI M.S

Duda Rangel disse...

Mari, dificuldades e injustiças existem em todas as profissões. E o jornalismo também tem o seu lado bom. Escrevi até um post sobre isso. Pra te animar um pouquinho, dê uma olhada neste link. Abraço. http://desilusoesperdidas.blogspot.com/2011/03/20-bons-motivos-para-ser-jornalista.html

Pâmela Lima disse...

Bom, gente, se nada der certo no jornalismo, e não há nada que nos dê esperança do contrário, ainda temos a opção de virarmos consultores da Jequiti...

Duda Rangel disse...

Boa ideia, Pâmela. Não tinha pensado nisso ainda.

João Paulo Santarém disse...

Estou absolutamente indeciso sobre qual profissão seguir. Estou lutando com jornalismo e psicologia. Mesmo depois de ler o texto continuei interessado pelo ramo, sei que amo o curso. Criei um blog p pedir ajuda, publiquei um texto, peço comentários sobre visões jornalísticas no meu texto, apesar de estar bem cheio de tendências psicológicas que está caracterisca seja pouco notada hauahau http://whatyknow.blogspot.com.br/2014/03/comeco-alice-no-pais-das-maravilhas_8477.html?m=1 agradeço desde já, Abs, João Paulo Santarém