sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Fotógrafo, o Terrível


Antes da foto, deixa só eu anotar o seu nome, por favor. Só um instante. Cadê a minha caneta? Cadê a mi-nha ca-ne-ta? Só um instante. Opa. Aceito, sim. Obrigado. Bonita, hein? Esta caneta deve custar uma fortuna, né? (risos) Também você é o presidente da empresa. Brincadeira. Ah, não é o presidente? Desculpa. Vice-presidente de Finanças? Sim, sim. Bom, é o cara da grana! (risos) Deixa eu anotar então tudo aqui. Nome? Jo-ão Fran-cis-co A-qui-no. Ok. Vice-presidente de Finanças. Certo. Vamos pra foto então? Olha, eu queria fazer com aquele fundo ali. Tudo bem? Pode ser? Assessor? Tá jóia? Vamos lá então. Beleza. Mais pra lá, por favor. Pra direita. Isso. Fecha o paletó, por gentileza. Isso. Obrigado. Assim fica mais bonito. Ok, ok. Maravilha. Vamos fazer aquela clássica foto soquinho no queixo. Pode ser? Ótima. Isso. Mais uma. Mais uma. Peraí. Opa. Ótimo. Agora, aquela com os braços cruzados. Isso. Cara de executivo do ano. Isso. Cara de futuro presidente da empresa. (risos) Mais uma. Ficou boa, ficou boa. Essa aqui é de capa de revista, hein? Boa, boa. Agora, com aquele outro fundo ali. Pode ser? Vamos lá. Assim. Mais de lado. Um pouco mais pra lá. Tá muito sério. Parece até que a empresa tá quebrando. (risos) Isso. Assim ficou melhor. Mais outra ali na mesa. Ok? É, a gente tem que fazer várias fotos pra escolher depois. No passado? A gente também fazia várias fotos, mesmo sem câmera digital. Fazia, sim. Mais pra lá. Isso. Só que a gente ficava escolhendo foto no negativo. Pois é. Agora tá mais fácil. A última. Maravilha. É isso aí. Zé Fini. Obrigadão. Ufa. Tudo certo então. Vou nessa que ainda tenho outra pauta agora. Oi? A caneta? Meu Deus, onde eu tô com a cabeça pra colocar a sua caneta no meu bolso? Meu Deus, me desculpa, me desculpa. Até mais. Obrigado. Desculpa, viu? Até logo. (...) Assessor, obrigado pela força. Pode deixar que a gente vai escolher uma bem bonita. Sim, sim. É, mas se vai ser capa ou não, só com o editor. Você sabe, né? Ah, me fala só mais uma coisinha: sabe aquele sanduba que você me ofereceu na chegada? Tem mais algum aí?

Leia também: Uma riquíssima fauna humana – parte 2

14 comentários:

Joyce Noronha disse...

Hauahuahuhauauhau... "Sabe aquele sanduba?" A-DO-REI! Ótimo como seus textos sempre são ;D Parabéns!!!

Amanda Carvalho disse...

Muito bom! Fotografo super mal.. mas já disse umas dessas famosas frases quando precisei colocar a mão na máquina. Pra variar texto ótimo Duda! Parabéns! =)

Junião disse...

Ótimo texto! Apareço aqui ocasionalmente mas sempre sou brindado com algum "causo" muito bom! E semanas depois o cliente questiona o assessor: E aquelas fotos? Não eram para a capa? Por que saiu apenas uma notinha?? rs

Ronise Vilela disse...

Só mudam o endereço!

Anônimo disse...

Hola!
É exatamente assim! Uma relação, breve mas de uma intimidade estranha!
Ruim é o chá de banco ou a vaidade do fotografado, dizendo: Deixa eu ver como ficou? Ha! "Mas tu me deixou gorda! Bate outra!... Vê lá em! Escolhe bem!
Xá comigo!...
Moizes Vasconcellos
Reporter fotografico a 14 anos

Gisele Gutierrez disse...

Ahauahauhauahauhauahauah
Ri demais!!! To adorando esse blog!

Raphael Carvalho disse...

Só faltou a publicação errada do nome!!!
shaushaiuhsiuahsui

anderson favero disse...

Incrível! Quase teatral!

A viajante disse...

Os fotógrafos são todos uns surtados...acho que dormem e acordam com o som de um flash! Muito bom, Duda!

A viajante disse...

Os fotógrafos são todos uns surtados...acho que dormem e acordam com o som de um flash! Muito bom, Duda!

Luana Ribeiro disse...

"Zé fini" Ahaha muito bom!

Ótimo blog!

Rebelc disse...

Sensacional!!!! Me lembrou um fato engraçado que aconteceu com o fotógrafo do jornal que eu trabalhei em Ribeirão Preto, entre 1995/97. Era época daqueles celulares tipo "tijolão". O cara saiu pra fotografar um acidente de trânsito, com seu Motorola que pesava pelo menos 1/2 kg -- que completava o peso da câmera (na época, analógica), lentes e flash -- e esqueceu em cima do capô do Fiat 147 (sua viatura), depois saiu que nem bala pra redação, pra dar tempo de revelar o filme, ampliar, tirar fotolito etc... Conclusão, perdeu o telefone. Como naquela época celular não era tão arroz-com-feijão e custava umas mil pratas, o chefe não ficou nem um pouco feliz com o desastrado colega. Sua punição? Um celular maior ainda, nada portátil, uma maleta (literalmente), com antena retrátil, um fio enrolado... Além de desajeitado, era feio pra burro... KKKK
Parabéns pelo texto, mais uma vez. Abraços a todos.

Duda Rangel disse...

Como sempre, agradeço os comentários de todos. Obrigado pelos relatos de causos, pelos elogios. Fotógrafos são personagens ricos de boas histórias. Abraços.

Filipe disse...

Chorei hauahuahua.

Isso lembrou meus tempos de foca falante na assessoria de imprensa da Prefeitura de Criciúma (2005 - 2008).

Gente, mas eu era sem noção. Credo... me diverti muito também e hoje guardo só as boas lembranças =)