segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Jamais passaremos fome


Como diria Euclides da Cunha, “o jornalista é, antes de tudo, um forte”. Se o brasileiro tem jogo de cintura, o jornalista, ou melhor, o jornalista brasileiro tem muito mais. Somos donos de uma capacidade invejável de adaptação às dificuldades, às crises financeiras, às desgraças em geral. Na vida, o jornalista aprende a fazer de tudo para sobreviver. É um profissional múltiplo. Se faltou vaga nas redações, invadimos as assessorias de imprensa, para azar dos relações públicas.

Agora, queremos dominar o show business. Vejamos a edição 2009 do Big Brother Brasil. Na casa, há duas jornalistas e uma assessora de imprensa, as ocupações “oficiais” das moças. Mas todas têm outras atividades profissionais, a mais recente de “atriz da vida real”. São mulheres multifacetadas, que reúnem as mais diversas habilidades e competências exigidas pelo mercado, mulheres que nunca mais passarão fome nesta vida. O Diabo é testemunha.

Priscila, representante do Mato Grosso do Sul, é também modelo (foi garota-propaganda de sex shop) e já admite, no futuro, uma promissora carreira de estrela de filmes pornô. A recém-chegada Maíra, além de jornalista, acumula experiência como maria-chuteira (foi casada com um jogador de futebol) e modelo (já teve o título de mãe mais bonita do Brasil e protagoniza ensaios sensuais na web). Milena, a manauara, atua como assessora de imprensa e promove eventos. Aliás, que tipo de eventos, hein?

Nós temos também um grande poder de mudar radicalmente de profissão. A Juliana Paes, jornalista na última novela das oito, trabalha agora num call center na Índia. Isso que é adaptação à globalização, aos novos tempos. E não esqueçam que esta moça começou como empregada doméstica. Eu mesmo, no choque inicial do desemprego, pensei em levantar uma grana como go-go boy em festas de mulheres quase decentes, mas logo fui desaconselhado por um amigo: “Duda, você go-go boy? Vai ganhar menos que o piso de cinco horas de um jornalista”, me disse, todo cheio de deboche. No fundo, tinha razão.

2 comentários:

Giselle disse...

Eh...tb já pensei em tentar ser secretária, recepcionista, fazer pós em informática...to tentando fugir do desemprego, pq aki em BSB, nos classificados, pulam de "G" para "M", sem passar pelo "J" de jornalistas...nem jornaleiro!

Anton Roos disse...

Eis meu blog preferido!!!!