sexta-feira, 8 de maio de 2009

A pastinha vagabunda


Um amigo prometeu me ajudar a fazer um portfólio com minhas reportagens. Algo decente, moderno, digital, para ser entregue a um futuro empregador num minúsculo pen drive. Embora o QI seja indispensável hoje em dia, uma boa apresentação de nosso trabalho sempre ajuda. “Duda, nem pense em usar mais aquela pastinha vagabunda, cheia de papel amarelado”, ameaçou. “Você vai continuar desempregado pro resto da vida.”

Enquanto ele falava, fiz uma viagem aos meus 20 e poucos anos. A pastinha, apesar de ordinária, reunia minhas grandes matérias. Estava esquecida num armário qualquer, ao lado de uma pilha de jornais que nunca tive coragem de arquivar. Coisa de gente preguiçosa. Resgatar aquela papelada seria um reencontro com o início de minha carreira. Lembranças de uma época de descobertas, entusiasmo com o jornalismo, erros inocentes que hoje me fariam rir. Bons tempos que, infelizmente, não voltam.

O cubano Pedro Juan Gutiérrez, no livro Trilogia suja de Havana, escreve: “É impossível me livrar das saudades porque é impossível se livrar da memória. Você não pode se livrar daquilo que amou”. Ele tem razão.

- E vê se escaneia essa porra direito, completou o meu amigo.

5 comentários:

Lanier Rosa disse...

Não sei porque, mas tenho prazer quando toco folhas amareladas em pastinhas vagabundas. Meus primeiros textos... minha letra feia, com aqueles erros horríveis de portuguÊs. Porém com uma imaginação, uma criatividade, que gostaria de resgatar!
Pensei agora, se escrevendo num blog, poderei lá na frente tocar em páginas amareladas?!
Vou já imprimir meus textos!!!

BitterSweet disse...

Ahhh eu nao tenho nenhum papel velho... eu procuro nao guardar nada em papel pq se eu releio muitas vezes eu acabo rasgando/queimando... entao eu escrevo, e nao leio mais xD ahhhh, nem tenho o que acrescentar neste post.

Mônica Pinheiro disse...

Sucinto e interessante. Acho que todos sentimos um pouco disso...uma saudade da ingenuidade que tinhamos(a gente vê os narizes de cera, os erros de conjugação, o português foca)...é uma sensação engraçada e nostalgica.
Mas de fato, o seu amigo está certo...não superei a minha pastinha vagabunda. Aliás, não tive coragem de mexer na pilha de jornais arquivados na estante, à espera de uma clipagem adequada....

O mesmo para os bloquinhos de reportagem. Telefones, contatos e fontes perdidos em mais de dez bloquinhos amarelados...

Jornalista não tem vergonha na cara mesmo....

Abraços

The Ideas of a Vintage Doll disse...

As folhas ainda não estão amarelas...

Paulo Henrique de Moura - Jornalista disse...

E vê se escaneia essa porra direito!
hauahaha. Duda você é hilário! Me divirto mnuito lendo seu textos!
Super abraço