sexta-feira, 15 de maio de 2009

Sem generalizar, por favor


Não dá para ser jornalista e não gostar de ler. Ser mal-informado é crime! É como atriz pornô que não gosta de sexo. Quem não curte ler tem ainda mais dificuldade para escrever, principalmente escrever bem. Mas, infelizmente, em nossa profissão, há muita gente que odeia até uma leitura dinâmica.

Eu leio desde muito jovem. Com 11, 12 anos, já devorava a Playboy todinha e a seção “Fórum”, da revista Ele & Ela. Pouco depois, já me dedicava às revistas suecas, que exigiam um entendimento mais elaborado da vida, além de um segundo idioma. Hoje, leio de tudo, de análises macroeconômicas a bula de remédio.

O problema da falta de informação também afeta um outro tipo de jornalista: o generalista. Pelos dicionários, generalista é a pessoa que não tem uma especialização, mas que entende de vários assuntos. No caso do jornalista generalista, trata-se do cara que não entende porra nenhuma de vários assuntos. Fica pingando de pauta em pauta, totalmente desconexas, entrevista o analista financeiro e o jogador de futebol numa mesma tarde. Em TV, rolava muito disso.

Estava certa vez em um treino da Fórmula 1, em Interlagos. Encontro um amigo repórter de TV, ofegante, terno desarrumado, jeitão de quem está perdido. “Porra, Duda, me ajuda aí, cara. O que tá rolando aqui hoje? Me mandaram para cá, caí de pára-quedas. Tenho uma entrada ao vivo daqui a pouco.” Poucas horas antes, ele estava na inauguração de um hospital pelo governador. Pensei em sacaneá-lo, dizer que a notícia era o melhor tempo do Rubinho, mas acabei ajudando o coitado.

O jornalista generalista de TV tem sempre aquele olhar que clama por piedade e uma informação que lhe traga de volta ao planeta Terra. A malandragem também funciona. O cara se aproxima de um bolo de repórteres que entrevista um ilustre empresário, manda ligar a câmera, coloca o microfone na boca do sujeito e grava tudo, sem fazer uma pergunta sequer. Vai só na carona dos outros jornalistas. Por fim, ainda tem a cara-de-pau de virar para o lado e dizer: “Amigo, como chama esse empresário mesmo?”

10 comentários:

Lanier Rosa disse...

Boa dica sobre aquilo que não devo ser. Valeu! rsrsrsrs

Flávia Romanelli disse...

Eu tinha um chefe que falava que jornalista é especialista em generalidades! É dureza, mas tem hora que não tem como evitar, ainda mais em Tv onde todo mundo faz de tudo, eu já cobri muito treino de futebol sem saber o nome de nenhum jogador rsrs

Rosemeri Sirnes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rosemeri Sirnes disse...

Adorei Duda! Só falta o Bruno Mazzeo dizer que ser jornalista é a maior cilada(rs). É terrível quando você percebe que o jornalista sabe pouco beirando ao quase nada da pessoa que está entrevistando, você fica pensando, dava pra se informar só um pouquinho.

Beijos

Mônica Pinheiro disse...

Acho que , vez ou outra, a gente acaba comentendo esse erro também....mas, depois a gente reconhece a própria ignorÂncia e tenta fazer melhor......

bj!

The Ideas of a Vintage Doll disse...

A quantidade de jornalistas que já encontrei assim por aí é de foder...

Ewerton Martins Ribeiro disse...

Boa.

Em relação a não gostar de ler, eu ultimamente tenho me punido muito pelo fato de andar lendo pouco.
(...)
Na verdade, tenho me punido nada. Tenho é enchido o rabo de cerveja e esquecido.
(...)
Mas tenho realmente me chateado muito comigo pelo fato de estar lendo pouco. Mas - ambiguidade - passo o dia inteiro lendo. Lendo coisas na internet para as matérias que tenho que escrever, lendo as próprias matérias que escrevo por vezes e vezes em busca de aprimoramentos. Lendo notícias nas revistas semanais e nos sites noticiosos.
E, mesmo assim, durmo toda madrugada com um peso na consciência por estar lendo pouco. Não leio mais Dostoiévski, não leio Machado. Só efemérides. E, mesmo assim, ainda falta tempo para acompanhar tudo.

Com esse trem de globalização, minha geração se fudeu, isso sim.

Ricardo Muza disse...

Também fui moldado pela Playboy e ao Fórum (as revistas suecas eram raras no interior, onde eu morava).

Silvana Chaves disse...

É Duda é cruel, mas infelizmente é isso que impõem pra gente nas redações e não temos mais escolha, ou se enquadra, ou o sujeito tá fora...rs

Eu não gostaria de ser, mas, pelo o que eu vi nas redações, hoje em dias tem que se dar graças a Deus em conseguir se ter a "honra" de ser repórter...

Triste assim.

bjs

Duda Rangel disse...

Oi, Silvana, a realidade é bem cruel mesmo. Cabe a cada jornalista buscar o melhor para a sua carreira. Não é fácil, mas vamos lá, sem desistir. Beijão!