quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Crise de abstinência


Folheava um jornal no começo deste ano e me lembrei de como é dura a vida de jornalista no período de entressafra da notícia, quando, afora as tragédias, quase nada acontece. Precisamos tirar leite, quer dizer, manchetes de pedra. A bola não rola nos campeonatos de futebol. Os políticos estão de recesso oficial (nos outros meses do ano, simplesmente deixam de trabalhar por sacanagem). A economia começa a despertar para o ano novo. E as gostosas do Big Brother ainda não desfilam de biquíni.

Por mais que os jornais fiquem fininhos, com poucas páginas, sempre há um buraco a ser preenchido, no bom sentido, é claro. Com diversos colunistas de férias, sobra ainda mais espaço para o “cozidão de ano novo”, matérias frias, assuntos desinteressantes que jamais mereceriam algumas linhas em tempos normais, balanços intermináveis e projeções furadas para o ano que se inicia. Nestas horas de crise de abstinência de notícia, o jornalista valoriza até o release do assessor de imprensa chato que o perturba o ano inteiro.

Se a correria do dia-a-dia é desgastante, a morosidade pela falta de informação é frustrante. Redação sem agito, sem suor escorrendo pela testa, sem gritaria na hora do fechamento é igual a festa sem música, sem bebida, sem uma rapidinha no banheiro. As horas se arrastam em câmera lenta. Não podemos nem reclamar que somos explorados pelo chefe. Que 2010 comece logo. Ou a imprensa morre de tédio.

8 comentários:

Derlita! disse...

"...projeções furadas..." hahaha! Rachei de rir, só não posso falar o porque...

Biah Percinotto disse...

Estes Jornalistas Workaholics... Ê Brasil! Hahahaha!

Duda Rangel disse...

A abstinência vai acabar. Na próxima terça começa o BBB10. Dizem que tem até uma jornalista lésbica no casting deste ano. Derlita, depois me conte em off o porquê da crise de riso. Beijos.

Cecilia disse...

o que aconteceu com aprofundar assuntos de matérias relevantes? Das do tipo que enriquecem a decisão do leitor?

Duda Rangel disse...

Cecilia, também sou a favor de aprofundar temas mais relevantes. A imprensa ainda é muito dependente das tragédias neste período de entressafra. Beijão

Tiarajú disse...

Até passar o Carnaval e começarem as aulas é uma época terrível para os jornais. Isso e os chamados "feriadões", quando tem feriado na terça e o povo todo emenda, tem ponto facultativo nos órgãos públicos, não há um profissional na cidade para dar entrevista, e o jornalista tem que se virar.
Em compensação, há épocas do ano que sobra pauta, sobra release, e não há tempo nem espaço para que saia tudo no jornal.
Um abraço. Muito bom o blog.

Cecilia disse...

sei que posso gerar alguns comentários do tipo duh... mas e se houvesse um arquivo com assuntos perenes, como indios no Brasil, Amazonas, madeirieiras no Pará e impunidade, clash de culturas no país, acompanhamento da "classe C", como fazer políticas publicas, políticos honestos... :) revisar e publicar nesses dias. Tenho certeza que muita gente que fica curtindo o vazio da cidade e lê jornal iria agradecer. Ingênua?

Duda Rangel disse...

Olá, Tiarajú. E em breve chegará a época da seca. Valeu pela mensagem.
Cecilia, você tem o meu apoio. Matérias menos factuais e mais analíticas (sobre temas pouco comentados) seriam bem-vindas. Sempre.
Abraços.