quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Esse estranho desejo de trabalhar


Passado o período do rebolation, o Brasil volta ao seu ritmo normal de trabalho (o enrolation). Contagiado por esse estranho desejo de ser produtivo e economicamente ativo, o jornalista recém-formado e desempregado decide fazer seu currículo e batalhar a entrada no mercado de trabalho. Por que as propagandas de faculdade sempre dizem que o sucesso profissional está garantido?, pensa. Por que todo mundo sempre acredita nessa mentira? Mas agora não adianta conjecturar. O carnaval acabou e o currículo precisa estar pronto. Rapidamente.

Criar um currículo atraente quando se está iniciando a carreira é como seduzir uma daquelas gostosas do carnaval de Salvador sendo feio e pobre. Quase impossível, ou melhor, impossível. Já que não dá para fazer um currículo atraente, o jovem jornalista busca, ao menos, não queimar o filme. Há quem acredite que, hoje em dia, o currículo de um jovem jornalista sem erros grosseiros de Português já é um currículo diferenciado.

O jovem jornalista fica imóvel em frente ao computador. Caraca, o que eu coloco aqui nesta parte de “experiência profissional”?, reflete, intrigado. Será que vale a pena dizer que eu animava festinhas num bufê infantil? Que eu me vestia de Palhaço Carequinha? Isso pode não ter nada a ver com jornalismo, mas mostra que eu sou um cara versátil, não? No final das contas, acabou omitindo a experiência como palhaço. Mencionou apenas o trabalho como office-boy no escritório do pai e o jornalzinho que fazia em casa quando criança.

Navegou pelo Google (ah, o Google!) e visitou páginas com dicas de como fazer um currículo legal. Gostou principalmente do conselho para evitar páginas e mais páginas. Concisão é tudo num currículo, anotou num bloquinho. Quer coisa mais concisa do que o currículo de um iniciante? Ponto para mim, disse em voz alta.

Depois de algum tempo, o currículo estava pronto. Havia descolado um mailing com uma amiga da faculdade com o contato de diversos jornalistas importantes. Agora, era só mandar um e-mail para todos eles suplicando uma oportunidade de trabalho. Vai que dá certo, não? Mas isso seria a missão do dia seguinte. Já era noite quando desligou o computador, com a sensação de dever cumprido. Desceu correndo para a sala e ligou a televisão, empolgado. O rebolation já acabou, mas o Big Brother ainda não.

7 comentários:

Thays Petters disse...

hauahauha ótimo!
BBB continua e o tal do Dejavu também!
miseriordia!

Isa. disse...

hahha e que tal um Vale Nigth hein Duda? hahahaha
nao nao, o meu carnval com ctza foi o melhor :S

Paula Mestrinel disse...

Adorei seu blog!

Anônimo disse...

hahaha, boa!
tapinha de luvas na galerê recém-formada, reclamona e fã do BBB.
ps. meu dia ficou triste quando descobri o segredo do blog do Duda.
Eu supero.

Duda Rangel disse...

Thays e Isa, temos de conviver, sim, com algumas aberrações, no carnaval e depois dele. Misericórdia mesmo!
Paula, obrigado pelo comentário. Seja bem-vinda ao blog!
Anônimo, segredos estão em alta hoje em dia. Ganham até carnaval! Valeu pela mensagem!
Beijos e abraços do Duda

Mi Poulain disse...

Poxa, eu gosto de Big Brother! hahaha
Mas realmente não foi fácil preencher currículum quando sai da faculdade. Agora tenho experiência de 3 assessorias e 2 colunas. Dá pra preecher meia folha sem mto rodeio. hauhauahu

Hulhul! É reboleition!

Duda Rangel disse...

Mi Poulain,
Como você já tem um currículo mais extenso, tá em vantagem, pode assistir ao BBB numa boa... :)
Parabéns pelo Garotas Mimimimomomó.