sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Tempos de bullying


Quando menos espera, o jornalista é chamado de “cagão” pelo técnico da Seleção Brasileira de futebol numa coletiva de imprensa em plena Copa do Mundo. Ele vira assunto em todos os cantos, passa a ser ridicularizado, a piada da vez. Enquanto autoridades ficam preocupadas apenas com o bullying nas escolas, simplesmente ignoram a existência do bullying contra jornalistas, uma prática triste que cresceu nos últimos tempos.

Eu mesmo, que sempre me entreguei com entusiasmo aos plantões na redação – e me dei mal por tamanha dedicação –, escuto até hoje expressões do tipo “e aí, cornão, tudo beleza?”, proferidas pelo porteiro do meu prédio e, inclusive, por alguns jornalistas que se dizem meus amigos. Muitas vezes, a ofensa ocorre na frente do Nestor. Já imaginaram o estrago psicológico disso tudo para o pobre cão e para o pobre dono?

Há quem diga que chamar um jornalista de “pobre miserável”, por exemplo, é pleonasmo e não bullying. Somos pobres, sim, mas o pessoal também não precisa tripudiar.

A nova enquete do blog quer saber qual o termo pejorativo mais ofendeu ou ofenderia você, meu caro amigo jornalista. Cagão? Corno? Miserável? Jornaleiro? Jabazeiro? Embora muitos colegas tenham vergonha de tornar pública uma ofensa, se você já foi vítima de bullying, conte sua história! É a melhor forma de combatê-lo. Ou não, como diria Caetano.

A enquete que chegou ao fim – O que você faz se rola uma pauta inesperada na hora de ir embora? – teve como vencedora a alternativa “Toca um ‘foda-se’ e enfrenta a situação sem medo”, com 36% dos votos. O resultado, porém, é controverso, afinal todas as demais opções, que indicavam algum tipo de fuga da pauta inesperada, tiveram, juntas, uma votação expressiva. Destaque para “Diz a um colega desavisado: ‘O chefe chamou por você’”. Ou seja, na hora em que o bicho pega, jogar o colega na fogueira ainda é uma boa estratégia.

3 comentários:

Isa. disse...

hahaha tomara que deste tipo de bullying eu esteja isenta!
haha
beeijos

A viajante disse...

Duda, não sou jornalista e sim psicopedagoga...de fato o bullying, termo da moda, ultrapassou "os muros da escola" (um ótimo filme por sinal).
O assédio moral é fato. Alunos, professores, médicos, enfermeiros, empregadas domésticas, jornalistas, tb...uma vergonha! Adultos sem limites...
Adoro seus textos! Ouça depois a minha entrevista numa rádio, lá no www.foiassimdoispontos.blogspot.com

Duda Rangel disse...

Isa, ninguém escapa do bullying jornalístico...rs
A viajante, obrigado pela mensagem. Visitei seu blog!
Beijos do Duda