quarta-feira, 10 de março de 2010

S.O.S. Jornalista


A rotina do jornalista é dura, cheia de apertos. Tudo seria mais simples se pudéssemos nos agarrar a remédios que resolvessem, de forma mágica, os nossos dramas. Mas, com exceção da vida de BBB, que não faz porra nenhuma o dia inteiro, nada é fácil em nossa existência terrena. Qualquer ajuda milagrosa seria surreal.

Sim, jornalista, você pode mudar a sua vida!

Um escritor qualquer de livros de auto-ajuda poderia, tranqüilamente, criar palestras motivacionais com foco específico nos jornalistas: “Você está sem perspectiva de crescimento na carreira? Acha que vai ficar 20 anos fazendo a mesma coisa na redação? Não desanime. O sucesso depende só de você!”. Ou “Você ainda quer ser um famoso apresentador de TV e dar autógrafos na rua? Acredite no seu sonho!”. Os jornalistas também poderiam participar de atividades em grupo, aquele lance da troca de energia, mentalização coletiva.

– Isso mesmo, se abracem, sintam as vibrações positivas, pensem que vocês estão recebendo um prêmio Esso, uma promoção do editor. O desejo de vocês vai se transformar em realidade.

– Professor, posso mentalizar também meu discurso de agradecimento pelo prêmio Esso?

Sai, capeta!

Alguém com nobres ideais religiosos poderia fundar a Igreja Nacional do Jornalista Desgraçado e promover o encontro dos 308 repórteres desempregados, em vigília por um frila urgente para pagar as contas em atraso. Mas a cereja do bolo seriam as sessões de descarrego. A igreja atenderia o fiel dominado pelas forças do mal. Aquele cara que, em uma semana, tomou dois furos da concorrência, não foi escalado para a principal cobertura do caderno no ano, perdeu a folga do fim de semana e ainda descobriu que não teria mais o aumento de salário prometido. Tanta coisa ruim junta só pode ser encosto.

– Desaloja, satanás, sai do corpo deste nosso irmão!!!

– Pastor, o senhor poderia também desalojar o meu chefe de reportagem?

Ouvido amigo

Existem alguns casos bem graves, de desesperança total. São profissionais que chegaram ao fundo do poço e pensam em deixar a vida terrena, cortando os pulsos ou fazendo uma matéria sobre a derrota da Gaviões da Fiel no carnaval paulistano com a camisa do Palmeiras. A salvação poderia vir por meio de uma central de atendimento por telefone, espécie de CVV, com voluntários altamente capacitados para lidar com depressivos da imprensa.

– Por favor, eu preciso de ajuda, acho que nunca serei um jornalista. Me considero um bosta. Não sei escrever, não sei fazer uma entrevista, não consigo arranjar um emprego decente. Até meu diploma não vale mais nada.

– Calma, meu amigo, o jornalismo não é tudo na vida. O senhor já pensou em fazer gastronomia?

5 comentários:

Derla disse...

Só você para deixar meu dia ainda melhor! hehe Duda não é possível que você ainda esteja desempregado só está fazendo tipo...

Erick disse...

Muito bom, vai ser difícil achar jornalista "obreiro" para essa igreja. Mas como todas tem um jornal, um programa de tv e um na rádio, quem sabe sobra emprego para todos nós....com todo respeito é claro.

Duda Rangel disse...

Derla, faço meus bicos. A gente aprende a sobreviver!
Erick, tem muito jornalista se convertendo a um emprego em mídias de igrejas. Você paga, ao menos, as contas no fim do mês, as terrenas e as outras! Abraços

marifreica disse...

"O senhor já pensou em prestar concurso público?", poderia também perguntar o atendente da CVV.

"Sim, já", eu responderia. "Mas tenho que prestar para nível médio porque concurso para quem tem diploma em Comunicação Social é um por ano e olhe lá".

Por que não fiz Direito ou Administração? O que adianta ser bom em redação se não tem redação suficiente para tantos jornalistas desse país. E agora, a gente concorre com o sobrinho do dono do jornal que sempre sonhou em ser jornalista mas se acha bom demais para fazer faculdade.

Duda Rangel disse...

É, Mariana, já foi o tempo em que o concurso público era uma boa alternativa ao jornalismo. A coisa tá feia de uma maneira geral. Eu, por exemplo, estou até pensando em montar uma barraquinha de tatuagem de henna na praia. Beijos.