segunda-feira, 24 de maio de 2010

Tempos de recall


Existe, hoje em dia, recall de tudo. De carro com problema na rebimboca da parafuseta, de brinquedo capaz de mutilar criancinhas indefesas e de telefone celular cuja bateria pode explodir a qualquer momento no bolso de seu dono. Ou melhor, existe, hoje em dia, recall de quase tudo. Eu ainda não vi, por exemplo, chamadas para reparar defeitos de fabricação de algum produto jornalístico, mas já fiquei imaginando como seriam.

“Empresa de comunicação convoca os leitores do caderno principal de seu jornal de maio e junho de 2009 para explicar por que tantas matérias tiveram erros crassos de Português. O editor do caderno já foi demitido. As vítimas serão indenizadas” ou “Editora anuncia que os artigos do repórter especial de sua revista semanal do primeiro trimestre de 2010 serão reescritos e reimpressos, uma vez que tal profissional teve um surto de estrelismo e ignorou os princípios básicos do jornalismo”.

A Globo poderia promover um recall de todas as transmissões com abobrinhas do Galvão Bueno, uma vez que promete uma cobertura esportiva de alto nível. A Bandeirantes deveria procurar os telespectadores que são obrigados a ouvir os comentários do Boris Casoy, afinal sempre vendeu um âncora com opiniões sensatas. Alguns produtos defeituosos, como os textos do Diogo Mainardi, não têm conserto e precisariam até ser retirados do mercado.

Não faltam no Brasil motivos para os consumidores de informação recorrerem aos órgãos que os defendem para reclamar das bizarrices do jornalismo. As empresas de comunicação deveriam ficar mais espertas e adotar a proatividade das montadoras de automóveis, dos fabricantes de brinquedos e de celulares. Errata ou “desculpem nossa falha” são coisas do passado. Vivemos os tempos do recall. E é bom não subestimar a ira de um consumidor lesado. Um dia esse povo se revolta contra a imprensa.

4 comentários:

Perdido é todo o tempo que em amor não se gasta. disse...

Muito sensato o texto.
A maioria das pessoas não reage às informações que recebe, não tem senso crítico, apenas ouve e se cala.
Realmente, ratificações e pedidos de desculpa por falhas são raros hoje em dia na mídia.
Abç,
Neilon

Aline Viana disse...

Gente,

Achei a ideia ótima!

Tenho uma lista de coleguinhas que eu quero devolver, ou pelo menos, mandar para o conserto, rsrsrs

Beijos

Diógenes de S. disse...

Gostei da ideia do Mainardi!
:P

Duda Rangel disse...

Caros,
Como uma amiga me escreveu, as empresas de comunicação precisariam montar um SAC para receber as reclamações. E não faltaria trabalho para os atendentes. Abraços.