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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Os melhores (ou piores) aforismos de @duda_rangel no Twitter (parte 3)


A vida de ralação do jornalista é o método anticoncepcional mais eficaz que existe.

No Dia Mundial de Combate à Obesidade, diga não à “barriga jornalística”. Cheque a informação antes de publicar.

Uma notícia boa e outra ruim. A ruim: Carolina Dieckmann voltou a fazer novela. A boa: não voltou como jornalista.

Qual jornalista nunca procurou um telefone perdido num velho bloquinho de anotações?

Use sempre o gravador com entrevistados de risco: assim você evita doenças jornalisticamente transmissíveis e, claro, a demissão indesejada.

O jornalismo é muito boêmio, sedutor. Está longe de ser bom pai de família.

O Código de Ética dos Jornalistas é como regulamento de condomínio. Todos deveriam ler, mas poucos têm saco pra isso.

Adesivo para carros de jornalista: “Meu outro carro é o de reportagem”.

Jornalista que não gosta de ler é igual a atriz pornô que não gosta de sexo.

Pauteiro pauta puta pauta pro Paulo.
Puto, Paulo pautado empata a puta pauta.
Nem a pau, tá?

O que é pior para a imagem do Toddynho: produto com detergente ou incentivar a Daniela Albuquerque a ser jornalista?

“Mantenham-se famintos, mantenham-se ligados numa boca-livre” (Steve Jobs, na formatura de uma turma de jornalismo).

Para o jornalista, o texto é a sua nêga. Ai de quem colocar a mão.

Johnnie Reporter, keep working.

Quando o mundo acabar, só espero não estar de plantão.

Leia também:
Os melhores (ou piores) aforismos de @duda_rangel no Twitter (parte 2)
Os melhores (ou piores) aforismos de @duda_rangel no Twitter (parte 1)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Os melhores (ou piores) aforismos de @duda_rangel no Twitter (parte 2)


O #jornalismo é meio como a mãe: só o jornalista – assim como só o próprio filho – pode falar mal. Os outros, jamais.

Eu odeio editor preguiçoso que, para ajustar a matéria ao espaço da página, corta o conteúdo pelo pé, deixando o texto dos repórteres totalm

A revolução dos jornalistas: liberté, égalité et jabacoulé.

#BBB Ariadna revela que já ganhou dinheiro como prostituta. Lucival: "Sorte sua. E eu que não ganho nada como jornalista?".

Tão famosa quanto a Virada Cultural e a Esportiva é a Virada Jornalística: o trabalho começa na sexta e só acaba no sábado.

E o jornalismo meramente declaratório vê nascer uma nova espécie de repórter: o setorista de Twitter.

Caso Tiririca deixa sindicato em alerta: vai que resolvem exigir que os jornalistas também saibam ler e escrever.

O #publicitário é o cara que se acha "o fodão". O #jornalista é o que tem certeza que é.

O que seria dos jornalistas culturais se proibissem o uso dos adjetivos “visceral” e “emblemático”?

Há basicamente dois tipos de jornalistas: os que ganham mal e os que não ganham bem.

O Tiririca conseguiu em poucas semanas o que muitos jornalistas não conseguem em quatro anos: aprender a escrever.

Jornalista que se preza é devotado às mais nobres questões etílicas. E às questões éticas também.

Se o rapaz do Censo do IBGE perguntar o que, quem, quando, onde, como e por quê, pode apostar que é jornalista desempregado.

Leia também: Os melhores (ou piores) aforismos de Duda Rangel no Twitter (parte 1)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

As minhas retrospectivas


Estou entrando em férias. Nada como poder passar uns dias na praia, disputando um pedaço de areia com gente e bichos geográficos. Sim, blogueiros também têm direito a férias! Aviso os navegantes que este é o último post de 2010. Retorno ao blog em 11 de janeiro. Um detalhe: mesmo neste período de recesso do blog, seguirei no Twitter (@duda_rangel) com a retrospectiva dos melhores (ou piores) posts do ano.

2010 foi especial para o blog Desilusões perdidas. O número de leitores aumentou muito e o meu perfil no Twitter foi até escolhido como um dos melhores (ou piores) do ano pela Revista Bula. Deixo o meu singelo “obrigado pra caralho” a todos. Vocês são a minha motivação para continuar escrevendo. Obrigado aos que manifestaram sua opinião no blog e aos que não manifestaram também. Aos que sempre me apóiam, aos que ajudam a divulgar os meus escritos por aí.

Prometo que, em 2011, o blog será, enfim, adaptado em um livro. Se até a Vera Fischer lançou o seu livro, sinto que agora é uma questão de honra. Um maravilhoso novo ano a vocês, com todas as suas coisas boas e até os inevitáveis dissabores. Que a gente continue reclamando, amando o que faz (seja o que for) e, principalmente, sabendo rir sempre.

Como despedida, republico um post que tem tudo a ver com esta época do ano. Beijos e abraços do Duda.

Boa noite

Quando eu ainda era criança, sem pêlos no saco, descobri minha paixão pelo jornalismo. Eu achava o máximo acompanhar, entre o Natal e o réveillon, o noticiário da TV com o resumão dos acontecimentos do ano. Enquanto meus colegas sonhavam ser astronautas, pilotos de Fórmula 1 ou galãs de cinema, eu queria ser apresentador de retrospectiva. Meus pais não entendiam a minha escolha. "Pô, Duda, apresentador de retrospectiva?”

Era o despertar de um jornalista. Ao longo do ano, eu guardava jornais e revistas com informações sobre o Brasil e o mundo – nessa época, não havia descoberto ainda a Playboy, a Ele&Ela e as preciosidades suecas. Definia a pauta do programa, redigia as laudas para leitura. Tudo isso muitos anos antes de aprender (ou desaprender) jornalismo na faculdade. Me preparava para o grande dia: a apresentação da minha retrospectiva, que podia ser feita em qualquer parte da casa, desde que existisse uma mesa para servir de bancada.

Eu usava um paletó de meu pai, gigante para mim. Na parte de baixo, apenas bermuda e chinelos, afinal era assim que diziam trabalhar os apresentadores de TV. Adotei óculos, para dar mais seriedade. Não havia câmeras na minha frente; apenas uma platéia, ao vivo, composta por parentes e amigos da família. Gente que fazia o maior esforço para estar ali.

– Esse menino fala que seu sonho é ser jornalista. Isso é coisa de vagabundo! Ele não quer é estudar – murmurava uma tia.

Um dos meus maiores apoiadores era meu avô, que se dizia um visionário.

– Esse moleque ainda vai ser jornalista, trabalhar na Globo e comer toda a mulherada.

Como ele vibrava com o meu “boa noite” na abertura de cada edição do resumão de notícias, ano após ano. Para mim, aquele era também um momento mágico.

Aos poucos, a platéia e o meu desejo de apresentar retrospectivas foram diminuindo. Com o crescimento dos pêlos no saco, meus interesses de fim de ano mudaram. Ah, as preciosidades suecas! O programa morreu, mas a paixão pela profissão jamais. Tanto que virei jornalista, como previu vovô.

Só não cumpri o resto de sua profecia.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Aos 45 do segundo tempo


Naquele dia, o repórter chegou cedo ao trabalho, antes mesmo dos pauteiros. A única TV ligada exibia o Bom Dia Brasil, com os empolgantes comentários de Miriam Leitão. Viu a redação acordar. Os colegas aparecendo, um a um. Os computadores sendo ligados. O silêncio indo embora, a cada nova conversa, com o barulho dos telefones, ao som dos teclados. Precisava escrever uma matéria especial para o fim de semana, além da pauta do dia. Trabalhou pra cacete. Mal teve tempo de fofocar no fumódromo.

Seu único consolo era que, naquela noite, sairia com a mulher para celebrar o primeiro aniversário de casamento. Tinha até reservado uma suíte chique de motel, do tipo que tem piscina aquecida com cascata, puff erótico e teto solar, ideal para destruir as finanças de um jornalista. Amava a mulher. Mas, no final da tarde, quando já se aprontava para escapar da redação, ouviu uma terrível conversa entre o editor e a subeditora do caderno.

- A polícia pegou o Paulinho Bigorna.

- O maníaco que só ataca gordinhas?

- Esse mesmo. Tá no DP de Capão Redondo. Precisamos mandar alguém pra lá agora.

- Vou ver qual jornalista está livre da pauta.

A subeditora caminhou então em direção à equipe de reportagem. O repórter ficou tenso. Pensou na mulher. Na piscina aquecida com cascata. No puff erótico. No teto solar. No futuro do seu casamento. Não sabia como agir. Só não queria acabar a noite ao lado de Paulinho Bigorna.

O que fazer quando rolar uma pauta inesperada aos 45 do segundo tempo, na exata hora de ir embora? Este é o tema da nova enquete do blog. Simular uma caganeira e fugir para o banheiro? Fingir que vai amarrar o cadarço do sapato e se esconder embaixo da mesa? Jogar um colega desavisado na fogueira? Dizer que precisa visitar um parente que está morrendo no hospital? Ou tocar um “foda-se” e enfrentar a situação sem medo? A votação está aberta.

A pesquisa que acabou de acabar – Que hashtag no Twitter melhor definiria a vida de um jornalista? – foi bastante equilibrada, com um empate no primeiro lugar. As opções “#CadeOMeuAumento” e “#PrecisoDeUmCafeUrgente” ficaram com 31% dos votos cada. As alternativas “#PlantaoDeMerda”, “#RIPMeuDiploma” e “#SouMasoquistaMesmo” também foram bastante lembradas, prova de que é difícil definir, em apenas uma frase, a vida deste bicho complexo que é o jornalista.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Os melhores (ou piores) aforismos de @duda_rangel no Twitter


Ser jornalista é a condenação à maluquice perpétua.

Jornalista é um pouco cão: fareja (notícias), finge-se de morto (se pinta pauta inesperada), fica feliz se lhe dão comida.

Crise na área de Comunicação: após Carolina Dieckmann virar jornalista, agora Gianecchini é relações públicas.

A vida de um jornalista no início da carreira é muito difícil, mas com o tempo as coisas mudam. E a vida fica complicadíssima.

Ser chamado de "jornalista pobre e miserável" é bullying? Ou só um pleonasmo mesmo?

Liberdade de imprensa é trabalhar na Record e falar mal do bispo, é trabalhar na Veja e falar bem do Lula.

O jornalismo está no nosso sangue, assim como o colesterol ruim.

O que dizer numa entrevista de emprego: "Eu poderia estar roubando, matando, mas não; prefiro pedir uma vaga como jornalista".

Atire o primeiro bloco de anotações ou gravador o jornalista que nunca disse: "Por que eu não estudei Direito ou Engenharia?".

E quando ele nasceu Deus perguntou: "Você quer folgar sempre no carnaval ou quer ser jornalista?".

Pais da jornalista lésbica do BBB ficaram chocados quando ela decidiu sair do armário: "A gente não criou filha para ser jornalista!".

No princípio Deus criou o jornalismo e a jornada dupla de trabalho.

“Afirmo sem medo de errar: o jornalismo on-line jamais substituirá os jornais impressos" (Zé do Peixe, feirante).

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O jornalista e o Twitter


Quando vi o Twitter ser capa da revista Veja, refleti: “Será que está faltando assunto? Será que está faltando denúncia contra o PT?”. Mas não. A questão é que o Twitter tornou-se realmente um canal de comunicação interessante e “barulhento”, tanto que até um velho como eu, jornalista que aprendeu a produzir notícias em máquinas de escrever, criou uma conta por lá (@duda_rangel).

A nova enquete deste blog tem a ver com o Twitter. Que hashtag melhor definiria a vida de um jornalista? Para quem não sabe, hashtag é uma palavra-chave ou uma expressão que explica e resume uma informação, uma idéia, uma campanha. Ajuda na classificação e na busca das mensagens postadas. As opções de hashtag desta enquete são variadas: #CadeOMeuAumento, #PlantaoDeMerda, #RIPMeuDiploma, #DiaSemReleaseTrash, #SouMasoquistaMesmo e #PrecisoDeUmCafeUrgente. Escolha suas preferidas! Você pode votar em mais de uma alternativa.

A pesquisa que acabou de ser encerrada – O que os jornalistas deveriam fazer nas tribunas dos estádios da Copa do Mundo para escancarar o seu lado torcedor? – teve vitória da alternativa “Mijar num copinho plástico d’água e jogar na cabeça dos jornalistas argentinos”, com 44% dos votos. Na segunda colocação, com 25%, ficou a opção “Levar uma geladeira de isopor cheia de latinhas de cerveja”. Sem dúvida, eram as alternativas favoritas, afinal quem não gosta de uma cervejinha e de sacanear um argentino?

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Eu tô no Twitter


Depois que a minha mulher me trocou por um legítimo representante da geração Y, daqueles que passam o dia todo ouvindo música num iPod ou em redes sociais na web, cheguei à conclusão de que precisava aderir às novas mídias. Essa coisa de ser um legítimo representante dos tempos da máquina de escrever não estava dando mais certo. A primeira ação foi criar um blog, o Desilusões perdidas, que já celebrou seis meses no ar. Depois, entrei no Orkut e, agora, faço parte do mundo do Twitter (http://twitter.com/duda_rangel).

O jovem Duda, que na faculdade diagramava jornais toscamente, com um lápis e uma régua na mão e um trocadilho infame com a palavra paica (do Inglês, “pica”) na cabeça, nunca imaginou que um dia tudo seria digital. Chegou a era do template, que deixa as coisas mais fáceis. Assim é a vida.

O Twitter foi feito para gente econômica com as palavras – o que é bom, muitas vezes –, e para gente preguiçosa – o meu caso. E, como sou preguiçoso além da conta, já aviso que não vou ficar postando a cada cinco minutos uma mensagem sobre o que estou fazendo. Tentarei ainda evitar tweets que revelem momentos de grande intimidade, como “estou no banheiro; faltou papel higiênico; cadê meu diploma de jornalista?”.

O blog Desilusões perdidas seguirá firme e forte no ar, uma prova clara de que, a cada dia, estou ligado mais e mais à “convergência de mídias”. Aliás, puta expressão mala!