O que é pior para um repórter? Cobrir um velório num domingão de sol? A coletiva de lançamento do CD da cantora Wanessa? Passar o carnaval entrevistando foliões mijões na dispersão do sambódromo? A nova enquete do blog, que já está no ar, quer saber: qual a pauta mais roubada para um jornalista cobrir?. Para votar, basta ir à coluna à direita do blog. Se a sua pauta roubada-mor não está entre as alternativas propostas, manifeste-se no canal de comentários.
A pesquisa anterior – Qual a principal razão que levou você a ser jornalista? – teve a vitória da opção “Sabe que até hoje me faço esta mesma pergunta?”, com 34% dos votos, bem à frente da segunda colocada, a opção “Sempre tive a simples pretensão de mudar o mundo”, com 17%. O resultado mostra que a pergunta atormenta a cabeça de muitos jornalistas. Falta de razão danada!
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
A pior pauta do mundo
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sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Poema contra o achismo
O achismo tudo sabe. Não tem dúvidas. É autoconfiante. Arrogante. Teimoso. Tira suas próprias conclusões. Não deve satisfações. Não dá ouvido a ninguém. Vive de aparências. O achismo é cego.
O achismo seduz, envolve. Engana. Cria suas próprias leis. Não tem fundamento, ética. Julga. Condena. Destrói. Se alimenta da preguiça. Da presunção. Da ignorância. Da ingenuidade. O achismo é parasita.
O achismo rima até com jornalismo. Tá sempre na TV. Nos jornais. Na rádio. Na web. Tá na boca dos repórteres. No texto dos repórteres. O achismo é altamente transmissível.
O achismo é inimigo do fato. Da boa apuração. Do checar informação. Adora fofoca. Boato. Diz-que-diz. Aceita meia gravidez. O talvez. O é e não é. O achismo detesta compromisso.
O achismo se acha.
O achismo seduz, envolve. Engana. Cria suas próprias leis. Não tem fundamento, ética. Julga. Condena. Destrói. Se alimenta da preguiça. Da presunção. Da ignorância. Da ingenuidade. O achismo é parasita.
O achismo rima até com jornalismo. Tá sempre na TV. Nos jornais. Na rádio. Na web. Tá na boca dos repórteres. No texto dos repórteres. O achismo é altamente transmissível.
O achismo é inimigo do fato. Da boa apuração. Do checar informação. Adora fofoca. Boato. Diz-que-diz. Aceita meia gravidez. O talvez. O é e não é. O achismo detesta compromisso.
O achismo se acha.
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segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Sem vergonha
Repórter não pode ter vergonha de fuçar no dicionário quando tem dúvida. De admitir que é leigo num monte de assunto. De confessar ao entrevistado que não entendeu a resposta. De não ser um intelectual.
Não pode ter vergonha de ter medo. De errar. De pedir desculpas. De tomar furo.
Repórter não pode ter vergonha de fazer pergunta em coletiva. De soltar a voz na rádio. De meter as caras na TV. De entrar onde não foi chamado. De ligar 10 vezes pra fonte que não dá retorno.
Não pode ter vergonha de cobrir buraco na rua. De fazer notinha de rodapé.
Repórter não pode ter vergonha de chorar aumento de salário pro chefe. De implorar frilas pros amigos. De revelar pra namorada o saldo de sua conta bancária. De matar a fome na boca-livre.
Repórter não pode ter vergonha de se emocionar na cobertura de uma tragédia. De dizer pra que time torce. De soltar um “puta que pariu” no meio da redação se estiver estressado. De carregar bloquinho e caneta até quando sai com os amigos.
Repórter não pode ter vergonha de ser repórter.

Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.

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Não pode ter vergonha de ter medo. De errar. De pedir desculpas. De tomar furo.
Repórter não pode ter vergonha de fazer pergunta em coletiva. De soltar a voz na rádio. De meter as caras na TV. De entrar onde não foi chamado. De ligar 10 vezes pra fonte que não dá retorno.
Não pode ter vergonha de cobrir buraco na rua. De fazer notinha de rodapé.
Repórter não pode ter vergonha de chorar aumento de salário pro chefe. De implorar frilas pros amigos. De revelar pra namorada o saldo de sua conta bancária. De matar a fome na boca-livre.
Repórter não pode ter vergonha de se emocionar na cobertura de uma tragédia. De dizer pra que time torce. De soltar um “puta que pariu” no meio da redação se estiver estressado. De carregar bloquinho e caneta até quando sai com os amigos.
Repórter não pode ter vergonha de ser repórter.

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Eduardo e Mônica (versão para jornalistas)
Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Quando se escolhe essa profissão?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
Eduardo abriu o livro, mas não quis nem estudar
As teorias que os mestres deram
Enquanto a Mônica tomava um esporro do editor
No fechamento, como eles disseram.
Eduardo e Mônica um dia se trombaram sem querer
A fumaça tava forte, foi difícil de se ver
Um carinha da facul do Eduardo que disse
“Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir”
Gente estranha, festa de jornalista
“Eu não tô legal, já fumei mais que devia”
E a Mônica riu e quis saber um pouco mais
Sobre o mundinho que ele prometeu mudar
E o Eduardo, com larica, só pensava em ir pra casa
“A geladeira eu quero atacar”.
Eduardo e Mônica trocaram seus e-mails
Depois se escreveram e decidiram tuitar
O Eduardo sugeriu um call no Skype
Mas a Mônica queria ir pro Messenger teclar
Se encontraram ainda lá no tal de Orkut
A Mônica sem foto e o Eduardo sem cabelo
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar
Mas a menina escrevia com um zelo.
Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ele tinha ilusão, ela sabia economês
Ela falava de finanças, cedebês e inflação
E ele ainda maltratava o português
Ela gostava do Basile, do Furtado
Do Marx, do Stiglitz, do Yunus e Cournot
E o Eduardo era um puta Zé Ruela
E vivia dia e noite vendo site pornô.
Ela falava coisas sobre a função social
Também de lead e do pescoção
E o Eduardo ainda tava no esquema
Adorno, cerveja, truco e Enecom.
E mesmo com tudo diferente
Veio mesmo de repente
Uma vontade de se ver
Os dois sonhavam transar todo dia
Só que dela a rotina era bem de foder (er-er).
Eduardo e Mônica estudaram locução, assessoria
Web, fotografia, pro CV melhorar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre fontes, off e formas de apurar.
Ele aprendeu a escrever, pegou o gosto por ler
E decidiu estagiar (não!)
E ela até chorou na primeira vez
Que ouviu a voz dele ir pro ar
E os dois já trabalharam juntos
E cobriram pautas juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que a vida foi malucamente bela
Por ter juntado os dois.
Construíram os seus blogs uns seis meses atrás
Logo após que os passaralhos vieram
Batalharam frilas, mendigaram geral
Por muito pouco o fiofó não deram.
Eduardo e Mônica viraram assessores
Levantaram uma grana, já fizeram prestação...
Só que a vida dura não vai acabar
Porque na agência tem perrengue e a mesma ralação.
E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Quando se escolhe essa profissão?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
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Que existe razão
Quando se escolhe essa profissão?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
Eduardo abriu o livro, mas não quis nem estudar
As teorias que os mestres deram
Enquanto a Mônica tomava um esporro do editor
No fechamento, como eles disseram.
Eduardo e Mônica um dia se trombaram sem querer
A fumaça tava forte, foi difícil de se ver
Um carinha da facul do Eduardo que disse
“Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir”
Gente estranha, festa de jornalista
“Eu não tô legal, já fumei mais que devia”
E a Mônica riu e quis saber um pouco mais
Sobre o mundinho que ele prometeu mudar
E o Eduardo, com larica, só pensava em ir pra casa
“A geladeira eu quero atacar”.
Eduardo e Mônica trocaram seus e-mails
Depois se escreveram e decidiram tuitar
O Eduardo sugeriu um call no Skype
Mas a Mônica queria ir pro Messenger teclar
Se encontraram ainda lá no tal de Orkut
A Mônica sem foto e o Eduardo sem cabelo
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar
Mas a menina escrevia com um zelo.
Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ele tinha ilusão, ela sabia economês
Ela falava de finanças, cedebês e inflação
E ele ainda maltratava o português
Ela gostava do Basile, do Furtado
Do Marx, do Stiglitz, do Yunus e Cournot
E o Eduardo era um puta Zé Ruela
E vivia dia e noite vendo site pornô.
Ela falava coisas sobre a função social
Também de lead e do pescoção
E o Eduardo ainda tava no esquema
Adorno, cerveja, truco e Enecom.
E mesmo com tudo diferente
Veio mesmo de repente
Uma vontade de se ver
Os dois sonhavam transar todo dia
Só que dela a rotina era bem de foder (er-er).
Eduardo e Mônica estudaram locução, assessoria
Web, fotografia, pro CV melhorar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre fontes, off e formas de apurar.
Ele aprendeu a escrever, pegou o gosto por ler
E decidiu estagiar (não!)
E ela até chorou na primeira vez
Que ouviu a voz dele ir pro ar
E os dois já trabalharam juntos
E cobriram pautas juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que a vida foi malucamente bela
Por ter juntado os dois.
Construíram os seus blogs uns seis meses atrás
Logo após que os passaralhos vieram
Batalharam frilas, mendigaram geral
Por muito pouco o fiofó não deram.
Eduardo e Mônica viraram assessores
Levantaram uma grana, já fizeram prestação...
Só que a vida dura não vai acabar
Porque na agência tem perrengue e a mesma ralação.
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Quando se escolhe essa profissão?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
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terça-feira, 30 de agosto de 2011
Entrevista: Euclides da Cunha, o corno, o mito
Ele podia ser um jornalista e escritor ilustre apenas por sua grande obra, “Os Sertões”, mas Euclides da Cunha ainda é muito lembrado por ter sido corno. Um dos cornos mais famosos da imprensa brasileira. Morto pelo próprio Ricardão no duelo por sua honra, Euclides calou-se. Um século e muitas piadinhas depois, ele resolveu romper o silêncio. O blog Desilusões perdidas, que adora polêmica e sensacionalismo, conseguiu esta exclusiva com Euclides, com a ajuda, claro, de um médium.
Euclides, como é carregar esta fama de jornalista traído por um século?
Duda, meu caro, em primeiro lugar, quero agradecer a oportunidade que você está me dando de falar sobre o assunto. É um tema muito espinhoso para mim, mas chegou a hora de me abrir. Apesar de toda minha contribuição ao jornalismo, à literatura, as pessoas ainda preferem dar um peso maior à futricagem, às maledicências. Há pouco, acompanhei a minissérie Desejo e o que vi foi degradante.
Você assistiu à minissérie? Como?
Desde que aquele gaúcho, o Werner Schünemann, assumiu o Ministério da Comunicação aqui no nosso lar, o acesso às tecnologias de comunicação ficou muito maior. Temos notebook, internet, 3G, wireless, TV a cabo. Note que minha linguagem está moderna. Incorporei até algumas gírias. Não vi Desejo em sua exibição original, apenas a reprise no Canal Viva.
E por que achou degradante?
Justamente pelo grande enfoque dado à minha cornitude. Não valorizam o meu trabalho. “Os Sertões” é sucesso internacional. A obra foi traduzida para vários idiomas. Isso muito antes de Paulo Coelho. E tem outra: a produção da minissérie ainda foi muito generosa com a minha ex-mulher. Vera Fischer? Tá maluco? Anna Emília sempre foi muito nota 3, nota 4. Se ela fosse um mulherão, eu teria me preocupado mais com ela. Sempre saí de viagem sossegado, porque sabia que ninguém cobiçaria a minha mulher nota 4. Mas cobiçaram. Neguinho não perdoa.
O trabalho árduo e as longas viagens são a principal razão da vulnerabilidade dos jornalistas?
Sem dúvida. Mas, hoje, pelo que tenho acompanhado, os jornalistas estão mais protegidos.
Mais protegidos? Como assim?
Mais protegidos. Veja o caso daquele repórter da Globo que foi para a Líbia, o carequinha...
Marcos Uchôa.
Esse mesmo. Marcos Uchôa. Note que aquele capacete que ele usa é especial para proteger os cornos. Isso dá segurança ao jornalista que tem de viajar para uma grande cobertura. O cara até levou uma bronca do Bonner quando estava sem o capacete.
Mas a cornitude é um problema ainda comum na imprensa brasileira.
O que mudou muito é a questão da aceitação. Hoje, os jornalistas aceitam mais a cornitude. Na minha época, a gente chamava para o duelo, tinha aquela coisa de limpar a honra. Hoje, o sujeito leva um chifre e faz o quê? Vai pro terapeuta? Faz um swing com o Ricardão? No meu tempo, havia um engajamento muito mais forte da imprensa contra o chifre.
Eu também fui vítima deste problema e, embora não tenha chamado o Ricardão para o duelo, não aceitei a minha cornitude numa boa. Sei que é uma questão bem complexa. Mas, hoje, consegui superar o chifre. Imagino que você, Euclides, também já superou este trauma, não?
Meu caso é mais difícil, porque tem sempre gente lembrando. Aqui mesmo no nosso lar, neguinho ainda me sacaneia. Tô na fila da reencarnação há mais de 50 anos, mas a minha senha ainda não foi chamada. Acho que só assim para o meu pesadelo acabar.
Quando reencarnar, toparia voltar como jornalista?
Fica complicado voltar como jornalista nos dias de hoje porque as grandes matérias que eu gostava de fazer não existem mais. Seria um retrocesso. E a proposta da reencarnação é a evolução.
Que dicas daria aos jornalistas para evitar o chifre?
Por mais que uma grande dedicação ao trabalho seja necessária, nunca esqueça de dar atenção à sua mulher, mesmo que ela não seja uma Vera Fischer. Uma Vera Fischer no auge, digo. Ligar para casa antes de chegar também é de bom-tom. Mas não adianta ligar quando já está chegando. Pelo menos, uma meia hora antes. O que os olhos não vêem a testa não sente. Outra coisa: caso a sua mulher não seja jornalista, não fique falando o tempo todo de trabalho com ela, porque isso, Duda, com o perdão da palavra, é chato pra cacete.
Euclides, como é carregar esta fama de jornalista traído por um século?
Duda, meu caro, em primeiro lugar, quero agradecer a oportunidade que você está me dando de falar sobre o assunto. É um tema muito espinhoso para mim, mas chegou a hora de me abrir. Apesar de toda minha contribuição ao jornalismo, à literatura, as pessoas ainda preferem dar um peso maior à futricagem, às maledicências. Há pouco, acompanhei a minissérie Desejo e o que vi foi degradante.
Você assistiu à minissérie? Como?
Desde que aquele gaúcho, o Werner Schünemann, assumiu o Ministério da Comunicação aqui no nosso lar, o acesso às tecnologias de comunicação ficou muito maior. Temos notebook, internet, 3G, wireless, TV a cabo. Note que minha linguagem está moderna. Incorporei até algumas gírias. Não vi Desejo em sua exibição original, apenas a reprise no Canal Viva.
E por que achou degradante?
Justamente pelo grande enfoque dado à minha cornitude. Não valorizam o meu trabalho. “Os Sertões” é sucesso internacional. A obra foi traduzida para vários idiomas. Isso muito antes de Paulo Coelho. E tem outra: a produção da minissérie ainda foi muito generosa com a minha ex-mulher. Vera Fischer? Tá maluco? Anna Emília sempre foi muito nota 3, nota 4. Se ela fosse um mulherão, eu teria me preocupado mais com ela. Sempre saí de viagem sossegado, porque sabia que ninguém cobiçaria a minha mulher nota 4. Mas cobiçaram. Neguinho não perdoa.
O trabalho árduo e as longas viagens são a principal razão da vulnerabilidade dos jornalistas?
Sem dúvida. Mas, hoje, pelo que tenho acompanhado, os jornalistas estão mais protegidos.
Mais protegidos? Como assim?
Mais protegidos. Veja o caso daquele repórter da Globo que foi para a Líbia, o carequinha...
Marcos Uchôa.
Esse mesmo. Marcos Uchôa. Note que aquele capacete que ele usa é especial para proteger os cornos. Isso dá segurança ao jornalista que tem de viajar para uma grande cobertura. O cara até levou uma bronca do Bonner quando estava sem o capacete.
Mas a cornitude é um problema ainda comum na imprensa brasileira.
O que mudou muito é a questão da aceitação. Hoje, os jornalistas aceitam mais a cornitude. Na minha época, a gente chamava para o duelo, tinha aquela coisa de limpar a honra. Hoje, o sujeito leva um chifre e faz o quê? Vai pro terapeuta? Faz um swing com o Ricardão? No meu tempo, havia um engajamento muito mais forte da imprensa contra o chifre.
Eu também fui vítima deste problema e, embora não tenha chamado o Ricardão para o duelo, não aceitei a minha cornitude numa boa. Sei que é uma questão bem complexa. Mas, hoje, consegui superar o chifre. Imagino que você, Euclides, também já superou este trauma, não?
Meu caso é mais difícil, porque tem sempre gente lembrando. Aqui mesmo no nosso lar, neguinho ainda me sacaneia. Tô na fila da reencarnação há mais de 50 anos, mas a minha senha ainda não foi chamada. Acho que só assim para o meu pesadelo acabar.
Quando reencarnar, toparia voltar como jornalista?
Fica complicado voltar como jornalista nos dias de hoje porque as grandes matérias que eu gostava de fazer não existem mais. Seria um retrocesso. E a proposta da reencarnação é a evolução.
Que dicas daria aos jornalistas para evitar o chifre?
Por mais que uma grande dedicação ao trabalho seja necessária, nunca esqueça de dar atenção à sua mulher, mesmo que ela não seja uma Vera Fischer. Uma Vera Fischer no auge, digo. Ligar para casa antes de chegar também é de bom-tom. Mas não adianta ligar quando já está chegando. Pelo menos, uma meia hora antes. O que os olhos não vêem a testa não sente. Outra coisa: caso a sua mulher não seja jornalista, não fique falando o tempo todo de trabalho com ela, porque isso, Duda, com o perdão da palavra, é chato pra cacete.
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sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Para gostar de ler
Jornalista que não gosta de ler tem uma dificuldade danada de escrever.
Jornalista que não gosta de ler se expressa com a fluência de uma Luciana Gimenez.
Jornalista que não gosta de ler é o que mais protesta contra o preço alto dos livros.
Jornalista que não gosta de ler perde o senso crítico. E do ridículo.
Jornalista que não gosta de ler engole qualquer merda que escuta de um entrevistado.
Jornalista que não gosta de ler só sabe falar das fofocas da redação na mesa do bar.
Jornalista que não gosta de ler passa parte da coletiva de imprensa com a cabeça na lua.
Jornalista que não gosta de ler fica a reunião de pauta inteira rabiscando seu caderno.
Jornalista que não gosta de ler adora reclamar que está perdendo espaço no mercado de trabalho.
Jornalista que não gosta de ler é igual a atriz pornô que não gosta de sexo.
Jornalista que não gosta de ler se expressa com a fluência de uma Luciana Gimenez.
Jornalista que não gosta de ler é o que mais protesta contra o preço alto dos livros.
Jornalista que não gosta de ler perde o senso crítico. E do ridículo.
Jornalista que não gosta de ler engole qualquer merda que escuta de um entrevistado.
Jornalista que não gosta de ler só sabe falar das fofocas da redação na mesa do bar.
Jornalista que não gosta de ler passa parte da coletiva de imprensa com a cabeça na lua.
Jornalista que não gosta de ler fica a reunião de pauta inteira rabiscando seu caderno.
Jornalista que não gosta de ler adora reclamar que está perdendo espaço no mercado de trabalho.
Jornalista que não gosta de ler é igual a atriz pornô que não gosta de sexo.
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011
20 tipos de jornalista sem noção
1. Tem um espaço de 10 linhas, mas escreve 30. E, depois, fica uma hora cortando o texto para caber.
2. Acha que sabe tudo e dá ordens até para um jornalista mais experiente.
3. Vai a uma pauta que exige traje social com a mesma calça jeans molambenta que usa na redação.
4. Enche a cara de prosecco e dá vexame no vernissage chique.
5. Fica parado ao lado do entrevistado bem na hora em que os fotógrafos querem fazer uma foto só do entrevistado.
6. Conta piadas aos colegas e ri alto na cobertura de velórios e enterros.
7. Atende o celular no meio de uma reportagem ao vivo na TV.
8. Pergunta ao editor sobre o plantão do sábado ainda na loucura do fechamento da terça.
9. Acredita que a matéria sobre “pressão cambial” deveria ser feita pelo pessoal do jornalismo automotivo.
10. Revela todos os podres dos colegas da redação, inclusive os seus, para os motoristas do jornal.
11. Faz uma matéria-denúncia contra o maior anunciante de sua revista.
12. Na véspera da folga, diz ao chefe que vai passar o fim de semana de bobeira em casa.
13. Começa uma entrevista de forma tão agressiva que faz o entrevistado desistir da conversa.
14. Quando vai fotografar um cego, dá a seguinte orientação: “Olhando pra janela azul agora”.
15. Liga para o celular do entrevistado no almoço de domingo para checar se o sobrenome dele é com um “L” ou dois.
16. Antes de fazer a pergunta na coletiva, demora 20 minutos contando experiências pessoais, fazendo análises de fatos, coisas que ninguém está a fim de ouvir.
17. Dá de presente de aniversário para a namorada um relógio e esquece de retirar da caixa o adesivo “brinde para a imprensa”.
18. Queima uma fonte superimportante por não ter sido capaz de guardar um off.
19. Esquece de ligar para casa para avisar a mulher que está voltando mais cedo do pescoção.
20. Mesmo com 20 anos de formado, ainda acredita que vai ficar rico com o Jornalismo.
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2. Acha que sabe tudo e dá ordens até para um jornalista mais experiente.
3. Vai a uma pauta que exige traje social com a mesma calça jeans molambenta que usa na redação.
4. Enche a cara de prosecco e dá vexame no vernissage chique.
5. Fica parado ao lado do entrevistado bem na hora em que os fotógrafos querem fazer uma foto só do entrevistado.
6. Conta piadas aos colegas e ri alto na cobertura de velórios e enterros.
7. Atende o celular no meio de uma reportagem ao vivo na TV.
8. Pergunta ao editor sobre o plantão do sábado ainda na loucura do fechamento da terça.
9. Acredita que a matéria sobre “pressão cambial” deveria ser feita pelo pessoal do jornalismo automotivo.
10. Revela todos os podres dos colegas da redação, inclusive os seus, para os motoristas do jornal.
11. Faz uma matéria-denúncia contra o maior anunciante de sua revista.
12. Na véspera da folga, diz ao chefe que vai passar o fim de semana de bobeira em casa.
13. Começa uma entrevista de forma tão agressiva que faz o entrevistado desistir da conversa.
14. Quando vai fotografar um cego, dá a seguinte orientação: “Olhando pra janela azul agora”.
15. Liga para o celular do entrevistado no almoço de domingo para checar se o sobrenome dele é com um “L” ou dois.
16. Antes de fazer a pergunta na coletiva, demora 20 minutos contando experiências pessoais, fazendo análises de fatos, coisas que ninguém está a fim de ouvir.
17. Dá de presente de aniversário para a namorada um relógio e esquece de retirar da caixa o adesivo “brinde para a imprensa”.
18. Queima uma fonte superimportante por não ter sido capaz de guardar um off.
19. Esquece de ligar para casa para avisar a mulher que está voltando mais cedo do pescoção.
20. Mesmo com 20 anos de formado, ainda acredita que vai ficar rico com o Jornalismo.
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segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Nova enquete: qual a principal razão que levou você a ser jornalista?
O coração tem razões que a própria razão desconhece. Com esta frase brega de Pascal, está aberta a nova enquete do blog: qual a principal razão que levou você a ser jornalista? Questão complexa, muito complexa. Você sempre odiou Matemática? Descobriu a profissão numa caixa de Toddynho? Não saberia fazer outra coisa? Participe da pesquisa. É só ir para a coluna à direita do blog e votar. Se o seu motivo não está entre as alternativas da enquete, deixe uma mensagem na área de comentários.
***
Ele troca de emissora de TV mais do que a Luana Piovani troca de namorado, ele garante que não faz jornalismo sensacionalista (convenceu alguém aí?), ele é o vencedor da última enquete deste blog. A pergunta Qual jornalista você levaria para uma ilha deserta e deixaria lá, mofando, sozinho? teve 22% dos votos para José Luiz Datena. Diogo Mainardi, é bem verdade, esforçou-se para ganhar a passagem só de ida, mas acabou na segunda colocação, com 17% dos votos, tecnicamente empatado com Galvão Bueno (16%). Os leitores destacaram que esta foi uma das enquetes mais difíceis. Alguns revelaram a vontade de mandar todos os jornalistas da lista para a ilha, de preferência para uma ilha norueguesa.
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Agosto, mês do jornalista louco
Qual a maior loucura que um jornalista pode cometer? Ser jornalista? Quem, em sua perfeita sanidade mental, escolhe ser jornalista? Algum maluco aí pode me dizer? Que jornalista nunca travou batalhas contra entrevistados gigantes e furiosos quando estes eram apenas "moinhos de vento"? Que jornalista nunca pensou em fundar seu próprio periódico e mudar o mundo? Megalomaníacos? Nós? Tem ser humano mais bipolar que o jornalista, que no bar conta uma piada e, cinco segundos depois, entra em depressão? Quer vida mais alucinada que a do jornalista? Mais neurótica? Quem nunca teve a insânia de virar noites trabalhando, de escrever quatro matérias num mesmo dia, de ficar sem comer por horas e horas? Quem nunca conheceu um fotógrafo lelé, um motorista pinel, um ilustrador doidivanas, um foca aloprado? Um repórter esquizofrênico?
Mas não é linda essa maluquice? Não foi o Raulzito quem disse que a arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal? Já imaginou ser um sujeito normal? Tá doido?
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Mas não é linda essa maluquice? Não foi o Raulzito quem disse que a arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal? Já imaginou ser um sujeito normal? Tá doido?
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quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Os dias e dias da vida de um jornalista
Tem dia que o lead não sai. A fonte me trai. O texto não vai.
Tem dia que a pauta emperra. O chefe só berra. O prazo me ferra.
Tem dia que assessor é um mala. Entrevistado não fala. Que o papo não embala.
Tem dia que plantão não tem fim. O humor é ruim. O almoço, chinfrim.
Tem dia que redação é um hospício. Pescoção, um suplício. Que o café é meu vício.
Tem dia que apurar é um apuro. Que eu me sinto inseguro. Que eu levo um furo.
Tem dia que fechamento é um drama. Que a gente reclama. A gastrite me chama.
Mas tem dia da grande matéria. Que a vida é pilhéria. Que esqueço a miséria.
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Tem dia que a pauta emperra. O chefe só berra. O prazo me ferra.
Tem dia que assessor é um mala. Entrevistado não fala. Que o papo não embala.
Tem dia que plantão não tem fim. O humor é ruim. O almoço, chinfrim.
Tem dia que redação é um hospício. Pescoção, um suplício. Que o café é meu vício.
Tem dia que apurar é um apuro. Que eu me sinto inseguro. Que eu levo um furo.
Tem dia que fechamento é um drama. Que a gente reclama. A gastrite me chama.
Mas tem dia da grande matéria. Que a vida é pilhéria. Que esqueço a miséria.
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sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Versinhos para não se ler numa sexta-feira
Tá bom, tá bom, eu já sei.
Preciso cair na real. Preciso ler mais jornal. Preciso estudar português. Preciso lembrar do inglês. Preciso ver menos TV. Preciso montar meu CV. Preciso pular já da cama. Preciso ralar por mais grana. Preciso trocar minhas pilhas. Preciso pegar alguns frilas. Preciso voltar com meu blog. Preciso manter algum hobby.
Tá bom, tá bom, eu já sei.
Preciso sair pela estrada. Preciso fazer caminhada. Preciso cortar as gorduras. Preciso comer mais verduras. Preciso baixar a glicose. Preciso tratar a lordose. Preciso ver meu analista. Preciso voltar ao dentista. Preciso vencer a fadiga. Preciso perder a barriga. Preciso hidratar o meu rim. Preciso cuidar mais de mim.
Tá bom, tá bom, eu já sei. Preciso partir para a ação. Preciso sentir mais paixão.
Mas é sexta, porra, me solta.
Segunda eu começo.
Sem falta.
Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.
Preciso cair na real. Preciso ler mais jornal. Preciso estudar português. Preciso lembrar do inglês. Preciso ver menos TV. Preciso montar meu CV. Preciso pular já da cama. Preciso ralar por mais grana. Preciso trocar minhas pilhas. Preciso pegar alguns frilas. Preciso voltar com meu blog. Preciso manter algum hobby.
Tá bom, tá bom, eu já sei.
Preciso sair pela estrada. Preciso fazer caminhada. Preciso cortar as gorduras. Preciso comer mais verduras. Preciso baixar a glicose. Preciso tratar a lordose. Preciso ver meu analista. Preciso voltar ao dentista. Preciso vencer a fadiga. Preciso perder a barriga. Preciso hidratar o meu rim. Preciso cuidar mais de mim.
Tá bom, tá bom, eu já sei. Preciso partir para a ação. Preciso sentir mais paixão.
Mas é sexta, porra, me solta.
Segunda eu começo.
Sem falta.
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Sobre os plantões jornalísticos e o amor
Primeira parte – O baile de carnaval
Cris achou que ele estava fantasiado de repórter com aquele colete de imprensa.
- Ah, não é fantasia?
- Não. Eu não sou folião. Sou jornalista. Tô aqui trabalhando.
- Nossa, não sabia que beijar o pescoço das meninas no trenzinho fazia parte do trabalho de um jornalista.
- E não faz. Eu só tô curtindo um pouco o baile, sabe? Acabei de gravar todo material que precisava.
- Sei.
- É preciso parar um pouco e relaxar. Ninguém é de ferro nesse mundo.
- Sei. E você trabalha na televisão?
- Sim.
- Uau, sabia que eu sempre imaginei, assim, conhecer melhor um jornalista de televisão?
Segunda parte – Ah, ele não é da Globo?
- A que horas eu consigo ver seu namorado na Globo, minha filha?
- Mãe, eu já disse: o Fê não trabalha na Globo.
- Mas você não falou que ele é repórter de televisão?
- É, mãe, de televisão, mas não da Globo. É de um canal de TV fechado. Mas me garantiu que tem uns amigos na Globo e que um dia ainda vai trabalhar lá.
- E por que ele não vem almoçar com a gente amanhã, filha? É meu aniversário.
- Mãe, ele vai estar de plantão amanhã. Mas mandou um beijo pra senhora.
Cris estava tão apaixonada por Fernando que nem se importava com suas ausências. O melhor era saber que as amigas estavam morrendo de inveja. A Cris namorava um jornalista da TV.
Terceira parte – Ou o jornalismo ou eu
- Fernando César, eu não acredito que você vai trabalhar bem na virada do ano.
- Eu já tinha te avisado deste risco, meu amor.
- E a casa que eu e minhas amigas alugamos em Maresias? Eu também já tinha te avisado. Nosso primeiro réveillon e vamos passar separados. Eu não tô crendo nisso.
- Cris, meu amor, eu também queria muito estar com você, mas é a minha profissão. O que posso fazer?
- Sempre essa merda de plantão.
- Você acha que estou feliz por trabalhar na virada? Feliz por ter que cobrir o show do Maurício Manieri na Paulista? Odeio esse cara, porra! Pior que isso só show do Maurício Manieri com chuva. Porque costuma chover na noite da virada.
- Tomara que caia o mundo na Paulista, que teu microfone sofra uma descarga elétrica e que você morra eletrocutado.
Bateu a porta. Passou a virada na praia. Sem o Fernando.
Parte final – O réveillon na Paulista
A Fabiana tinha estudado com ele no colégio. Depois, nunca mais se viram. Ele nem sabia que ela também tinha cursado jornalismo. Por coincidência (ou destino), estavam os dois na Paulista.
- Pra falar a verdade, Fernando, era até minha folga hoje, mas eu pedi pra trabalhar.
- Sério?
- Pois é. Troquei. Pedi pra folgar no Natal. E se eu te contar uma coisa, você promete não rir?
- Claro.
- Pedi pra trabalhar só pra assistir ao show do Maurício Manieri hoje, aqui. Fê, eu adoro ele. Sei que tem muita gente que não curte, mas eu a-mo o Maurício Manieri!
- Ah, então foi por isso?
- Foi (rindo). E você também gosta dele?
- Não sou fã de carteirinha como você, mas gosto bastante, sim.
- Você tá sentindo?
- O quê?
- O pingo. Pingo de chuva. Tá começando a chover. Vamos pra área reservada da imprensa?
O mundo caiu na Paulista. Fernando gravou, se molhou todo, escapou de sofrer uma descarga elétrica fatal. Entre uma gravação e outra, arriscou até cantar alguma coisa do Maurício Manieri. E, claro, beijou a Fabiana.
Ninguém é de ferro nesse mundo.
Cris achou que ele estava fantasiado de repórter com aquele colete de imprensa.
- Ah, não é fantasia?
- Não. Eu não sou folião. Sou jornalista. Tô aqui trabalhando.
- Nossa, não sabia que beijar o pescoço das meninas no trenzinho fazia parte do trabalho de um jornalista.
- E não faz. Eu só tô curtindo um pouco o baile, sabe? Acabei de gravar todo material que precisava.
- Sei.
- É preciso parar um pouco e relaxar. Ninguém é de ferro nesse mundo.
- Sei. E você trabalha na televisão?
- Sim.
- Uau, sabia que eu sempre imaginei, assim, conhecer melhor um jornalista de televisão?
Segunda parte – Ah, ele não é da Globo?
- A que horas eu consigo ver seu namorado na Globo, minha filha?
- Mãe, eu já disse: o Fê não trabalha na Globo.
- Mas você não falou que ele é repórter de televisão?
- É, mãe, de televisão, mas não da Globo. É de um canal de TV fechado. Mas me garantiu que tem uns amigos na Globo e que um dia ainda vai trabalhar lá.
- E por que ele não vem almoçar com a gente amanhã, filha? É meu aniversário.
- Mãe, ele vai estar de plantão amanhã. Mas mandou um beijo pra senhora.
Cris estava tão apaixonada por Fernando que nem se importava com suas ausências. O melhor era saber que as amigas estavam morrendo de inveja. A Cris namorava um jornalista da TV.
Terceira parte – Ou o jornalismo ou eu
- Fernando César, eu não acredito que você vai trabalhar bem na virada do ano.
- Eu já tinha te avisado deste risco, meu amor.
- E a casa que eu e minhas amigas alugamos em Maresias? Eu também já tinha te avisado. Nosso primeiro réveillon e vamos passar separados. Eu não tô crendo nisso.
- Cris, meu amor, eu também queria muito estar com você, mas é a minha profissão. O que posso fazer?
- Sempre essa merda de plantão.
- Você acha que estou feliz por trabalhar na virada? Feliz por ter que cobrir o show do Maurício Manieri na Paulista? Odeio esse cara, porra! Pior que isso só show do Maurício Manieri com chuva. Porque costuma chover na noite da virada.
- Tomara que caia o mundo na Paulista, que teu microfone sofra uma descarga elétrica e que você morra eletrocutado.
Bateu a porta. Passou a virada na praia. Sem o Fernando.
Parte final – O réveillon na Paulista
A Fabiana tinha estudado com ele no colégio. Depois, nunca mais se viram. Ele nem sabia que ela também tinha cursado jornalismo. Por coincidência (ou destino), estavam os dois na Paulista.
- Pra falar a verdade, Fernando, era até minha folga hoje, mas eu pedi pra trabalhar.
- Sério?
- Pois é. Troquei. Pedi pra folgar no Natal. E se eu te contar uma coisa, você promete não rir?
- Claro.
- Pedi pra trabalhar só pra assistir ao show do Maurício Manieri hoje, aqui. Fê, eu adoro ele. Sei que tem muita gente que não curte, mas eu a-mo o Maurício Manieri!
- Ah, então foi por isso?
- Foi (rindo). E você também gosta dele?
- Não sou fã de carteirinha como você, mas gosto bastante, sim.
- Você tá sentindo?
- O quê?
- O pingo. Pingo de chuva. Tá começando a chover. Vamos pra área reservada da imprensa?
O mundo caiu na Paulista. Fernando gravou, se molhou todo, escapou de sofrer uma descarga elétrica fatal. Entre uma gravação e outra, arriscou até cantar alguma coisa do Maurício Manieri. E, claro, beijou a Fabiana.
Ninguém é de ferro nesse mundo.
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Slogans publicitários aplicados ao jornalismo
A primeira matéria a gente nunca esquece. (Valisère)
Jornalista é fresquinho porque trabalha em Cultura? Ou trabalha em Cultura porque é fresquinho? (Tostines)
Dúvida por quê? Plantão é sofrê. (Ypê)
Porque a pauta é agora. (Visa)
QI. É melhor... ter. (Bradesco Seguros)
Existem razões para acreditar: os jornalistas fodidos são maioria. (Coca-Cola)
Quem disse que não dá? Com carteirada dá! (Fininvest)
Pescoção, lugar de gente infeliz. (Pão de Açúcar)
O tempo passa, o tempo voa e a censura contra a imprensa continua numa boa. (Bamerindus)
A cerveja é a nossa energia. (Petrobras)
Faculdade de jornalismo: 1001 inutilidades. (Bombril)
Reclamo muito de tudo isso. (McDonald´s)
Apaixonados por boca-livre, como todo jabazeiro. (Postos Ipiranga)
Existem empresas de comunicação que o dinheiro não compra. Para todas as outras existe a matéria paga. (MasterCard)
Johnnie Reporter, keep working. (Johnnie Walker)
Jornalista é fresquinho porque trabalha em Cultura? Ou trabalha em Cultura porque é fresquinho? (Tostines)
Dúvida por quê? Plantão é sofrê. (Ypê)
Porque a pauta é agora. (Visa)
QI. É melhor... ter. (Bradesco Seguros)
Existem razões para acreditar: os jornalistas fodidos são maioria. (Coca-Cola)
Quem disse que não dá? Com carteirada dá! (Fininvest)
Pescoção, lugar de gente infeliz. (Pão de Açúcar)
O tempo passa, o tempo voa e a censura contra a imprensa continua numa boa. (Bamerindus)
A cerveja é a nossa energia. (Petrobras)
Faculdade de jornalismo: 1001 inutilidades. (Bombril)
Reclamo muito de tudo isso. (McDonald´s)
Apaixonados por boca-livre, como todo jabazeiro. (Postos Ipiranga)
Existem empresas de comunicação que o dinheiro não compra. Para todas as outras existe a matéria paga. (MasterCard)
Johnnie Reporter, keep working. (Johnnie Walker)
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segunda-feira, 25 de julho de 2011
Qual jornalista você levaria para uma ilha deserta e deixaria lá, sozinho, mofando?
Algumas figuras da nossa imprensa são um pouco inconvenientes. Ou melhor, muito inconvenientes. Quero dizer, chatas mesmo. Por isso, a nova enquete do blog pergunta: Qual jornalista você levaria para uma ilha deserta e deixaria lá, sozinho, mofando? Escolhi 12 nomes, mas admito que a lista poderia ser bem maior. Para abandonar o seu escolhido na ilha, é só ir para a coluna à direita do blog e votar. Caso se lembre de outros jornalistas chatos, manifeste sua opinião na área de comentários.
A enquete que chegou ao fim – Qual a frase mais ouvida por um jornalista? – teve uma disputa bastante acirrada. O resultado foi um empate técnico. A frase tão repetida por nossos sábios pais “Eu falei, meu filho, estuda Engenharia” conquistou 31% dos votos, apenas dois pontos percentuais à frente de “O doutor está em reunião. Não vai poder estar atendendo” (29%).
Em tempo: ficarei uma semana de férias do blog. Volto em 1º de agosto, próxima segunda-feira. Ainda não decidi o que fazer no período de ócio. Pegando dicas na coleção “Que Viagem”, do selo Edith, talvez eu vá para a Casa do Chapéu. Ou para Onde Judas Perdeu as Botas. Qualquer que seja o destino, estarei em alerta no Twitter (@duda_rangel) e no Facebook. A gente se encontra por aí. Abraços e até mais.
A enquete que chegou ao fim – Qual a frase mais ouvida por um jornalista? – teve uma disputa bastante acirrada. O resultado foi um empate técnico. A frase tão repetida por nossos sábios pais “Eu falei, meu filho, estuda Engenharia” conquistou 31% dos votos, apenas dois pontos percentuais à frente de “O doutor está em reunião. Não vai poder estar atendendo” (29%).
Em tempo: ficarei uma semana de férias do blog. Volto em 1º de agosto, próxima segunda-feira. Ainda não decidi o que fazer no período de ócio. Pegando dicas na coleção “Que Viagem”, do selo Edith, talvez eu vá para a Casa do Chapéu. Ou para Onde Judas Perdeu as Botas. Qualquer que seja o destino, estarei em alerta no Twitter (@duda_rangel) e no Facebook. A gente se encontra por aí. Abraços e até mais.
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sexta-feira, 22 de julho de 2011
Histórias de quem consome o Jornalismo
Seu Zé se atualiza sobre as maracutaias de Brasília pela rádio. Precisa de assunto para conversar com os passageiros de seu táxi.
Lúcia lê o horóscopo assim que abre o jornal. Não passa um dia sem se enganar.
Orlando não sai para o trabalho de manhã sem antes ouvir o bom dia da Renata Vasconcellos. E, claro, o da sua mulher também.
Dona Maria liga a TV no fim da tarde para ver a filha falar de ações preferenciais e ordinárias e derivativos e commodities. Não entende porra nenhuma, mas adora este ritual.
Quim, também conhecido como “o português da banca”, dá uma olhadela nas manchetes dos jornais populares e pendura os mais toscos na lateral da banca. Pro povão se deliciar.
Érica compra revistas de Saúde e Fitness para conhecer as novas dietas da moda que ela não vai fazer. Porque odeia dietas.
Ricardo se inspira nas crônicas do Verissimo para manter vivo o sonho de ser escritor.
Isabel lê todas as matérias sobre cinema asiático e artes plásticas. Para comentar com as amigas no almoço. E fingir que é culta.
Indignado com o trânsito, Paulo liga na rádio de trânsito. Só para ficar um pouco mais indignado.
Silmara, a cabeleireira, deixa a TV de seu salão ligada e sem som. Fica suspirando pela buniteza do apresentador do jornal.
Antes de ir para o canteiro de obras do metrô, Juraci pára na banca do Quim. Solta um “eita, danado” quando lê sobre o marido corno que fez picadinho da mulher.
Lúcia lê o horóscopo assim que abre o jornal. Não passa um dia sem se enganar.
Orlando não sai para o trabalho de manhã sem antes ouvir o bom dia da Renata Vasconcellos. E, claro, o da sua mulher também.
Dona Maria liga a TV no fim da tarde para ver a filha falar de ações preferenciais e ordinárias e derivativos e commodities. Não entende porra nenhuma, mas adora este ritual.
Quim, também conhecido como “o português da banca”, dá uma olhadela nas manchetes dos jornais populares e pendura os mais toscos na lateral da banca. Pro povão se deliciar.
Érica compra revistas de Saúde e Fitness para conhecer as novas dietas da moda que ela não vai fazer. Porque odeia dietas.
Ricardo se inspira nas crônicas do Verissimo para manter vivo o sonho de ser escritor.
Isabel lê todas as matérias sobre cinema asiático e artes plásticas. Para comentar com as amigas no almoço. E fingir que é culta.
Indignado com o trânsito, Paulo liga na rádio de trânsito. Só para ficar um pouco mais indignado.
Silmara, a cabeleireira, deixa a TV de seu salão ligada e sem som. Fica suspirando pela buniteza do apresentador do jornal.
Antes de ir para o canteiro de obras do metrô, Juraci pára na banca do Quim. Solta um “eita, danado” quando lê sobre o marido corno que fez picadinho da mulher.
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quarta-feira, 20 de julho de 2011
Exame de vista
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segunda-feira, 18 de julho de 2011
O jornalzinho da firma
Pedro odiava quando diziam que ele era o responsável pelo jornalzinho da firma.
Ele era, segundo suas explicações, o editor do Sua Voz, veículo de comunicação dirigido aos colaboradores da organização ou ao público interno. A coisa ficava bem diferente.
A merda é que até o presidente falava jornalzinho da firma.
- Doutor Alcides, assim o senhor desvaloriza o produto. Jornalzinho da firma, house organ, essas expressões são muito antigas, sabe? Hoje, temos o quê? Temos um canal de diálogo com um dos mais importantes stakeholders da organização: os nossos colaboradores. Dizer jornalzinho da firma é o mesmo que dizer que a kafta que o senhor comeu ontem no churrasco é espetinho de carne moída. Percebe a diferença?
Mas doutor Alcides não percebia. Nem sabia o que era kafta. Muito menos carne moída. Insistia que era, sim, o jornalzinho da firma. Da sua firma. E ponto final.
Tinha gente que, ciente que o Pedro não gostava da alcunha dada ao Sua Voz, sacaneava.
- Aí, Pedrão, quando sai o próximo jornalzinho da firma?
Pedro amava o Sua Voz. Dedicava sua vida a ele, ainda mais depois do fora que levou da Maria Clara, do Faturamento. Criou seções diferentes, a coluna sobre a memória da organização, um concurso de poesias. Para mostrar que o veículo não era um simples porta-voz do patrão, instituiu até um espaço para cartas de reclamações dos colaboradores, com a garantia de que não haveria retaliações. E realmente não havia.
Um dia recebeu uma carta da Maria Clara, do Faturamento. Será que ela também queria reclamar de algo? Mas não era um protesto. Era coisa boa. Bem boa. Ao ler a carta, Pedro sentiu uma dor de barriga tão grande de felicidade que saiu correndo para o banheiro. “O seu convite para o cinema ainda está valendo, Pedro? Se estiver, eu aceito. Sabia que de todos que trabalham no jornalzinho da firma você é o mais bonito?”
Trancado na primeira cabine do banheiro do sexto andar, Pedro relia a carta. Era só alegria. Nem se importou que a Maria Clara, do Faturamento, escreveu jornalzinho da firma.
Ele era, segundo suas explicações, o editor do Sua Voz, veículo de comunicação dirigido aos colaboradores da organização ou ao público interno. A coisa ficava bem diferente.
A merda é que até o presidente falava jornalzinho da firma.
- Doutor Alcides, assim o senhor desvaloriza o produto. Jornalzinho da firma, house organ, essas expressões são muito antigas, sabe? Hoje, temos o quê? Temos um canal de diálogo com um dos mais importantes stakeholders da organização: os nossos colaboradores. Dizer jornalzinho da firma é o mesmo que dizer que a kafta que o senhor comeu ontem no churrasco é espetinho de carne moída. Percebe a diferença?
Mas doutor Alcides não percebia. Nem sabia o que era kafta. Muito menos carne moída. Insistia que era, sim, o jornalzinho da firma. Da sua firma. E ponto final.
Tinha gente que, ciente que o Pedro não gostava da alcunha dada ao Sua Voz, sacaneava.
- Aí, Pedrão, quando sai o próximo jornalzinho da firma?
Pedro amava o Sua Voz. Dedicava sua vida a ele, ainda mais depois do fora que levou da Maria Clara, do Faturamento. Criou seções diferentes, a coluna sobre a memória da organização, um concurso de poesias. Para mostrar que o veículo não era um simples porta-voz do patrão, instituiu até um espaço para cartas de reclamações dos colaboradores, com a garantia de que não haveria retaliações. E realmente não havia.
Um dia recebeu uma carta da Maria Clara, do Faturamento. Será que ela também queria reclamar de algo? Mas não era um protesto. Era coisa boa. Bem boa. Ao ler a carta, Pedro sentiu uma dor de barriga tão grande de felicidade que saiu correndo para o banheiro. “O seu convite para o cinema ainda está valendo, Pedro? Se estiver, eu aceito. Sabia que de todos que trabalham no jornalzinho da firma você é o mais bonito?”
Trancado na primeira cabine do banheiro do sexto andar, Pedro relia a carta. Era só alegria. Nem se importou que a Maria Clara, do Faturamento, escreveu jornalzinho da firma.
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sexta-feira, 15 de julho de 2011
Teste para jornalistas: qual o seu nível de vaidade?
Responda às questões e descubra. O resultado está no fim do post.
1) O que você faz quando tem uma matéria assinada na capa do jornal?
A) Mostra o jornal para a família, amigos, para a torcida do Flamengo.
B) Guarda o jornal e, vez ou outra ao longo do dia, dá uma paquerada na capa.
C) Não se ilude. Sabe que, no dia seguinte, aquele jornal vai enrolar peixe na feira.
2) Se alguém de outra área lhe diz que ser jornalista é o máximo do glamour, você...
A) Concorda que é um ser humano especial e pergunta se a pessoa não quer um autógrafo.
B) Agradece meio encabulado: “Nem tanto, nem tanto”.
C) Responde: “Dá uma olhada no meu extrato bancário e depois me diz o que é glamour”.
3) Como você gosta de se vestir na redação?
A) Super descolado e de acordo com as tendências da moda.
B) Sem exageros, mas sempre com a camisa e a calça passadinhas.
C) Tênis sujo, calça rasgada e camiseta do Seu Madruga de Che Guevara.
4) Você gostaria de ganhar um Prêmio Esso?
A) Lógico, eu vivo para isso.
B) Ficaria muito feliz.
C) Caguei para o Esso. Prefiro ganhar a Mega-Sena acumulada.
5) Se alguém lhe pergunta se foi difícil entrevistar o Rodrigo Santoro, você...
A) Diz que foi uma moleza, afinal você é amigão do Rô.
B) Diz que foi difícil, mas que sua boa relação com o assessor do ator ajudou.
C) Confessa que as declarações foram dadas numa entrevista coletiva, com outros 37 jornalistas.
6) Você é um apresentador de TV. Ao sair uma noite para jantar, não é reconhecido por ninguém no restaurante. O que você faz ao chegar em casa?
A) Se entope de Prozac para não cometer suicídio.
B) Acredita que só não foi reconhecido por estar de óculos e boina.
C) Descobre o lado bom do anonimato: pôde jantar sem ninguém enchendo o saco.
7) Ao entrar na área VIP de uma festa, ao lado de celebridades, você...
A) Cumprimenta a Gisele Bündchen (“Gi”) como se fossem íntimos há 20 anos.
B) Faz fotos da festa com seu celular pré-pago para colocar no Facebook.
C) Acha tudo aquilo muito chato e sente saudade do boteco ao lado da redação.
8) Como você reage a uma crítica negativa ao seu texto?
A) Fica puto da vida, afinal como podem falar mal de um texto tão perfeito?
B) Finge que aceitou as críticas e não admite para si que o texto está ruim.
C) Reconhece que o texto ficou mesmo uma merda.
9) Quando algum entrevistado elogia publicamente sua pergunta em uma coletiva de imprensa, você...
A) Faz que não ouviu o elogio e pede para ele repetir o que disse em voz mais alta.
B) Se imagina mais tarde na redação contando o elogio para o chefe.
C) Preferiria ter recebido uma resposta interessante à sua pergunta.
10) Se você é demitido do jornal porque fez uma cagada, você diz aos amigos que...
A) Pediu um ano sabático ao editor para se reciclar. Talvez uma viagem para Viena.
B) Foi vítima do processo de downsizing da redação.
C) Revela que matou Itamar Franco três dias antes da morte oficial.
RESULTADOS
Se a maior parte de suas respostas foi a letra “A”: O seu nível de vaidade é comparável ao de publicitários loucos para ganhar um Leão de Ouro em Cannes. Você tem certeza que é o fodão, o semideus, praticamente um Arnaldo Jabor. Se liga, mané!
Se a maior parte de suas respostas foi a letra “B”: Você é vaidoso, sim, mas ainda dentro de um padrão de normalidade. Não é o caso de você ser encaminhado ao consultório de um psiquiatra. Só tome cuidado para não pular para a letra “A”, ok?
Se a maior parte de suas respostas foi a letra “C”: Você é o jornalista-Amélia, aquele que não tem a menor vaidade. É um tipo raríssimo, mais difícil de ser encontrado do que jornalista que não reclama ou jornalista que ganha bem.

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1) O que você faz quando tem uma matéria assinada na capa do jornal?
A) Mostra o jornal para a família, amigos, para a torcida do Flamengo.
B) Guarda o jornal e, vez ou outra ao longo do dia, dá uma paquerada na capa.
C) Não se ilude. Sabe que, no dia seguinte, aquele jornal vai enrolar peixe na feira.
2) Se alguém de outra área lhe diz que ser jornalista é o máximo do glamour, você...
A) Concorda que é um ser humano especial e pergunta se a pessoa não quer um autógrafo.
B) Agradece meio encabulado: “Nem tanto, nem tanto”.
C) Responde: “Dá uma olhada no meu extrato bancário e depois me diz o que é glamour”.
3) Como você gosta de se vestir na redação?
A) Super descolado e de acordo com as tendências da moda.
B) Sem exageros, mas sempre com a camisa e a calça passadinhas.
C) Tênis sujo, calça rasgada e camiseta do Seu Madruga de Che Guevara.
4) Você gostaria de ganhar um Prêmio Esso?
A) Lógico, eu vivo para isso.
B) Ficaria muito feliz.
C) Caguei para o Esso. Prefiro ganhar a Mega-Sena acumulada.
5) Se alguém lhe pergunta se foi difícil entrevistar o Rodrigo Santoro, você...
A) Diz que foi uma moleza, afinal você é amigão do Rô.
B) Diz que foi difícil, mas que sua boa relação com o assessor do ator ajudou.
C) Confessa que as declarações foram dadas numa entrevista coletiva, com outros 37 jornalistas.
6) Você é um apresentador de TV. Ao sair uma noite para jantar, não é reconhecido por ninguém no restaurante. O que você faz ao chegar em casa?
A) Se entope de Prozac para não cometer suicídio.
B) Acredita que só não foi reconhecido por estar de óculos e boina.
C) Descobre o lado bom do anonimato: pôde jantar sem ninguém enchendo o saco.
7) Ao entrar na área VIP de uma festa, ao lado de celebridades, você...
A) Cumprimenta a Gisele Bündchen (“Gi”) como se fossem íntimos há 20 anos.
B) Faz fotos da festa com seu celular pré-pago para colocar no Facebook.
C) Acha tudo aquilo muito chato e sente saudade do boteco ao lado da redação.
8) Como você reage a uma crítica negativa ao seu texto?
A) Fica puto da vida, afinal como podem falar mal de um texto tão perfeito?
B) Finge que aceitou as críticas e não admite para si que o texto está ruim.
C) Reconhece que o texto ficou mesmo uma merda.
9) Quando algum entrevistado elogia publicamente sua pergunta em uma coletiva de imprensa, você...
A) Faz que não ouviu o elogio e pede para ele repetir o que disse em voz mais alta.
B) Se imagina mais tarde na redação contando o elogio para o chefe.
C) Preferiria ter recebido uma resposta interessante à sua pergunta.
10) Se você é demitido do jornal porque fez uma cagada, você diz aos amigos que...
A) Pediu um ano sabático ao editor para se reciclar. Talvez uma viagem para Viena.
B) Foi vítima do processo de downsizing da redação.
C) Revela que matou Itamar Franco três dias antes da morte oficial.
RESULTADOS
Se a maior parte de suas respostas foi a letra “A”: O seu nível de vaidade é comparável ao de publicitários loucos para ganhar um Leão de Ouro em Cannes. Você tem certeza que é o fodão, o semideus, praticamente um Arnaldo Jabor. Se liga, mané!
Se a maior parte de suas respostas foi a letra “B”: Você é vaidoso, sim, mas ainda dentro de um padrão de normalidade. Não é o caso de você ser encaminhado ao consultório de um psiquiatra. Só tome cuidado para não pular para a letra “A”, ok?
Se a maior parte de suas respostas foi a letra “C”: Você é o jornalista-Amélia, aquele que não tem a menor vaidade. É um tipo raríssimo, mais difícil de ser encontrado do que jornalista que não reclama ou jornalista que ganha bem.

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quarta-feira, 13 de julho de 2011
Tristes histórias de quem migrou para o jornalismo sem diploma (e já se arrependeu)
Sou modelo e meu sonho sempre foi ser famosa. Todo ano me inscrevo para a seleção do Big Brother e já ganhei o concurso Miss Festa da Jabuticaba lá na minha cidade. Quando soube que não precisava mais de diploma para ser jornalista, vibrei: “Chegou a minha vez”. Pedi o registro no Ministério do Trabalho, botei minha minissaia e fui pra capital atrás de uma chance na televisão. E não é que eu arrumei um emprego? Só que até agora nada de fama. O máximo que faço é redigir notas cobertas. Que ironia, logo eu que sempre gostei de me despir! Se isso é ser jornalista, então eu tô fora! Quero ter um programa só meu pra apresentar, ser reconhecida nas ruas. Odeio escrever notinha. Prefiro concentrar minhas energias no concurso Garota Festa do Milho Verde 2012 que tá logo aí.
(Suellen Adriely – Sabará/MG)
A medicina foi a maior decepção da minha vida. Muito trabalho para pouco retorno financeiro. Vocês sabem quanto estes vermes dos planos de saúde pagam por uma consulta? Uma merreca! Você trabalha praticamente de graça aqui no Brasil. É mais vantajoso fazer trabalho voluntário na África. Foi quando resolvi mudar de profissão. Como sempre gostei de escrever, descolei um emprego como repórter em um jornal diário. A desgraça é que nada mudou! Plantões intermináveis, celular que toca no fim de semana e uma miséria no fim do mês. Para ser sincero, acho que até piorou. Não consigo sequer decifrar minha letra no bloquinho de anotações. Antes, isso era um problema dos meus pacientes.
(Mário Sérgio Ponzio – Guarulhos/SP)
Só depois de me formar, em Antropologia, descobri que o mercado de trabalho estava saturado. Todo antropólogo quer viver em alguma tribo indígena, mas o problema é que tem pouca tribo para muito profissional. A solução foi buscar oportunidade em outra área. Por que não o jornalismo? Nem precisa mais de diploma. A idéia da diversidade humana de uma redação também me seduziu. Mas quem disse que arrumo emprego como jornalista? Arrumo nada. Acho que no Brasil tem menos redação do que tribo de índio. Fugi de uma roubada e caí em outra. Um amigo publicitário, que também sofre com a saturação dos mercados, me disse que o lance agora é a construção civil. Com o boom imobiliário, tá sobrando vaga de pedreiro. “Vamos bater laje, Dionísio!” Sou fraco fisicamente, mas até que gosto da idéia da diversidade humana de um canteiro de obras.
(Dionísio Cardoso – São Paulo/ SP)
Leia também:
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Diploma, dois anos na marginalidade
(Suellen Adriely – Sabará/MG)
A medicina foi a maior decepção da minha vida. Muito trabalho para pouco retorno financeiro. Vocês sabem quanto estes vermes dos planos de saúde pagam por uma consulta? Uma merreca! Você trabalha praticamente de graça aqui no Brasil. É mais vantajoso fazer trabalho voluntário na África. Foi quando resolvi mudar de profissão. Como sempre gostei de escrever, descolei um emprego como repórter em um jornal diário. A desgraça é que nada mudou! Plantões intermináveis, celular que toca no fim de semana e uma miséria no fim do mês. Para ser sincero, acho que até piorou. Não consigo sequer decifrar minha letra no bloquinho de anotações. Antes, isso era um problema dos meus pacientes.
(Mário Sérgio Ponzio – Guarulhos/SP)
Só depois de me formar, em Antropologia, descobri que o mercado de trabalho estava saturado. Todo antropólogo quer viver em alguma tribo indígena, mas o problema é que tem pouca tribo para muito profissional. A solução foi buscar oportunidade em outra área. Por que não o jornalismo? Nem precisa mais de diploma. A idéia da diversidade humana de uma redação também me seduziu. Mas quem disse que arrumo emprego como jornalista? Arrumo nada. Acho que no Brasil tem menos redação do que tribo de índio. Fugi de uma roubada e caí em outra. Um amigo publicitário, que também sofre com a saturação dos mercados, me disse que o lance agora é a construção civil. Com o boom imobiliário, tá sobrando vaga de pedreiro. “Vamos bater laje, Dionísio!” Sou fraco fisicamente, mas até que gosto da idéia da diversidade humana de um canteiro de obras.
(Dionísio Cardoso – São Paulo/ SP)
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segunda-feira, 11 de julho de 2011
Essa edição é pra casar
Às vezes, acho que estou velho para tantos casos. Efêmeros. Estou velho, mas ainda gosto do imprevisível, dos riscos. Não que eu seja volúvel, longe disso, é que elas me seduzem. Parece que não sei viver sem elas, sem a variedade delas. Tem gente que vai ao McDonald´s e pede sempre o número 1. Eu sempre gostei de variar, sabe?
Mas quando o homem fica velho começa a pensar se não é hora de sossegar esse fogo, buscar uma relação mais estável, mais fiel. Um amigo meu, também jornalista, vive me dizendo: “as reportagens são excitantes – quem não gosta delas? –, mas já não é tempo de você pensar em trabalhar na edição? A edição é pra casar”.
A edição é o próprio casamento. Uma vida com roteiro pronto a que você se acostuma com o tempo, uma vida mais tranqüila, mais caseira. O grande risco é você engordar, porque se come muito mais. Na reportagem, chego a passar o dia com meia dúzia de cream cracker no estômago.
As reportagens exigem pique, fôlego, preparo físico, mental, espiritual, transcendental. Você não pode falhar. Não que eu falhe, longe disso – aliás, nunca falhei, eu juro –, é que eu sinto que as reportagens se ligam mais nos garotões, nos caras que estão começando. Será que não estou fazendo o papel do tiozão bobo que ainda acha que apavora?
O tal meu amigo me disse também que, quando eu quiser, me arruma rapidinho um esquema com a edição. Mas é esquema sério, papel passado e tal. Edição decente, de família.
Mas enquanto eu não me decido, sigo com as minhas reportagens. Aliás, daqui a pouco vou para uma nova, lá no centro da cidade. O pauteiro ainda não me disse do que se trata, por isso, eu fico aqui imaginando, fantasiando. Será que é uma reportagem bem gostosa, daquelas de deixar o jornalista a tarde toda eufórico, extasiado? Só não pense que sou tarado, por favor. Longe disso.
Leia também: Separação
Mas quando o homem fica velho começa a pensar se não é hora de sossegar esse fogo, buscar uma relação mais estável, mais fiel. Um amigo meu, também jornalista, vive me dizendo: “as reportagens são excitantes – quem não gosta delas? –, mas já não é tempo de você pensar em trabalhar na edição? A edição é pra casar”.
A edição é o próprio casamento. Uma vida com roteiro pronto a que você se acostuma com o tempo, uma vida mais tranqüila, mais caseira. O grande risco é você engordar, porque se come muito mais. Na reportagem, chego a passar o dia com meia dúzia de cream cracker no estômago.
As reportagens exigem pique, fôlego, preparo físico, mental, espiritual, transcendental. Você não pode falhar. Não que eu falhe, longe disso – aliás, nunca falhei, eu juro –, é que eu sinto que as reportagens se ligam mais nos garotões, nos caras que estão começando. Será que não estou fazendo o papel do tiozão bobo que ainda acha que apavora?
O tal meu amigo me disse também que, quando eu quiser, me arruma rapidinho um esquema com a edição. Mas é esquema sério, papel passado e tal. Edição decente, de família.
Mas enquanto eu não me decido, sigo com as minhas reportagens. Aliás, daqui a pouco vou para uma nova, lá no centro da cidade. O pauteiro ainda não me disse do que se trata, por isso, eu fico aqui imaginando, fantasiando. Será que é uma reportagem bem gostosa, daquelas de deixar o jornalista a tarde toda eufórico, extasiado? Só não pense que sou tarado, por favor. Longe disso.
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