
O jogo exige que os participantes realizem tarefas cotidianas de um jornalista (fazer uma entrevista, escrever um texto, apresentar uma notícia na TV). A simulação é tão simples e inocente que qualquer pessoa pode brincar, inclusive os sem-diploma. Apresenta um universo de glamour, em que o jornalista vive cercado de celebridades e encerra a carreira pilotando o seu próprio helicóptero. É um mundo de faz-de-conta, ideal para as crianças criarem as suas primeiras fantasias sobre a profissão. Pobrezinhas!
Se eu fosse o desenvolvedor deste jogo, acrescentaria alguns ingredientes de ação e terror, para dar um tom mais realista à aventura. Do tipo, se o repórter-jogador tomar um furo, terá de correr atrás da concorrência como um maluco, pressionado pelo chefe, sem folgas no trabalho. Se descumprir o deadline e entregar a matéria com atraso, será esquecido na redação, condenado a pautas banais. Se for mandado embora do emprego, será obrigado a lutar por frilas, num mercado de trevas e trocados.
– Duda, você é muito pessimista, me acusou um amigo que ouvira minhas sugestões para apimentar o game. É só um joguinho.
Ele tem razão: o jornalista pode, sim, viver num mundo feliz. Pelo menos, no mundo virtual.