Satisfação é outro papo. Tem a ver com marketing de puteiro, com slogan de saco de pão de padaria de bairro, mas não combina com “ser jornalista”.
Achar que está tudo errado e querer salvar o mundo é ótimo e é muito melhor do que salvar o mundo propriamente, porque salvar o mundo ninguém salva, é utopia, mas querer salvar o mundo, mesmo sendo utopia salvar o mundo, traz uma sensação de incômodo e é essa sensação de incômodo que faz a nossa existência, inclusive como jornalista, valer a pena.
Jornalista precisa estar insatisfeito consigo mesmo. Será que minhas sugestões de pauta não andam meio sem graça? Será que eu não apertei o botão do piloto-automático? Quando você achar o seu texto uma merda, não procure um terapeuta. Nem pai de santo. Corra a um bar para festejar com os amigos. Porque se o seu texto está uma merda é sinal de que você pode fazer melhor.
O descontentamento faz o jornalista se mexer. Não suportar mais trabalhar para a Revista Parafusos e Afins é um aviso de que chegou a hora de escrever sobre música, futebol, gastronomia.
Jornalista é um insatisfeito por natureza. Já imaginou que chatice seria se o jornalista estivesse feliz com os plantões, com a sua pauta? Satisfeito com o espaço para a matéria? Ele iria reclamar do quê? Se existe glamour nessa profissão, esse glamour é reclamar!
O dia em que o jornalista deixar de ser um insatisfeito, melhor fazer qualquer outra coisa. Sei lá, melhor virar publicitário.

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