O jornalista olha para a tela em branco. A tela em branco parece rir do jornalista.
E nada.
A mente busca idéias novas, as palavras certas.
Os dedos dançam sobre as teclas, mas não as tocam. A respiração acelera. Os lábios se contorcem.
E nada.
Dizem que o branco é a cor da clareza de pensamentos. Balela. A tela em branco dá ainda mais branco. Luz que não traz nenhuma luz.
Dizem que o branco é a cor da paz, da liberdade. Bobagem. A tela em branco oprime, intimida, provoca: “E aí, mané, vai ficar parado com essa cara de cu?”.
Dizem que o branco é a cor da pureza. Tolice. A tela em branco é virgem sacana. Quer um texto bem-dotado.
O jornalista rói as unhas, bufa, se remexe na cadeira.
E nada.
As palavras insistem em deixar o jornalista na mão. Devem estar em greve, reivindicando textos mais criativos.
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quarta-feira, 23 de março de 2011
Bloqueio
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