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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Uma greve geral de jornalistas


Greve geral de jornalista é como umbigo de freira. Ninguém vê. Mas dá para imaginar como seria uma.

Bloquinhos de anotação seriam rasgados e queimados. As pilhas dos gravadores atiradas pelas janelas da redação.

Fotógrafos cegariam. Repórteres de TV e rádio ficariam mudos. Comentaristas políticos e econômicos também não abririam a boca, o que, neste caso, seria ótimo, porque alguns falam merda demais.

Não haveria releases, nem follow-up na hora do fechamento. Não haveria também fechamento.

Coletivas seriam canceladas. E, com o filé mignon ao molho madeira de volta ao freezer, a greve seria também de fome.

As moças do tempo cagariam para o sol, para a chuva e para os períodos de instabilidade.

Faixas e cartazes seriam exibidos nas portas das redações: “Pelo fim dos passaralhos”, “Gilmar Mendes não me representa”, “Pela liberdade de ser jornalista”, “Abaixo a opressão do deadline” e o clássico “Chega de piso safado. Porcelanato para todos já”.

Os estagiários, como sempre, seriam escalados para o trabalho chato, como colar os cartazes.

Serviços considerados essenciais numa redação, como o da tiazinha que passa o café fresquinho, não seriam suspensos totalmente, mas entrariam em operação-padrão.

Para evitar que seus jornais virassem um grande calhau, os patrões convocariam gente de outras profissões para salvar a edição do dia. Os grevistas impediriam o povo fura-greve de entrar nas redações. Haveria briga. A PM chegaria com bombas de efeito moral e imoral. Tumulto, correria, e, de repente, eis que o Datena entra ao vivo, mostrando a confusão com exclusividade e fodendo aquela que seria a maior greve geral de jornalistas que o Brasil já conheceu.



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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Marchas e outras mobilizações da moda para o jornalista que adora tumultuar


Marcha da Redação com Deus pela Liberdade de Imprensa.

Ato de Resistência ao Novo Acordo Ortográfico (pelo direito de escrever idéia com acento).

Microfonaço (pelo direito de perguntar quando e a quem bem quiser).

Parada do Orgulho do Assessor de Imprensa.

Marcha pela Divulgação de Notícias Vagabundas (inspirada no movimento canadense SlutNewsWalk).

Marcha dos Motoristas de Carro de Reportagem pela Democratização da Boca-Livre.

Churrasco do Diploma Diferenciado (manifestação bem-humorada em defesa do diploma de jornalismo).

Marcha Nacional pela Máquina de Café na Redação.

Marcha da Maconha (liderada, enrolada e apertada pelos fotógrafos).

Twittaço pela Dignidade (com a divulgação da hashtag #SouJornalistaMasSouLimpinho).

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Estatuto do Jornalista


É direito de todo jornalista...

Gozar da liberdade de ir e vir, principalmente na área vip de festas ou grandes espetáculos.

Receber jabás decentes, e não canetinhas e agendinhas vagabundas com logo de empresa.

Ter assegurada uma alimentação digna em coletivas de imprensa e não ser segregado a uma mesa ao fundo, juntamente com o motorista do jornal.

Se entupir de comidas gordurosas sem que ninguém encha seu saco com aquele papo de que vai enfartar aos 35 anos.

Ter acesso a uma máquina de café a uma distância máxima de 20 metros de sua mesa de trabalho.

Trocar a redação pelo trabalho em assessoria de imprensa sem ser discriminado pelos colegas de profissão.

Ficar com o ego massageado ao emplacar uma matéria de capa.

Ter apoio psicológico caso sofra ofensas que atentem contra sua integridade moral, como ser chamado de cagão, jornaleiro ou reporterzinho de merda.

Ter acesso a atividades esportivas, como partidas de sinuca e pôquer, valendo ou não dinheiro.

Dar um cochilo em pautas chatas, como simpósios médicos, debates na Comissão de Ética do Senado e palestras motivacionais de algum guru indiano.

Fazer parte de programas de inclusão sexual – a exemplo do “trabalhe menos e trepe mais” –, como forma de promover a perpetuação da espécie.

Ficar em cela especial na prisão, com TV a cabo, frigobar e cama king size, mesmo que o diploma não valha mais porra nenhuma.