Mostrando postagens com marcador jovens. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador jovens. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de julho de 2014

Futuros jornalistas


Ela se apresenta aos novos amigos como “futura jornalista”. Lá no perfil dele no Twitter tá escrito “futuro jornalista”. Quando eles mandam um e-mail para o Duda Rangel pedindo uma dedicatória meiga no livro que acabaram de comprar pela web, eles lembram: “somos futuros jornalistas”. Quem são os futuros jornalistas? Onde vivem? De que se alimentam? Hoje no Globo Repórter?

Futuro jornalista tem uma carga de ansiedade desgraçada, porque quem é futuro jornalista não vê a hora do futuro virar presente.

Eu não acredito em futuros jornalistas. Acredito em jornalistas neste instante-já (ops, roubei Clarice!), mesmo quando o instante-já é o primeiro semestre do curso. A gente é jornalista desde o momento em que assume a alma de jornalista, no vestibular, na infância, numa vida passada. É uma espécie de condenação sumária, pá-pum, sem chance de apelação para o amanhã.

Assim, meu jovem, deixe de lado o “futuro” de sua apresentação, deixe de lado a ansiedade, viva o presente de ser jornalista. Ou vai acabar virando mais um bicho exótico do Globo Repórter.


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.


Curta a página do blog no Facebook aqui.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Dias malucos para se ter opinião


Jornalista é um cara que sente obrigação de ter opinião sobre tudo. Sobre esquemas táticos de futebol, sobre os rumos da economia global, sobre nanotecnologia (muitas vezes até sem saber muito bem o que é essa tal nanotecnologia).

Numa mesa de bar, um jornalista sem opinião é vexame na certa. Sujeito vulnerável. É como estar nu em praça pública contra a sua vontade.

A juventude que toma as ruas por mudanças no Brasil deixou velhos formadores de opinião da imprensa brasileira com as calças arriadas na praça. Talvez eles não contassem com todo esse movimento ou estão mesmo meio enferrujados para falar de revolução.

Velhos formadores da opinião pública tentando entender a opinião própria do público.

Até o Jabor, uma espécie de ser iluminado e dono de verdades supremas, detonou e, depois, amansou. Pediu desculpas. Reavaliou sua posição.

Um fato é que todos nós, jornalistas ou não, estamos vivendo dias malucos para se ter opinião. Tem gente com opinião demais, gente desesperada para formar logo uma opiniãozinha sequer, gente com opinião radical, light, opinião nem tanto lá nem tanto cá, ou até em busca da “mais bacana das opiniões”.

Ter opinião é ótimo. Só é preciso entender que ter opinião não é se posicionar apenas por obrigação de se posicionar. Ou para não dar vexame no bar e nas redes sociais. Ter opinião é refletir. É conhecer os valores que preza, o mundo que deseja construir.

Sei lá, essa é minha opinião. Ou não.



Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.




Curta a página do blog no Facebook aqui.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Um texto aos jovens que vão construir um outro jornalismo


A maioria dos leitores deste blog é formada por jovens jornalistas, gente que acabou de chegar ao mercado ou que ainda está na faculdade. Tenho o privilégio de escrever para uma geração que vai construir um outro jornalismo. Sim, esta é a missão de vocês. Este é o privilégio de vocês.

Na noite da quinta-feira 13 de junho de 2013, após acompanhar diversos relatos da truculência policial pelas ruas de São Paulo diante de uma manifestação até então pacífica, de ver imagens de agressões covardes por parte da PM, eis que leio a chamada principal da edição digital da revista Veja: “Com ação rigorosa, PM impediu depredação da Paulista”. Não me surpreendeu. Nas redes sociais, pipocaram reações de indignação contra a revista, inclusive de jornalistas, gente se dizendo com nojo, cobrando uma cobertura mais honesta.

A questão é: se este não é mais o jornalismo que se quer, já não está na hora de se construir outro?

A indignação é legítima, mas não basta apenas se indignar contra a velha imprensa. É hora de buscar uma nova.

E não se trata de utopia. Hoje, sobram meios, tecnologias, infinitas possibilidades de criação. Na mesma noite tensa de quinta em São Paulo, já comecei a perceber ares deste novo jornalismo. Muitos jovens indo às ruas fazer seus registros, com textos e imagens. Cobertura ampla, diversa.

Também não adianta viver chorando os passaralhos, os jornais que deixam de existir aos muitos por aí. É triste, claro, ver amigos sendo demitidos, postos de trabalho sendo extintos, mas será que os velhos jornais em crise são a nossa única alternativa?

Por mais que grandes grupos de comunicação definhem e possam vir a morrer, o jornalismo não morre com eles. Porque a busca por informação vai existir sempre, porque as boas histórias terão leitores interessados sempre. Só precisamos aprender a contá-las de formas diferentes.

Os jovens jornalistas podem se resignar e achar que tudo é uma grande merda sem jeito. Ou podem começar a pensar outros caminhos. Parece castigo, mas é um privilégio, sim.



Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.




Curta a página do blog no Facebook aqui.