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quinta-feira, 8 de março de 2012

A mulher jornalista


Fica irritadíssima naqueles dias... de plantão.

Vive achando que seu texto está gordo e não cabe em nenhum template.

Demora um tempão em frente à tela experimentando o lead ideal.

Usa a tabelinha de frila do sindicato para evitar a merreca indesejada.

Passa meses gerando algo muito forte dentro de si, tipo uma úlcera nervosa.

Finge sentir prazer ao dividir a pauta com um repórter estrelão.

Assessora de imprensa, amamenta um bando de repórteres famintos e chorões em eventos.

Quando fica puta da vida, muda o tipo de corte que faz no texto dos outros.

É moderna. Já foi o tempo em que só cozinhava informação.

Sempre guarda um bloquinho básico na gaveta.

Sofre de Tensão Pré-Matéria Especial.

Não esconde a ansiedade esperando o “outro lado” ligar.

Fica toda molhadinha quando faz matéria de enchente.

Todo mês sangra. De tanto trabalhar.

Dá à luz um texto lindo, super fofo, cute-cute da mamãe.


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segunda-feira, 8 de março de 2010

Um (T)exto (P)ara as (M)ulheres


Ela tinha um filho de dois anos para sustentar, um monte de contas para pagar, um ex-marido que não depositava o dinheiro da pensão. E trabalhava como jornalista. Nos dias de TPM, que eram muitos, ela tinha a certeza de que o pior de toda essa história era ser jornalista, porque, se tivesse uma profissão e um salário decentes, os outros problemas simplesmente não existiriam. Nos dias sem TPM, que eram os outros poucos, sentia-se orgulhosa de ser jornalista, apesar do salário de merda. Amava o que fazia.

Ela sabia que o menino, quando crescesse, teria orgulho da mãe, jornalista dedicada e, principalmente, corajosa, que enfrentava tudo e todos. Era uma mulher que nunca teve medo de se arriscar, inclusive no dia em que transou com o pai do seu filho, bêbado e sem camisinha. Nos dias de TPM, batia um puta arrependimento de seus atos inconseqüentes. Por que eu fui me apaixonar por um safado daqueles? Nos dias sem TPM, não se arrependia de nada. Achava até que o filho, aquela coisa linda, era a cara do pai.

Nos últimos tempos, ela estava bem distante do filho. Trabalhava como uma maluca no jornal e ainda fazia vários frilas fora da redação. O moleque passava mais tempo na creche ou com babás. Nos dias de TPM, sentia-se culpada, detestava ser o tipo de mãe ausente. Chegava a pensar em abandonar o jornalismo nos picos de crise. Nos dias sem TPM, até levou o filho para a pauta. A babá faltou bem na ocasião em que deveria fazer uma matéria na Bolsa de Valores. Naquela tarde, seu filho foi a alegria do pregão.