1. Ir à pauta de busão para embolsar a grana do táxi.
2. Fazer anotações na mão para economizar folhas do bloquinho.
3. Ir a uma coletiva chata só para garantir o almoço do dia.
4. Esfregar a caneta velha entre as mãos para soltar a tinta ressecada.
5. Passar a madrugada à base de café requentado escrevendo frilas que pagam mal pra cacete.
6. Aproveitar a entrevista com uma dermatologista famosa para perguntar qual o melhor tratamento para olheiras de jornalistas que passam a madrugada à base de café requentado escrevendo frilas que pagam mal pra cacete.
7. Decorar a casa só com presentinhos de assessor.
8. Perguntar ao entrevistado qual a operadora do celular dele para escolher o melhor chip e gastar menos no pré-pago.
9. Vender tudo que é tranqueira no MercadoLivre para conseguir comprar uma máquina fotográfica no MercadoLivre.
10. Usar a mesma calça jeans e o mesmo All Star há anos.
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terça-feira, 29 de abril de 2014
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Sete sintomas da pobreza de um jornalista
Um post para relembrar:
1. Ir a um encontro romântico, ostentando o jabá recebido dias antes numa coletiva para a imprensa. Tudo bem que o restaurante não é nenhum francês bacanérrimo, mas é muito decepcionante para uma mulher jantar com um homem – ela chegou até a imaginar que ele poderia ser o futuro pai de seus filhos – que veste uma camisa pólo azul-cafona com os dizeres “Tubos e Conexões Tigre”.
2. Embolsar o dinheiro do táxi e seguir para a pauta de ônibus. Lotado, claro. Além de poder chegar atrasado ao local da reportagem, o jornalista ficará com a roupa toda amassada e também poderá perder o gravador e o bloquinho de anotações no trajeto. Se o motorista do ônibus for daqueles que dão uma freada brusca antes de parar em cada ponto, há ainda o risco de uma gravidez indesejada.
3. Ir a uma coletiva de imprensa que não despertou o menor interesse do jornal apenas para filar o almoço. O jornalista finge que prestou atenção na entrevista, finge para o assessor de imprensa que vai dar um espaço legal para o assunto na edição do dia seguinte e devora o filé mignon ao molho madeira sem qualquer outro fingimento.
4. Pedir para o garçom do almoço acima preparar uma quentinha que o jornalista finge que vai levar ao motorista. É um dos sintomas mais tristes da pobreza. Na verdade, será o jantar do jornalista naquela mesma noite.
5. Participar de uma entrevista concorrida, cheia de empurra-empurra, com dois microfones e um gravador nas mãos. O repórter de rádio/TV/internet chega a lembrar um daqueles deuses hindus que têm um monte de braços. Faz malabarismos para conseguir captar o áudio. Se falhar, pode perder um de seus três empregos. Ah, ele tem também um quarto trabalho, um bico como assessor de imprensa na prefeitura.
6. Levar o filho, que mora com a ex-mulher, ao cinema para assistir ao filme “O Guerreiro Didi e a Ninja Lili”, com um par de ingressos que estava esquecido numa mesa da redação. Ao fim do filme, o filho, que já tem uns 15 anos, vai dizer ao pai: “Da próxima vez, a gente poderia ver X-Men ou, sei lá, pai, um filme em 3D?”.
7. Ficar do lado de fora de um evento chique, de artistas ou políticos, e tentar descolar comida e bebida com um segurança da casa. O grupo é liderado por um fotógrafo desinibido – aliás, fotógrafos são todos desinibidos –, que faz a negociação com o segurança. Quando enfim chegam os salgadinhos gelados e o prosecco sem gás, os jornalistas disputam os restos numa cena comovente e chocante, digna de ser registrada pelas lentes de Sebastião Salgado.
1. Ir a um encontro romântico, ostentando o jabá recebido dias antes numa coletiva para a imprensa. Tudo bem que o restaurante não é nenhum francês bacanérrimo, mas é muito decepcionante para uma mulher jantar com um homem – ela chegou até a imaginar que ele poderia ser o futuro pai de seus filhos – que veste uma camisa pólo azul-cafona com os dizeres “Tubos e Conexões Tigre”.
2. Embolsar o dinheiro do táxi e seguir para a pauta de ônibus. Lotado, claro. Além de poder chegar atrasado ao local da reportagem, o jornalista ficará com a roupa toda amassada e também poderá perder o gravador e o bloquinho de anotações no trajeto. Se o motorista do ônibus for daqueles que dão uma freada brusca antes de parar em cada ponto, há ainda o risco de uma gravidez indesejada.
3. Ir a uma coletiva de imprensa que não despertou o menor interesse do jornal apenas para filar o almoço. O jornalista finge que prestou atenção na entrevista, finge para o assessor de imprensa que vai dar um espaço legal para o assunto na edição do dia seguinte e devora o filé mignon ao molho madeira sem qualquer outro fingimento.
4. Pedir para o garçom do almoço acima preparar uma quentinha que o jornalista finge que vai levar ao motorista. É um dos sintomas mais tristes da pobreza. Na verdade, será o jantar do jornalista naquela mesma noite.
5. Participar de uma entrevista concorrida, cheia de empurra-empurra, com dois microfones e um gravador nas mãos. O repórter de rádio/TV/internet chega a lembrar um daqueles deuses hindus que têm um monte de braços. Faz malabarismos para conseguir captar o áudio. Se falhar, pode perder um de seus três empregos. Ah, ele tem também um quarto trabalho, um bico como assessor de imprensa na prefeitura.
6. Levar o filho, que mora com a ex-mulher, ao cinema para assistir ao filme “O Guerreiro Didi e a Ninja Lili”, com um par de ingressos que estava esquecido numa mesa da redação. Ao fim do filme, o filho, que já tem uns 15 anos, vai dizer ao pai: “Da próxima vez, a gente poderia ver X-Men ou, sei lá, pai, um filme em 3D?”.
7. Ficar do lado de fora de um evento chique, de artistas ou políticos, e tentar descolar comida e bebida com um segurança da casa. O grupo é liderado por um fotógrafo desinibido – aliás, fotógrafos são todos desinibidos –, que faz a negociação com o segurança. Quando enfim chegam os salgadinhos gelados e o prosecco sem gás, os jornalistas disputam os restos numa cena comovente e chocante, digna de ser registrada pelas lentes de Sebastião Salgado.
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010
A vida pobre de um estudante de jornalismo
A geladeira coletiva da república. O iogurte com nome do dono dentro da geladeira coletiva da república. Os porres de Balalaika de doer a cabeça por uma semana. A cerveja nunca acompanhada por petiscos no bar. Aqueles espetáculos teatrais chatíssimos, mas gratuitos. Filme brasileiro a dois reais na segunda-feira. O Catraca Livre na lista dos favoritos. A privação dos megashows internacionais. As longas horas de leitura nos pufes da livraria bacana. A saída estratégica da livraria bacana sem comprar um único livro. Motel que cobra por hora, que tem TV de tubo de 14 polegadas no teto. A venda de tudo que é bugiganga no Mercado Livre pra levantar uma grana. A venda do vale-transporte do estágio pra levantar uma grana. As aulinhas particulares de Português pra aluno do ensino médio. A venda de pão de mel, de rifa com nome de mulher, Iranilde, Zuleica, Veridiana, nos corredores da faculdade. As moedas catadas pelos bolsos para o hot-dog na barraca da esquina. A fila imensa do restaurante popular. O incentivo à pirataria. A calça jeans que resiste bravamente ao tempo. O trem lotado. O ônibus lotado. A carona filada no carro do amigo do amigo. O maço de cigarro socializado. A vontade de assassinar o desconhecido mala que ajuda a pagar o quarto da pensão. A saudade filho-da-puta da família que mora longe, mas, paciência, a passagem do busão tá sempre muito cara.
O estudante de jornalismo suporta todos estes perrengues, com a certeza de que a miséria tem dia certo pra acabar. É só uma questão de se formar e conseguir um bom emprego. Tolinho.
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sexta-feira, 21 de maio de 2010
A insustentável pobreza do ser
Sintomas clássicos da degradação financeira de um jornalista, também conhecida como “pindaíba mórbida”:
1. Ir a um encontro romântico, ostentando o jabá recebido dias antes numa coletiva para a imprensa. Tudo bem que o restaurante não é nenhum francês bacanérrimo, mas é extremamente decepcionante para uma mulher jantar com um homem – ela chegou até a imaginar que ele poderia ser o futuro pai de seus filhos – que veste uma camisa pólo azul-cafona com os dizeres “Tubos e Conexões Tigre”. Mesmo com letras discretas.
2. Embolsar o dinheiro do táxi – que será gasto no Carrefour – e seguir para a pauta de ônibus, naturalmente lotado. Além de poder chegar atrasado ao local da reportagem, o jornalista ficará com a roupa toda amassada e também poderá perder o gravador e o bloquinho de anotações no trajeto. Se o motorista do ônibus for daqueles que dão uma freada brusca antes de parar em cada ponto, há ainda o risco de uma gravidez indesejada.
3. Ir a uma coletiva de imprensa que não despertou o menor interesse do jornal apenas para filar o almoço. O jornalista finge que prestou atenção na entrevista, finge para o assessor de imprensa que vai dar um espaço legal para o assunto na edição do dia seguinte e devora o filé mignon ao molho madeira sem qualquer outro fingimento.
4. Pedir para o garçom do almoço acima preparar uma quentinha que o jornalista finge que vai levar ao motorista que ficou do lado de fora do evento. É um dos sintomas mais tristes da pobreza. Na verdade, será o jantar do jornalista naquela mesma noite.
5. Participar de uma entrevista concorrida, cheia de empurra-empurra, com dois microfones e um gravador nas mãos. O repórter de rádio/TV/internet chega a lembrar um daqueles deuses hindus que têm um monte de braços. Ele faz malabarismos para conseguir captar o áudio. Se falhar, pode perder um de seus três empregos. Ah, ele tem também um quarto emprego, meio período como assessor de imprensa na prefeitura.
6. Levar o filho, que mora com sua ex-mulher, ao cinema para assistir ao filme “O Guerreiro Didi e a Ninja Lili”, com um par de ingressos que estava esquecido numa mesa da redação e não despertou a cobiça de nenhum outro jornalista. Ao fim do filme, o filho, que já tem uns 15 anos, vai, com certeza, dizer ao pai: “Da próxima vez, a gente poderia ver X-Men ou algum outro filme mais interessante?”.
7. Ficar do lado de fora de um evento chique, de artistas ou políticos, e, com aquela cara de cão faminto, tentar descolar comida e bebida com um segurança da casa. O grupo, geralmente, é liderado por um fotógrafo desinibido – aliás, fotógrafos são todos desinibidos –, que faz a negociação com o segurança. Quando enfim chegam os salgadinhos gelados e o prosecco sem gás, os jornalistas disputam os restos, numa cena comovente e chocante, digna de ser registrada pelas lentes de Sebastião Salgado.
1. Ir a um encontro romântico, ostentando o jabá recebido dias antes numa coletiva para a imprensa. Tudo bem que o restaurante não é nenhum francês bacanérrimo, mas é extremamente decepcionante para uma mulher jantar com um homem – ela chegou até a imaginar que ele poderia ser o futuro pai de seus filhos – que veste uma camisa pólo azul-cafona com os dizeres “Tubos e Conexões Tigre”. Mesmo com letras discretas.
2. Embolsar o dinheiro do táxi – que será gasto no Carrefour – e seguir para a pauta de ônibus, naturalmente lotado. Além de poder chegar atrasado ao local da reportagem, o jornalista ficará com a roupa toda amassada e também poderá perder o gravador e o bloquinho de anotações no trajeto. Se o motorista do ônibus for daqueles que dão uma freada brusca antes de parar em cada ponto, há ainda o risco de uma gravidez indesejada.
3. Ir a uma coletiva de imprensa que não despertou o menor interesse do jornal apenas para filar o almoço. O jornalista finge que prestou atenção na entrevista, finge para o assessor de imprensa que vai dar um espaço legal para o assunto na edição do dia seguinte e devora o filé mignon ao molho madeira sem qualquer outro fingimento.
4. Pedir para o garçom do almoço acima preparar uma quentinha que o jornalista finge que vai levar ao motorista que ficou do lado de fora do evento. É um dos sintomas mais tristes da pobreza. Na verdade, será o jantar do jornalista naquela mesma noite.
5. Participar de uma entrevista concorrida, cheia de empurra-empurra, com dois microfones e um gravador nas mãos. O repórter de rádio/TV/internet chega a lembrar um daqueles deuses hindus que têm um monte de braços. Ele faz malabarismos para conseguir captar o áudio. Se falhar, pode perder um de seus três empregos. Ah, ele tem também um quarto emprego, meio período como assessor de imprensa na prefeitura.
6. Levar o filho, que mora com sua ex-mulher, ao cinema para assistir ao filme “O Guerreiro Didi e a Ninja Lili”, com um par de ingressos que estava esquecido numa mesa da redação e não despertou a cobiça de nenhum outro jornalista. Ao fim do filme, o filho, que já tem uns 15 anos, vai, com certeza, dizer ao pai: “Da próxima vez, a gente poderia ver X-Men ou algum outro filme mais interessante?”.
7. Ficar do lado de fora de um evento chique, de artistas ou políticos, e, com aquela cara de cão faminto, tentar descolar comida e bebida com um segurança da casa. O grupo, geralmente, é liderado por um fotógrafo desinibido – aliás, fotógrafos são todos desinibidos –, que faz a negociação com o segurança. Quando enfim chegam os salgadinhos gelados e o prosecco sem gás, os jornalistas disputam os restos, numa cena comovente e chocante, digna de ser registrada pelas lentes de Sebastião Salgado.
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