É erva daninha. Praga que dá aos montes por aí.
Release tosco quer ficar tão atraente que exagera na maquiagem. Adora um “agregar valor”, um “produto sustentável”. Não vive sem um “case de sucesso”.
Release tosco tem complexo de superioridade. Tem sempre “a mais alta tecnologia”, “o líder de mercado”, “o pioneiro em tudo que é coisa”.
Release tosco não tem foco. Atira para todos os temas. Acha bonito ser longo, interminável. Entupido de nariz-de-cera.
Release tosco caga e anda para a relevância da informação. É meio marqueteiro político. Só mostra o que é de seu interesse.
Release tosco trata o Português como o Hulk trata a bola de futebol. Como gosta de “lançar” carro “novo”, perfume “novo”.
Release tosco é motivo de piada na redação.
Mas o release tosco não nasceu ontem. É malandro. Guerreiro. E sempre acaba encontrando sua alma gêmea, o repórter tosco.
E lá está o release tosco na página do jornal. Do jeitinho que ele veio ao mundo.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Release tosco
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segunda-feira, 25 de junho de 2012
Clássicos jornalísticos da Sessão da Tarde que são uma tremenda confusão
Uma redação muito louca
Uma turminha de assessores do barulho
Ninguém segura esse repórter
Curtindo o plantão adoidado
Uma estagiária quase perfeita
Debi e Lóide: dois focas em apuros
Um release da pesada
O Clube das Editoras Desquitadas
Olha quem está apurando
Um dia a pauta cai
Folgas frustradas 5
Loucademia de Jornalismo
Uma turminha de assessores do barulho
Ninguém segura esse repórter
Curtindo o plantão adoidado
Uma estagiária quase perfeita
Debi e Lóide: dois focas em apuros
Um release da pesada
O Clube das Editoras Desquitadas
Olha quem está apurando
Um dia a pauta cai
Folgas frustradas 5
Loucademia de Jornalismo
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quinta-feira, 21 de junho de 2012
Modinha para Daniela
Uma paródia da Gabriela de Caymmi.
Quando eu era modelo
Já não lia quase nada
Hoje eu sou jornalista
Muito linda... e... desinformada.
Eu nasci assim, sem noção assim
Viajando assim no Toddynho assim
Daniela... sempre Daniela.
Quem me contratou pouco se importou
Pelo meu decote se apaixonou
Daniela... sempre Daniela.
Não me leve a mal, não leio jornal
Eu prefiro a Caras, tem figura e tal
Daniela... burra, mas sou bela.
Quando eu era modelo
Já não lia quase nada
Hoje eu sou jornalista
Muito linda... e... desinformada.
Eu nasci assim, sem noção assim
Viajando assim no Toddynho assim
Daniela... sempre Daniela.
Quem me contratou pouco se importou
Pelo meu decote se apaixonou
Daniela... sempre Daniela.
Não me leve a mal, não leio jornal
Eu prefiro a Caras, tem figura e tal
Daniela... burra, mas sou bela.
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segunda-feira, 18 de junho de 2012
Tudo o que você NUNCA quis saber sobre jornalismo
Por que o pescoção se chama pescoção?
Quem foi o maior rádio-escuta da história do radiojornalismo brasileiro?
Quantos artigos tem o Código de Ética do jornalista?
Para que serve a aula de Teoria da Comunicação?
Por que os fotógrafos ainda usam coletes com tantos bolsos?
Por que a imprensa sensacionalista é conhecida por marrom e não por amarela com bolinhas azuis?
Para que servem os sindicatos de jornalistas?
Quem foi o repórter pioneiro a ser demitido por falar mal de um anunciante?
Qual a origem do termo “jabá”?
O formato berlinense é maior ou menor do que o formato standard?
Qual foi o maior feito de um motorista de carro de reportagem enquanto aguardava o repórter numa pauta?
Qual a verdadeira idade da tartaruga de estimação da Glória Maria?
Quando foi editado o primeiro suplemento agrícola no Brasil?
Quem foi o inventor do release?
Quem foi o maior rádio-escuta da história do radiojornalismo brasileiro?
Quantos artigos tem o Código de Ética do jornalista?
Para que serve a aula de Teoria da Comunicação?
Por que os fotógrafos ainda usam coletes com tantos bolsos?
Por que a imprensa sensacionalista é conhecida por marrom e não por amarela com bolinhas azuis?
Para que servem os sindicatos de jornalistas?
Quem foi o repórter pioneiro a ser demitido por falar mal de um anunciante?
Qual a origem do termo “jabá”?
O formato berlinense é maior ou menor do que o formato standard?
Qual foi o maior feito de um motorista de carro de reportagem enquanto aguardava o repórter numa pauta?
Qual a verdadeira idade da tartaruga de estimação da Glória Maria?
Quando foi editado o primeiro suplemento agrícola no Brasil?
Quem foi o inventor do release?
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sexta-feira, 15 de junho de 2012
Entrevista exclusiva – Sem ser votada, PEC do diploma desabafa: “Tomo antidepressivo”
Em 2011, quando se completaram dois anos do fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, o blog Desilusões perdidas teve uma emocionante conversa com o diploma, que falou de suas dificuldades, da tentativa de suicídio e até da amizade com o também marginalizado diploma de datilografia (releia a entrevista completa aqui). Agora, por ocasião do terceiro aniversário, a entrevista é com a PEC do diploma, que vive a dramática espera para ser votada no Congresso.
PEC, muitos jornalistas diplomados estão botando grande fé na sua aprovação, mas a coisa parece demorada. Dá para acreditar ainda num desfecho rápido para a história?
Naquele Congresso, você bem sabe, meu caro Duda, o povo não gosta muito de trabalhar. Aí, fica difícil ser votada. Assim como os jornalistas, eu também estou numa expectativa grande, mas o que eu posso fazer? Agora tem também essa CPI do Cachoeira, depois vem eleição, e é bem capaz que eu caia no esquecimento.
Você sente apoio total dos jornalistas?
Em alguns momentos, me sinto desprestigiada por parte deles. Tem uns aí que nem sabem que eu existo. Outros nem sabem o que é uma PEC. É mole? Vou te falar: esse povo do jornalismo quer ter direito a um monte de coisa, mas é lerdo. Pouca iniciativa, sabe?
O que pretende fazer de sua vida após a aprovação, caso ela realmente ocorra?
Vou descansar um pouco, porque essa coisa de ficar parada, ociosa, também cansa. Sei lá, de repente vou badalar em algum cruzeiro. Meu sonho é ver o Roberto Carlos no navio.
Sei que você tem uma relação bastante próxima com o diploma. É verdade que ele recusou um convite para participar de A Fazenda 5?
Houve, sim, um convite da TV Record que ele recusou, por não se considerar uma subcelebridade. O diploma acredita ter ainda um protagonismo. O que o deixa triste são as mentiras publicadas por aí. Pela própria imprensa, o mais lamentável. Chegaram a escrever que o diploma estava gravando uma ponta num filme pornô.
A amizade entre ele e o diploma de datilografia acabou mesmo?
Este é outro absurdo que disseram. A relação deles está maravilhosa. E mais: outros diplomas marginalizados, como o diploma do curso de leitura dinâmica e o diploma de médico brasileiro formado na Bolívia, também fazem parte do grupo agora. Aquilo virou uma grande família.
Para encerrar: como você lida com a demora em ser votada?
Gosto muito de ficar acessando o site do Senado para saber se vou entrar na pauta de votação ou não. Muito doido isso. Sou ansiosa desde a infância. Minha mãe queria me levar ao psicólogo, mas meu pai achava bobagem. Essa nossa PECzinha ainda vai crescer com problema na cabeça, ela dizia pro meu pai. Agora, para segurar a barra só com remédio mesmo. Tomo antidepressivo todos os dias. Às vezes, uns florais.
PEC, muitos jornalistas diplomados estão botando grande fé na sua aprovação, mas a coisa parece demorada. Dá para acreditar ainda num desfecho rápido para a história?
Naquele Congresso, você bem sabe, meu caro Duda, o povo não gosta muito de trabalhar. Aí, fica difícil ser votada. Assim como os jornalistas, eu também estou numa expectativa grande, mas o que eu posso fazer? Agora tem também essa CPI do Cachoeira, depois vem eleição, e é bem capaz que eu caia no esquecimento.
Você sente apoio total dos jornalistas?
Em alguns momentos, me sinto desprestigiada por parte deles. Tem uns aí que nem sabem que eu existo. Outros nem sabem o que é uma PEC. É mole? Vou te falar: esse povo do jornalismo quer ter direito a um monte de coisa, mas é lerdo. Pouca iniciativa, sabe?
O que pretende fazer de sua vida após a aprovação, caso ela realmente ocorra?
Vou descansar um pouco, porque essa coisa de ficar parada, ociosa, também cansa. Sei lá, de repente vou badalar em algum cruzeiro. Meu sonho é ver o Roberto Carlos no navio.
Sei que você tem uma relação bastante próxima com o diploma. É verdade que ele recusou um convite para participar de A Fazenda 5?
Houve, sim, um convite da TV Record que ele recusou, por não se considerar uma subcelebridade. O diploma acredita ter ainda um protagonismo. O que o deixa triste são as mentiras publicadas por aí. Pela própria imprensa, o mais lamentável. Chegaram a escrever que o diploma estava gravando uma ponta num filme pornô.
A amizade entre ele e o diploma de datilografia acabou mesmo?
Este é outro absurdo que disseram. A relação deles está maravilhosa. E mais: outros diplomas marginalizados, como o diploma do curso de leitura dinâmica e o diploma de médico brasileiro formado na Bolívia, também fazem parte do grupo agora. Aquilo virou uma grande família.
Para encerrar: como você lida com a demora em ser votada?
Gosto muito de ficar acessando o site do Senado para saber se vou entrar na pauta de votação ou não. Muito doido isso. Sou ansiosa desde a infância. Minha mãe queria me levar ao psicólogo, mas meu pai achava bobagem. Essa nossa PECzinha ainda vai crescer com problema na cabeça, ela dizia pro meu pai. Agora, para segurar a barra só com remédio mesmo. Tomo antidepressivo todos os dias. Às vezes, uns florais.
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terça-feira, 12 de junho de 2012
Por que jornalistas namoram jornalistas?
No Dia dos Namorados, um post para relembrar.
Porque eles freqüentam sempre as mesmas redações, os mesmos bares de jornalista, festas de jornalista, eventos para jornalista.
Porque pobreza atrai pobreza.
Porque só um jornalista entende as neuras do outro.
Porque só um jornalista suporta o papo de jornalista do outro.
Porque é doce a ilusão de, um dia, se tornar o novo casal 20 do Jornal Nacional.
Porque um não pode rir da desgraça do outro.
Porque o namorado(a) anterior era publicitário(a) e descobriu-se, assim, que tem coisa pior que jornalista neste mundo.
Porque jornalistas são metidos mesmo e querem cruzar apenas entre si para perpetuar a pureza da espécie.
Porque o amor é cego e surdo e estúpido, nunca ouviu isso, não?
Porque, como os dois ralam pra cacete e vivem fazendo plantão, o risco de um cornear o outro é bem menor.
Porque, como os dois ralam pra cacete e vivem fazendo plantão, o risco de um ter que conviver com a família do outro é bem menor.
Porque algum(a) ex de outra profissão deve ter jogado uma praga daquelas bem fortes, do tipo vocês jornalistas se merecem, manja?
Porque essa coisa de ser meio anti-herói e esquisito tem um charme que só outro jornalista é capaz de perceber e deixar-se seduzir.
Porque jornalista é um bicho burro mesmo. Com tanto engenheiro rico e empresária bem-sucedida por aí, vai escolher logo outro jornalista? Faça-me o favor.
Porque eles freqüentam sempre as mesmas redações, os mesmos bares de jornalista, festas de jornalista, eventos para jornalista.
Porque pobreza atrai pobreza.
Porque só um jornalista entende as neuras do outro.
Porque só um jornalista suporta o papo de jornalista do outro.
Porque é doce a ilusão de, um dia, se tornar o novo casal 20 do Jornal Nacional.
Porque um não pode rir da desgraça do outro.
Porque o namorado(a) anterior era publicitário(a) e descobriu-se, assim, que tem coisa pior que jornalista neste mundo.
Porque jornalistas são metidos mesmo e querem cruzar apenas entre si para perpetuar a pureza da espécie.
Porque o amor é cego e surdo e estúpido, nunca ouviu isso, não?
Porque, como os dois ralam pra cacete e vivem fazendo plantão, o risco de um cornear o outro é bem menor.
Porque, como os dois ralam pra cacete e vivem fazendo plantão, o risco de um ter que conviver com a família do outro é bem menor.
Porque algum(a) ex de outra profissão deve ter jogado uma praga daquelas bem fortes, do tipo vocês jornalistas se merecem, manja?
Porque essa coisa de ser meio anti-herói e esquisito tem um charme que só outro jornalista é capaz de perceber e deixar-se seduzir.
Porque jornalista é um bicho burro mesmo. Com tanto engenheiro rico e empresária bem-sucedida por aí, vai escolher logo outro jornalista? Faça-me o favor.
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quarta-feira, 6 de junho de 2012
O que vi da vida de jornalista
Duda Rangel dá um depoimento corajoso, revelador e, claro, sensacionalista pra cacete.
O começo
Eu estava no trem e vi um cara lendo um jornal de cabeça pra baixo. Eu me interessei por aquilo. Ele percebeu meu interesse e perguntou: quantos anos você tem? Eu disse 12. Ele avançou: você não pensa em ser jornalista? Eu respondi sim, não, talvez, não sabia se meus pais concordariam. O homem afirmou que meu olhar atento para o jornal revelava minha paixão pela profissão, que aquilo era um sinal. E eu respondi: só achei engraçado o senhor ler o jornal de cabeça pra baixo. Ele ficou sem graça. À noite, abordei com meu pai a coisa de um dia ser jornalista. Lembro bem a resposta do velho: a pobreza está no DNA de nossa família, filho. Vai fundo, seja jornalista.
Os amores
Nunca fui muito namoradeiro e hoje eu me arrependo. Eu podia ter aproveitado mais, mas quem consegue namorar fazendo plantão quase todo fim de semana, pescoção até as três da manhã?
A luta
Eu consigo me colocar no lugar dos focas. No início da minha carreira, eu fui abusado e sei o que um foca sente. Esta é a razão da minha luta. Primeiro, foi um editor de Geral que me mandava cobrir de três a cinco matérias por dia. Na rua, por telefone. E ai de mim se atrasasse o fechamento. Outro editor, de Cultura, me mandava cobrir show de dupla sertaneja, grupo de pagode. E foi assim durante muitos anos. Eu me sentia sujo. E o mais triste é que muitos destes abusos acontecem dentro da própria redação.
O preço da fama
Fama? Pergunta isso pro Bonner! Tá de sacanagem comigo?
Michael Jackson
Essa história é muito louca. Um dia fui chamado pelo empresário dele para uma visita ao seu rancho, na Terra do Nunca. Eu encontrei o Michael chupando um pirulito. O pirulito era tão grande que ele precisou tirar o nariz para não atrapalhar. Jantamos e ele então fez a proposta. Queria um assessor de imprensa no Brasil que batalhasse uma participação dele no programa da Luciana Gimenez. Eu estava emocionado, ele era meu ídolo, mas a coisa de ser assessor de imprensa era muito doida. Respondi que não. Ele não gostou da recusa, deu piti, me atirou o nariz com toda força. Ainda bem que eu sempre fui ágil nos reflexos.
O começo
Eu estava no trem e vi um cara lendo um jornal de cabeça pra baixo. Eu me interessei por aquilo. Ele percebeu meu interesse e perguntou: quantos anos você tem? Eu disse 12. Ele avançou: você não pensa em ser jornalista? Eu respondi sim, não, talvez, não sabia se meus pais concordariam. O homem afirmou que meu olhar atento para o jornal revelava minha paixão pela profissão, que aquilo era um sinal. E eu respondi: só achei engraçado o senhor ler o jornal de cabeça pra baixo. Ele ficou sem graça. À noite, abordei com meu pai a coisa de um dia ser jornalista. Lembro bem a resposta do velho: a pobreza está no DNA de nossa família, filho. Vai fundo, seja jornalista.
Os amores
Nunca fui muito namoradeiro e hoje eu me arrependo. Eu podia ter aproveitado mais, mas quem consegue namorar fazendo plantão quase todo fim de semana, pescoção até as três da manhã?
A luta
Eu consigo me colocar no lugar dos focas. No início da minha carreira, eu fui abusado e sei o que um foca sente. Esta é a razão da minha luta. Primeiro, foi um editor de Geral que me mandava cobrir de três a cinco matérias por dia. Na rua, por telefone. E ai de mim se atrasasse o fechamento. Outro editor, de Cultura, me mandava cobrir show de dupla sertaneja, grupo de pagode. E foi assim durante muitos anos. Eu me sentia sujo. E o mais triste é que muitos destes abusos acontecem dentro da própria redação.
O preço da fama
Fama? Pergunta isso pro Bonner! Tá de sacanagem comigo?
Michael Jackson
Essa história é muito louca. Um dia fui chamado pelo empresário dele para uma visita ao seu rancho, na Terra do Nunca. Eu encontrei o Michael chupando um pirulito. O pirulito era tão grande que ele precisou tirar o nariz para não atrapalhar. Jantamos e ele então fez a proposta. Queria um assessor de imprensa no Brasil que batalhasse uma participação dele no programa da Luciana Gimenez. Eu estava emocionado, ele era meu ídolo, mas a coisa de ser assessor de imprensa era muito doida. Respondi que não. Ele não gostou da recusa, deu piti, me atirou o nariz com toda força. Ainda bem que eu sempre fui ágil nos reflexos.
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segunda-feira, 4 de junho de 2012
Arraiá da redação
Cantigas juninas para relembrar.
Cai, cai, textão
(versão de Cai, cai, balão)
Cai, cai, textão! Cai, cai, textão!
Adeus informação
Não vai dar! Não vai dar! Não vai dar!
Um anúncio tem que entrar.
Liga à pauteira
(versão de Pula a fogueira)
Liga à pauteira, Iaiá
Escreve à pauteira, Ioiô
Cuidado para não se ferrar
Olha que a pauteira não gosta de assessor.
Pedro, Antônio e o furo bão
(versão de Pedro, Antônio e João)
Um furo pra lá de bão
Antônio ia publicar
Mas Pedro roubou a pauta
Na hora do Antônio apurar.
O Ibope vai subindo
(versão de Um balão vai subindo ou Sonho de papel)
Ibope vai subindo
Com um crime à-toa
O nível caindo
Desgraça da boa
Mundo-cão, mundo-cão
Acende a audiência
Da televisão.
Isto é lá pra engenheiro
(versão de Isto é lá com Santo Antônio)
Eu pedi com emoção
Ao chefe de redação
Um emprego bem maneiro
O chefe disse que não
O chefe disse que não
Isto é lá pra engenheiro.
Eu pedi com emoção
Ao chefe de redação
Um emprego bem maneiro
Bem maneiro, bem maneiro (pã pã pã pã)
Isto é lá pra engenheiro.
Cai, cai, textão
(versão de Cai, cai, balão)
Cai, cai, textão! Cai, cai, textão!
Adeus informação
Não vai dar! Não vai dar! Não vai dar!
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Liga à pauteira
(versão de Pula a fogueira)
Liga à pauteira, Iaiá
Escreve à pauteira, Ioiô
Cuidado para não se ferrar
Olha que a pauteira não gosta de assessor.
Pedro, Antônio e o furo bão
(versão de Pedro, Antônio e João)
Um furo pra lá de bão
Antônio ia publicar
Mas Pedro roubou a pauta
Na hora do Antônio apurar.
O Ibope vai subindo
(versão de Um balão vai subindo ou Sonho de papel)
Ibope vai subindo
Com um crime à-toa
O nível caindo
Desgraça da boa
Mundo-cão, mundo-cão
Acende a audiência
Da televisão.
Isto é lá pra engenheiro
(versão de Isto é lá com Santo Antônio)
Eu pedi com emoção
Ao chefe de redação
Um emprego bem maneiro
O chefe disse que não
O chefe disse que não
Isto é lá pra engenheiro.
Eu pedi com emoção
Ao chefe de redação
Um emprego bem maneiro
Bem maneiro, bem maneiro (pã pã pã pã)
Isto é lá pra engenheiro.
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quarta-feira, 30 de maio de 2012
Feira
– Olha o elogio! Jornalista bonita não paga nada pra experimentar!
– Bom dia, seu Ailton.
– Bom dia. A patroa vai querer levar o quê?
– Tem folga? Eu queria uma dúzia bem gostosa de folga.
– Não tem, querida, me desculpa. Folga tá em falta. Os produtores dizem que é por causa da estiagem nas redações. Pouca gente pra muito trabalho.
– Sei. Mas não tem previsão de chegar?
– Tá difícil. A senhora não quer levar plantão? Tem bastante e o preço tá bom.
– Obrigada, seu Ailton. Eu tô há dois sábados levando plantão. Queria variar, sabe?
– Vou ficar devendo.
– E liberdade de imprensa orgânica o senhor tem aí?
– Ah, essa eu tenho, patroa. E tá bonita, viu? Vai querer quanto? Tá quarenta reais o quilo.
– Tudo isso?
– Mas é liberdade de boa qualidade, sem coisa tóxica, sem interferência de anunciante, de político. A patroa sabe que esta é a única barraca de jornalismo da feira que tem liberdade orgânica. O que mais se acha por aí é liberdade vagabunda, pela metade.
– O senhor tá certo. Me embrulha meio quilo que eu vou levar.
– A patroa é quem manda. E o elogio? A senhora não vai querer nem experimentar? Chegou agora, fresquinho!
– O senhor tem o quê?
– Eu tenho “seu texto é ótimo” e “que pauta mais criativa”.
– Tá bom, me dá só uma lasquinha desse “que pauta mais criativa”.
– Tá suculento este elogio.
– Tô vendo, seu Ailton.
– E como eu dizia, patroa, pra jornalista bonita é de graça.
Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.
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– Bom dia, seu Ailton.
– Bom dia. A patroa vai querer levar o quê?
– Tem folga? Eu queria uma dúzia bem gostosa de folga.
– Não tem, querida, me desculpa. Folga tá em falta. Os produtores dizem que é por causa da estiagem nas redações. Pouca gente pra muito trabalho.
– Sei. Mas não tem previsão de chegar?
– Tá difícil. A senhora não quer levar plantão? Tem bastante e o preço tá bom.
– Obrigada, seu Ailton. Eu tô há dois sábados levando plantão. Queria variar, sabe?
– Vou ficar devendo.
– E liberdade de imprensa orgânica o senhor tem aí?
– Ah, essa eu tenho, patroa. E tá bonita, viu? Vai querer quanto? Tá quarenta reais o quilo.
– Tudo isso?
– Mas é liberdade de boa qualidade, sem coisa tóxica, sem interferência de anunciante, de político. A patroa sabe que esta é a única barraca de jornalismo da feira que tem liberdade orgânica. O que mais se acha por aí é liberdade vagabunda, pela metade.
– O senhor tá certo. Me embrulha meio quilo que eu vou levar.
– A patroa é quem manda. E o elogio? A senhora não vai querer nem experimentar? Chegou agora, fresquinho!
– O senhor tem o quê?
– Eu tenho “seu texto é ótimo” e “que pauta mais criativa”.
– Tá bom, me dá só uma lasquinha desse “que pauta mais criativa”.
– Tá suculento este elogio.
– Tô vendo, seu Ailton.
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segunda-feira, 28 de maio de 2012
Os melhores (ou piores) aforismos de Duda Rangel (parte 4)
O bom jornalista é aquele que checa até declaração de amor que recebe.
Todo jornalista deveria acreditar em reencarnação. Sei lá, chance de voltar coisa melhor numa próxima vida.
Personagem para matéria é como marido: difícil encontrar um realmente bom.
Jornalista tem mania de guardar recorte de suas matérias. Para nunca mais ler.
Um dia o piso do jornalista ainda será um porcelanato daqueles bem chiques.
Jornalista que escreve três matérias num dia só tem direito a pedir música.
Jamais pergunte a um repórter chato como foi a pauta dele do dia. Porque ele vai te contar.
O bom repórter escreve certo, mesmo que por pautas tortas.
Jornalista, antes de querer salvar o mundo, aprenda a salvar o texto que você está escrevendo.
No crees en asesores de prensa buenos, pero que los hay, los hay.
Vida de repórter é um combate de MMA: a luta acaba quando a matéria é finalizada.
Beije um jornalista. Vai que ele vira um príncipe. Ou um empresário de sucesso.
Leia também:
Os melhores (ou piores) aforismos de @duda_rangel no Twitter (parte 3)
Os melhores (ou piores) aforismos de @duda_rangel no Twitter (parte 2)
Os melhores (ou piores) aforismos de @duda_rangel no Twitter (parte 1)
Todo jornalista deveria acreditar em reencarnação. Sei lá, chance de voltar coisa melhor numa próxima vida.
Personagem para matéria é como marido: difícil encontrar um realmente bom.
Jornalista tem mania de guardar recorte de suas matérias. Para nunca mais ler.
Um dia o piso do jornalista ainda será um porcelanato daqueles bem chiques.
Jornalista que escreve três matérias num dia só tem direito a pedir música.
Jamais pergunte a um repórter chato como foi a pauta dele do dia. Porque ele vai te contar.
O bom repórter escreve certo, mesmo que por pautas tortas.
Jornalista, antes de querer salvar o mundo, aprenda a salvar o texto que você está escrevendo.
No crees en asesores de prensa buenos, pero que los hay, los hay.
Vida de repórter é um combate de MMA: a luta acaba quando a matéria é finalizada.
Beije um jornalista. Vai que ele vira um príncipe. Ou um empresário de sucesso.
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sexta-feira, 25 de maio de 2012
Chororô na fila do seguro-desemprego
A repórter, toda metida a superior, toda metida a engraçada, sonhava com um vídeo seu bombando no YouTube, nas redes sociais. Viral jornalístico! Um dia rolou. Entrevista na delegacia. Mas que tragédia! Ficou famosa no Brasil todo por humilhar um joão-ninguém sem a menor noção do que é um exame de próstata. Um joão-ninguém que sequer sabia pronunciar a palavra próstata.
Sua atitude foi execrada pelos colegas de profissão. Pegou mal. Mas ela não é a única culpada, é? Não importa. No mundinho jornalístico, a corda sempre estoura para o lado do mais fraco. E vejam a ironia: a repórter, que parecia tão forte, também é fraca.
Na fila do seguro-desemprego, ela é abordada por outro repórter de TV, que por coincidência também cursou a escola dateniana de jornalismo com requintes de crueldade.
– Você humilhou aquele menino na delegacia!
– Não humilhei, não. Eu só entrevistei!
– Não humilhou, mas quis humilhar.
– Fiz isso, não!
– Mas a gente tem um vídeo que mostra você humilhando o coitado.
– Este vídeo é falso. Foi uma montagem.
– Ah, é falso?
– Eu gostaria, inclusive, de pedir a ajuda daquele perito, o Semolina, para provar que o vídeo é falso!
– Qual o nome do perito?
– Semolina.
– Qual o nome?
– Semolina.
– Semolina? (o repórter se segura todo para não gargalhar)
– Não é?
– Semolina?
– É, aquele perito gordinho, com uma barbona branca, que tá sempre aparecendo na televisão.
– Qual o nome dele mesmo? Semolina? (rindo)
– Moço, eu não sei pronunciar o nome dele.
– Agora, ó, só para resumir a situação: semolina é um negócio que tem no pão, sei lá, um cereal. O nome do perito é Molina. Perito Molina!
– Molina?
– Molina! O gordinho que tá sempre aparecendo na televisão, com barba de Papai-Noel, é Molina. Não é Semolina! Entendeu, porra?
O sistema é bruto para a repórter toda metida a superior, toda metida a engraçada.
O vídeo da tal repórter na delegacia aqui.
Sua atitude foi execrada pelos colegas de profissão. Pegou mal. Mas ela não é a única culpada, é? Não importa. No mundinho jornalístico, a corda sempre estoura para o lado do mais fraco. E vejam a ironia: a repórter, que parecia tão forte, também é fraca.
Na fila do seguro-desemprego, ela é abordada por outro repórter de TV, que por coincidência também cursou a escola dateniana de jornalismo com requintes de crueldade.
– Você humilhou aquele menino na delegacia!
– Não humilhei, não. Eu só entrevistei!
– Não humilhou, mas quis humilhar.
– Fiz isso, não!
– Mas a gente tem um vídeo que mostra você humilhando o coitado.
– Este vídeo é falso. Foi uma montagem.
– Ah, é falso?
– Eu gostaria, inclusive, de pedir a ajuda daquele perito, o Semolina, para provar que o vídeo é falso!
– Qual o nome do perito?
– Semolina.
– Qual o nome?
– Semolina.
– Semolina? (o repórter se segura todo para não gargalhar)
– Não é?
– Semolina?
– É, aquele perito gordinho, com uma barbona branca, que tá sempre aparecendo na televisão.
– Qual o nome dele mesmo? Semolina? (rindo)
– Moço, eu não sei pronunciar o nome dele.
– Agora, ó, só para resumir a situação: semolina é um negócio que tem no pão, sei lá, um cereal. O nome do perito é Molina. Perito Molina!
– Molina?
– Molina! O gordinho que tá sempre aparecendo na televisão, com barba de Papai-Noel, é Molina. Não é Semolina! Entendeu, porra?
O sistema é bruto para a repórter toda metida a superior, toda metida a engraçada.
O vídeo da tal repórter na delegacia aqui.
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quarta-feira, 23 de maio de 2012
Jornalismo #sussa, jornalismo #mtoloco
Trabalhar em revista bimestral é #sussa. Fechamento diário é #mtoloco.
Fazer entrevista por e-mail é #sussa. Olhar na cara do entrevistado é #mtoloco.
Cobrir jogo de futebol do aconchego de uma redação é #sussa. Tomar chuva à beira do gramado é #mtoloco.
Boteco no fim da noite é #sussa. Encontrinho de amigos em apê de fotógrafo é #mtoloco.
Teleprompter é #sussa. Improviso é #mtoloco.
Viver com a grana do Eike Batista é #sussa. Sobreviver com salário de jornalista é #mtoloco.
Tomar um furo da concorrência é #mtoloco. Dar um furo é #mto+mtoloco.
Escrever 20 linhas quando o espaço é de 20 linhas é #sussa. Escrever 20 linhas quando o espaço é de 50 é #mtoloco.
Máquina fotográfica digital é #sussa. Rolinho de filme para revelar na maior correria era #mtoloco.
Ilze Scamparini é #sussa. Marcos Uchôa sem capacete é #mtoloco.
Entrevistar o Suplicy é #muuuuitosussa. Entrevistar o Maluf é #mtoloco.
Vender pauta do Chico Buarque para a imprensa é #sussa. Vender pauta do Manga Rosa, o Julio Iglesias de Linhares, é #mtoloco.
Pode até não parecer, mas TCC é #sussa. O jornalismo na prática é #mtoloco.
Ser jornalista é #mtoloco. Ser jornalista e casar com outro(a) jornalista é #mtolocoaocubo.
Fazer entrevista por e-mail é #sussa. Olhar na cara do entrevistado é #mtoloco.
Cobrir jogo de futebol do aconchego de uma redação é #sussa. Tomar chuva à beira do gramado é #mtoloco.
Boteco no fim da noite é #sussa. Encontrinho de amigos em apê de fotógrafo é #mtoloco.
Teleprompter é #sussa. Improviso é #mtoloco.
Viver com a grana do Eike Batista é #sussa. Sobreviver com salário de jornalista é #mtoloco.
Tomar um furo da concorrência é #mtoloco. Dar um furo é #mto+mtoloco.
Escrever 20 linhas quando o espaço é de 20 linhas é #sussa. Escrever 20 linhas quando o espaço é de 50 é #mtoloco.
Máquina fotográfica digital é #sussa. Rolinho de filme para revelar na maior correria era #mtoloco.
Ilze Scamparini é #sussa. Marcos Uchôa sem capacete é #mtoloco.
Entrevistar o Suplicy é #muuuuitosussa. Entrevistar o Maluf é #mtoloco.
Vender pauta do Chico Buarque para a imprensa é #sussa. Vender pauta do Manga Rosa, o Julio Iglesias de Linhares, é #mtoloco.
Pode até não parecer, mas TCC é #sussa. O jornalismo na prática é #mtoloco.
Ser jornalista é #mtoloco. Ser jornalista e casar com outro(a) jornalista é #mtolocoaocubo.
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segunda-feira, 21 de maio de 2012
Fico assim sem o jornalismo (versão de Fico assim sem você – Claudinho e Buchecha)
Foto sem legenda,
Pauteiro sem agenda,
Sou eu assim sem você.
Gravador sem pilha,
Edição sem ilha,
Sou eu assim sem você.
Por que é que tem que ser assim,
Se o meu salário é tão ruim?
Pressão a todo instante,
Rotina alucinante
E pautas que não têm mais fim.
Plantão sem cafezinho,
Caneta sem bloquinho,
Sou eu assim sem você.
Texto sem espaço,
Foca sem cagaço,
Sou eu assim sem você.
Eu não existo longe de você
Viver sem grana é o meu maior castigo
Por tantas vezes tentei te esquecer
Mas jornalismo, tu é meu amigo.
Papel sem palavra,
Estágio sem roubada,
Sou eu assim sem você.
Programa sem ibope,
Novela sem Zé Bob,
Sou eu assim sem você.
Por que é que tem que ser assim,
Se o meu salário é tão ruim?
Pressão a todo instante,
Rotina alucinante
E pautas que não têm mais fim.
Boteco sem cerveja,
Cachoeira sem Veja,
Sou eu assim sem você.
Evento sem comida,
Matéria sem ser lida,
Sou eu assim sem você.
Eu não existo longe de você
Viver sem grana é o meu maior castigo
Por tantas vezes tentei te esquecer
Mas jornalismo, tu é meu amigo.
Pauteiro sem agenda,
Sou eu assim sem você.
Gravador sem pilha,
Edição sem ilha,
Sou eu assim sem você.
Por que é que tem que ser assim,
Se o meu salário é tão ruim?
Pressão a todo instante,
Rotina alucinante
E pautas que não têm mais fim.
Plantão sem cafezinho,
Caneta sem bloquinho,
Sou eu assim sem você.
Texto sem espaço,
Foca sem cagaço,
Sou eu assim sem você.
Eu não existo longe de você
Viver sem grana é o meu maior castigo
Por tantas vezes tentei te esquecer
Mas jornalismo, tu é meu amigo.
Papel sem palavra,
Estágio sem roubada,
Sou eu assim sem você.
Programa sem ibope,
Novela sem Zé Bob,
Sou eu assim sem você.
Por que é que tem que ser assim,
Se o meu salário é tão ruim?
Pressão a todo instante,
Rotina alucinante
E pautas que não têm mais fim.
Boteco sem cerveja,
Cachoeira sem Veja,
Sou eu assim sem você.
Evento sem comida,
Matéria sem ser lida,
Sou eu assim sem você.
Eu não existo longe de você
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Por tantas vezes tentei te esquecer
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sexta-feira, 18 de maio de 2012
20 atitudes para ser um jornalista melhor
Atitudes positivas podem não atrair aumento de salário, mas atraem, sem dúvida, boas energias.
1. Saia para a rua com uma pauta e volte com outra bem diferente.
2. Abrace um assessor de imprensa.
3. Escreva um texto todinho sem aspas.
4. Leia pelo menos dois jornais por dia. Todo dia.
5. Ao saber que foi pautado para cobrir o buraco na rua, sorria.
6. Faça refeições regulares, a cada três... dias.
7. Abrace um entrevistado chato.
8. Adote um foca abandonado.
9. Ensine um repórter velho o que é Facebook, Twitter, iPod.
10. Cultive o seu próprio pé de maconha. Orgânica.
11. Compartilhe o almoço boca-livre com um motorista faminto.
12. Não guarde rancor daquele seu chefe filho-da-puta-corno-desgraçado-babaca que cassou sua folga.
13. Mande um manual de redação para a reciclagem.
14. No plantão de domingo, ligue para o(a) namorado(a) para dizer que está com saudade.
15. Abrace o doutor Gilmar Mendes (brincadeira, não precisa chegar a tanto).
16. Lembre de Deus não apenas no desespero do fechamento.
17. Respeite as minorias, como os jornalistas que ganham bem.
18. Doe mais sangue. A quem realmente merece.
19. Elogie um release.
20. Passe uma semana inteira sem reclamar. Ok, um dia sem reclamar. Uma horinha?

Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.

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1. Saia para a rua com uma pauta e volte com outra bem diferente.
2. Abrace um assessor de imprensa.
3. Escreva um texto todinho sem aspas.
4. Leia pelo menos dois jornais por dia. Todo dia.
5. Ao saber que foi pautado para cobrir o buraco na rua, sorria.
6. Faça refeições regulares, a cada três... dias.
7. Abrace um entrevistado chato.
8. Adote um foca abandonado.
9. Ensine um repórter velho o que é Facebook, Twitter, iPod.
10. Cultive o seu próprio pé de maconha. Orgânica.
11. Compartilhe o almoço boca-livre com um motorista faminto.
12. Não guarde rancor daquele seu chefe filho-da-puta-corno-desgraçado-babaca que cassou sua folga.
13. Mande um manual de redação para a reciclagem.
14. No plantão de domingo, ligue para o(a) namorado(a) para dizer que está com saudade.
15. Abrace o doutor Gilmar Mendes (brincadeira, não precisa chegar a tanto).
16. Lembre de Deus não apenas no desespero do fechamento.
17. Respeite as minorias, como os jornalistas que ganham bem.
18. Doe mais sangue. A quem realmente merece.
19. Elogie um release.
20. Passe uma semana inteira sem reclamar. Ok, um dia sem reclamar. Uma horinha?

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terça-feira, 15 de maio de 2012
Nem a pau, tá?
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sexta-feira, 11 de maio de 2012
Mãe de jornalista
Em homenagem ao Dia das Mães, um post para relembrar.
Mãe de jornalista é mais preocupada do que todas as outras mães preocupadas do mundo. Meu filho, se for pro morro cobrir guerra entre polícia e traficante, não esquece de levar o colete à prova de balas, tá me ouvindo? Não quero filho meu pegando bala perdida por aí. Mamãe deixou o colete arrumadinho lá na sua cama.
Mãe de jornalista não tem noção da rotina do filho. Não, mãe, eu não tô na farra. Tô no pescoção, mãe. Isso, mãe, pescoção é trabalho. Pois é, mãe, jornalista trabalha até essa hora. Então, mãe, também não vai dar pra almoçar com a senhora no domingo. Vou estar de plantão. Por favor, mãe, não chora. Mãe?
Mãe de jornalista não entende o visual desleixado do filho. Há quantos anos você usa essa calça? E esse All Star todo sujo? A barba, meu filho, faz a barba! Parece um mendigo!
Mãe de jornalista adora comparar a filha jornalista com o filho médico. Você poderia muito bem ter feito como o seu irmão, o Pedro Paulo, e seguido a profissão do seu pai. Filha, aquele consultório o seu pai construiu pra deixar pra vocês dois! Ainda dá tempo de mudar, filha! Faz como o Pedro Paulo.
Mãe de jornalista também tem orgulho da filha. Recorta tudo que é matéria publicada no jornal. Coleciona, mostra pra família, pras amigas invejosas. Ou fica sentadinha na frente da TV, joelhos colados, mãos sobre as coxas. Não perde um instante da entrevista da filha, com não sei quem, sobre sei lá o quê. Pela tela, faz cafuné na cabeça da moça. Os olhos num aguaceiro só.

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Mãe de jornalista é mais preocupada do que todas as outras mães preocupadas do mundo. Meu filho, se for pro morro cobrir guerra entre polícia e traficante, não esquece de levar o colete à prova de balas, tá me ouvindo? Não quero filho meu pegando bala perdida por aí. Mamãe deixou o colete arrumadinho lá na sua cama.
Mãe de jornalista não tem noção da rotina do filho. Não, mãe, eu não tô na farra. Tô no pescoção, mãe. Isso, mãe, pescoção é trabalho. Pois é, mãe, jornalista trabalha até essa hora. Então, mãe, também não vai dar pra almoçar com a senhora no domingo. Vou estar de plantão. Por favor, mãe, não chora. Mãe?
Mãe de jornalista não entende o visual desleixado do filho. Há quantos anos você usa essa calça? E esse All Star todo sujo? A barba, meu filho, faz a barba! Parece um mendigo!
Mãe de jornalista adora comparar a filha jornalista com o filho médico. Você poderia muito bem ter feito como o seu irmão, o Pedro Paulo, e seguido a profissão do seu pai. Filha, aquele consultório o seu pai construiu pra deixar pra vocês dois! Ainda dá tempo de mudar, filha! Faz como o Pedro Paulo.
Mãe de jornalista também tem orgulho da filha. Recorta tudo que é matéria publicada no jornal. Coleciona, mostra pra família, pras amigas invejosas. Ou fica sentadinha na frente da TV, joelhos colados, mãos sobre as coxas. Não perde um instante da entrevista da filha, com não sei quem, sobre sei lá o quê. Pela tela, faz cafuné na cabeça da moça. Os olhos num aguaceiro só.

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quarta-feira, 9 de maio de 2012
O jornalismo, ano 2070 d.C.
O papel, como a gente conhecia no passado, não existe mais. Jornais e revistas chegam ao leitor em e-paper, afinal, em 2070, quase não há mais árvores no planeta.
Também não há repórteres na rua. A cobertura das enchentes em São Paulo, por exemplo, é feita por uma versão avançadíssima do Google Earth. Dá até para entrar em barraco alagado, entrevistar morador indignado. Tudo remotamente.
A transmissão das informações é ultraveloz. E vai ficar ainda mais. Comenta-se que daqui a 10 anos, lá por 2080, as pessoas vão ficar sabendo de mais uma eliminação do Corinthians na Libertadores antes mesmo de o jogo começar.
Nas redações, 30% dos jornalistas são robôs. Só não tem mais máquina, porque uma lei estabelece este teto. A reserva de mercado resistiu ao tempo. Os robôs trabalham com conteúdo repetitivo, como matérias de mercado financeiro e críticas de jogos de futebol.
A boca-livre perdeu a graça, porque o filé mignon ao molho madeira em 2070 é servido em cápsulas. Os canapés dos vernissages, idem. Tudo no mundo agora é ingerido em cápsulas.
As credenciais para eventos não existem mais. A identificação dos repórteres é feita pela íris – em alguns casos até mesmo pelo odor dos corpos –, tudo isso ligado a um sistema inteligentíssimo de dados que comprova se o jornalista está realmente trabalhando ou só tentando entrar no evento sem pagar. O fim da carteirada.
A PEC do diploma ainda está para ser votada no Congresso. Mas isso deve acontecer no próximo mês. Sem falta.
Os carros de reportagem voam para as pautas. Literalmente.
O envio de releases e o follow up dos assessores de imprensa são feitos por telepatia. O ato de xingar o assessor que transmitiu um pensamento numa hora inoportuna também.
Não existem mais furos de reportagem. Nem os cobiçados prêmios. Tudo porque, lá pelo ano de 2062 se não estou enganado, foi inventada uma máquina de extrair a vaidade dos jornalistas. E sem vaidade, meus caros, furos e prêmios pra quê?
Também não há repórteres na rua. A cobertura das enchentes em São Paulo, por exemplo, é feita por uma versão avançadíssima do Google Earth. Dá até para entrar em barraco alagado, entrevistar morador indignado. Tudo remotamente.
A transmissão das informações é ultraveloz. E vai ficar ainda mais. Comenta-se que daqui a 10 anos, lá por 2080, as pessoas vão ficar sabendo de mais uma eliminação do Corinthians na Libertadores antes mesmo de o jogo começar.
Nas redações, 30% dos jornalistas são robôs. Só não tem mais máquina, porque uma lei estabelece este teto. A reserva de mercado resistiu ao tempo. Os robôs trabalham com conteúdo repetitivo, como matérias de mercado financeiro e críticas de jogos de futebol.
A boca-livre perdeu a graça, porque o filé mignon ao molho madeira em 2070 é servido em cápsulas. Os canapés dos vernissages, idem. Tudo no mundo agora é ingerido em cápsulas.
As credenciais para eventos não existem mais. A identificação dos repórteres é feita pela íris – em alguns casos até mesmo pelo odor dos corpos –, tudo isso ligado a um sistema inteligentíssimo de dados que comprova se o jornalista está realmente trabalhando ou só tentando entrar no evento sem pagar. O fim da carteirada.
A PEC do diploma ainda está para ser votada no Congresso. Mas isso deve acontecer no próximo mês. Sem falta.
Os carros de reportagem voam para as pautas. Literalmente.
O envio de releases e o follow up dos assessores de imprensa são feitos por telepatia. O ato de xingar o assessor que transmitiu um pensamento numa hora inoportuna também.
Não existem mais furos de reportagem. Nem os cobiçados prêmios. Tudo porque, lá pelo ano de 2062 se não estou enganado, foi inventada uma máquina de extrair a vaidade dos jornalistas. E sem vaidade, meus caros, furos e prêmios pra quê?
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segunda-feira, 7 de maio de 2012
Hino Nacional do Jornalismo
Ouviram os estudantes lendas clássicas
De fama e um poder tão retumbante,
Também de liberdade e sonhos ricos,
Brilhou a esperança nesse instante.
Se isso tudo fosse verdade,
Poderíamos gozar a nossa sorte,
Mas a dura realidade
Que condena as ilusões à própria morte!
Ó vida amada,
Desgraçada,
Salve! Salve!
Jornal, trabalho intenso e bem corrido,
De folga e da família a gente esquece,
E quando surge o filho tão sumido,
Mamãe é só sorriso e agradece.
Pulsante pela própria natureza,
És bela num caminho tortuoso,
E o teu futuro é cheio de incerteza.
Vida agitada,
Entre outras mil,
És profissão
Tão adorada!
A vocação é nossa mãe gentil,
Puta que nos pariu.

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Também de liberdade e sonhos ricos,
Brilhou a esperança nesse instante.
Se isso tudo fosse verdade,
Poderíamos gozar a nossa sorte,
Mas a dura realidade
Que condena as ilusões à própria morte!
Ó vida amada,
Desgraçada,
Salve! Salve!
Jornal, trabalho intenso e bem corrido,
De folga e da família a gente esquece,
E quando surge o filho tão sumido,
Mamãe é só sorriso e agradece.
Pulsante pela própria natureza,
És bela num caminho tortuoso,
E o teu futuro é cheio de incerteza.
Vida agitada,
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quinta-feira, 3 de maio de 2012
Cadê a liberdade de ser jornalista?
Celebrar o dia da liberdade de imprensa é bom. Só quem viveu o perrengue de uma repressão política ou viu jornal ser fechado na porrada sabe que hoje os tempos são, felizmente, outros. Mas cadê a liberdade de ser jornalista? A mídia é livre. E nós?
Quantos jornalistas ainda são torturados pela tal linha editorial de seus veículos, espancados por publicações que mais parecem porta-voz de partido político? Tem também o anunciante, que é legal e paga o nosso salário, mas alguns são linha-dura, tipo delegado do DOPS. Experimenta só fazer propaganda contrária.
E onde está o interesse social? Será que ele morreu num pau-de-arara? Apagou depois de tanto choque elétrico? O interesse social é um exilado, um desaparecido? Em tempos de imprensa livre, os interesses que prevalecem são diversos. E nós, jornalistas, ficamos perdidos entre o que deve ser dito e o que convém ser dito. Esqueçam as receitas de bolo da ditadura. Hoje, temos os dossiês customizados, as matérias de encomenda.
Claro que existem empresas de comunicação sérias, que valorizam a liberdade conquistada e respeitam o jornalista. Sim, não dá para generalizar. Mas é triste constatar que os próprios jornalistas estão deixando de acreditar na imprensa. Ou sentindo vergonha dela. Não é fácil enfrentar o Sistema. Viramos reféns. Ou você aceita ou está fora. Como diria o capitão Nascimento, o Sistema é foda.
Celebrar o dia da liberdade de imprensa é bom, mas seria ainda melhor se esta imprensa livre fosse capaz de aprender o verdadeiro sentido de “ser livre”.
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E onde está o interesse social? Será que ele morreu num pau-de-arara? Apagou depois de tanto choque elétrico? O interesse social é um exilado, um desaparecido? Em tempos de imprensa livre, os interesses que prevalecem são diversos. E nós, jornalistas, ficamos perdidos entre o que deve ser dito e o que convém ser dito. Esqueçam as receitas de bolo da ditadura. Hoje, temos os dossiês customizados, as matérias de encomenda.
Claro que existem empresas de comunicação sérias, que valorizam a liberdade conquistada e respeitam o jornalista. Sim, não dá para generalizar. Mas é triste constatar que os próprios jornalistas estão deixando de acreditar na imprensa. Ou sentindo vergonha dela. Não é fácil enfrentar o Sistema. Viramos reféns. Ou você aceita ou está fora. Como diria o capitão Nascimento, o Sistema é foda.
Celebrar o dia da liberdade de imprensa é bom, mas seria ainda melhor se esta imprensa livre fosse capaz de aprender o verdadeiro sentido de “ser livre”.
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quinta-feira, 26 de abril de 2012
Datas festivas do Jornalismo
Como hoje tem dia para se comemorar de tudo, por que não um calendário sob medida para os jornalistas? Claro que sem direito a folga, porque já seria pedir demais.
12 de janeiro
Dia da Máquina de Café
30 de fevereiro
Dia do Superaumento de Salário para os Jornalistas
28 de março
Dia do Corretor Ortográfico do Word
1º de abril
Dia da Liberdade de Imprensa
4 de abril
Dia da Carteirada
1º de maio
Dia de Jornalista de Plantão Cobrir Show de Central Sindical
18 de maio
Dia de Combate ao Abuso e à Exploração dos Focas
17 de junho
Dia Nacional de Odiar o Gilmar Mendes
7 de julho
Dia do Filé Mignon ao Molho Madeira
13 de agosto
Dia da Criação da Imprensa Chapa Branca ou Dia do Rabo Preso
19 de agosto
Dia da Luta Contra o Release Tosco
22 de setembro
Dia Mundial Sem Carro de Reportagem
12 de outubro
Dia de Nossa Senhora do Bom Plantão, padroeira dos jornalistas
20 de novembro
Dia da Consciência do Assessor de Imprensa
25 de dezembro
Dia Internacional do Jabá
12 de janeiro
Dia da Máquina de Café
30 de fevereiro
Dia do Superaumento de Salário para os Jornalistas
28 de março
Dia do Corretor Ortográfico do Word
1º de abril
Dia da Liberdade de Imprensa
4 de abril
Dia da Carteirada
1º de maio
Dia de Jornalista de Plantão Cobrir Show de Central Sindical
18 de maio
Dia de Combate ao Abuso e à Exploração dos Focas
17 de junho
Dia Nacional de Odiar o Gilmar Mendes
7 de julho
Dia do Filé Mignon ao Molho Madeira
13 de agosto
Dia da Criação da Imprensa Chapa Branca ou Dia do Rabo Preso
19 de agosto
Dia da Luta Contra o Release Tosco
22 de setembro
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