
Saber prestar a atenção nas pessoas que estão ao nosso redor, sobretudo as marginais e as aparentemente mais insignificantes deste mundo, é um dom reservado a raros seres humanos. É bem provável que apenas os artistas, os jornalistas (retratistas ou os que lidam com as palavras) e outros poucos tenham a capacidade de olhar essa gente e descobrir histórias maravilhosas.
O que teria para nos contar, por exemplo, aquele traveco esculpido a silicone barato que faz ponto nas esquinas pobres das grandes cidades? E aquele flamenguista sofrido, sem dentes e com uma imagem de santa nas mãos, sempre presente na geral do Maracanã? Não podemos esquecer também o catador de sucata, que empurra seu carrinho pesado no meio do trânsito caótico, escoltado o tempo todo pelo fiel vira-lata. Além de vários outros personagens que rendem matérias deliciosas.
Há muitas histórias bacanas por trás dessa gente, muitas mensagens por trás de seus gestos. Fica aqui uma dica para os jornalistas iniciantes: nunca desperdicem esse dom, esse nosso olhar privilegiado!