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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Por que um ser humano aparentemente normal decide ser jornalista?


Porque ele nunca foi bom nessa coisa de álgebra, geometria plana, progressões aritméticas.

Porque ele acredita em cartomante, no Guia do Estudante, em teste vocacional.

Porque Deus estava de folga quando ele decidiu prestar o vestibular.

Porque o anjo da guarda estava de ressaca no dia da prova.

Porque a tia Maria, professora de Redação, disse que ele levava jeito pra escrever.

Porque ele deve ter feito alguma merda grande na vida passada e agora voltou jornalista para pagar a dívida.

Porque ele cresceu ouvindo notícia na rádio e sempre soube que era aquilo que queria pra vida.

Porque todo mundo tem um defeito.

Porque vocação para a pobreza é uma coisa genética em muitas famílias.

Porque ser aparentemente normal é muito chato. O bom é parecer meio maluco.


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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Nova enquete: qual a principal razão que levou você a ser jornalista?


O coração tem razões que a própria razão desconhece. Com esta frase brega de Pascal, está aberta a nova enquete do blog: qual a principal razão que levou você a ser jornalista? Questão complexa, muito complexa. Você sempre odiou Matemática? Descobriu a profissão numa caixa de Toddynho? Não saberia fazer outra coisa? Participe da pesquisa. É só ir para a coluna à direita do blog e votar. Se o seu motivo não está entre as alternativas da enquete, deixe uma mensagem na área de comentários.

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Ele troca de emissora de TV mais do que a Luana Piovani troca de namorado, ele garante que não faz jornalismo sensacionalista (convenceu alguém aí?), ele é o vencedor da última enquete deste blog. A pergunta Qual jornalista você levaria para uma ilha deserta e deixaria lá, mofando, sozinho? teve 22% dos votos para José Luiz Datena. Diogo Mainardi, é bem verdade, esforçou-se para ganhar a passagem só de ida, mas acabou na segunda colocação, com 17% dos votos, tecnicamente empatado com Galvão Bueno (16%). Os leitores destacaram que esta foi uma das enquetes mais difíceis. Alguns revelaram a vontade de mandar todos os jornalistas da lista para a ilha, de preferência para uma ilha norueguesa.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Ser jornalista ou não ser?


O meu pai, claro, acha loucura. Gustavo, jornalista é igual a jogador de futebol. Só meia dúzia se dá bem nessa vida. O resto rala. Tem tanta profissão que dá mais futuro, meu filho, sei lá, presta concurso pra Petrobrás, pro Banco do Brasil. Mas isso não combina comigo. A Julinha, minha namorada, botou na cabeça que eu só quero ser jornalista pra trabalhar na TV, ficar famoso e viver rodeado de mulher. Você pensa que eu sou boba, senhor Gustavo? Pode esquecer essa história. Eu é que não vou aturar futuro marido meu cheio de maria-microfone em cima! Eu tenho pena da mulher do Evaristo Costa, sabia? Comigo, não! Explico pra Julinha que o meu sonho é escrever para impresso, que não vou ficar famoso, mas ela não entende. A minha mãe só reza. Pra tudo que é santo. Gustavinho, a Virgem Santíssima vai iluminar o teu caminho e te ajudar a fazer uma boa escolha. Legal a Virgem estar colaborando, mas isso ainda não resolve o meu dilema. O tal do Gilmar Mendes também não quer que eu faça o curso de jornalismo. Até acabou com o diploma. Ah, quer dizer que qualquer um pode ser jornalista? Claro que não, doutor! Já imaginou a Julinha jornalista, doutor? Ela odeia ler e nunca presta atenção na resposta dos outros. Tem também o cara lá do blog que vi esses dias, o Duda Rangel. Ou a Duda Rangel. Ainda não sei se é homem ou mulher. Vive dizendo que jornalista só se fode e coisa e tal. Parece que tem prazer em me desanimar. O único que me apóia é o Marcão. Tudo bem que ele é interesseiro, mas me apóia. Aí, Guzão, fiquei sabendo que jornalista tem entrada livre em tudo que é festa. Verdade, véio? Estuda esse negócio aí e depois não se esquece dos amigos, hein? Ah, tem também a Leonilde, claro, a faxineira da minha mãe, que dá uma força. Ontem, ela até voltou a tocar no assunto. Ô, seu Gustavo, eu queria que o senhor fosse jornalista só pra mostrar a pouca vergonha que é a saúde de gente pobre. No posto lá do bairro falta de um tudo. Nem pediatra pro Maicon César tem. Sim, a Leonilde! É ela quem está me convencendo a ser jornalista.