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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Quem mexeu no meu texto?


Jornalista tem uma certeza: seu texto é imexível.

O orgulho do jornalista não admite que o texto tem vícios, erros. É seu filho perfeito. O lead está sempre no lugar certo. Clichê é o máximo. Nariz-de-cera, então, é a coisa mais bonita do papai.

A vaidade do jornalista não aceita críticas ao texto. É sua obra-prima. Não tolera pitacos, desconstrução de idéias, novos enfoques. É provocação. Que danação! Seu texto é sagrado, pra ser venerado. Jamais profanado.

O ciúme do jornalista o torna possessivo. O texto é sua nêga. E tem sempre gente querendo botar a mão. O editor é o mais vil dos cobiçadores de texto alheio, de amor alheio. Ricardão maldito. Deflorador. Deleta aqui, corrige ali, reescreve acolá. Corta pelo pé.

Você pode até mexer com a mãe de um jornalista. Mas experimenta só mexer no texto dele. Experimenta.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O texto jornalístico


Seria bom, né não, se texto sem clareza fosse crime sem perdão?

Seria bom, não vê, cagar pra essa coisa de o que, quem, quando, onde, como e por quê?

Seria bom, não imagina, se os manuais sufocantes não fossem nossa sina?

Seria bom, não crê, exorcizar a escrita de todo tipo de clichê?

Seria bom, não acha, se o uso da crase não causasse tanta desgraça?

Seria bom, não diga, se as muletas não se intrometessem pra dar liga?

Seria bom, não pensa, achar a cura pro nariz-de-cera, essa doença?

Seria bom, não é, se não cortassem nosso texto pelo pé?