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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Eu tô no Twitter


Depois que a minha mulher me trocou por um legítimo representante da geração Y, daqueles que passam o dia todo ouvindo música num iPod ou em redes sociais na web, cheguei à conclusão de que precisava aderir às novas mídias. Essa coisa de ser um legítimo representante dos tempos da máquina de escrever não estava dando mais certo. A primeira ação foi criar um blog, o Desilusões perdidas, que já celebrou seis meses no ar. Depois, entrei no Orkut e, agora, faço parte do mundo do Twitter (http://twitter.com/duda_rangel).

O jovem Duda, que na faculdade diagramava jornais toscamente, com um lápis e uma régua na mão e um trocadilho infame com a palavra paica (do Inglês, “pica”) na cabeça, nunca imaginou que um dia tudo seria digital. Chegou a era do template, que deixa as coisas mais fáceis. Assim é a vida.

O Twitter foi feito para gente econômica com as palavras – o que é bom, muitas vezes –, e para gente preguiçosa – o meu caso. E, como sou preguiçoso além da conta, já aviso que não vou ficar postando a cada cinco minutos uma mensagem sobre o que estou fazendo. Tentarei ainda evitar tweets que revelem momentos de grande intimidade, como “estou no banheiro; faltou papel higiênico; cadê meu diploma de jornalista?”.

O blog Desilusões perdidas seguirá firme e forte no ar, uma prova clara de que, a cada dia, estou ligado mais e mais à “convergência de mídias”. Aliás, puta expressão mala!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Balzac e a geração Y


Me dei conta, pela primeira vez, de que estava ficando velho ao notar que o rádio do meu carro ficava sintonizado, quase sempre, na Alfa FM. Para quem não conhece, é uma rádio que toca hits como Smooth Operator, da Sade. Enfim, rádio de velho. Dias atrás, tive uma nova e triste prova de minha idade avançada. Encontrei minha ex num parque, com seu office-boy. O rapaz tinha um iPod, a tal barriga tanquinho e uma bermuda de cintura baixa, que revelava, sem pudor, a cueca. Sim, aquela era a geração Y, a que iria me engolir.

Eles se aproximaram para conversar. Tive pensamentos cruéis e a vontade de soltar logo de cara uma pergunta bem sacana, do tipo: “E aí, tudo bem? Foram ao show do NX Zero ontem? Curtiram?” Mas não perguntei. O máximo que disse foi um “prazer” ao ser formalmente apresentado pela ex como “Carlos Eduardo, meu ex-marido, o jornalista”. Quando ela falou “o jornalista”, senti que o moleque torceu o nariz. Disse que não se lembrava de ter me visto em TV alguma. Decerto, me imaginava um cara famoso. “Sempre trabalhei em jornal impresso”, expliquei. Mas ele contou que nunca lia jornais.

Quis mostrar à ex que minha vida seguia a todo vapor (coisa de gente separada) e falei do sucesso do blog que tinha criado para discutir a carreira e as relações humanas. Disse, em tom de brincadeira, que falava mal dela nos posts, mas bem de leve. Ao mencionar o nome do blog, o office-boy se espantou. “Desilusões perdidas? Caraca, véio, de onde você tirou isso?” Respondi que havia me inspirado no Balzac, e o garoto completou: “Ah, tô ligado no Balzac, aquele remédio que os doido usa.” Sorri, aliviado. A geração Y não me engoliria tão cedo.