Coloque numa mesa de bar alguns jornalistas velhos. Uns três ou quatro. Preste atenção que a conversa vai girar quase toda sobre as histórias vividas. “Los viejos nos entretenemos con los tiempos idos”, já escreveu o chileno Roberto Bolaño. A vida do jornalista fica impregnada na memória, como cheiro de cigarro na camisa. Uma vez contador de causos, sempre contador de causos. De causos pitorescos, de preferência.
– Vocês se lembram daquela moça do caderno de Geral, uma baixinha, que era casada com o gordo do arquivo?
– A Nádia?
– Não, a Nádia era casada com um fotógrafo.
– Ah, sim, a Lurdes. O gordo do arquivo era o Pedrão.
– Porra, Lurdes, essa mesmo. Vocês se lembram da merda que ela fez uma vez?
– A história do release falso?
– Essa mesmo. Alguém escreveu um release falso sobre um remédio que causava impotência, só pra sacanear o Célio, um esquisito, hipocondríaco, que tomava o tal remédio. Mas era só pra sacanear o Célio. Aí a Lurdes encontra o release e publica a porra da informação falsa. Deu a maior merda com o laboratório.
– Putz, verdade. Eu me lembro dessa história. E quem escreveu o release falso foi o Evaldo.
– Que Evaldo? O viado?
– O Evaldo era viado?
– Ah, todo mundo falava que ele tinha um caso com o carequinha de Esportes, o...
– O Ronaldo?
– Ronaldo!
– Caraca, essa eu não sabia. Eu jurava que o Ronaldo comia a Nádia, a mulher do fotógrafo.
– Não sei se era viado, mas o Ronaldo era o cara que pegava a grana do táxi e ia pra pauta de ônibus. Só para embolsar a grana.
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
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