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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Aplicativos para jornalistas


Angry Reporters – divertido game no qual um grupo de repórteres com diploma luta contra uma galera que acha que qualquer Zé Ruela pode ser jornalista. Com estilingues, os repórteres arremessam livros de Adorno e McLuhan nos sem-diploma, que usam escudos com a cara do dotô Gilmar Mendes para se defender.

PeopleSearch – aplicativo destinado a encontrar personagens para matérias. É só o jornalista escolher a categoria de que precisa, do tipo “homens casados que traem as mulheres com outros homens casados”, para obter uma lista com os contatos dos seus personagens.

Despertador Express – serviço bastante útil para jornalistas sem acesso a uma máquina de café em pescoções e plantões de fim de semana. A cada 10 minutos, mensagens como “Acorda, mané!” e “Olha o fechamento!”apitam no celular do usuário.

Where´s My Money? – game clássico da Disney em que você precisa ajudar um jornalista a pagar todas as contas do mês com seu salário. São vários os níveis do jogo, como o da negociação de empréstimo com o gerente do banco e o “quem quer ver minha revistinha da Natura este mês?”.

Espada Ninja – um dos aplicativos mais populares, funciona como uma espécie de editor de textos. Você joga lá 50, 60, 70 linhas de sua matéria e escolhe para qual tamanho quer reduzir. O aplicativo não corta o texto pelo pé, nem muda a sua essência. O processo inverso, transformar 10 linhas em 60, ainda não existe no mercado.

Passaralho Maps – para quem nunca sabe quando um passaralho vai chegar, este aplicativo exibe em um mapa o trajeto e a localização aproximada destas aves malditas que sobrevoam as redações, permitindo aos jornalistas traçar uma rota de fuga. Muito utilizado pelo povo da mídia impressa.

WhatsDown – é um sistema de troca de mensagens instantâneas baixo-astrais. Ele permite o envio de todo tipo de lamentação, revolta ou mimimi para os amigos. Já é o aplicativo queridinho de 10 entre 10 jornalistas, apesar de todo mundo reclamar que ele é muito chato.


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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Alguns tipos de jornalistas “high-tech”


Matheus ouviu falar em jornalismo colaborativo. Depois, na queda da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. As duas coisas convergiram e ele passou a ser um “jornalista colaborador sem diploma”. Com um celular que tira fotos e faz gravações de vídeo e áudio em alta qualidade, passou a farejar flagras pelas ruas. Quando começa a chover em São Paulo, corre para os pontos mais críticos de enchente na esperança de registrar algum salvamento heróico com exclusividade. Se captar um afogamento heróico, ainda melhor, pois acredita que emplacaria o vídeo no Datena. No dia em que lhe perguntaram se não sentia falta das aulas de ética jornalística de uma faculdade, hesitou um instante, levantou a sobrancelha esquerda e respondeu com outra pergunta: “O que é isso?”.

Patrícia decidiu ter um blog, afinal todos os seus jovens amigos jornalistas tinham um blog. Ouviu alguém dizer – aliás, quem mesmo? – que o jornalista hoje tem obrigação de ter um blog. Seu primeiro dilema foi: o que escrever? Descobriu que não tinha nada de interessante para escrever, mas isso não inibiria sua empreitada. Como não arrumava emprego mesmo, até que não era uma má idéia ter um blog. Decidiu que seria uma página opinativa. Comentaria sobre tudo, política, cinema e até futebol, mesmo sem entender do assunto. O diferencial seria o tom polêmico. Ouviu alguém dizer – quem mesmo? – que jornalista tem de ser provocador. Apenas as suas duas melhores amigas leram seu primeiro post – o impacto do fenômeno Lady Gaga na determinação da sexualidade das futuras gerações. Acharam o texto meio sem nexo, mas Patrícia considerou a discordância saudável. Empolgou-se tanto com o blog que, além de opiniões diversas - e muitas vezes sem nexo -, criou um canal para divulgar, “em primeira mão”, notícias que chupa dos grandes portais.

Eduardo gaba-se de ter rompido com o primitivismo das clássicas ferramentas de trabalho de um jornalista. Coisas de velho. É um jornalista impregnado de tecnologia. Novos tempos, enfim. Aboliu o bloquinho de anotações e a caneta, que lhe eram completamente inúteis. Nunca saía da redação para fazer reportagens mesmo. Bloquinho pra quê? Sua praia é outra. Manja tudo de softwares de edição de texto, de fotos, de vídeos. Vive falando de podcasts, webcasts, novas plataformas, redes sociais. E nisso é bom mesmo, melhor do que qualquer um na redação. Até que num dia o editor convocou Eduardo para uma força-tarefa nas ruas. Participaria de uma grande cobertura, deveria entrevistar gente comum. “Mas como se entrevista gente de verdade?” O editor lhe deu algumas instruções rápidas de como fazer uma apuração minimamente decente e, por fim, acrescentou: “preste muita atenção nas pessoas, nas coisas ao redor. Observar é muito importante. E quer saber? Ao vivo é bem melhor do que pela webcam!”.