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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Toddynho


A modelo e apresentadora da RedeTV! Daniela Albuquerque, que acumula a função de mulher do dono da emissora, descobriu sua vocação para o jornalismo de forma inusitada, como revelou, certa vez, à revista Veja. “Eu estava tomando Toddynho no café-da-manhã. Na embalagem, tinha um negócio que explicava as profissões na linguagem de uma criança. O da minha caixinha era sobre jornalismo. Li e falei: ‘Caramba. É isso que tenho de fazer’. Tem tudo a ver com ser modelo”.

Decisões conscientes como esta me fazem acreditar num futuro promissor para a imprensa brasileira.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Nestor


Parece que foi ontem que o Nestor entrou em minha vida. Eu e minha mulher, hoje ex, queríamos cuidar de um ser vivo que não fosse tão complexo quanto um bebê humano. Descartamos também as plantas, porque sempre as achamos muito monótonas e chatas. O consenso era um cão, bicho brincalhão. E assim compramos o nosso boxer.

Minha mulher queria chamá-lo de Karenin, o cachorro de um livro que ela tinha amado ler. Eu queria Nestor, porque, para mim, nomes humanos davam a sensação de uma maior interação intelectual dono-cão. Achava que, algum dia, ele tomaria cerveja comigo e discutiria política, futebol e filosofia. Naquela época, como eu ainda mandava alguma coisa no relacionamento, o cão passou a se chamar Nestor.

Apesar de deixar o sofá todo babado e roer os móveis, Nestor foi uma coisa maravilhosa que me aconteceu. Muitas vezes, chegava em casa de madrugada, depois dos pescoções, e encontrava o bicho acordado, à minha espera. Pulava em cima, me lambia. Sua alegria era inspiração para eu escrever, correr atrás de grandes pautas. Para quem não leu, vale conferir o post Farejadores.

Mas o Nestor envelheceu, como eu. Está mais sóbrio, mais resignado com algumas coisas da vida. Dia desses, lendo o jornal, notei que ele estava sentado à minha frente, compenetrado em mim. Parecia querer conversar. Achei que a tal maior interação intelectual dono-cão finalmente havia chegado. Perguntei ao Nestor então o que ele achava da crise do Senado, da gestão do Obama até agora, do fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista. Ele deu um bocejo ruidoso, circulou algumas vezes sobre sua cama, deitou e dormiu. Deve ter pensado: “Que puta papo chato tem esse cara.”

quarta-feira, 4 de março de 2009

Na solidão de meu trono


Todo mundo tem um lugar de refúgio na vida. Uma montanha mágica, uma casinha no campo, uma praia deserta. Em meus anos de labuta no jornal, meu recanto da paz estava no 2º andar, mais precisamente no banheiro do 2º andar. Sempre vazio, era ideal para eu buscar inspiração para as minhas matérias. Nunca gostei do barulho e da agitação dos banheiros da redação, alguns pisos acima. Para mim, cagar era um momento sublime, de reflexão.

Sentado em meu trono, organizava minhas idéias, escolhia as melhores palavras, rascunhava, em pensamentos, o título mais atraente, o lead mais completo. Não precisava atender o telefone, ouvir as cobranças do meu chefe, olhar para a tela em branco de meu PC implorando por um texto. Na redação, tinha problemas de concentração, principalmente quando alguma assessora de imprensa desfilava de calça justa e um jabazinho nas mãos.

No 2º andar, me divertia também com a literatura de porta de banheiro, comum até nos lugares de menos movimento. Tentava decifrar, entre tantos rabiscos, o significado de mensagens repletas de palavrões e erros de português. Em meio a insultos preconceituosos e anúncios de serviços sexuais, havia sempre espaço para a expressão de idéias. Certo dia, uma frase me chamou a atenção. Um anônimo taxava os jornalistas de “um bando de viadinhos que só sabe reclamar da vida”. No início, aquilo me irritou, mas me ajudou a refletir e a começar a escrever mais sobre a profissão. A inspiração não vem só das coisas boas.