Ato 1 – Que dia perfeito
- A matéria já está pronta, editor. Que matéria, que manchete! Vou arrebentar!
- Ótimo, Luís. Já estamos fechando o jornal.
- Eu sou foda, editor!
- Você é foda, Luís Cláudio! O melhor repórter que eu já conheci.
- Que dia perfeito!
- Preparado para logo mais, para receber o prêmio?
- Claro que estou, editor. Não é sempre que se ganha um Esso, né? E melhor: minha mulher e meu filho estarão presentes.
- Parabéns, Luís, parabéns!
Ato 2 – Pra que tudo isso?
- Vamos, filho, já está em cima da hora. Seu pai não vai gostar se chegarmos atrasados para a premiação. Ele sempre sonhou com esse Esso.
- Mãe, eles não vão começar a premiação sem a gente.
- Corre, Júnior. Não quero deixar o seu pai esperando.
- Não quero colocar terno, mãe. Pra que tudo isso?
- Coloca o terno rápido. Seu pai vai ficar feliz de te ver de terno.
Ato 3 – O grande momento
- Oi, doutor, como o Luís está?
- Ele está muito bem hoje, dona Carmem. Nem precisamos entrar com a medicação mais pesada.
- Que bom, doutor. Então, pode dizer a ele que nós já chegamos.
- Se a senhora e o Júnior quiserem, podem ir para a sala aqui ao lado. Os enfermeiros já estão todos lá. São eles que vão participar da cerimônia de entrega do prêmio a seu marido.
- Vamos, sim, doutor.
- Dona Carmem, só mais uma coisa: a partir de agora, não sou mais o doutor, OK? Sou o editor.
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quarta-feira, 8 de junho de 2011
Loucura em três atos
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quarta-feira, 18 de maio de 2011
Simpatias para jornalistas
Para o diploma voltar a valer:
Pegue o diploma que você tinha plastificado para usar como toalha em refeições rápidas. Junte a ele um baralho de truco virgem, um livro de Marshall McLuhan e pétalas de duas rosas amarelas. Guarde tudo em uma gaveta e feche com chave. Costure uma foto do doutor Gilmar Mendes na boca de um sapo e enterre o sapo no lixão mais nojento que conhecer. Se milhares de jornalistas fizerem a simpatia, há grande chance de a PEC do diploma ser votada no Senado.
Para fazer a puta matéria e ganhar um Prêmio Esso:
Está amarrado? Sua carreira não progride? Livre-se da preguiça que te impede de sair às ruas para fazer grandes reportagens. Em uma bacia, coloque três copos de água, pedaços limpos de papel do seu bloquinho de anotações e pétalas de quatro rosas brancas. Molhe uma toalha amarela na água e a passe por todo o corpo. O ritual de purificação liberta o repórter de energias negativas, como o Google e o ar-condicionado da redação.
Para filar um rango mais decente em coletivas:
Se você não suporta mais comer canapezinho ou filé ao molho madeira com arroz e batatas, prepare um carré de cordeiro com cuscuz marroquino, harmonize com um Bordeaux tinto e leve tudo a uma encruzilhada. Velas especiais dão um charme à oferenda. Infalível. Em poucos dias, vai chover boca-livre chique. E, para não pagar mico à mesa, faça um curso de etiqueta, mesmo porque ainda não inventaram simpatia com este objetivo.
Para casar com alguém de outra profissão:
É uma simpatia três em uma. Ao casar com um(a) não-jornalista, você também atrai mais dinheiro e um parceiro mais estável (emocionalmente, profissionalmente, sexualmente e outros advérbios de modo). Mas não se trata de uma simpatia fácil. Depende de muita reza, muita vela, muito mel e muito sacrifício para trocar os deliciosos bares de jornalista por baladas cheias de gente careta e com um papo chato do caralho.
Para arrumar um emprego:
Descole uma imagem pequena de Santo Antônio do Bom Emprego, aquela em que ele segura uma pastinha com seu portfólio de matérias publicadas. Coloque o santo de cabeça para baixo em um copo de água e retire a pastinha de suas mãos. Só livre o danado do afogamento e lhe devolva o portfólio quando conseguir o emprego. Se em uma semana você não for chamado nem para uma entrevista, esqueça simpatias e melhore sua rede de contatos.
Pegue o diploma que você tinha plastificado para usar como toalha em refeições rápidas. Junte a ele um baralho de truco virgem, um livro de Marshall McLuhan e pétalas de duas rosas amarelas. Guarde tudo em uma gaveta e feche com chave. Costure uma foto do doutor Gilmar Mendes na boca de um sapo e enterre o sapo no lixão mais nojento que conhecer. Se milhares de jornalistas fizerem a simpatia, há grande chance de a PEC do diploma ser votada no Senado.
Para fazer a puta matéria e ganhar um Prêmio Esso:
Está amarrado? Sua carreira não progride? Livre-se da preguiça que te impede de sair às ruas para fazer grandes reportagens. Em uma bacia, coloque três copos de água, pedaços limpos de papel do seu bloquinho de anotações e pétalas de quatro rosas brancas. Molhe uma toalha amarela na água e a passe por todo o corpo. O ritual de purificação liberta o repórter de energias negativas, como o Google e o ar-condicionado da redação.
Para filar um rango mais decente em coletivas:
Se você não suporta mais comer canapezinho ou filé ao molho madeira com arroz e batatas, prepare um carré de cordeiro com cuscuz marroquino, harmonize com um Bordeaux tinto e leve tudo a uma encruzilhada. Velas especiais dão um charme à oferenda. Infalível. Em poucos dias, vai chover boca-livre chique. E, para não pagar mico à mesa, faça um curso de etiqueta, mesmo porque ainda não inventaram simpatia com este objetivo.
Para casar com alguém de outra profissão:
É uma simpatia três em uma. Ao casar com um(a) não-jornalista, você também atrai mais dinheiro e um parceiro mais estável (emocionalmente, profissionalmente, sexualmente e outros advérbios de modo). Mas não se trata de uma simpatia fácil. Depende de muita reza, muita vela, muito mel e muito sacrifício para trocar os deliciosos bares de jornalista por baladas cheias de gente careta e com um papo chato do caralho.
Para arrumar um emprego:
Descole uma imagem pequena de Santo Antônio do Bom Emprego, aquela em que ele segura uma pastinha com seu portfólio de matérias publicadas. Coloque o santo de cabeça para baixo em um copo de água e retire a pastinha de suas mãos. Só livre o danado do afogamento e lhe devolva o portfólio quando conseguir o emprego. Se em uma semana você não for chamado nem para uma entrevista, esqueça simpatias e melhore sua rede de contatos.
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