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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Imprensa Retrô 2013


A velha imprensa ficou perdidinha com os protestos de junho. Chamou manifestante de vândalo, depois elogiou a polícia, depois mudou o discurso total. Vinagre na mão de jornalista virou arma e deu cadeia. Bala de borracha doeu no olho e na alma. Os ninjas mostraram do asfalto o que a Globo tentou mostrar do helicóptero. As redes sociais pautaram a imprensa. E tudo isso reforçou a questão: qual o futuro do jornalismo? A audiência em queda do Jornal Nacional passou a ser exibida em HD. Bento 16 sacaneou a Ilze, ao renunciar bem nas férias da setorista papal. O El País chegou ao País. A Abril “descontinuou” várias revistas, como a Bravo!. Empresas de comunicação “descontinuaram” o emprego de jornalistas em todo o Brasil. Os bravos do Diário do Pará cruzaram os braços por mais dignidade. O pessoal da EBC também parou. Jornalista faz greve, sim. Pimenta Neves – que medo – passou a andar solto por aí. A Vejinha precisou provar que o Rei do Camarote não era pegadinha do Mallandro. O Fantástico trocou uma Renata por outra. A imprensa começou o ano babando ovo pro Eike e acabou o ano jogando ovo no Eike. O Globo, com meio século de atraso, admitiu que o apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro. Marcelo Rezende coçou o saco ao vivo no Cidade Alerta. A Poeta, com pressa de ver a novela, se levantou da bancada antes da hora. O Tralli chamou o Cheirão de Chorão, ops!, chamou o Chorão de Cheirão. E o Lobão virou colunista da Veja, o que torna o debate sobre o futuro do jornalismo ainda mais urgente, porque o bagulho ficou ainda mais foda.


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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Imprensa Retrô 2012


A “grávida” dos quadrigêmeos de Taubaté fez a imprensa dar a maior barrigada do ano. Com a aprovação da PEC 33 no Senado, o diploma de jornalismo deu sinais de vida, saiu da UTI e foi transferido para a enfermaria. Por outro lado, rolou um triste impressocídio no Brasil. Descansem em paz, Jornal da Tarde, Diário do Povo (Campinas), Diário de Natal, e outros mais. E não foi só aqui. A lendária Newsweek partiu dessa para uma vida digital. “Cereal killer” virou manchete de jornal. Teve repórter, que se achava grandes merdas, humilhando suspeito de crime numa delegacia na Bahia. O Datena – ah, o Datena – negociou com sequestrador libertação de reféns na TV. Sônia Abrão morreu de inveja. A Danuza Leão fez mimimi só porque hoje o porteiro do prédio dela também pode ir para Nova York ou Paris. Tadinha. Boris Casoy espirrou ao vivo no telejornal. A ex-panicat Nicole Bahls fez uma revelação chocante: antes de mostrar a bunda por aí, era estudante de jornalismo. Duda Rangel, enfim, publicou o seu livro, “A vida de jornalista como ela é”, uma homenagem ao centenário do Nelson Rodrigues. O Joelmir Beting resolveu ir pessoalmente dar os parabéns ao Nelson. E conversar um pouquinho sobre futebol, claro. O Brasil também perdeu o Millôr Fernandes, que um dia disse “o jornalismo é a mais emocionante e divertida profissão que eu conheço”. Só para variar um pouco, teve um monte de jornalista assassinado. Calado. O Brasil despencou 41 posições e fechou o ranking mundial da liberdade de imprensa em 99º lugar, o pior país da América Latina. O Clarín e a Cristina não deram trégua à velha treta. Esses dois aí nem com terapia de casal. O Galvão começou a soltar as suas pérolas no UFC. Na final do Mundial de Clubes, Mauro Naves abriu um off do Oscar e ganhou o Prêmio Nelson Rubens de Jornalismo 2012. A Globo assistiu à Olimpíada de Londres pela Record. A Ana Paula Padrão voltou a chamar a Record de Globo. E para quem acha que no jornalismo não há espaço à inovação e às mentes criativas, Nana Gouvêa aproveitou o furacão Sandy e criou um gênero: o ensaio sensual jornalístico colaborativo.


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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

As minhas retrospectivas


Estou entrando em férias. Nada como poder passar uns dias na praia, disputando um pedaço de areia com gente e bichos geográficos. Sim, blogueiros também têm direito a férias! Aviso os navegantes que este é o último post de 2010. Retorno ao blog em 11 de janeiro. Um detalhe: mesmo neste período de recesso do blog, seguirei no Twitter (@duda_rangel) com a retrospectiva dos melhores (ou piores) posts do ano.

2010 foi especial para o blog Desilusões perdidas. O número de leitores aumentou muito e o meu perfil no Twitter foi até escolhido como um dos melhores (ou piores) do ano pela Revista Bula. Deixo o meu singelo “obrigado pra caralho” a todos. Vocês são a minha motivação para continuar escrevendo. Obrigado aos que manifestaram sua opinião no blog e aos que não manifestaram também. Aos que sempre me apóiam, aos que ajudam a divulgar os meus escritos por aí.

Prometo que, em 2011, o blog será, enfim, adaptado em um livro. Se até a Vera Fischer lançou o seu livro, sinto que agora é uma questão de honra. Um maravilhoso novo ano a vocês, com todas as suas coisas boas e até os inevitáveis dissabores. Que a gente continue reclamando, amando o que faz (seja o que for) e, principalmente, sabendo rir sempre.

Como despedida, republico um post que tem tudo a ver com esta época do ano. Beijos e abraços do Duda.

Boa noite

Quando eu ainda era criança, sem pêlos no saco, descobri minha paixão pelo jornalismo. Eu achava o máximo acompanhar, entre o Natal e o réveillon, o noticiário da TV com o resumão dos acontecimentos do ano. Enquanto meus colegas sonhavam ser astronautas, pilotos de Fórmula 1 ou galãs de cinema, eu queria ser apresentador de retrospectiva. Meus pais não entendiam a minha escolha. "Pô, Duda, apresentador de retrospectiva?”

Era o despertar de um jornalista. Ao longo do ano, eu guardava jornais e revistas com informações sobre o Brasil e o mundo – nessa época, não havia descoberto ainda a Playboy, a Ele&Ela e as preciosidades suecas. Definia a pauta do programa, redigia as laudas para leitura. Tudo isso muitos anos antes de aprender (ou desaprender) jornalismo na faculdade. Me preparava para o grande dia: a apresentação da minha retrospectiva, que podia ser feita em qualquer parte da casa, desde que existisse uma mesa para servir de bancada.

Eu usava um paletó de meu pai, gigante para mim. Na parte de baixo, apenas bermuda e chinelos, afinal era assim que diziam trabalhar os apresentadores de TV. Adotei óculos, para dar mais seriedade. Não havia câmeras na minha frente; apenas uma platéia, ao vivo, composta por parentes e amigos da família. Gente que fazia o maior esforço para estar ali.

– Esse menino fala que seu sonho é ser jornalista. Isso é coisa de vagabundo! Ele não quer é estudar – murmurava uma tia.

Um dos meus maiores apoiadores era meu avô, que se dizia um visionário.

– Esse moleque ainda vai ser jornalista, trabalhar na Globo e comer toda a mulherada.

Como ele vibrava com o meu “boa noite” na abertura de cada edição do resumão de notícias, ano após ano. Para mim, aquele era também um momento mágico.

Aos poucos, a platéia e o meu desejo de apresentar retrospectivas foram diminuindo. Com o crescimento dos pêlos no saco, meus interesses de fim de ano mudaram. Ah, as preciosidades suecas! O programa morreu, mas a paixão pela profissão jamais. Tanto que virei jornalista, como previu vovô.

Só não cumpri o resto de sua profecia.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Imprensa Retrô 2010


Depois de longa agonia, desligaram os aparelhos do velho JB, tadinho. O titio William Bonner humanizou-se e virou sensação no Twitter. Teve repórter, que pautada pelo microblog, divulgou notícia falsa de uma corrida de cadeiras de rodas com Hebe Camargo no hospital. A Carolina Dieckmann nos ensinou o que é ser uma jornalista fake, mas muito fake. A campanha “Cala Boca, Galvão” ficou famosa na mídia internacional. Um monte de jornalista brasileiro foi assaltado na Copa da África do Sul. Dunga chamou o repórter da Globo Alex Escobar de cagão. O Felipão chamou repórteres esportivos de palhaços. O Tiago Leifert, acreditem, conseguiu ficar mais bonito que o Evaristo Costa. O jornalista Duda Rangel conseguiu atrasar o pagamento de apenas três meses de aluguel em todo o ano. A lésbica do BBB10 chocou papai e mamãe quando revelou para todo o Brasil que era jornalista. Pimenta Neves completou uma década de liberdade desde que matou a ex-namorada pelas costas. Armando Nogueira se foi. O Glauco também. Mas a jornalista Carolina Dieckmann, que tinha que morrer, não morreu. Até a ONG Repórteres Sem Fronteiras concordou com sua execução. O senador Romeu Tuma partiu desta para uma melhor (ou pior) um mês depois de a Folha.com ter antecipado sua partida. Chico Buarque cantou seus clássicos jornalísticos no blog Desilusões perdidas. O “rei” Roberto Carlos também. O Datena continuou chato. O Lula continuou atacando a imprensa. E sendo atacado. Vários veículos de comunicação viraram partidos políticos na eleição. O Estadão, ainda sob censura da família Sarney, demitiu colunista por “delito de opinião”. A Folha de S.Paulo tratou de acabar com a Falha de S.Paulo. Teve jornalista que se envolveu em quebra de sigilo fiscal e virou notícia na campanha eleitoral. Cid Moreira lançou sua biografia no mesmo ano em que Fiuk e Geisy Arruda lançaram as suas. Nunca se discutiu tanto liberdade de imprensa e controle de mídia sem se chegar a lugar algum. O jornalista Duda Rangel, pelo vigésimo ano consecutivo, não ganhou o Prêmio Esso.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Imprensa Retrô 2009


O diploma caiu. A violência contra os jornalistas subiu. A Globo brigou com a Record. A Record brigou com a Globo. Duas jornalistas quase saíram no tapa por uma entrevista. A Gazeta Mercantil morreu. A Silvia Poppovic ressuscitou. O “jornalismo” do Ratinho voltou. O Milton Neves ficou de mal do Roberto Justus. Anunciaram de novo a “morte” do jornal impresso. O Twitter virou fonte de informação. O Gay Talese, na Flip, convocou os jornalistas a levantarem a bunda da cadeira e irem para a rua. O Sarney calou o Estadão. A Folha criou a “ditabranda”. O Brasil ficou atrás do Haiti no ranking da liberdade de imprensa. O Planalto lançou seu blog (sem espaço para comentários). Jornais declararam guerra ao blog da Petrobras. O Jornal Nacional completou 40 anos, com o pior índice de audiência de sua história. Uma jornalista foi finalista do Big Brother Brasil. Nenhuma jornalista engravidou de senador. O Zé Bob resgatou a magia do jornalismo investigativo. A prótese (dentária) do Wagner Montes voou no Balanço Geral. O Tomás Turbano ganhou os telejornais. Paula Tejano também. As pupilas do Caco Barcellos, como sempre, bateram um bolão. O Galvão Bueno falou muita abobrinha no acidente do Massa. O Luciano do Valle chamou a Band de Globo. O Vampeta virou comentarista esportivo. O Britto Jr. decidiu ser Pedro Bial. O Alborghetti foi para o inferno. A desgraça do Duda Rangel ficou conhecida em todo o Brasil. O Fantástico quis virar TV Fama. O Globo Esporte de São Paulo quis virar Pânico na TV. Lula criticou a imprensa. Fomos culpados pelas mazelas do Congresso. E nenhum jornalista, infelizmente, deu uma sapatada no Gilmar Mendes!

Mas 2010 está aí, minha gente!