Alô? Opa, é o Clark. Isso, Clark Kent. Tudo em paz, meu querido? Então, eu tô te ligando pra dizer que eu saí do Daily Planet. Isso, eu saí, semana passada, tô aí na batalha e se você precisar de alguma coisa, é só dizer. Pode ser frila, frila fixo, cobertura de férias, licença médica, o que vier nóis pega. Eu tô bem, sim. Dentro do possível, claro. Ninguém que deixa o emprego depois de tantos anos tá beeeem, mas a gente vai levando. Vida de jornalista é isso aí. É, mudou o comando do Daily Planet, isso você tava sabendo então? Os caras já chegaram mexendo em tudo e têm rabo preso com o prefeito, com meio mundo. Então eu falei “quer saber? Vou cair fora desta merda”. E saí. A Lois tá lá ainda. Tá. Até quando eu não sei. Não que antes a gente tivesse muita liberdade, mas a coisa piorou com o novo comando. Liberdade total não existe pra jornalista nenhum. É mais fácil o Lex Luthor ir pra cadeia do que a gente ter 100% de liberdade (risos). Eu acho que fecha, sim. Não demora muito e o Daily Planet acaba ou vira uma versão só digital. E tem jeito? Parece o destino de todo impresso. Aí o dono vem com aquele papinho de estratégia de multiplataforma integrada. A verdade é que o jornal impresso tá condenado. Vamos combinar? Não se renova, não encanta mais o leitor. Eu adoraria fazer uma reportagem especial com o Super-Homem salvando o jornal impresso, mas nem ele vai conseguir salvar. Pois é, a gente tá tudo fodido (risos). Então é isso, querido. Qualquer coisa, é só ligar. Aluguel em Metropolis tá caro demais. Me ajuda aí ou eu acabo virando blogueiro (risos). Mais um jornalista blogueiro no mundo. Aí danou-se de vez (risos). Então, é isso. Obrigado, viu? Um beijo para a patroa. Tchau, querido, tchau.
Clark desliga o telefone, se esparrama no sofá, liga a TV, dá uma coçada básica no saco e começa a assistir a um programa vespertino de culinária. Curte o ócio. Até alguma mocinha indefesa clamar por socorro.
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quarta-feira, 31 de outubro de 2012
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
O insólito caso da piriguete com nome cheio de consoante
(Checar a grafia do nome da piriguete).
Puta que pariu! Foi só acordar, abrir o jornal e entrar em pânico. A observação ainda estava lá. Publicada. Terceira linha do quinto parágrafo. Mico-mor da minha carreira!
É o que dá fazer na pressa, não revisar o texto. E o editor que deixou passar? Putz, eu sempre tão cuidadoso.
A piriguete é uma das personagens da matéria, uma estudante. Protesto na Paulista pelo direito de ouvir música no iPod durante as aulas. Ela chamava a atenção. A única de microssaia e salto alto. Mas tinha um nome difícil, daqueles cheios de consoante, sabe? Tipo islandês, russo, sei lá.
Nos portais de informação da internet, a gente faz merda, vai lá e corrige. Impresso é diferente. Não tem como abortar informação indesejada. Impresso não tem pílula do dia seguinte.
A chefia gosta de mim, não devo perder o emprego, mas a vergonha tortura. Meu nome lá. Assinado. Vão me dizer que amanhã a vergonha passa, a gente esquece, a vida segue. Só que o hoje é uma eternidade.
Daqui a pouco chego à redação. Já estou até vendo: a galera rindo, sacaneando. Vou ganhar apelido novo: Paulo Piriguete. O Pê Pê. Vou entrar para os anais da imprensa. Virar piada em show do Maurício Menezes.
Será que alguém vai me reconhecer na rua, apontar aquele dedo que diz “ó lá o cara que escreveu piriguete no jornal”? Tormento. Sou o próprio Raskolnikov. Ras-kol-ni-kov. Porra, escrevi certo?
Medo de acessar a web. E-mails aos montes? Uma mensagem indignada da piriguete? E se eu parar nas redes sociais? Nos TTs mundiais? A cagada do repórter viralizada!
Nunca mais deixo este tipo de observação nos textos. E o principal: não entrevisto mais gente com nome difícil. Com nome cheio de consoante. Tipo islandês, russo, sei lá. E imaginar que no protesto tinha um monte de menina com cara de Maria da Graça. Rita de Cássia. Simples. Assim.
Puta que pariu! Foi só acordar, abrir o jornal e entrar em pânico. A observação ainda estava lá. Publicada. Terceira linha do quinto parágrafo. Mico-mor da minha carreira!
É o que dá fazer na pressa, não revisar o texto. E o editor que deixou passar? Putz, eu sempre tão cuidadoso.
A piriguete é uma das personagens da matéria, uma estudante. Protesto na Paulista pelo direito de ouvir música no iPod durante as aulas. Ela chamava a atenção. A única de microssaia e salto alto. Mas tinha um nome difícil, daqueles cheios de consoante, sabe? Tipo islandês, russo, sei lá.
Nos portais de informação da internet, a gente faz merda, vai lá e corrige. Impresso é diferente. Não tem como abortar informação indesejada. Impresso não tem pílula do dia seguinte.
A chefia gosta de mim, não devo perder o emprego, mas a vergonha tortura. Meu nome lá. Assinado. Vão me dizer que amanhã a vergonha passa, a gente esquece, a vida segue. Só que o hoje é uma eternidade.
Daqui a pouco chego à redação. Já estou até vendo: a galera rindo, sacaneando. Vou ganhar apelido novo: Paulo Piriguete. O Pê Pê. Vou entrar para os anais da imprensa. Virar piada em show do Maurício Menezes.
Será que alguém vai me reconhecer na rua, apontar aquele dedo que diz “ó lá o cara que escreveu piriguete no jornal”? Tormento. Sou o próprio Raskolnikov. Ras-kol-ni-kov. Porra, escrevi certo?
Medo de acessar a web. E-mails aos montes? Uma mensagem indignada da piriguete? E se eu parar nas redes sociais? Nos TTs mundiais? A cagada do repórter viralizada!
Nunca mais deixo este tipo de observação nos textos. E o principal: não entrevisto mais gente com nome difícil. Com nome cheio de consoante. Tipo islandês, russo, sei lá. E imaginar que no protesto tinha um monte de menina com cara de Maria da Graça. Rita de Cássia. Simples. Assim.
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011
O dia em que a Morte visitou o Jornal Impresso
- A Morte me visitando?
- A Morte. Nunca ouviu falar?
- Porra, claro que sim. Mas por que hoje, agora?
- Porque é a sua vez, ora. Todo dia visito alguém.
- A senhora vai me desculpar, mas hoje eu não estou pra brincadeira.
- Posso ao menos entrar? Podemos conversar com civilidade?
(Minutos depois, ambos tomam um café na sala)
- Sabia, dona Morte, que a senhora já me visitou antes?
- Ah, é? E quando foi? (colocando o adoçante)
- Quando inventaram a televisão.
- Mas isso faz muito tempo. Devia ser outra Morte. Eu estou no ramo há 15 anos apenas.
- Que seja. Mas era a Morte. A televisão vai acabar com você, me ameaçou. Hora de ir, de descansar. E cá estou eu, vivinho da silva.
- Eu não vim aqui para discutir o passado. O que me importa é o hoje. E hoje eu tenho ordens para te levar. Entendo que ninguém quer ir, mas é o meu trabalho.
- Pior que até sei a justificativa desta vez.
- A razão está aqui, no mandado de busca.
- Então, leia. Só para confirmar minha suspeita.
- Causa: pre-fe-rên-cia do pú-bli-co pela no-tí-cia na in-ter-net.
- Putz, que falta de originalidade! A velha história de que uma nova tecnologia de comunicação vai decretar o meu fim.
- Já disse, só cumpro ordens.
- Lamento, mas a senhora se deu mal. Pode acabar o seu café, levantar e ir embora.
- De mãos vazias, eu não saio.
(Silêncio)
- Bom, dona Morte, podemos negociar então?
- Podemos, mas não me venha com a merda do jogo de xadrez que isso é a coisa mais clichê que existe.
- Claro, sem jogo de xadrez. Também sou contra o clichê, embora viva cheio deles.
- Quero que você me dê três bons motivos para não ser levado. Se forem convincentes, deixo você viver por mais um tempo.
- Três?
- Isso, só três.
- Mas assim, pá-pum, sem pensar?
- Pá-pum! Estou dando a você a chance de salvar essa sua pele cheia de tinta. E não vale falar do feirante que enrola peixe, ok? Isso não é argumento.
- Bom, senhora Morte, digo que aceito sua proposta, mas peço 24 horas para responder. É justo, não? Quero fazer a coisa bem-feita.
- Amanhã à tarde, estou aqui. Sem atraso.
(E a Morte foi embora. Mal fechou a porta, ele correu para o escritório, abriu seu notebook e tratou de jogar a frase “razões para o jornal impresso não morrer” no Google)
- A Morte. Nunca ouviu falar?
- Porra, claro que sim. Mas por que hoje, agora?
- Porque é a sua vez, ora. Todo dia visito alguém.
- A senhora vai me desculpar, mas hoje eu não estou pra brincadeira.
- Posso ao menos entrar? Podemos conversar com civilidade?
(Minutos depois, ambos tomam um café na sala)
- Sabia, dona Morte, que a senhora já me visitou antes?
- Ah, é? E quando foi? (colocando o adoçante)
- Quando inventaram a televisão.
- Mas isso faz muito tempo. Devia ser outra Morte. Eu estou no ramo há 15 anos apenas.
- Que seja. Mas era a Morte. A televisão vai acabar com você, me ameaçou. Hora de ir, de descansar. E cá estou eu, vivinho da silva.
- Eu não vim aqui para discutir o passado. O que me importa é o hoje. E hoje eu tenho ordens para te levar. Entendo que ninguém quer ir, mas é o meu trabalho.
- Pior que até sei a justificativa desta vez.
- A razão está aqui, no mandado de busca.
- Então, leia. Só para confirmar minha suspeita.
- Causa: pre-fe-rên-cia do pú-bli-co pela no-tí-cia na in-ter-net.
- Putz, que falta de originalidade! A velha história de que uma nova tecnologia de comunicação vai decretar o meu fim.
- Já disse, só cumpro ordens.
- Lamento, mas a senhora se deu mal. Pode acabar o seu café, levantar e ir embora.
- De mãos vazias, eu não saio.
(Silêncio)
- Bom, dona Morte, podemos negociar então?
- Podemos, mas não me venha com a merda do jogo de xadrez que isso é a coisa mais clichê que existe.
- Claro, sem jogo de xadrez. Também sou contra o clichê, embora viva cheio deles.
- Quero que você me dê três bons motivos para não ser levado. Se forem convincentes, deixo você viver por mais um tempo.
- Três?
- Isso, só três.
- Mas assim, pá-pum, sem pensar?
- Pá-pum! Estou dando a você a chance de salvar essa sua pele cheia de tinta. E não vale falar do feirante que enrola peixe, ok? Isso não é argumento.
- Bom, senhora Morte, digo que aceito sua proposta, mas peço 24 horas para responder. É justo, não? Quero fazer a coisa bem-feita.
- Amanhã à tarde, estou aqui. Sem atraso.
(E a Morte foi embora. Mal fechou a porta, ele correu para o escritório, abriu seu notebook e tratou de jogar a frase “razões para o jornal impresso não morrer” no Google)
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quarta-feira, 21 de julho de 2010
A vaidade do entrevistado
Janice estava ansiosa para saber se tinha ficado bem na foto. Morria de medo de parecer feia, velha, gorda. O texto não importava tanto, mas a foto era essencial. Deveria ligar ou não? Se ligasse, poderia bancar a chata. E detestava ser desagradável. Não, não ligaria. Mas, analisando por um outro lado, se ligasse, sossegaria o espírito. Pegou o celular.
- Oi, Pablo, tudo bem? É a Janice.
- Janice?
- É, Janice. Nos falamos anteontem. Lembra?
- Na Rua Augusta? Sim, você é a menina da minissaia dourada, coxa grossa...
- Nããão! Eu sou a fisioterapeuta. Fui indicada pela minha amiga Andréa, que trabalha com você. Você me entrevistou para a matéria sobre mulheres que, após o fim do casamento, recorrem à companhia de animais de estimação para superar o trauma.
Pablo ficou constrangido com a confusão, mas logo retomou a conversa.
- Sim, sim, Janice, claro, a que conversa com os cinco poodles que tem no apartamento.
- Exatamente, Pablo! Todas as tardes. Eles são os meus queridos!
- Em que posso ajudá-la, Janice?
- Então, eu sei que devo parecer chata, mas eu queria saber quando vai ser publicada a reportagem. Eu comprei o jornal de ontem, o de hoje e notei que não saiu nada.
- Janice, deixa eu te explicar uma coisa: jornal é meio maluco. A gente nunca sabe quando algumas matérias vão sair, principalmente as matérias frias.
Pablo aconselhou Janice a comprar as edições dos dias seguintes até encontrar a matéria e tratou logo de encerrar o papo.
Janice não gostou da conversa. Sentiu-se uma idiota. Não devia mesmo ter ligado. Ficou ainda mais ansiosa. E, além de tudo, foi confundida com uma puta brega da Augusta. E essa história de comprar o jornal todo dia? É estratégia de marketing, com certeza. Esses caras fazem de tudo para vender jornal.
Mesmo indignada com a imprensa escrota que ilude pessoas de bem como ela só para comprarem jornal por toda a eternidade, Janice garantiu a edição do dia seguinte e dos dias seguintes ao seguinte. E nada. Sentia-se um lixo. A foto dela deveria ter ficado uma merda. Sim, eles resolveram jogar a matéria no lixo porque a foto ficou uma merda. Foi exatamente um dia antes de ela retocar a marroquina. Deveria ligar para o jornal e oferecer uma imagem de seus álbuns particulares? Poderia escolher a melhor de todas, uma bem bonitona, com cabelos escovados, em alta resolução. Sim, mandaria a foto da viagem que fez para Serra Negra, com um dos poodles. Mas depois mudou de idéia. Pareceria ainda mais idiota. Era melhor esquecer essa bobagem toda.
Justamente na manhã seguinte, em que não correu feito louca até a banca, acordou com uma mensagem em sua secretária eletrônica. Era uma amiga, perguntando se a Janice de Souza que apareceu na matéria do jornal era ela mesma. Claro que era ela. Será que ficou tão irreconhecível assim na foto? Apressou-se em chegar ao jornaleiro. Lá, pegou um exemplar em exposição, procurou o caderno, a página, a matéria. Jogou o resto no chão.
Cadê a foto? À “fisioterapeuta Janice de Souza, 44 anos” – “43, porra!” – foram reservadas poucas linhas. E nenhuma foto. Havia fotos de outras duas personagens, uma loira gostosona com um golden retriever e uma morena gostosona com um gato siamês. Mas nenhuma dela. Soltou o resto do jornal que estava em suas mãos no chão e foi embora, chorando. Naquela tarde, não conversou com os poodles.
Leia também: "A mentira que a vaidade do jornalista quer"
- Oi, Pablo, tudo bem? É a Janice.
- Janice?
- É, Janice. Nos falamos anteontem. Lembra?
- Na Rua Augusta? Sim, você é a menina da minissaia dourada, coxa grossa...
- Nããão! Eu sou a fisioterapeuta. Fui indicada pela minha amiga Andréa, que trabalha com você. Você me entrevistou para a matéria sobre mulheres que, após o fim do casamento, recorrem à companhia de animais de estimação para superar o trauma.
Pablo ficou constrangido com a confusão, mas logo retomou a conversa.
- Sim, sim, Janice, claro, a que conversa com os cinco poodles que tem no apartamento.
- Exatamente, Pablo! Todas as tardes. Eles são os meus queridos!
- Em que posso ajudá-la, Janice?
- Então, eu sei que devo parecer chata, mas eu queria saber quando vai ser publicada a reportagem. Eu comprei o jornal de ontem, o de hoje e notei que não saiu nada.
- Janice, deixa eu te explicar uma coisa: jornal é meio maluco. A gente nunca sabe quando algumas matérias vão sair, principalmente as matérias frias.
Pablo aconselhou Janice a comprar as edições dos dias seguintes até encontrar a matéria e tratou logo de encerrar o papo.
Janice não gostou da conversa. Sentiu-se uma idiota. Não devia mesmo ter ligado. Ficou ainda mais ansiosa. E, além de tudo, foi confundida com uma puta brega da Augusta. E essa história de comprar o jornal todo dia? É estratégia de marketing, com certeza. Esses caras fazem de tudo para vender jornal.
Mesmo indignada com a imprensa escrota que ilude pessoas de bem como ela só para comprarem jornal por toda a eternidade, Janice garantiu a edição do dia seguinte e dos dias seguintes ao seguinte. E nada. Sentia-se um lixo. A foto dela deveria ter ficado uma merda. Sim, eles resolveram jogar a matéria no lixo porque a foto ficou uma merda. Foi exatamente um dia antes de ela retocar a marroquina. Deveria ligar para o jornal e oferecer uma imagem de seus álbuns particulares? Poderia escolher a melhor de todas, uma bem bonitona, com cabelos escovados, em alta resolução. Sim, mandaria a foto da viagem que fez para Serra Negra, com um dos poodles. Mas depois mudou de idéia. Pareceria ainda mais idiota. Era melhor esquecer essa bobagem toda.
Justamente na manhã seguinte, em que não correu feito louca até a banca, acordou com uma mensagem em sua secretária eletrônica. Era uma amiga, perguntando se a Janice de Souza que apareceu na matéria do jornal era ela mesma. Claro que era ela. Será que ficou tão irreconhecível assim na foto? Apressou-se em chegar ao jornaleiro. Lá, pegou um exemplar em exposição, procurou o caderno, a página, a matéria. Jogou o resto no chão.
Cadê a foto? À “fisioterapeuta Janice de Souza, 44 anos” – “43, porra!” – foram reservadas poucas linhas. E nenhuma foto. Havia fotos de outras duas personagens, uma loira gostosona com um golden retriever e uma morena gostosona com um gato siamês. Mas nenhuma dela. Soltou o resto do jornal que estava em suas mãos no chão e foi embora, chorando. Naquela tarde, não conversou com os poodles.
Leia também: "A mentira que a vaidade do jornalista quer"
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sexta-feira, 20 de março de 2009
Um tesouro digitalizado
Muito se discute no mundinho da imprensa o destino do papel. Será substituído por sua versão on-line? Ainda é cedo para saber como será o jornal do futuro, mas as edições passadas, as de arquivo, já foram transformadas em documentos eletrônicos. Em diversas redações, essas edições estão digitalizadas e acessíveis por avançados mecanismos de busca, em poucos cliques.
Sou do tempo do velho arquivão de papel. Sentar a uma mesa com jornais inteiros ou uma pilha de pastas, repletas de recortes, era uma verdadeira viagem ao passado. Ao folhear aquelas páginas amareladas pelo tempo e com um cheirinho de coisa velha, em busca do tema de meu interesse, eu acabava sempre me entretendo por outro assunto qualquer. Uma foto antiga, uma reportagem esquecida. Resgatava o nome de ilustres coleguinhas e percebia a evolução do jornal impresso, em textos e imagens, ao longo dos anos. Uma aula de jornalismo.
Eram edições guardadas como tesouros preciosos, à espera de seus descobridores. Páginas que escaparam do cruel destino de forrar gaiolas ou enrolar bananas na feira. Tudo bem que o processo de pesquisa era lento, trabalhoso e ecologicamente bem irresponsável – voltava para minha mesa com um calhamaço de papel xerocado embaixo do braço. Mas como eu adorava as fugas para a sala do arquivo. Minhas mãos ficavam sujas com aqueles papéis imundos. E tão ricos em história.
Sou do tempo do velho arquivão de papel. Sentar a uma mesa com jornais inteiros ou uma pilha de pastas, repletas de recortes, era uma verdadeira viagem ao passado. Ao folhear aquelas páginas amareladas pelo tempo e com um cheirinho de coisa velha, em busca do tema de meu interesse, eu acabava sempre me entretendo por outro assunto qualquer. Uma foto antiga, uma reportagem esquecida. Resgatava o nome de ilustres coleguinhas e percebia a evolução do jornal impresso, em textos e imagens, ao longo dos anos. Uma aula de jornalismo.
Eram edições guardadas como tesouros preciosos, à espera de seus descobridores. Páginas que escaparam do cruel destino de forrar gaiolas ou enrolar bananas na feira. Tudo bem que o processo de pesquisa era lento, trabalhoso e ecologicamente bem irresponsável – voltava para minha mesa com um calhamaço de papel xerocado embaixo do braço. Mas como eu adorava as fugas para a sala do arquivo. Minhas mãos ficavam sujas com aqueles papéis imundos. E tão ricos em história.
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