Abrir cabeças, despertar inquietações.
Acumular mais este emprego, afinal, quem não tá precisando de grana?
Treinar nos alunos o olhar que só os olhos do jornalista têm.
Convencer os estudantes (e a si próprio) de que o diploma ainda tem valor, sim.
Falar das boas técnicas, mas, sobretudo, das boas atitudes.
Ler um “menas violência” no texto de um aluno e pensar “porra, tá na faculdade e ainda não aprendeu o português”.
Reconhecer seus próprios erros, assumir suas crises.
Pedir pro aluno ler um texto do Habermas de 200 páginas quando ele está com um puta tesão de ir pra rua encontrar a notícia.
Confiar que até os ensinamentos mais banais um dia serão úteis.
Recomendar a leitura do livro “A vida de jornalista como ela é”, do Duda Rangel.
Entender que “a academia” e “o mercado” precisam ser bons amigos. Ou até algo a mais.
Dar um esporro no aluno que fica de papo furado durante a aula.
Ficar de papo furado com o mesmo aluno no bar após a aula.
Mostrar a dureza da profissão sem desmotivar, falar das coisas boas sem iludir.
Explicar que o temido TCC causa, no máximo, um friozinho bobo na barriga.
Encher o peito e dizer cheio de orgulho: vocês vão ser jornalistas. E isso não é pouca merda, não.
Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.
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terça-feira, 15 de outubro de 2013
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
TCC
O TCC é uma aporrinhação para o estudante de Jornalismo. Um esforço danado pra quem passou quase quatro anos numa vida serena, entre aulinhas sem graça e a cervejinha no bar. Com o TCC, são meses de abstinência social. Pode ser monografia, livro-reportagem, documentário. Não importa. É um trabalho de conclusão de curso que teima em nunca acabar.
TCC requer criatividade pra escolher um tema original. Sorte pra descolar um orientador gente boa. Madrugadas de leitura. Debates em grupo de avivar gastrite nervosa. Pesquisas, entrevistas, páginas e páginas de citações teóricas. Revisa aqui, compila ali, encaixa acolá. Trabalhos que mais parecem um Frankenstein. Tem estudante que surta. Tem estudante que enfim descobre onde fica a biblioteca da faculdade.
TCC tem dedicatória brega do aluno à família que o apoiou. E penou para pagar o curso. À paciência do orientador, sempre com tempo curto e mil outros projetos para acompanhar. TCC tem a porra da formatação da ABNT. Papel branco A4, Times corpo 12, margem de 3 centímetros à esquerda, parágrafo com recuo de 2 centímetros, referência bibliográfica assim, sumário assado, não sei o quê em itálico, em caixa baixa, em caixa alta.
TCC exige sangue-frio do estudante para lidar com o furo de um dos membros da banca às vésperas da banca. Agilidade para conseguir um substituto pra ontem. É uma mistura de tensão e ansiedade até a apresentação final do trabalho, quando o professor-orientador, do alto de sua sabedoria acadêmica, atesta que seu pupilo está apto para ser JORNALISTA!!! Papai e mamãe ficam orgulhosos. Todos se abraçam, riem, choram.
Então, o jornalista cai no mercado de trabalho e descobre que fazer um TCC é algo até bem sossegado, sabe?
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TCC requer criatividade pra escolher um tema original. Sorte pra descolar um orientador gente boa. Madrugadas de leitura. Debates em grupo de avivar gastrite nervosa. Pesquisas, entrevistas, páginas e páginas de citações teóricas. Revisa aqui, compila ali, encaixa acolá. Trabalhos que mais parecem um Frankenstein. Tem estudante que surta. Tem estudante que enfim descobre onde fica a biblioteca da faculdade.
TCC tem dedicatória brega do aluno à família que o apoiou. E penou para pagar o curso. À paciência do orientador, sempre com tempo curto e mil outros projetos para acompanhar. TCC tem a porra da formatação da ABNT. Papel branco A4, Times corpo 12, margem de 3 centímetros à esquerda, parágrafo com recuo de 2 centímetros, referência bibliográfica assim, sumário assado, não sei o quê em itálico, em caixa baixa, em caixa alta.
TCC exige sangue-frio do estudante para lidar com o furo de um dos membros da banca às vésperas da banca. Agilidade para conseguir um substituto pra ontem. É uma mistura de tensão e ansiedade até a apresentação final do trabalho, quando o professor-orientador, do alto de sua sabedoria acadêmica, atesta que seu pupilo está apto para ser JORNALISTA!!! Papai e mamãe ficam orgulhosos. Todos se abraçam, riem, choram.
Então, o jornalista cai no mercado de trabalho e descobre que fazer um TCC é algo até bem sossegado, sabe?
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Dia do professor (de jornalismo)
Em homenagem ao dia do professor, em especial ao de jornalismo, republico trechos de um antigo post sobre a arte (ou não, como diria Caetano) de ensinar a profissão.
Desempregado, já pensei em fazer cada coisa pra sobreviver que fico até constrangido em revelar aqui, neste blog quase decente, quase de família. Entre as idéias publicáveis, dar aulas de jornalismo foi uma delas. Seria um bom professor? Ou prestaria um grande desserviço ao ensino superior brasileiro? Em minhas divagações, rolou até um embate entre um Duda que quer muito ser professor e um Duda que deseja passar longe das salas de aula.
Duda que quer ser professor: O lance é dar aula, cara! Imagine a grande oportunidade que a gente teria de transmitir conhecimento aos jovens. Isso é o que vale a pena na vida!
Duda que não quer: Mas como? Numa sala de 80 alunos? Não vão nem ouvir a gente!
Duda que quer: Se metade ouvir já está ótimo. Você não percebe a nobreza da missão?
Duda que não quer: Metade vai ficar ouvindo música num iPod durante a nossa aula! E a outra metade, sei lá...
Duda que quer: Tá bom. Então esquece o lance nobre da coisa e sejamos práticos. Há quanto tempo as contas da luz e da água estão atrasadas? E o aluguel?
Duda que não quer: Você acha que a gente vai ganhar muito dinheiro como professor? Pagam uma miséria! Pior que redação. E a gente também nem tem mestrado.
Duda que quer: Tem um monte de faculdade que não exige mestrado. Até preferem, sabia?
Duda que não quer: A gente não vai dar aula e ponto final. A verdade é que a gente não gosta disso.
Duda que quer: Você não gosta. Fale por você!
Duda que não quer: Tá bom, tá bom. EU NÃO GOSTO.
Instantes de silêncio...
Duda que quer: E as menininhas? Nem por elas? Já imaginou quantas, daquelas bem gostosas, assistiriam às nossas aulas, loucas por aprender jornalismo, loucas por sei lá mais o quê?
Duda que não quer: (riso) Meu Deus, estamos velhos!
Duda que quer: Velho é você! Velho e viado!
Desempregado, já pensei em fazer cada coisa pra sobreviver que fico até constrangido em revelar aqui, neste blog quase decente, quase de família. Entre as idéias publicáveis, dar aulas de jornalismo foi uma delas. Seria um bom professor? Ou prestaria um grande desserviço ao ensino superior brasileiro? Em minhas divagações, rolou até um embate entre um Duda que quer muito ser professor e um Duda que deseja passar longe das salas de aula.
Duda que quer ser professor: O lance é dar aula, cara! Imagine a grande oportunidade que a gente teria de transmitir conhecimento aos jovens. Isso é o que vale a pena na vida!
Duda que não quer: Mas como? Numa sala de 80 alunos? Não vão nem ouvir a gente!
Duda que quer: Se metade ouvir já está ótimo. Você não percebe a nobreza da missão?
Duda que não quer: Metade vai ficar ouvindo música num iPod durante a nossa aula! E a outra metade, sei lá...
Duda que quer: Tá bom. Então esquece o lance nobre da coisa e sejamos práticos. Há quanto tempo as contas da luz e da água estão atrasadas? E o aluguel?
Duda que não quer: Você acha que a gente vai ganhar muito dinheiro como professor? Pagam uma miséria! Pior que redação. E a gente também nem tem mestrado.
Duda que quer: Tem um monte de faculdade que não exige mestrado. Até preferem, sabia?
Duda que não quer: A gente não vai dar aula e ponto final. A verdade é que a gente não gosta disso.
Duda que quer: Você não gosta. Fale por você!
Duda que não quer: Tá bom, tá bom. EU NÃO GOSTO.
Instantes de silêncio...
Duda que quer: E as menininhas? Nem por elas? Já imaginou quantas, daquelas bem gostosas, assistiriam às nossas aulas, loucas por aprender jornalismo, loucas por sei lá mais o quê?
Duda que não quer: (riso) Meu Deus, estamos velhos!
Duda que quer: Velho é você! Velho e viado!
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