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quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Encontros e desencontros
A nova estagiária de Política ama o editor-executivo do jornal, que dá em cima da repórter especial de Economia, que é apaixonada pelo diagramador de Esportes, que vive atrás da foca de Cultura, que suspira pelo crítico de Teatro, que fica todo assanhado com o redator de Internacional, que quase perde o deadline por causa da fotógrafa da Coluna Social, que fica molhadinha com a editora-assistente de Turismo, que até esquece o salário de merda que ganha quando vê o chefe da Arte, que trairia a mulher numa boa por uma noitada com a secretária do Arquivo, que não tira os olhos do estagiário do caderno de Tecnologia, que tem sonhos eróticos com a colunista do Suplemento Feminino, que está louca para agarrar o motorista negão e sarado, que quer “traçar” a pauteira de Geral, que planeja dar para o diretor de Redação, que já comprou caixas de Viagra na esperança de comer a repórter de Sustentabilidade, que todo mundo sabe que é lésbica. Menos ele.
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sexta-feira, 2 de julho de 2010
Classificados
Como os profissionais da imprensa, loucos por um emprego ou por um frila, anunciariam seus préstimos jornalísticos em classificados iguais àqueles de sacanagem dos jornais.
Bianca, Dezinha e Lolita, universitárias, iniciantes
Amigas e loucas por um estágio. Servem até cafezinho na redação.
Cirilo, 28A, ativo e passivo
Atuo dos dois lados, como jornalista ou assessor de imprensa.
Disk Frila Privê 24 horas
20 jornalistas esperando por você. Sua matéria em ótimas mãos.
Emanuelle, coroa, faço de tudo
Repórter experiente. Apuro, checo, redijo, edito e reviso. Texto final garantido.
Escort homens e mulheres para viagens
Repórteres para acompanhar eventos. Bilíngües. Educados.
Fabinho, ético e sigiloso
Não revelo minhas fontes; guardo off sempre.
Michiko, 22A, oriental
R$ 150,00 a lauda. Atendimento em redação ou em minha casa.
Nando, fotógrafo, aventureiro
Para pautas radicais. Faço também festas de casamento e bailes de debutantes.
Pedrão, mulato bom de pauta, lauda de 30 linhas
Faço as leitoras enlouquecerem com os meus textos. A maior lauda do mercado.
Bianca, Dezinha e Lolita, universitárias, iniciantes
Amigas e loucas por um estágio. Servem até cafezinho na redação.
Cirilo, 28A, ativo e passivo
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Disk Frila Privê 24 horas
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Emanuelle, coroa, faço de tudo
Repórter experiente. Apuro, checo, redijo, edito e reviso. Texto final garantido.
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Fabinho, ético e sigiloso
Não revelo minhas fontes; guardo off sempre.
Michiko, 22A, oriental
R$ 150,00 a lauda. Atendimento em redação ou em minha casa.
Nando, fotógrafo, aventureiro
Para pautas radicais. Faço também festas de casamento e bailes de debutantes.
Pedrão, mulato bom de pauta, lauda de 30 linhas
Faço as leitoras enlouquecerem com os meus textos. A maior lauda do mercado.
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quarta-feira, 23 de junho de 2010
O sexo e o jornalismo
Conheça algumas expressões geralmente ligadas ao ato sexual – ou à sacanagem, se você preferir – que também estão presentes no universo dos jornalistas.
As preliminares
Os repórteres de televisão dão uma atenção mais especial às preliminares. Antes da entrada ao vivo ou de gravarem uma passagem para a matéria, arrumam os cabelos, retocam a maquiagem, checam se o feijão do almoço não persiste entre os dentes. Alguns, mais atenciosos, fazem aqueles exercícios de aquecimento das cordas vocais. E o mais importante para que tudo role de forma mais prazerosa e no timing certo é não esquecer de contar “um, dois, três” antes de entrar. Alguns focas, ansiosos, pulam toda esta etapa de preliminares e vão direto ao link ou à gravação. É a chamada ejaculação jornalística precoce.
A masturbação
O jornalista conseguiu apurar informação para, no máximo, 20 linhas, mas ganhou um espaço de 40 linhas para escrever sua matéria. E agora, o que fazer? Haja imaginação! Discreto, o jornalista afasta-se dos colegas para poder concluir o texto. Senta-se em frente ao computador, fecha os olhos e começa a inventar qualquer coisa. Fica ofegante ao finalizar um lead com 15 linhas. Muitos jornalistas, quando acabam o ato masturbatório, sentem-se culpados ou frustrados. Colunistas também são grandes adeptos da prática. Outra forma clássica de onanismo jornalístico é quando o repórter não tem nada para fazer, mas deve passar a tarde inteira na redação. Fica lá de bobeira, sozinho, tentando se excitar com informações que chegam das agências de notícia.
Foder com segurança
Nos tempos atuais, cheios de doenças perigosas e outras ameaças, como o “processo por danos morais” ou a “demissão indesejada”, todo cuidado é pouco para os jornalistas. Portanto, antes de publicar uma denúncia, certifique-se de que a fonte disse aquilo mesmo que você escreveu, certifique-se também de que o denunciado não é um importante anunciante ou amigo do dono de seu jornal, não esqueça o outro lado (com carinho, é claro, para não machucar) e, principalmente, jamais deixe de usar um gravador com entrevistados dos grupos de risco.
O coito interrompido
Faltam poucos minutos para o fechamento, o repórter está com o texto quase pronto. Confere uma última anotação em seu bloquinho, passa o corretor ortográfico, arredonda o título. Excitado, tem os músculos tesos e suor na testa. Está quase chegando ao fim, sim, está quase chegando, vai apertar o “enter” para liberar o texto, yes, baby, está quase lá, quase apertando o “enter”. Mas, neste momento, seu editor, ao longe, grita: “Porra, Duda, esquece que a matéria não vai entrar mais. Pintou um anúncio bom de última hora”.
Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.
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As preliminares
Os repórteres de televisão dão uma atenção mais especial às preliminares. Antes da entrada ao vivo ou de gravarem uma passagem para a matéria, arrumam os cabelos, retocam a maquiagem, checam se o feijão do almoço não persiste entre os dentes. Alguns, mais atenciosos, fazem aqueles exercícios de aquecimento das cordas vocais. E o mais importante para que tudo role de forma mais prazerosa e no timing certo é não esquecer de contar “um, dois, três” antes de entrar. Alguns focas, ansiosos, pulam toda esta etapa de preliminares e vão direto ao link ou à gravação. É a chamada ejaculação jornalística precoce.
A masturbação
O jornalista conseguiu apurar informação para, no máximo, 20 linhas, mas ganhou um espaço de 40 linhas para escrever sua matéria. E agora, o que fazer? Haja imaginação! Discreto, o jornalista afasta-se dos colegas para poder concluir o texto. Senta-se em frente ao computador, fecha os olhos e começa a inventar qualquer coisa. Fica ofegante ao finalizar um lead com 15 linhas. Muitos jornalistas, quando acabam o ato masturbatório, sentem-se culpados ou frustrados. Colunistas também são grandes adeptos da prática. Outra forma clássica de onanismo jornalístico é quando o repórter não tem nada para fazer, mas deve passar a tarde inteira na redação. Fica lá de bobeira, sozinho, tentando se excitar com informações que chegam das agências de notícia.
Foder com segurança
Nos tempos atuais, cheios de doenças perigosas e outras ameaças, como o “processo por danos morais” ou a “demissão indesejada”, todo cuidado é pouco para os jornalistas. Portanto, antes de publicar uma denúncia, certifique-se de que a fonte disse aquilo mesmo que você escreveu, certifique-se também de que o denunciado não é um importante anunciante ou amigo do dono de seu jornal, não esqueça o outro lado (com carinho, é claro, para não machucar) e, principalmente, jamais deixe de usar um gravador com entrevistados dos grupos de risco.
O coito interrompido
Faltam poucos minutos para o fechamento, o repórter está com o texto quase pronto. Confere uma última anotação em seu bloquinho, passa o corretor ortográfico, arredonda o título. Excitado, tem os músculos tesos e suor na testa. Está quase chegando ao fim, sim, está quase chegando, vai apertar o “enter” para liberar o texto, yes, baby, está quase lá, quase apertando o “enter”. Mas, neste momento, seu editor, ao longe, grita: “Porra, Duda, esquece que a matéria não vai entrar mais. Pintou um anúncio bom de última hora”.
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