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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Ser assessor de imprensa é...


Ter uma cara de pau elevada à enésima potência.

Festejar a notinha do colunista famosão como se fosse um furo de reportagem.

Viver explicando pro povo de redação que assessor também é jornalista.

Viver explicando pro povo de relações públicas que jornalista também é assessor.

Saber vender seu peixe. Quer levar, não, freguesia? Pauta fresquinha.

Ouvir do assessorado desinteressante o pedido de uma entrevista pro Jô, e pensar “tô fodido”.

Ralar como qualquer jornalista, mas levar fama de vida boa.

Montar sua própria agência acreditando que vai, enfim, ficar rico.

Buscar o difícil equilíbrio entre o interesse do assessorado e o do repórter.

Buscar o difícil equilíbrio entre o ego do assessorado e o do repórter.

Responder 20 perguntas por e-mail pra ontem, por favor, e não esquece uma foto em alta resolução, tipo 300 dpi, pode ser?

Lidar com assessorado que não tem a menor noção de como funciona a imprensa.

Apagar incêndios quando o assessorado faz alguma merda.

Ser criativo para produzir press kits maneiros por um custo baixo.

Organizar coletiva e rezar pra tudo que é santo pra não chover.

Ir a almoços chatérrimos de “fortalecimento de relações”.

Planejar, pensar pautas originais, ter bons contatos na imprensa, texto bom. Mais alguma coisa?

Usar expressões chiques, como “ativo de imagem”.

Distribuir presentinhos e não ser o Papai Noel.

Explicar o tempo todo aos leigos o que um assessor de imprensa faz. E ter a certeza de que ninguém vai entender.


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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Expediente


Se existe alguém que lê expediente de revista ou jornal, esse alguém é o próprio jornalista.

Tem o frila que visita bancas e livrarias bacanas à caça de contatos, contatos, contatos. É o tipo que anota tudo, mas não compra nada. Alguns preferem as bibliotecas. Os mais tecnológicos vasculham expedientes pela internet.

Tem o jornalista na cola de algum conhecido. Por onde anda o Wally? Gente curiosa em saber se um antigo colega de faculdade já virou editor-chefe. Nosso mundinho é tão pequeno quanto o nosso salário. Ainda mais numa época de redações anoréxicas.

Tem o assessor que rala para atualizar seus mailings. Com o entra-e-sai nas publicações, essas listas vendidas por aí envelhecem mais rápido do que o iPhone. Na hora de entupir com releases a caixa postal dos pauteiros, o mailing caseiro é mais confiável.

E tem, claro, o jornalista que saboreia o expediente da própria publicação. Ah, os focas. Ficam lá curtindo o nome estampado num pedaço de papel, sorriso besta na cara que diz sou jornalista de verdade, não tá vendo aqui, não?


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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Os 12 trabalhos de Hércules, o assessor


1º Trabalho – Atendeu a quatro contas de diferentes segmentos ao mesmo tempo, com a missão de não perder a sanidade mental.

2º Trabalho – Ficou horas e mais horas ao telefone fazendo follow-up com pauteiros que detestam assessores que fazem follow-up.

3º Trabalho – Acordou de madrugada ao longo de meses para fazer clipping de jornais e revistas. Lutou contra um sono desgraçado.

4º Trabalho – Suportou reuniões de briefing com os clientes mais chatos da agência.

5º Trabalho – Levou anos para emplacar um entrevistado que não tinha porra nenhuma de interessante para contar no programa do Jô.

6º Trabalho – Enfrentou um almoço com jornalistas arrogantes, para estreitar relacionamento.

7º Trabalho – Venceu a revolta de seu chefe ao justificar a presença de apenas dois jornalistas numa coletiva importante.

8º Trabalho – Convocou uma reunião de urgência com a imprensa para um cliente explicar um escândalo de corrupção sem explicação.

9º Trabalho – Precisou convencer um cliente da agência, um executivo folgado, a não exigir que o repórter o deixasse ler a matéria antes da publicação.

10º Trabalho – Teve de comprovar o sucesso de uma campanha de imprensa por meio de um banal relatório de centimetragem.

11º Trabalho – Suportou o ataque selvagem de jornalistas ávidos por jabás ao desfilar pela redação com uma sacola cheia de presentinhos.

12º Trabalho – Travou uma luta épica com um repórter que queria as respostas para 30 perguntas enviadas por e-mail em 15 minutos. Vá se foder, bradou. Pensa que assessor é herói da mitologia?

 
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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Repentistas: o dia em que o jornalista de redação desafiou o assessor e vice-versa


Quero só que tu me diga
Com clareza, por favor
Qual a diferença entre
O jornalista e o assessor.


Quero só que tu me diga
Com clareza, por favor
Qual a diferença entre
O jornalista e o assessor.

(Jornalista de redação)
Meu amigo assessor
Preste muita atenção
Você trai toda verdade
Doutro lado do balcão
Porta-voz de empresário
Jornalista não é, não.

(Assessor de imprensa)
Preste atenção você
Que se julga sempre o rei
O jornal que te emprega
E onde um dia eu trabalhei
Faz conchavo e tem muito
Rabo preso que eu sei.

(Jornalista de redação)
Lave a boca, assesssor
Pra falar do meu jornal
Rabo preso ou rabo solto
Nunca foi o principal
O interesse que domina
É a justiça social.

(Assessor de imprensa)
A justiça social
O Boitatá e o Pererê
São folclore, são histórias
Que contaram pra você
Teu jornal é um negócio
Faz de tudo pra vender.

Quero só que tu me diga
Com clareza, por favor
Qual a diferença entre
O jornalista e o assessor.


Quero só que tu me diga
Com clareza, por favor
Qual a diferença entre
O jornalista e o assessor.


(Jornalista de redação)
Minha vida em redação
É pauleira, é corrida
Tem plantão, tem pescoção
Tem pauta bem encardida
Já tu é um bicho bundão
Que fugiu pra boa vida.

(Assessor de imprensa)
Boa vida eu não tenho
Também tenho que ralar
Só recebo mais dinheiro
O aluguel posso pagar
Tua merda de salário
Não queria mais ganhar.

(Jornalista de redação)
Meu salário é uma merda
Tu falou uma verdade
Bebo Kaiser no boteco
Mas tenho dignidade
Não vivo só por dinheiro
Quero ter felicidade.

(Assessor de imprensa)
Desapego ao dinheiro
Não consigo acreditar
Tu vive em coletiva
Só de olho no jabá
Come e bebe pra caralho
Até o evento terminar.

Quero só que tu me diga
Com clareza, por favor
Qual a diferença entre
O jornalista e o assessor.


Quero só que tu me diga
Com clareza, por favor
Qual a diferença entre

O jornalista e o assessor.

(Jornalista de redação)
Assessor é um cabra chato
Cheio de atrevimento
Liga sempre em hora errada
Na hora do fechamento
Insiste no follow-up
Coisa mais sem cabimento.

(Assessor de imprensa)
Vem falar em atrevimento
Tu é um baita de um folgado
Manda e-mail com pergunta
Quer retorno apressado
Dá piti se não envio
Tudinho bem mastigado.

(Jornalista de redação)
Assessor é um sem-noção
Agora vou lhe dizer
Release bem do safado
Tô cheio de receber
Jogo tudo na lixeira
Claro que nunca vou ler.

(Assessor de imprensa)
Falar mal do meu release
É muita ingratidão
Jornalista hoje em dia
Não apura informação
Reproduz tudo que escrevo
Sem prestar nem atenção.

Quero só que tu me diga
Com clareza, por favor
Qual a diferença entre
O jornalista e o assessor.

Quero só que tu me diga
Com clareza, por favor
Qual a diferença entre
O jornalista e o assessor.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Coletiva de imprensa


Coletiva de imprensa tem credenciamento na porta da sala Esmeralda. Topázio. Rubi. Tem press kit montado às pressas. Tem recepcionista com cara de sono. Com cara de sapato apertado.

Coletiva tem microfone que não funciona, tem microfonia, tem entrevistado que fica com aquela porra de Alô, um, dois, três, testando, som, som. Testando.

Tem coletiva que é um fiasco. De crítica e público. Tem coletiva com transmissão ao vivo pela TV, corre-corre, gravadores amontoados na mesa, fios emaranhados no chão. Cinegrafistas se esforçando pra conviver em harmonia. Olha o meu tripé aí, pô.

Tem fotógrafo que conta piada sem graça enquanto a entrevista não começa. Tem o engraçadinho que grita Vai começar, vai começar só pra ver colega correndo desesperado. Tem assessor de imprensa pedindo silêncio uma, duas, três, cinco, dez vezes.

Coletiva tem repórter que demora meia hora pra fazer uma pergunta, divaga, fala da própria vida. Que faz três perguntas numa só. Que chega atrasado e faz pergunta que já foi feita. Que clama preferência porque está num link. Que sussura uma pergunta exclusiva no ouvido do entrevistado ao fim do evento.

Tem repórter que quer fazer a pergunta mais inteligente. Que ganha o dia se o entrevistado lhe diz Muito boa sua questão. Tem repórter que não abre a boca. Que dorme de boca aberta. Que baba. Tem repórter concentrado nos e-mails. No Sudoku.

Tem repórter que puxa o saco da entrevistada famosa, Dani querida pra cá, Carol linda pra lá. Tem repórter que pede autógrafo pra mãe. Pra tia. Pra rifar na redação.

Coletiva tem croissant frio, carpaccio de todo tipo. Suco de laranja de caixinha. Tem repórter que pega canapé com guardanapo pra bancar o fino. Tem quem pega com a mão mesmo. Tem pão de queijo malocado no bolso. Tem filé mignon ao molho madeira!

Tem assessor que pede um espaço bacana para o repórter. Tem repórter que pede um jabá bacana para o assessor.

Tem celular que toca quando deveria estar desligado. Entrevistado que derruba o microfone com a mão falante. Tem discussão, provocação. Tem assessor que diz Deu, né, gente? Só mais uma pra acabar, ok? Então, tem alvoroço entre a reportaiada. Braço erguido, indicador esticado. Aqui. Aqui. Voz que atropela voz.

Coletiva de imprensa é uma grande suruba.


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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Angústias de um assessor de imprensa


Será que o pessoal vem pra coletiva, inclusive os jornalistas mais importantes? Uns já confirmaram presença, mas isso não quer dizer muita coisa. Porra, São Pedro, tanto dia pra chover! Justo hoje? O trânsito já deve estar um caos. Morro de ódio quando só aparece jornalista esfomeado, que só vem por causa do brunch. Aliás, preciso checar se está tudo certo com a comida. Este fornecedor vive me dando dor de cabeça. E o rapaz do som que não chega pra arrumar o problema com o microfone? É sempre assim: o microfone nunca funciona e o rapaz do som só conserta o problema em cima da hora. Será que o cliente vai estar de bom humor hoje? Será que não vai me encher com aquele papo de só responder perguntas sobre o serviço que estamos lançando, que não quer falar sobre os problemas técnicos e de atendimento? Mas jornalista, explico a ele, quer saber de tudo, principalmente das coisas ruins. Mas o cliente não entende, acha que temos controle absoluto da situação. A chuva está aumentando. E o press kit que ficou uma bosta? Devia ter pensado em um presentinho melhor. Com certeza os jornalistas acham que vão ganhar um celular de última geração. Vão odiar receber mais um pen drive. Eu falei pro cliente liberar mais dinheiro pro jabá, mas ele também não entende isso, não entende que jornalista gosta de jabá bom e não de pen drive. E o rapaz do som? Já estou começando a ficar nervoso. E o cliente? Falei pra ele vir mais cedo pra gente repassar o Q&A. Depois, fala um monte de merda e a culpa é do assessor. Ah, a comida! Tomara que o croissant não esteja duro e sem recheio. Meu Deus, e este trovão? A cidade já deve estar alagada! Será que até o meu cliente está com o carro boiando? A coletiva vai ser um fracasso! Já estou até vendo a Sala Esmeralda com uns cinco ou seis jornalistas. Só os esfomeados.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Assessores de imprensa X galera da redação


- Alô, Caderno de Cultura.
- Boa tarde, com quem eu falo?
- Pedro.
- Pedro, aqui é o Edson, da Pauta Criativa Comunicação, tudo bom?
- Edson, estamos no fechamento. Liga depois, por favor.
- Vocês receberam o release do show do Bee Gees Cover?
- Não sei, mas agora não vai dar pra ver isso.
- Pedro, é só uma checadinha.
- Cara, não deu pra entender que estamos no fechamento?
- Mas é rapidi...
(tu-tu-tu)


- Vou mandar as perguntas por e-mail, ok?
- Fátima, nosso diretor comercial é muito ocupado e prefere atender a imprensa por telefone. É mais ágil.
- Querido, eu também sou muitíssimo ocupada aqui na redação. Vou mandar por e-mail mesmo.
- Quantas perguntas são, Fátima?
- Umas 20?
- Vinte?
- Vinte. Algum problema?
- Bom, vou ver se ele consegue responder tudo até sexta.
- Querido, tá louco? Aqui é jornal diário. Preciso das respostas em, no máximo, no máximo, uma hora. E presta atenção: quero também foto em alta resolução. E boa, hein?


- Bom dia, eu queria falar com o chefe de Reportagem. É o Marcos Araújo, né?
- Olha, o Marcos não trabalha aqui no jornal há mais de um ano.
- Mas tenho certeza que ele abraçou um novo desafio profissional.
- O Marcos morreu.
- Putz, morreu? Eu sinto muito mesmo. Não sabia.
- Tudo bem.
- Me desculpe. Estes mailings de imprensa vivem desatualizados.
- Tudo bem.
- Deixa então eu aproveitar pra falar da minha pauta com você mesma.
- Manda pro meu e-mail, por favor, que depois eu leio com calma. Pode ser?
- Vou mandar, sim, mas antes quero falar do novo tratamento para remoção de manchas na pele que é bár-ba-ro. Sabe bárbaro?
- Olha, você ligou no Caderno de Política. Ciência & Saúde é no ramal 3526.
- Tuuuudo bem. Vou ligar pra lá agora.
- Só um detalhe: o pessoal lá só chega à tarde.


- Alô.
- Alô. Edson? É Pedro, do Caderno de Cultura, tudo jóia?
- Sim, Pedro, do Caderno de Cultura, tudo jóia.
- Deixa eu te perguntar uma coisa, amigão: você tem ingresso sobrando pro show do Bee Gees Cover? Minha namorada adora Bee Gees, tá louca pra ir.
- Vocês não deram nem uma notinha, né? Viu pelo menos o release?
- Pois é, não teve espaço. Fica pra próxima. O show promete, hein?
- O show promete.
- E o ingresso rola?
- Pode ser, pode ser. Aguarda só um minutinho na linha que eu vou falar com a minha gerente.
- Tudo bem.
(tu-tu-tu)


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quarta-feira, 2 de março de 2011

20 cagadas imperdoáveis de um assessor de imprensa


1. Exigir que o jornalista deixe seu assessorado ler e aprovar a matéria antes da publicação.

2. Ligar várias vezes para a redação para saber quando a matéria vai sair.

3. Confundir o mailing do Maxpress com uma metralhadora de uso exclusivo de um cego.

4. Prometer uma mesma pauta exclusiva a três jornais diferentes.

5. Ser mais chato do que vendedor da Telefônica ao fazer um follow-up (release não é Detecta, nem Speedy).

6. Desconhecer a rotina de uma redação e ligar bem na hora do fechamento, na hora da reunião de pauta ou na hora em que o pauteiro está tentando seduzir a estagiária.

7. Achar que o assessor é um mero distribuidor de releases; não entender nada de estratégia e planejamento.

8. Ser refém da maldita centimetragem.

9. Mostrar desconhecimento do negócio de seu assessorado quando questionado por um jornalista.

10. Confundir “cultivar relacionamentos” com “puxar o saco”.

11. Acreditar quando o dono da agência disser que lá você terá a qualidade de vida que não tinha na redação.

12. Vender uma pauta sobre os negócios ambientalmente responsáveis de seu cliente a uma revista de Jardinagem.

13. Servir filé mignon ao molho madeira na coletiva de imprensa de lançamento de um restaurante vegetariano.

14. Enviar uma imagem em baixíssima resolução quando o repórter pedir uma com, pelo menos, 300 dpi.

15. Ficar falando um monte de merda (mais do que o assessorado) ao acompanhar uma entrevista.

16. Convocar uma coletiva apenas para dizer que sua cliente, uma ex-BBB, mudou a tintura do cabelo.

17. Presentear o repórter com um vírus, que estava num release bem promíscuo anexado ao e-mail.

18. Agendar uma entrevista com o jornalista e esquecer de avisar o assessorado.

19. Escrever um release bem tosco (longo, chato, sem foco, cheio de erros de português), digno de virar piada na redação.

20. Tentar convencer o jornalista de que o peixe que você está querendo vender é um delicioso filé de salmão quando não passa de uma pescadinha safada (e congelada).

Leia também: 30 cagadas imperdoáveis de um jornalista

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A ditadura das aspas


A dona de casa disse; o comandante do Bope afirmou; o presidente da República garantiu; o ministro da Educação explicou; o autor do gol da vitória ressaltou; o diretor teatral destacou; o delegado do 13º DP concluiu; o economista-chefe do BWY Investment avaliou; o secretário de Transportes salientou; a principal testemunha do homicídio contou; a prefeita prometeu; o técnico da seleção justificou; a ex-mulher do ex-chanceler de alguma ex-república soviética fez uma declaração bombástica; o presidente do Banco Central, por meio de nota, divulgou; o líder da bancada governista no Senado argumentou; o líder da oposição no Senado contra-argumentou; o Papa comunicou; a atriz global, em sua visita à Ilha de Caras, confidenciou; o gerente de Marketing anunciou; os refugiados de algum conflito na África relataram; o diretor do FMI para o Hemisfério Ocidental ponderou; o perito criminal analisou; os meteorologistas previram; a assessoria de imprensa, por meio de release, desmentiu; o vereador acusou; o advogado de defesa criticou; a ex-BBB revelou em seu Twitter.

E a imprensa, que merda, se tornou refém deste maldito jornalismo declaratório.


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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O Evangelho segundo o assessor de imprensa


Começava a chover no calvário.

- Chefe, chefe, conversei com um ótimo advogado e conseguimos um habeas-corpus. Sua sentença está suspensa!

Era Pedro, assessor de imprensa de Jesus.

- A notícia já corre por todos os cantos.

Jesus arregalou os olhos. Não era esse o final que havia planejado. Mas como lei é lei, os soldados, também contrariados, tiveram que descer Jesus. O bandido mau sorriu com sarcasmo: “Neste país, só os pobres morrem na cruz.”

De volta à sua casa, Jesus teve os ferimentos tratados por sua mãe e por Maria Madalena, sua mulher, carinhosamente chamada por ele de Madá. Madá, que há pouquíssimo tempo já se considerava uma viúva, agora refazia os planos. Voltou a sonhar com uma casa no campo, cheia de crianças e ovelhas.

Jesus não entendia por que seu assessor de imprensa armou toda aquela estratégia para conseguir um habeas-corpus.

- Me responde, pelo amor do meu Pai: o que a gente combinou?

- Mas chefe...

- Não tem “mas chefe”. Era só escrever o release sobre a minha crucificação e a ressurreição no terceiro dia e disparar para a mídia. Só isso. É tão difícil para um assessor seguir o briefing?

O primeiro jantar de sua liberdade foi em família, coisa simples, nada da ostentação da santa ceia. Jesus era só desolação.

- Não comeu nada, filho. Assim você vai ficar fraco.

- Mãe, eu deveria morrer para salvar este povo. Agora, tudo será diferente. Como eu fico com a opinião pública?

Jesus caminhava pelas ruas sob olhares desconfiados. Os discípulos, sempre muito próximos, se afastaram. Não conseguia mais fazer milagres. Os leprosos continuavam leprosos. Os cegos jamais veriam o verde dos campos. Jesus começou a beber. Os cabelos e a barba foram crescendo cada vez mais.

- Meu filho, você está precisando arrumar um emprego.

Jesus tornou-se depressivo e passou a se entupir de Prozac.

Sem causar mais furor, Jesus foi esquecido. Seu assessor de imprensa, que ainda não havia sido perdoado, caiu fora por falta de pagamento. O processo de execução foi arquivado. Jesus estava condenado a jamais morrer na cruz. Ele pouco saía de casa e, numa destas raras vezes, foi comprar pão – já não conseguia multiplicá-los – e nunca mais voltou.

Madá chorou. Esqueceu a casa no campo, as crianças, as ovelhas.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

As eleições e a mídia


As eleições terminaram e muitos jornalistas, depois de um longo período de trabalho árduo, vão poder, enfim, folgar. Será pouco descanso, claro – não se pode deixar este povo pegar gosto pelo fazer-nada –, mas o pouco já será bem-vindo. Neste clima de ressaca eleitoral, a nova enquete do blog quer saber o que você, como leitor (ou como jornalista que fez parte do trabalho), achou da cobertura jornalística do pleito deste ano. Vote na coluna do lado direito da página! Deixe também a sua opinião!

A última enquete – Qual a mancada mais imperdoável de um assessor de imprensa? – chegou ao fim com a vitória acachapante da alternativa “Pedir para aprovar matéria antes da publicação”, com 53% dos votos. Jornalista até tolera receber release esdrúxulo por e-mail – nada que a tecla “delete” não resolva –, mas não admite que alguém se intrometa em seu trabalho. Cada um no seu quadrado.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mancadas de um assessor de imprensa


Muitos assessores de imprensa são ótimos parceiros dos jornalistas de redação, colaborando na produção de matérias e, principalmente, dando um presentinho bacana vez ou outra. Mas, de uma forma geral, a relação entre as partes ainda é difícil e com muito desgaste. Alguns assessores mantêm a alcunha de chatos e, em casos mais graves, são demonizados, acusados, por exemplo, de serem favoráveis ao aborto ou de não acreditarem em Deus.

A nova enquete quer entender melhor esta relação cheia de amor e ódio, e ajudar o assessor a evitar atitudes que mancham a imagem do profissional, na maioria dos casos, também jornalista. Qual a mancada mais imperdoável de um assessor de imprensa? Enviar releases esdrúxulos? Criar um falso clima de intimidade, chamando o repórter de “tchutchuquinho”? Pedir para aprovar matéria antes da publicação? Estas e outras opções estão na coluna à direita da página para serem votadas. Participe!

A pesquisa encerrada – Qual best seller você daria de presente ao seu amigo jornalista? – teve um empate técnico, como diriam os institutos de pesquisa. A alternativa “Comer (apenas em evento), Rezar (por um aumento), Amar (se tiver tempo)” ficou em primeiro lugar, com 35% dos votos, e “Quem Mexeu no Meu Texto?” teve 33% da preferência dos eleitores. O amigo-secreto da redação está chegando. Ficam as dicas.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Classificados


Como os profissionais da imprensa, loucos por um emprego ou por um frila, anunciariam seus préstimos jornalísticos em classificados iguais àqueles de sacanagem dos jornais.

Bianca, Dezinha e Lolita, universitárias, iniciantes
Amigas e loucas por um estágio. Servem até cafezinho na redação.

Cirilo, 28A, ativo e passivo
Atuo dos dois lados, como jornalista ou assessor de imprensa.

Disk Frila Privê 24 horas
20 jornalistas esperando por você. Sua matéria em ótimas mãos.

Emanuelle, coroa, faço de tudo
Repórter experiente. Apuro, checo, redijo, edito e reviso. Texto final garantido.

Escort homens e mulheres para viagens
Repórteres para acompanhar eventos. Bilíngües. Educados.

Fabinho, ético e sigiloso
Não revelo minhas fontes; guardo off sempre.

Michiko, 22A, oriental
R$ 150,00 a lauda. Atendimento em redação ou em minha casa.

Nando, fotógrafo, aventureiro
Para pautas radicais. Faço também festas de casamento e bailes de debutantes.

Pedrão, mulato bom de pauta, lauda de 30 linhas
Faço as leitoras enlouquecerem com os meus textos. A maior lauda do mercado.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

O jornalista e o gênio


O jornalista recém-formado caminha pela rua quando reconhece um gênio da lâmpada mágica, sentado num banco de praça, fumando um cigarrinho. Aproxima-se dele e pergunta se teria direito a três pedidos. De mau humor, o gênio, em seus poucos minutos de folga, responde que o esquema agora é realizar um só desejo. Está tão atolado de trabalho que nem tem tido mais tempo de voltar para a lâmpada.

– Sabe, seu gênio, meu sonho é trabalhar na grande imprensa. Não vejo a hora de desfilar num carro de reportagem no meio de uma multidão de curiosos. Acho que vou me sentir o cara mais importante do planeta.

– Olha, chefia, o que mais tem por aí é jornalista pedindo uma boquinha dessas. E, para piorar, as redações estão enxutas. Não vai rolar.

– Bom, se não for em grande imprensa, que seja, pelo menos, um emprego com carteira assinada.

– Carteira assinada? (o gênio dá um sorriso maroto). O que tem saído nesses dias é o sistema PJ e olhe lá.

– Tudo bem. Pode ser PJ desde que o salário seja bom.

– Salário bom? (o gênio quase engasga com o cigarro ao ter uma crise de risos). Você não precisa ser gênio para saber que o mercado tá uma merda!

– Mas você não é o gênio da lâmpada mágica? Não consegue qualquer coisa?

O gênio percebe o clima tenso, controla o riso e pede para o jornalista recém-formado sentar-se ao seu lado no banco.

– Tem um monte de gênio picareta por aí que promete o melhor emprego do mundo para os jornalistas. A fama do William Bonner, o salário do Datena, o assédio de mulheres lindas, prêmios Esso e o cacete. São esses caras que mancham a imagem da minha categoria. O que consigo pra você agora é uma vaga em agência de assessoria de imprensa, com piso salarial e vale-refeição. Você começa amanhã, às 8. Se bobear, tem outro que pega a vaga.

O jornalista recém-formado, feliz, aceita a proposta, levanta-se do banco, agradece o gênio e segue sua caminhada.

– Ah, chefia, não atrasa, não, viu? Você terá cinco contas para atender...

segunda-feira, 29 de março de 2010

Respeitável jornalista


Elisberto apresentava-se como empresário, homem das finanças e artista. Comandava um circo, que foi herdado do pai e que, décadas antes, já havia sido herdado do pai do pai. Era um pequeno grupo mambembe que viajava pelo interior do Brasil. Além de dono do circo, Elisberto era o bilheteiro e contabilizava os lucros ou os prejuízos dos espetáculos. Vendia também pipocas e refrigerantes e, como era versátil, ainda subia no picadeiro para apresentar as atrações e encarnar o palhaço Amendoim.

Apesar de tanto esforço, o movimento do público diminuía cada vez mais. Não era fácil manter vivo um grupo circense em tempos de forte concorrência, com reality shows e escândalos mil na política. Mas Elisberto não desistia. Um dia, após uma apresentação, foi abordado por um homem, que não se identificou. O homem pediu licença para dar um conselho que ajudaria a aumentar o público do circo: uma assessoria de imprensa para divulgar os espetáculos nos jornais e rádios das cidades que o circo visitasse.

- Mas eu não sei fazer isso, não posso fazer, respondeu Elisberto.

- É claro que você pode. Qualquer um pode. Isso não exige diploma! Você já faz tanto neste circo, seria apenas mais uma atividade. Apenas escreva textos e envie aos jornalistas. Seja você o seu próprio assessor de imprensa.

O homem deu instruções a Elisberto de como fazer a coisa. Sugeriu ainda que, em cada cidade que o circo estivesse, Elisberto convidasse os jornalistas locais, seus filhos e amiguinhos dos filhos para assistir aos espetáculos sem pagar, com direito a guloseimas. Isso convenceria os jornalistas a falar bem do circo.

- Jornalista se vende por um saquinho de pipoca, disse o homem.

- Será mesmo?

- Brincadeira. Mas por dois saquinhos de pipoca, sim, um de salgada e outro de doce, riu.

Elisberto aceitou o conselho e passou a produzir releases, sem saber que o nome daquele texto era release. Chamava de “importante comunicado à imprensa”. Falava das atrações, das datas e dos horários das apresentações. Cometia alguns erros graves de Português, mas estava perdoado, afinal os mesmos erros também são cometidos por tantos assessores profissionais. Elisberto tinha a mania de começar todos os seus comunicados com “respeitável jornalista” e jamais se esquecia de chamá-los para assistir a um espetáculo como convidados de honra, com “toda a mordomia”, o que incluía pipocas salgadas e doces.

A estratégia deu um excelente resultado, a divulgação ajudou a levar mais público ao circo. Elisberto tornou-se grato àquele homem que nunca mais viu e sequer soube o nome. Feliz, passou a se apresentar como empresário, homem das finanças, artista e assessor de imprensa.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Crise de abstinência


Folheava um jornal no começo deste ano e me lembrei de como é dura a vida de jornalista no período de entressafra da notícia, quando, afora as tragédias, quase nada acontece. Precisamos tirar leite, quer dizer, manchetes de pedra. A bola não rola nos campeonatos de futebol. Os políticos estão de recesso oficial (nos outros meses do ano, simplesmente deixam de trabalhar por sacanagem). A economia começa a despertar para o ano novo. E as gostosas do Big Brother ainda não desfilam de biquíni.

Por mais que os jornais fiquem fininhos, com poucas páginas, sempre há um buraco a ser preenchido, no bom sentido, é claro. Com diversos colunistas de férias, sobra ainda mais espaço para o “cozidão de ano novo”, matérias frias, assuntos desinteressantes que jamais mereceriam algumas linhas em tempos normais, balanços intermináveis e projeções furadas para o ano que se inicia. Nestas horas de crise de abstinência de notícia, o jornalista valoriza até o release do assessor de imprensa chato que o perturba o ano inteiro.

Se a correria do dia-a-dia é desgastante, a morosidade pela falta de informação é frustrante. Redação sem agito, sem suor escorrendo pela testa, sem gritaria na hora do fechamento é igual a festa sem música, sem bebida, sem uma rapidinha no banheiro. As horas se arrastam em câmera lenta. Não podemos nem reclamar que somos explorados pelo chefe. Que 2010 comece logo. Ou a imprensa morre de tédio.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O plantador de notícias


Assessor de imprensa liga para a redação de um site de fofocas.

- Redação, Ricardo, boa tarde.
- Oi, Ricardo. Aqui é o Guto Oliveira, assessor de imprensa das estrelas. Tudo bem?
- Tudo bom.
- Eu tenho uma notícia quentíssima da cantora Jessyca Motta.
- De quem?
- Como de quem? Não conhece a Jessyca Motta? A mulher que já bombou cantando música eletrônica, gospel...
- Ah, claro, desculpe. É que eu sou jornalista novo por aqui...
- Ricardo, é o seguinte: a Jessyca tá gravidíssima. Ela queria divulgar a notícia aos fãs pelo Twitter, mas eu não deixei. Quis dar o furo para vocês, que são o melhor site de celebridades do Brasil.
- Opa, Guto, que bacana. Vamos divulgar, sim!
- Vou mandar um release com mais detalhes. A Jessyca tá amando essa história de ser mãe. O pai, então, tá todo babão. Ela está tão feliz que vai até lançar um novo disco em breve, mas com uma pegada mais infantil, sabe? É novo público dela.
- Que ótimo! Manda o release, sim!

Guto desliga o telefone. A seu lado está a cantora Jessyca Motta.

- Guto, eu não acredito que você fez isso! Eu não estou grávida!
- Querida, você não queria voltar à mídia? Se prepara porque vai chover jornalista querendo saber mais sobre a sua gravidez, o sexo da criança, o nome...
- Mas eu tirei meu útero há dois anos! E se alguém descobre? E se falam com o médico?
- Com o médico eu já me entendi. Ele vai ficar quieto. E mais: esses jornalistas não investigam nada. Só querem saber de notícia fácil. Compram qualquer coisa.
- Ai, meu Deus, Guto, só você mesmo!
- E não esqueça, querida: daqui a dois meses, você vai perder esta criança! Então, aproveite para ser feliz agora, porque, depois, o babado vai ser você sofrer muito na mídia.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Eu? Na merda?


Nunca imaginei que iria encontrar Pedro Henrique, jornalista de hábitos refinados e fascinado pelo glamour, na fila da promoção do filme brasileiro do Cinemark a dois míseros Reais.

– E aí, PH, quanto tempo, hein? Pensei que você só ia a óperas...
– Que nada, Duda. Sempre fui um dos maiores apoiadores do cinema nacional.
Fiquei sabendo, por amigos em comum, que o cara tava falido. Não tinha grana nem para a pipoca.

– Como estão as coisas no jornal? Perdi contato com muita gente.
– Não estou mais lá. Decidi sair. Precisava de novos desafios profissionais.
Na verdade, ele tinha sido demitido. Por justa causa.

– E o que anda fazendo?
– Segui o caminho da comunicação corporativa, um sonho antigo.
PH fazia assessoria de imprensa, coisa que sempre detestou.

– Está em alguma agência?
­– Agência? Rapaz, virei um empresário de sucesso. Sou o big boss!
PH tinha uma empresa de um cliente só e nenhum funcionário. Era chefe de si mesmo.

– E teu escritório, onde fica?
– Então, Duda, até pensei em ter um escritório num centro empresarial badalado, mas optei pelo home office, um conceito mais moderno de trabalho.
Mentiroso desgraçado. Não tinha como pagar o aluguel!

­– Pô, PH, a gente precisa se ver mais, trocar umas idéias. Vamos marcar um café.
– Claro, Duda!!! Aliás, eu pago. Fiquei sabendo que você ainda tá desempregado... Bem, a gente se fala.
Até hoje aguardo este maldito café.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Os 12 trabalhos de Hércules


Hércules da Silva era um jornalista talentoso. Mas sua ascensão profissional despertou a ira de um editor do jornal em que trabalhava, que temia ser substituído pelo jovem. O editor preparou uma macumba das bravas e amaldiçoou sua carreira. Hércules pirou, virou um jornalista sem escrúpulos e foi demitido.

Ao recuperar a razão, estava sem rumo e sem emprego – não era mais aceito em nenhuma redação. Hércules, então, pediu ajuda a um recrutador de talentos, que lhe indicou uma agência de comunicação empresarial. Virou assessor de imprensa. Para reconquistar o prestígio profissional, precisou servir ao seu chefe em 12 árduas tarefas, com dedicação e coragem extremas, como um verdadeiro herói da mitologia grega.

1º Trabalho – Atendeu a seis contas de diferentes segmentos ao mesmo tempo, com a missão de não perder a sanidade mental.

2º Trabalho – Ficou dias inteiros ao telefone, fazendo follow up. Teve de vender pautas a jornalistas sem paciência de ouvi-lo. Resistiu a xingamentos ao ligar no horário do fechamento.

3º Trabalho – Acordou ao longo de meses de madrugada para fazer clipping de jornais e revistas. Privou-se de cafés da manhã.

4º Trabalho – Suportou uma reunião de briefing com o mais chato cliente da agência.

5º Trabalho – Passou quase um ano tentando emplacar um entrevistado que não tinha porra nenhuma de interessante para contar no programa do Jô Soares.

6º Trabalho – Enfrentou um almoço com jornalistas arrogantes, para estreitar relacionamento.

7º Trabalho – Travou uma luta com o gerente de uma conta para justificar por que apenas dois jornalistas tinham ido a uma coletiva de um cliente importante.

8º Trabalho – Convocou uma reunião de urgência com a imprensa, para que um cliente explicasse um escândalo de corrupção sem muita explicação.

9º Trabalho – Precisou convencer um executivo egocêntrico (cliente da agência) a não pedir ao jornalista que o entrevistara para ler a matéria antes de sua publicação.

10º Trabalho – Teve de comprovar o sucesso de uma campanha de imprensa por meio de um banal relatório de centimetragem.

11º Trabalho – Suportou o ataque selvagem de jornalistas ávidos por um jabá, ao desfilar por uma redação com uma sacola cheia de mimos de um de seus clientes.

12º Trabalho – Venceu a revolta de um grupo ensandecido de RPs, contrários à invasão de jornalistas na área deles.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Um assessor de imprensa, muitas contas


Sem emprego em redação, o jovem jornalista vira assessor de imprensa. É contratado por uma agência para "coordenar" o núcleo de Saúde e Bem-Estar. São apenas duas contas - uma sociedade médica na área de urologia e um spa modernex do interior de São Paulo. Está feliz.

Duas semanas depois, assume mais dois clientes, de outros segmentos – um escritório de advocacia e uma agência de turismo. Mas não era para coordenar o núcleo de Saúde? Já não está tão feliz. No fim do primeiro mês, passa a atender também a associação de moradores de uma favela da Brasilândia, na capital (trabalho voluntário da agência). Começa a ficar de saco cheio.

O ritmo é frenético. Escreve vários releases por dia, muitas vezes, sem ter nada interessante para contar. Reuniões chatérrimas com clientes, cobranças do chefe, jantares com jornalistas, entregas de jabá, campanhas de divulgação, eventos, e-mails pra cá, telefonemas pra lá, o maldito follow up. O seu mailing de contatos da imprensa mais parece uma lista de músicas de cantor de churrascaria: tem de tudo. Em dois meses de trabalho, o saco está prestes a explodir.

A vida seria melhor numa redação? Quem disse que assessor tem vida boa, com horário para entrar e sair e folga de fim de semana? Mas o grande problema é quando tanta informação, de variadas fontes, começa a perturbar a mente do jovem jornalista. Ele precisa saber de tudo, da avançada técnica russa de emagrecimento do spa ao novo pacote Índia Maravilhosa da agência de turismo. Está quase ficando louco.

- Por favor, você pode me confirmar quando será o simpósio Urologia e a Saúde do Homem Moderno?, pergunta um jornalista, ao telefone.

- Dia 17.

- Mas dia 17 é domingo. Tem certeza?

- Opa, desculpa, fiz confusão. Domingo é a final do concurso Garota da Laje na Brasilândia. O simpósio é no dia 27.