quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A vida de desempregado de Clark Kent


Alô? Opa, é o Clark. Isso, Clark Kent. Tudo em paz, meu querido? Então, eu tô te ligando pra dizer que eu saí do Daily Planet. Isso, eu saí, semana passada, tô aí na batalha e se você precisar de alguma coisa, é só dizer. Pode ser frila, frila fixo, cobertura de férias, licença médica, o que vier nóis pega. Eu tô bem, sim. Dentro do possível, claro. Ninguém que deixa o emprego depois de tantos anos tá beeeem, mas a gente vai levando. Vida de jornalista é isso aí. É, mudou o comando do Daily Planet, isso você tava sabendo então? Os caras já chegaram mexendo em tudo e têm rabo preso com o prefeito, com meio mundo. Então eu falei “quer saber? Vou cair fora desta merda”. E saí. A Lois tá lá ainda. Tá. Até quando eu não sei. Não que antes a gente tivesse muita liberdade, mas a coisa piorou com o novo comando. Liberdade total não existe pra jornalista nenhum. É mais fácil o Lex Luthor ir pra cadeia do que a gente ter 100% de liberdade (risos). Eu acho que fecha, sim. Não demora muito e o Daily Planet acaba ou vira uma versão só digital. E tem jeito? Parece o destino de todo impresso. Aí o dono vem com aquele papinho de estratégia de multiplataforma integrada. A verdade é que o jornal impresso tá condenado. Vamos combinar? Não se renova, não encanta mais o leitor. Eu adoraria fazer uma reportagem especial com o Super-Homem salvando o jornal impresso, mas nem ele vai conseguir salvar. Pois é, a gente tá tudo fodido (risos). Então é isso, querido. Qualquer coisa, é só ligar. Aluguel em Metropolis tá caro demais. Me ajuda aí ou eu acabo virando blogueiro (risos). Mais um jornalista blogueiro no mundo. Aí danou-se de vez (risos). Então, é isso. Obrigado, viu? Um beijo para a patroa. Tchau, querido, tchau.

Clark desliga o telefone, se esparrama no sofá, liga a TV, dá uma coçada básica no saco e começa a assistir a um programa vespertino de culinária. Curte o ócio. Até alguma mocinha indefesa clamar por socorro.
 

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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Compre o livro do Duda Rangel pela internet


São dois canais para você comprar “A vida de jornalista como ela é – o melhor do blog de Duda Rangel” pela internet, com entrega dentro do Brasil. A venda já começou. Por enquanto, apenas pelo blog, de forma direta e simples. Nos próximos dias, será aberta também a venda por uma loja virtual na página do blog Desilusões perdidas no Facebook.

Nos dois casos, o valor é o mesmo (R$ 22,90), com frete grátis para todo o Brasil.

O que vai mudar entre um canal de venda e outro são as formas de pagamento.

Para comprar pelo próprio blog desde já:

Nesta opção, as únicas formas de pagamento são o depósito ou a transferência bancária. Deposite ou transfira o valor de R$ 22,90 por livro para a seguinte conta: N/Couto Comunicação Ltda. – Banco Itaú (341), Agência: 3094, Conta corrente: 04272-2 – CNPJ: 05.264.054/0001-88.

Mande o comprovante de depósito ou transferência para o e-mail livrododuda@gmail.com. Na mensagem, coloque também o nome e o endereço completo (não se esqueça do CEP) do comprador, para a entrega do livro. Se você quiser, peça a dedicatória e diga a quem ela é dirigida.

Assim que o pagamento for confirmado, o livro será encaminhado pelos Correios ao endereço pedido pelo comprador. É só aguardar.


Para comprar pela loja no Facebook (EM BREVE):

A loja virtual estará dentro da página do blog no Facebook aqui. O sistema de pagamento será o do PagSeguro, uma empresa do grupo UOL, que garante segurança na transação. É preciso fazer um cadastro bastante simples no PagSeguro para efetuar a compra.

A diferença são as formas de pagamento. Pela loja, você poderá utilizar cartões de crédito, débito em conta corrente e boleto (para pagamento em agência ou via internet banking).

O valor é o mesmo (R$ 22,90), com frete grátis para todo o Brasil. E você também poderá receber o livro com uma dedicatória.

Se você prefere utilizar cartão de crédito para a sua compra, aguarde a liberação da loja nos próximos dias!

Obrigado a todos!

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Sobre realidade e ficção


Duda Rangel existe?

Claro que eu existo! Existo dentro de cada jornalista angustiado, de cada jornalista excitado.

Ficção não é mentira, assim como nem todo jornalismo tido como verdadeiro que se pratica por aí é verdade. Desconfie mais do jornalismo do que da ficção.

Como eu gosto da ficção. Quantos personagens de quantos romances são incrivelmente verdadeiros? O mundo real está cheio de Raskolnikoves, Faustos, Portnoys. O jornalismo, então, infestado de Lucianos de Rubempré. E eu já me identifiquei com tanta gente.

Este blog vive gerando identificação nos leitores. Leio comentários do tipo “Duda, parece até que você escreve sobre a minha vida” ou “Duda, você instalou uma câmera escondida aqui na redação?”.

Ficção é um pouco terapia e sai bem mais em conta. O blog tem sido terapêutico para muita gente também, sobretudo os mais jovens. Gente que passa a reexaminar sentimentos, a não ter vergonha de admitir fragilidades, a olhar as coisas de outra forma.

A ficção existe pra fazer a gente compreender melhor a realidade. Pelo menos, é nisso que eu sempre acreditei.

Viu como eu, Duda, existo também?


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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O que os famosões estão falando do livro do Duda


Lembrando: o livro “A vida de jornalista como ela é” será lançado no próximo sábado, dia 27, em São Paulo.

“Desde a biografia de Fiuk, o mercado editorial brasileiro carecia de uma obra-prima.”
(Antonio Candido, crítico literário)

“Depois de ler Madame Bovary e Primo Basílio, vou devorar os textos do Duda. Adoro livro de corno.”
(Tufão)

“Deixaram esse vagabundo publicar um livro? Cadê as autoridades?”
(Datena)

“Li uma crítica na embalagem do Toddynho dizendo que este livro é ótimo.”
(Daniela Albuquerque)

“Meu centenário podia passar sem esta homenagem do Duda. Mas tudo bem, deixa o cara, vai.”
(@anjopornografico100, em mensagem psicotuitada)

“Um livro para espiar à vontade.”
(Pedro Bial)

Mais informações sobre o livro e o lançamento aqui.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Quem quer o livro do Duda Rangel?


O que: lançamento do livro “A vida de jornalista como ela é – o melhor do blog de Duda Rangel” em São Paulo.

Quem: por Duda Rangel, jornalista e blogueiro.

Quando: no dia 27 de outubro (sábado), das 18h30 às 22 horas.

Onde: Bar Barão da Itararé.
Rua Peixoto Gomide, 155, na Bela Vista, em São Paulo.
Estacionamento conveniado na Rua Frei Caneca, 720 (R$ 10,00).
Acesso fácil pelo Metrô: estações Trianon/Masp e Paulista.
Acesse o site do bar aqui.

Como: o livro será vendido no dia do lançamento por R$ 22,90, em cartões de crédito, débito e dinheiro. Não serão aceitos cheques.

Importante: após o lançamento, o livro será vendido apenas pela internet. As vendas começam na segunda-feira (29 de outubro) pelo mesmo valor (R$ 22,90), já incluindo o frete para todo o Brasil. Em breve, mais informações.

Por quê: oras, porque eu quero; porque eu vou poder guardar o melhor e o pior do blog do Duda num livro de 200 páginas, tudo organizadinho em capítulos temáticos; porque vai ser legal dar uma força para o Duda, afinal, o cara podia estar roubando, matando, mas está só pedindo para o povo comprar o livro dele; porque tá um preço bom (a biografia do Fiuk é bem mais tosca e custa 35 paus); porque jornalista, além de namorar jornalista, também gosta de comprar livro de jornalista; porque a mesa onde eu trabalho tá meio bamba e este livro vai dar um jeito; porque o livro não vai estar na lista dos mais vendidos da Veja e isso é ótimo; porque eu gosto de sentir cheiro de livro novo (dá o maior barato); porque eu vou poder rir nas minhas noites insones.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Avenida Brasil (versão para jornalistas) – último capítulo


Saiba o destino dos principais personagens da novela:

Nina resolve conciliar as carreiras de cozinheira e jornalista, ambas sem diploma, claro. Depois de passar a novela toda ouvindo atrás das portas, ela se especializa em matérias de denúncia e chega a ganhar o Prêmio Zé Bob de Jornalismo Investigativo.

Cansado de ser explorado por Diógenes, o assessor de imprensa Darkson decide montar sua própria agência de comunicação, tendo como principais clientes o Bar do Silas, Monalisa Coiffeur e o Crepão da Noêmia. Fica famoso ao criar o follow-up com megafone.

Carminha, a editora malvada, confessa que matou Max. De tanto fazê-lo trabalhar, cinco, seis pautas por dia. Todo dia. Acaba louca e é encaminhada a um hospício só com jornalistas. Reclama da superlotação do lugar.

Suelen, a repórter-piriguete, segue dando para as fontes em troca de informações exclusivas e vira uma colunista famosa em Brasília. Sua frustração foi nunca ter descolado uma puta matéria com Roni, que sempre preferiu dar o furo para Leandro, repórter da concorrência.

Ao encontrar uma caixa de Toddynho no lixo, Picolé, um dos estagiários de mãe Lucinda, percebe que nasceu mesmo para ser jornalista. Arruma um estágio digno, abandona Lucinda e bota a velha no pau, pela bolsa-auxílio que ela nunca pagou.

Proibido de frequentar as coletivas de imprensa, porque ninguém aguentava mais ouvir tanta pergunta idiota, Adauto descola um emprego na agência de Darkson. Mas ao escrever “rilis para a inprença” em vez de “release para a imprensa” é demitido.

Para não mofar em casa, Tufão, o repórter que sempre sabe das notícias por último, aceita um emprego de crítico literário no jornal de Santiago – o Albieri Daily. É clonado pelo patrão e passa a trabalhar por dois com salário de um. Mas nem desconfia da trapaça.

Ao descobrir que Patrícia Poeta está deixando a bancada do JN para ter um programa matutino só seu, Zezé candidata-se à vaga e é a escolhida. Suspira ao sentar-se ao lado do bonitão do Bonner e, após dizer “boa noite”, tem sua imagem congelada. FIM DA NOVELA.


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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Pequeno ensaio sobre as brochadas do jornalista


Todo jornalista já brochou. E não adianta dizer que isso nunca aconteceu com você, porque aconteceu, sim.

Uma brochada clássica é quando a matéria cai pouco antes do fechamento. Todas aquelas preliminares – apuração benfeita, cuidados com a língua (portuguesa), o outro lado –, mas a pauta já era. Porque o anúncio é sempre mais importante. Aí bate aquela sensação de fracasso, de ser um jornalista pela metade.

Para piorar, o editor coloca a mão no seu ombro e diz: “Tudo bem, acontece; na próxima vez, a pauta rola numa boa”. Piedade é algo ainda mais brochante para o brocha.

Existem muitas outras formas de um jornalista brochar. Chegar a uma boca-livre achando que só vai encontrar canapé de salmão com damasco e dar de cara com enroladinho de salsicha é muito deprê, não? E matéria institucional? Como se excitar ao acompanhar a sensacional visita do cônsul da Eslováquia à redação de seu jornal?

Tem também o jornalista que sonha fazer parte de uma grande cobertura internacional e então são divulgados os nomes de quem vai viajar e ele tem certeza que está na lista e o nome dele não está na lista. Todas aquelas aulas extras de inglês serviram pra quê?

E ver um erro feio de português ou de informação que você cometeu impresso no jornal? Quer impotência maior que essa? Querer corrigir o que não se pode mais corrigir. Só o tempo para curar.

Agora, o maior atentado contra o tesão de um jornalista é, sem dúvida, receber o contracheque no fim do mês. Brochada-mor, a brochada das brochadas! E não existe remedinho azul que dê jeito. É muito foda, ou melhor, não é foda. Sei lá o que é. Nessas horas o melhor é beber alguma coisa bem forte. E relaxar.


Mas o jornalismo também tem um lado excitante.
Releia: 20 formas de um jornalista sentir um orgasmo
 

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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Lançamento do livro do Duda Rangel


Depois que Vera Fischer e Fiuk publicaram seus livros, a coisa virou uma questão de honra para mim. Demorou, eu sei, mas o livro deste blogueiro ficou pronto. Por sorte, antes do fim do mundo.

A vida de jornalista como ela é, uma homenagem ao grande Nelson Rodrigues, é o nome de batismo da versão impressa do blog “Desilusões perdidas”.

E anotem aí: o lançamento será no dia 27 de outubro (um sabadão), a partir das 18h30, no bar Barão da Itararé (Rua Peixoto Gomide, 155, na Bela Vista, em São Paulo).

Será um prazer danado conhecer meus caros leitores pessoalmente. Apareçam! Quem estiver de plantão já pode começar a pensar numa boa desculpa para matar o trabalho, ok? Eu sugiro uma virose brava. Sempre funciona.

A ideia é lançar o livro em outras freguesias. Quando tiver algo fechado, aviso!

Além da venda no dia do lançamento em Sampa, o livro será comercializado apenas pela internet. Em breve, divulgo informações sobre preço, início das vendas e como adquirir seu exemplar.

E posso garantir desde já: este livro tem tudo, tudo mesmo, para jamais figurar na lista dos mais vendidos do New York Times. Taí um ótimo motivo para você comprar o seu!

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Fausto e a alma do bom jornalista


Fausto Matias, jornalista e blogueiro. Sua página, sobre cidadania, ética e um mundo menos injusto, traz informações exclusivas, denúncias, análises sérias. Um blog independente. Sem rabo preso com ninguém.

Cansados da imprensa tradicional deste País? Venham para o blog do Fausto, escreve aos leitores.

A audiência cresce lentamente. Embora tenha um público fiel, Fausto não é um blogueiro famosão. Adoraria alcançar mais gente, influenciar mais mentes.

E ganhar algum dinheiro com o blog.

Fausto tem contas a pagar. E tem uma ex-mulher para sustentar. E ex-mulher é sempre muito cara. E Fausto jamais acabará numa delegacia por causa de uma pensão, porque essa não é a conduta de um cidadão de bem.

No meio de um turbilhão financeiro, Fausto recebe um telefonema do senhor Mefistófeles Alcântara, dono de um portal. Ele elogia Fausto, sua credibilidade. Faz uma proposta: abrigar o blog em seu portal. Mais visibilidade e, principalmente, um salário.

– O meu diferencial é ser independente, senhor Mefistófeles.

– Mas quem disse que você perderá sua independência? Será tudo como antes. Teremos anunciantes em sua página, mas só anunciantes do bem, que não farão interferência no seu trabalho. E você ganhará dinheiro. Não há mal em ganhar dinheiro.

Fausto, lembrando-se da pensão da ex-mulher, aceita a proposta.

A audiência cresce cinco vezes, 20 vezes, 50 vezes. O pensamento de Fausto ganha relevância. Ele recebe dois prêmios e, o melhor, não perde sua liberdade. Troca o carro velho por um zero, menos poluente. Um carro do bem. Financia uma casinha.

Fausto é muito grato ao novo patrão.

Mas o senhor Mefistófeles só parece bonzinho. É danado e tinhoso. Começa, então, a cobrar a conta. Exige que Fausto publique uma notícia favorável a um amigo, acusado de promover trabalho escravo em empresas de seu grupo, no Pará.

– Me desculpe, senhor Mefistófeles, mas esse sujeito é picareta. Como falar bem dele?

– Mas é esse picareta que paga suas contas. Ou você acreditou nessa história de só anunciantes do bem? Velho e ainda ingênuo?

– E a minha liberdade?

– Não tá satisfeito com o salário e a fama? A vida é feita de trocas, meu caro.

Fausto se recusa a escrever a matéria positiva. Perde o emprego, perde o status, perde até o direito sobre o nome do blog que criou. Perde seu carro do bem.

Mas Fausto não perde o principal: a sua alma.


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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Casar ou comprar uma bicicleta?


Rádio ou TV? TV ou impresso? Impresso ou Internet? Redação ou assessoria? Esportes ou Política? Cultura ou Economia? Jornal diário ou revista mensal? Hard news ou qualidade de vida? Salário de fazer chorar ou salário de fazer rir para não chorar? Vida de repórter na rua ou vida na redação editando o texto alheio? Dizer que o cliente não pode atender a imprensa porque está em reunião ou porque está viajando? Entrevista por e-mail ou por telefone? Por telefone ou pessoalmente? Bloquinho ou gravador? Publicar ou não publicar? Ser especialista ou cobrir de tudo? Jogar na Mega-Sena toda semana ou só quando for prêmio acumulado? Mandar o chefe de reportagem que suspendeu a folga do fim de semana para a puta que pariu ou simplesmente à merda? Pedir aumento logo de cara ou contar antes que recebeu uma proposta da concorrência para tentar se valorizar? Começar do zero numa nova editoria ou seguir quietinho na sua? Fátima ou Poeta? Ficar sem dormir por causa do TCC ou passar a noite em claro por causa do TCC? Monografia ou livro-reportagem? Uma pós na Espanha ou mudar o corte de cabelo? Começar um curso de inglês pela 23ª vez ou desencanar de vez? Reativar o blog ou não reativar o blog? Até que a morte nos separe do Jornalismo ou até que um concurso público nos separe? Plantão no Natal ou no ano-novo? Viver cheio de dúvida ou ligar o botão do foda-se?


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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

10 coisas para o jornalista fazer antes do fim do mundo (21 de dezembro tá quase aí)


1. Dar um calote geral nas contas. Declarar moratória ao banco, ao próprio pai, ao amigo engenheiro rico e esnobe.

2. Promover festinhas diárias para celebrar o apocalipse. Afinal, se o mundo acabar em dezembro, não vai rolar plantão de fim de ano.

3. Fazer uma megamatéria de denúncia contra o maior anunciante do jornal. Sem temer as consequências.

4. Sentar na cadeira do diretor de redação, botar os pés sobre a mesa e soltar um “Querido, vai se foder. Pode ser?”.

5. Ir a todas as bocas-livres possíveis (e impossíveis).

6. Rir, rir muito, rolar no chão de tanta alegria quando perceber que os números do Ibope do seu programa não param de cair.

7. Dar um abraço sincero em um repórter de redação, se você for um assessor de imprensa. E vice-versa. Ok, não precisa ser sincero, pode ser um abraço falso mesmo.

8. Numa entrada ao vivo na TV, largar o microfone, fazer caretas para a câmera, levantar o dedo médio e dançar o Gangnam Style.

9. Se você ainda não tem, tirar rapidinho uma carteira da Fenaj. Vai que São Pedro resolve te barrar na porta do Paraíso.

10. Invadir o estúdio do Jornal Nacional, roubar o lugar do Bonner e dizer “Boa noite”.


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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Adesivos para carros de jornalista (se ele conseguir ter um carro, claro)


Eu acredito em imprensa livre (e em duendes).

Rastreado por um chefe de reportagem chato pra cacete.

Como estou escrevendo? Bem? Muito bem?

Não sou o dono do mundo, mas tenho a carteira da Fenaj.

Meu outro carro é o de reportagem.

Redação: unidade móvel.

É velho e, pior, não tá pago.

Orgulho de ser caótico.

Velocidade controlada pelo deadline.

Não me inveje, sou jornalista.


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terça-feira, 25 de setembro de 2012

20 desabafos e mimimis clássicos de jornalista


1. Essa redação bem que poderia ter um ar-condicionado. Calor do inferno.

2. Que motorista lerdo (pensando). Amigo, não dá para ir mais rápido, não? Tô atrasado.

3. Eu não ganho para trabalhar tanto assim, tá me entendendo? (a um amigo no bar)

4. Doutor, qual o problema de eu ser gordo e sedentário? Isso aqui é o Medida Certa, do Fantástico? Não, não é!

5. Porra, meus pais não me entendem! Eles acham que é fácil arrumar emprego.

6. Esse computador tá mais lento que o motorista da pauta de hoje. Boa era a época da máquina de escrever!

7. Comidinha ruim, viu? Esse almoço de coletiva já foi melhor.

8. Galera, dá pra fazer silêncio aí, por gentileza, que eu tô falando com um entrevistado importante aqui no telefone?

9. Mas vocês não fazem silêncio mesmo! Não dá pra calar a boca um instante?

10. Como não vai me deixar entrar? E a liberdade de ir e vir da imprensa? Você pode chamar o dono da festa, por favor?

11. Pauteiro grosso. Desligou na minha cara. Ninguém respeita assessor nesse país.

12. Estúdio, tô sem retorno. De novo. Assim fica difícil. E essa garoa, gente? Ai, minha escova.

13. Meu, eu fiz mais da metade da matéria e meu nome só saiu no rodapé, como colaboradora. Sacanagem (a uma amiga no bar).

14. O filho da puta nunca pode me atender, porque tá sempre em reunião. Vai gostar de reunião assim no inferno.

15. Ninguém curte o meu texto (sentado na janela do 23º andar).

16. Deus, onde Tu tava quando eu decidi fazer jornalismo? Hein? Tu não é o Onipresente?

17. Prosecco vagabundo, viu? Isso aqui já foi melhor.

18. Você casou com uma jornalista só para eu ficar lendo e corrigindo os seus textos acadêmicos! Confessa! Cadê o amor? O carinho? Cadê aquela coisa da troca?

19. Puta que pariu!

20. Eu já trabalhei no réveillon do ano passado. Plantão de novo este ano, não. Posso ter o direito de pular ondinha?


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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Hits de Avenida Brasil (versão para jornalistas)


Odeio quando a pauta cai
(versão de Assim você mata o papai)

Ai, ai! Ai, ai, ai, ai! Odeio quando a pauta cai
Ai, ai! Ai, ai! Texto fechado e tudo mais
Ai, ai! Ai, ai, ai, ai! Odeio quando a pauta cai
Ai, ai! Ai, ai! Anúncio bom é o carai.


Salário safado
(versão de Cachorro perigoso)

Salário magrinho, safado, vergonhoso e pronto pra causar horror
Louco pra acabar logo.


Aniversário da minha mulher
(versão de Amiga da minha mulher)

Aniversário da minha mulher
Pois é, pois é
E eu ralando num plantão sem fim
Enfim, enfim.


Sem razão
(versão de Minha razão)

Eu me apaixonei tão de repente
Mas era um foca inocente
Nem conhecia o pescoção.

Quando o jornalismo pega a gente
É como um vício, uma aguardente
Você esquece a razão.


Vem fechar com tudo
(versão de Vem dançar com tudo)

Oi oi oi
Vem fechar comigo
Atenção no ritmo
Não vai poder bobear.

Todos apressados
Até o fim da noite
Calhau é pra evitar.

Mexe e reescreve
Tira a viúva
Lead tá errado
Corta um bocado.


Eu quero fri, eu quero la
(versão de Eu quero tchu, eu quero tcha)

Eu quero fri, eu quero la
Eu quero fri-la-la, fri-fri-la
Fri-la-la, fri-fri-la.


Leia também: Se o povo de Avenida Brasil fosse jornalista
 

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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Frio na barriga


Jornalista sente um friozinho na barriga.

Quando começa a faculdade cheio de incerteza.

Quando sonha com o TCC.

Quando cai todo cru no mercado de trabalho.

Quando vai para a primeira pauta da vida.

Quando faz uma entrada ao vivo na TV.

Quando se aventura pelo jornalismo diário.

Quando escuta o chefe berrar “voa pro incêndio na favela agora”.

Quando o motorista doidão do jornal anda a 120 por hora para chegar à favela.

Quando vê o deadline estourando. E o bloqueio não ir embora.

Quando entra com uma microcâmera escondida (não me pergunte onde) no gabinete do vereador corrupto.

Quando chega a sua vez de fazer a pergunta na coletiva lotada.

Quando fica de frente com o seu ídolo da música para uma entrevista.

Quando precisa usar o inglês meio enferrujado.

Quando o namorado(a) vai emitir uma opinião sobre a sua grande matéria.

Quando resolve malocar uma empadinha do brunch no bolso. Ou melhor, várias empadinhas.


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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

25 tipos de jornalista chato


1. O que chega atrasado à coletiva e fica cutucando os colegas para saber tudo o que já rolou.

2. O que vive pedindo telefone de fontes para a galera.

3. O que acha que sabe tudo.

4. O que conta vantagem só porque deu um furinho de merda.

5. O que adora dar palpite no texto alheio.

6. O que tem piti quando dão palpite no seu texto.

7. O que gosta de lamentar que a pauta dos outros é sempre melhor.

8. O que faz a mesma piadinha sem graça todo pescoção.

9. O que exige silêncio geral na redação quando precisa fazer uma entrevista por telefone.

10. O que corrige os erros de Português dos colegas até no café.

11. O que sacaneia quem vai ficar de plantão.

12. O que nunca vai ao bar porque a patroa não deixa.

13. O que vai ao bar, mas nunca paga a cerveja.

14. O que envia 20 perguntas por e-mail para o assessor e pede as respostas para ontem.

15. O que cobra o assessor para responder logo as 20 perguntas.

16. O que fica implorando voto para si próprio no concurso dos melhores jornalistas do ano.

17. O que monopoliza o microfone na coletiva de imprensa.

18. O que adora exibir seus conhecimentos futebolísticos, como a escalação do Bangu no Carioca de 1966.

19. O que fica cheio de misteriozinho, acreditando que todos querem roubar suas ideias maravilhosas de pauta.

20. O que conta os detalhes quando lhe perguntam apenas se sua pauta foi boa ou não.

21. O que fica insistindo com o entrevistado até conseguir a resposta que deseja.

22. O que teima em perguntar “é verdade que vocês não gostam de tocar Ana Júlia?” para os caras da banda Los Hermanos.

23. O que liga para o celular da fonte num domingo de manhã.

24. O que quer ser mais importante que a notícia.

25. O que vai ao motel e fica falando de jornalismo. E assistindo a Globo News.


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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Os jornalistas segundo Tim Burton


Victor é um foca desajeitado e Emily é a repórter que vive dizendo que está morta de tanto trabalhar. Victor conhece Emily, “a repórter cadáver”, e passa a viver no mundo dela, o mundo dos jornalistas que ralam e ralam e ralam, e não têm vida.

Sweeney Todd, “o editor demoníaco da redação Fleet”, é um sujeito vingativo e que mostra grande habilidade com a tecla delete, fazendo picadinho dos textos dos repórteres.

Beetlejuice, de “Os Assessores de Imprensa Fantasmas se Divertem”, é o jornalista que conseguiu uma vaguinha no gabinete do deputado, bom salário, mas sequer aparece para trabalhar.

Ed Bloom, de “Língua Grande e suas Histórias Maravilhosas”, é o repórter contador de causos, no melhor estilo pescador. Ed aumenta, mas não inventa. Ou melhor, inventa pra cacete.

O repórter sem cabeça, de “A Lenda do Repórter Sem Cabeça”, teve a ousadia de criticar o candidato do dono do jornal, aquele que escreve artigos na página 2. Foi, claro, decapitado.

O Pauteiro Maluco, um dos personagens mais cativantes de “Alice no País dos Frilas”, é o cara que fica distribuindo as pautas e pedindo as matérias para ontem. Doidão de tudo.

Edward Mãos de Tesoura, conhecido como o repórter que vive cortando o texto para caber no espaço, é a essência do jornalista: esquisito e só se ferra. Mas impossível não amá-lo.



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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Independência no jornalismo ou morte


Independência é quando o povo do comercial não se mete na vida do povo do editorial.

É trabalhar na Veja e falar bem do Lula, trabalhar na Carta Capital e falar mal do Lula.

É não se curvar a pressões, a assédios morais.

Independência é não ter medo de denunciar, de botar o dedo na ferida.

É dizer o que precisa ser dito, mostrar o que precisa ser mostrado.

Independência é dormir com a consciência tranquila. Com o rabo solto.

É cagar e andar para fonte interesseira.

Independência é criar outros canais de comunicação.

É vigiar o mundo. Pensar por si próprio.

Independência no jornalismo é como disco voador.

Difícil de ver, mas que existe, existe.


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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Manual básico para o jornalista cuidar da saúde


A Organização Mundial da Saúde sugere que todo ser humano coma a cada três horas, com exceção feita a modelos anoréxicas e jornalistas. No nosso caso, ou se come ou se trabalha. Para jornalistas, almoçar e jantar num mesmo dia é um puta luxo. Se o pauteiro lhe mandar para um brunch, será o paraíso.

Beber demais é coisa do passado, a moda agora é consumo moderado. O romantismo jornalístico-cachaceiro acabou, e o fígado agradece. Mas não precisa exagerar na saúde. Nada de suco de clorofila, ok? Isso já é um atentado à profissão de jornalista.

Não abuse de atividades de alto impacto ou esforços intensos, como quatro pautas por dia ou vários fechamentos na semana. Busque alternativas mais leves, como folgar de vez em quando.

Adote técnicas de relaxamento. Já pensou em meditar no meio da redação enquanto espera o retorno da fonte? Só tome cuidado para não entrar em alfa e perder o deadline.

O sono é essencial. Se não for possível dormir oito horas por noite em sua cama, durma durante a coletiva de imprensa chata ou durante a reunião de pauta chata.

Rir faz bem à saúde. Ria do colega que chegar correndo à redação, escorregar e cair. Ria do dissídio do ano. Ria das piadas sem graça do seu chefe. Ria de si mesmo.

Sexo faz um bem danado para a saúde física, mental e até espiritual. Então, por que você não se desliga um pouco do jornalismo e arruma um tempinho? Não custa nada! Pode ser entre uma pauta e outra. Depois do plantão. No banco de trás do carro de reportagem?

Cuide da pele. Quando ficar 12 horas na porta de uma delegacia, num calor de 35 graus, cobrindo um crime bárbaro (jornalista adora este clichê), não esqueça o protetor solar. Aproveite para levar guarda-sol, cadeira de praia e um suco. Menos o de clorofila.

Eu sei que o seu plano de saúde não é lá essas coisas, mas fazer check-ups periódicos é recomendável. Dê atenção especial aos pontos mais vulneráveis do nosso organismo: coração, estômago, sistema nervoso e, claro, o bolso.


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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

20 coisas que o jornalista não pode perder


1. O celular com os contatos das fontes.

2. O bloquinho com as anotações.

3. A cara de pau.

4. O horário da coletiva.

5. A dignidade (mesmo que tentem pagar muito bem por ela).

6. O tesão.

7. O deadline.

8. O texto (quando der pau no computador).

9. O jabá (principalmente se for dos bons).

10. A paciência com entrevistados que não abrem a boca.

11. A paciência com entrevistados que falam demais.

12. A noção do perigo.

13. O emprego (porque vai ser foda encontrar outro).

14. A voz durante o link.

15. O instante da foto.

16. O controle emocional (quando pegar o contracheque).

17. A chance de rir do concorrente quando der um furo.

18. A pastinha com os recortes das matérias (vai que a faxineira resolve mandar para a reciclagem).

19. A esperança.

20. A graça de ser jornalista.


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