quinta-feira, 5 de junho de 2014

Se o povo de Em Família fosse jornalista


Helena é a repórter que, na juventude, foi apaixonada pelo jornalismo policial, mas preferiu se casar com a assessoria de imprensa. Após uma relação estável de 20 anos com os releases, reencontra o seu antigo amor e fica completamente balançada.

Luiza é a filha de Helena, que também se envolveu com o jornalismo policial. Agora é toda noite ronda em delegacia, BO com exclusividade, uma loucura.

Os velhinhos do asilo são os revisores. Lembra deles? Os caras que antigamente corrigiam as merdas de Português dos textos.

Juliana é a repórter louca para roubar a pauta dos outros.

Gabriel é o estagiário do assistente do analista de comunicação: tá lá, mas ninguém sabe quem é.

Cadu é o jornalista decadente que luta por um transplante de conta bancária com alguém da família Marinho.

Shirley é a repórter que também quer porque quer a porra do jornalismo policial.

Clara e Marina são uma espécie de casal 20, tipo William Bonner e Fátima Bernardes. Só não me pergunte, por favor, quem é o William Bonner no caso.


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terça-feira, 27 de maio de 2014

Viver o jornalismo é experimentar


Que tal trocar de editoria? Recomeçar? Do zero? Topa? Conhecer pautas novas, fontes novas? Diversificar as ideias? Desacomodar a alma? Que tal desapegar um pouco da redação e curtir uma de assessor? Ou vice-versa? Por que não levar mais a sério o sonho de escrever um livro? De virar correspondente em algum canto do mundo? Deixar os medos de lado? Por que não arriscar uma linguagem que ainda ninguém arriscou? Experimentar novas posições em seu lead? O quem por trás do por quê? O onde por cima do como? Que tal se libertar do lead? Já pensou em usar a tecnologia para construir uma imprensa mais plural? Viver o jornalismo é experimentar. Vai que você gosta.


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terça-feira, 20 de maio de 2014

Sabe esse meu jeito?


Sabe esse meu jeito de querer tudo pra ontem? É o deadline. Sabe esse meu jeito meio ausente? É que eu tenho dois empregos e ainda faço uns frilas por aí. Sabe esse meu jeito de ficar perguntando sobre seus amores passados? É o tal jornalismo investigativo. Sabe esse meu jeito irritado? É tensão pré-matéria especial. Sabe esse meu jeito pensativo? É que amanhã vence o aluguel, porra, e eu preciso de uma solução rápida pra coisa. Sabe esse meu jeito de ficar corrigindo o Português de todo mundo? É um pouco vício e, ok, um pouco de sacanagem. Sabe esse meu jeito desesperado? É que eu ainda tenho três matérias pra escrever. Sabe esse meu jeito todo metido? É que no próximo fim semana eu tô de folga, galera, eu tô de folga! Sabe esse meu jeito sonhador de ser? É charme. Sabe esse meu jeito meio chato? É chatice mesmo.


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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Bate-papo e autógrafos de “A vida de jornalista como ela é” em Palmas, Goiânia e Blumenau


Olá, amigos. A partir de sexta-feira (dia 16 de maio) até o dia 2 de junho, participo de três encontros com jornalistas. Serão bate-papos divertidos sobre o blog Desilusões perdidas e os desafios atuais da nossa profissão, além de sessões de autógrafo do livro “A vida de jornalista como ela é”.

A primeira parada é em Palmas, no Tocantins, para o Prêmio Sebrae de Jornalismo. O evento ocorre no dia 16 de maio, às 20h30, no Espaço Belladata.

No dia 28 de maio, uma quarta-feira, às 19 horas, participo do II Congresso Informe-se de Jornalismo, promovido pela PUC de Goiás. O encontro, dirigido a alunos e não alunos da universidade, será no Teatro Católica (Campus V da PUC), em Goiânia, com entrada pela Avenida Fued José Sebba.


Para saber mais sobre o evento, clique aqui.

Logo após a passagem por Goiás, rola o 7º Festival Interdisciplinar de Comunicação (ICOM) do IBES, em Blumenau (SC). Meu encontro com estudantes e jornalistas catarinenses é no dia 2 de junho, uma segunda-feira, às 18h45, no auditório do IBES (1º andar), localizado na Rua Pandiá Calógeras, 272. O evento também é destinado ao público em geral.


Para saber mais sobre o evento, clique aqui.

Caso sua faculdade se interesse por uma palestra e um personal lançamento do livro, escreva para dudarangel2009@gmail.com. Para eventos universitários sem fins lucrativos, a palestra não tem custo para os organizadores. Apenas eventuais despesas da viagem (transporte, hospedagem e alimentação). Valeu, valeu. Até mais!


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quinta-feira, 8 de maio de 2014

O álbum de figuraças da imprensa








1. A apresentadora reaça de telejornal que é reaça porque dá ibope.





2. O analista de mídias sociais.

3. O jovem jornalista barbudinho de esquerda bancado pelo pai barbeado de direita.

4. A blogueira de Moda chique e elegante bancada pela mãe chique e elegante que não faz ideia do que é um blog.

5. A fotógrafa lésbica de cabelo curtinho que adora um baseado e cultiva uma hérnia de tanto carregar peso.







6. O jornalista que bebe muito (em extinção, quase ficou fora do álbum).





7. A colunista social do jornal do interior filha do dono do jornal do interior.

8. A repórter de Política divorciada louca para viver um novo grande amor.

9. O repórter de Política divorciado louco para comer a assessora bonitinha.

10. O repórter de Internacional que virou repórter de Internacional porque era viciado em War na infância e adorava invadir o Alaska por Vladivostok.

11. O repórter bonitão que ninguém sabe se é metrossexual ou gay.

12. O jornalista que acumula dois empregos para poder pagar todas as contas do mês (a figuraça mais repetida do álbum).






13. A foca de óculos e sonhos e um livro de poesias começado e um ingresso guardado daquele show do Los Hermanos.





14. A jornalista em dúvida entre morar um tempo em Berlim, iniciar um Mestrado e mudar a cor do cabelo.

15. O repórter que vive atormentando os colegas no Facebook à caça de personagens para suas matérias.

16. A moça do tempo que chama mais atenção do que aquele mapinha tosco indicando que, no domingo, vai fazer 32 graus em Cuiabá, 29 em Vitória e 24 em Porto Alegre.

17. O crítico de cinema que usa cachecol até no verão.

18. O fotógrafo que conta piadas até em velório.

19. O repórter policial com quatro décadas de experiência, muitas histórias para contar e uma almofadinha para aliviar as hemorroidas.

20. O jornalista que ganha bem (a figuraça mais difícil de ser encontrada).


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terça-feira, 29 de abril de 2014

10 sintomas da pobreza de um jornalista


1. Ir à pauta de busão para embolsar a grana do táxi.

2. Fazer anotações na mão para economizar folhas do bloquinho.

3. Ir a uma coletiva chata só para garantir o almoço do dia.

4. Esfregar a caneta velha entre as mãos para soltar a tinta ressecada.

5. Passar a madrugada à base de café requentado escrevendo frilas que pagam mal pra cacete.

6. Aproveitar a entrevista com uma dermatologista famosa para perguntar qual o melhor tratamento para olheiras de jornalistas que passam a madrugada à base de café requentado escrevendo frilas que pagam mal pra cacete.

7. Decorar a casa só com presentinhos de assessor.

8. Perguntar ao entrevistado qual a operadora do celular dele para escolher o melhor chip e gastar menos no pré-pago.

9. Vender tudo que é tranqueira no MercadoLivre para conseguir comprar uma máquina fotográfica no MercadoLivre.

10. Usar a mesma calça jeans e o mesmo All Star há anos.


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terça-feira, 22 de abril de 2014

Jornalisten bundamolensen


Carta ao jornalista dinamarquês que ficou chocadinho com o Brasil e desistiu do sonho de cobrir a Copa do Mundo.

Prezado Mikkel Jensen ou “jornalisten bundamolensen” (para falar um dinamarquês bem claro),

Eu adoraria fazer uma cobertura jornalística sobre a bela primavera em Copenhague. A cidade ensolarada e cheia de gente com consciência ecológica pedalando de lá pra cá. Se você me fizer um convite, vou praí com grande satisfação. Desde que o convite inclua, claro, passagem aérea, hospedagem e alimentação.

É muito bom cobrir belas primaveras em qualquer cidade ensolarada do mundo, mas, quando a gente escolhe ser jornalista, precisa estar preparado para tudo, coisas belas ou não.

Mazelas, tragédias, desgraças em geral fazem parte da nossa realidade de jornalista.

Jornalista chocado com a realidade é como um cirurgião chocado com sangue ou uma ninfomaníaca com direito a volumes 1 e 2 chocada com uma “pirocassen” ou uma “xoxotassen” (aliás, estas foram as primeiras palavras que me ensinaram em dinamarquês).

E você, meu caro, chocado com o que ouviu ou imaginou do Brasil ainda abriu mão do sonho de cobrir uma Copa do Mundo? Que porra de jornalista você é, afinal?

Aqui, no Brasil, há muitas coisas lindas para se cobrir, mas aqui também se matam crianças. Se matam velhos, Amarildos, se queimam índios. Violência social é com a gente mesmo. E é por isso que o Brasil precisa tanto do olhar sem medo dos jornalistas.

Não basta ter sangue viking correndo pelas veias. É preciso ter sangue de jornalista correndo pelas veias.

Para não me alongar, paro por aqui. Fico aguardando um convite seu para cobrir a bela primavera em Copenhague. Não me importo de viajar em classe econômica, ok? E torço muito para que você reconsidere sua decisão e volte ao Brasil para realizar o seu sonho. Venha mesmo, mas, por favor, sem “mimimissen” (para falar um dinamarquês bem claro).

Cordialmente,
Duda Rangel


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terça-feira, 15 de abril de 2014

A arte de fazer tudo desaparecer


Apalpou os bolsos e nada.

Foi só voltar à redação e se dar conta de que o bloquinho de anotações havia desaparecido.

Era especialista em fazer as coisas desaparecerem. Bloquinhos, canetas, celulares, ideias geniais de dez minutos atrás. Seu apelido na redação era o “Repórter Lost”.

- Porra, São Longuinho, me ajuda aí.

O santo, que não é bobo, fingia não ouvir. Ajudar jornalista dá muito trabalho.

No bloquinho perdido estavam todas as aspas bombásticas para a grande matéria do dia. Resolveu voltar ao local da pauta, a rodoviária da cidade.

- Por favor, o senhor não viu um bloquinho perdido por aí, não? Um bloquinho de anotações pequeno, assim desse tamanho, capa azul ou vermelha, agora eu não lembro, todo sujo, com umas folhas bem rabiscadas, tipo letra que só farmacêutico entende.

Repetiu a pergunta várias vezes e nada.

Por que não inventam um bloquinho com microchip, rastreado por satélite e o cacete?

Se não reencontrasse o bloquinho, teria de se lembrar das informações e das aspas bombásticas de cabeça. Logo ele que, por três vezes seguidas, havia sido reprovado num curso de memorização a distância.

- Porra, São Longuinho, eu dou mil pulinhos mais juros extorsivos de 13,7% pelo milagre, tipo cheque especial, topa?

O santo, que não é bobo, topou. Mas pediu 15%.

Foi o faxineiro quem encontrou o bloquinho. No banheiro.

- Ó aqui, seu jornalista, seu bloquinho perdido. Mas eu vou falar uma coisa pro senhor: essa letra aí nem farmacêutico entende.

A matéria estava salva, o faxineiro ganhou um beijo na testa e o santo levaria seus 1.150 pulinhos de boa. No carro, voltando à redação pela segunda vez, foi saboreando as aspas bombásticas. O deadline apertou. Pensou num lead.

Mas foi só sentar para escrever a matéria e... O que estava acontecendo? Queria porque queria digitar e nada. A ideia genial de lead de dez minutos atrás havia desaparecido. Assim, sem mais nem menos. E sem deixar rastros.


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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Jornalista, breve definição


Ser jornalista é vida sem meio-termo. É ter diploma de bipolaridade. Ou não ter diploma. É amor e é dor. Entusiasmo e apatia no mesmo dia. É querer salvar o mundo sabendo que essa merda não tem mais jeito, não. É ter muitas ideias para o futuro e não ter a menor ideia do futuro. É bater e é apanhar. É ser seguramente inseguro. É ter ora uma vontade louca de viajar o planeta ora de ficar quietinho no seu canto. É ir do Inferno ao Céu numa única pauta. É odiar Matemática, mas encher a matéria de números. É querer fazer tanta coisa e ter uma preguiça danada. É ser livre sem ser livre. É se achar mesmo quando se está perdido. É ter porra nenhuma para celebrar e, ainda assim, ir ao bar. Um brinde à porra nenhuma! É fazer graça da desgraça. É dormir cheio de aflição e acordar cheio de excitação. Ser jornalista é ser tudo isso e não ser. Eis a confusão.


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terça-feira, 25 de março de 2014

O jornalista supersincero


Você não tem uma foto melhor, não? Eu vi a que você me mandou, mas você tá tão gorda lá, cara de cu. Vai estragar minha matéria.

Caneta de novo? Vocês já deram jabá melhor pra imprensa, hein?

Eu não vou publicar o seu release porque tá uma merda.

Reunião? Teu chefe não tá em porra nenhuma de reunião. Ele não quer é me atender.

Não vem com esse papo de amiguinho. Você só tá me escrevendo porque tá desempregado e quer uma boquinha aqui na redação.

Prefiro que você me envie as respostas por e-mail. É que estou com uma preguiça danada de fazer a entrevista por telefone.

O lançamento do celular em si não me despertou nenhum interesse. Eu só vim mesmo pra coletiva pra comer. Aproveita e me passa aquele canapé. O de tomate seco.

Você não tem uma declaração mais original, não? Essa história de que agora é levantar a cabeça, corrigir os erros e trabalhar duro em busca dos três pontos é tão clichê.

Ele tá em reunião ainda? Escuta, querida, não é que eu me importe com o que ele tem a falar. Eu tô cagando pro que ele tem a falar. É que eu tenho que ouvir a porra do outro lado pra fechar a matéria.

Adoro desgraça de pobre. Sempre dá audiência.

Já que você está muito a fim de me namorar, eu preciso te avisar: eu não sou famoso, eu trabalho de fim de semana e, ontem num e-mail, você escreveu abraço com dois esses. É com cedilha, anta!


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quinta-feira, 13 de março de 2014

Quer uma palestra gratuita do Duda Rangel na sua faculdade?


Sair do mundo virtual do blog e cair no mundo real dos encontros universitários, de Norte a Sul do Brasil, tem sido uma experiência maravilhosa para mim. É muito bom falar de jornalismo, discutir jornalismo e ouvir o que os jovens estudantes pensam sobre a profissão – seus sonhos, dúvidas, curiosidades.

Nas palestras e bate-papos, abordamos as coisas sérias da profissão com bom humor, os encantos e desencantos, os desafios atuais, o blog Desilusões perdidas e muito mais. Junto com a palestra, rola um lançamento do livro “A vida de jornalista como ela é”, com direito a sessão de autógrafos e fotos meigas para se postar no Facebook.

Para encontros universitários sem fins lucrativos, como semanas de Comunicação, a palestra não tem custo para os organizadores. Apenas eventuais despesas da viagem (transporte, hospedagem e alimentação). Se você desejar uma palestra na sua faculdade, é só escrever para dudarangel2009@gmail.com. Valeu. Até mais!


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terça-feira, 11 de março de 2014

Sem generalizar, por favor


Nem todo dia é um novo dia, nem todo padre é pedófilo, nem todo pastor arranca a grana dos fiéis, nem todo cara de olho puxado é japonês, nem todo cabeleireiro é viado, nem todo político “roba”, nem todo taxista diz que todo político “roba”, nem todo jornalista trabalha na Globo, nem todo partido de esquerda é realmente de esquerda, nem todo policial é corrupto, nem todo jogador de futebol é mercenário, nem todo corintiano é favelado, nem todo mundo odeia o Cris, nem toda venezuelana é miss, nem toda miss leu o Pequeno Príncipe, nem todo homem é igual, nem toda generalização é burra, nem toda loira é burra, nem todo carioca gosta de praia, nem todo paulista gosta de trabalhar, nem todo cearense é engraçado, nem todas as merdas que acontecem no mundo, incluindo guerras e catástrofes naturais, são culpa do PT, nem todo moleque que se chama Romário se chama Romário por causa do Romário, nem toda bruxa tem aquela verruga nojenta na cara, nem toda segunda-feira é deprê, nem todo brasileiro é igual perante a lei, nem todo árabe é terrorista, nem todo dia de finados chove, nem todo mundo no Facebook é feliz como diz, nem tudo vale a pena seja a alma extra large, média ou pequena.


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quinta-feira, 6 de março de 2014

10 formas de você convencer seus pais de que vale a pena estudar jornalismo


Vocês já pensaram quantos prédios eu derrubaria se fosse engenheiro civil? Quantos bisturis eu esqueceria dentro de gente inocente se fosse cirurgião? Ser jornalista é um ato de amor à vida alheia.

Quando eu estiver na bancada do Jornal Nacional dizendo boa noite para milhões de brasileiros, a vizinhança toda vai ter inveja de vocês pelo filho que vocês têm. (nota: o único ponto negativo é que no futuro eles vão cobrar isso de você)

Vocês sabem que eu nunca fui bom em nada. Não sei chutar uma bola de futebol e nas Olimpíadas de Matemática da escola eu sempre era eliminado na primeira fase! Pô, a única coisa que faço direito é contar histórias.

Como o meu irmão mais velho já estudou o que vocês queriam, agora eu vou poder estudar o que eu quero, certo? Tipo ser jornalista, certo?

Vocês têm noção de quanto custa uma faculdade de medicina?

Mãe, como jornalista, eu vou descolar convite pra senhora ver o Roberto Carlos no navio. Quando eu estou aqui eu vivo este momento lindo, mãe! Tudo de graça!

Pai, quem é que precisa de dinheiro? Ok, tá, tudo bem, eu preciso de dinheiro, aliás, eu ia até pedir pro senhor me arrumar uma grana agora, mas dinheiro também não é assim tudo nessa vida.

Aí a Mãe Alzira jogou aquelas pedrinhas na mesa, aí a Mãe Alzira soltou aquela fumaça fedida de cigarro na minha cara, aí a Mãe Alzira disse pra mim “mizifia, suncê vai ser jornalista”, aí eu lembrei que a senhora me disse uma vez, mãe, que a Mãe Alzira não falha.

Pai, eu tô na dúvida entre ser stripper e jornalista. Qual profissão o senhor acha que eu devo seguir? (nota: existe, sim, o risco de alguns pais responderem stripper)

Lembram quando vocês me falavam que ler é o máximo? Quando vocês falavam que a gente tem que lutar por um mundo melhor? Buscar sempre a verdade? Agora, não adianta vocês ficarem me olhando torto. A culpa é toda de vocês.


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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

G.R.E.S. Unidos da Redação


Carnaval de jornalista tem o plantão aí, gente, tem a ala das focas, a ala das assessoras, tem o atrás da grande matéria só não vai quem já morreu, tem credencial que vale mais que abadá, tem ascensão e queda do diploma categoria luxo, tem o bota lá no lead, bota, meu amor, tem a expectativa da apuração, tem a concentração no fechamento, tem a dispersão da equipe após essa correria toda, tem a velha que guarda os textos numa pastinha, tem o empregobeleza, tem release cheio de adereços, tem pauta que é um ziriguidum só, tem entrevistado do balacobaco, tem a porta-jabá a desfilar pela redação, tem o puxador de saco-enredo, tem a rainha da boca-livre, tem jornalista mascarado, tem quem não gosta de rua bom repórter não é, tem ô abre aspas que eu quero publicar, tem a apoteose do furo, tem a folia dos bloquinhos, tem o quesito profissão maluca dez nota dez.

Veja tambémas marchinhas jornalísticas de carnaval cantadas


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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Marchinhas jornalísticas de carnaval






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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Espermatozoides



Apenas um entre milhões de espermatozoides consegue fecundar o óvulo. É desta competição da porra que a gente nasce.

Então, a gente compete pelos mimos da mamãe, por um brinquedinho de pilha. A gente compete pelo último biscoito Passatempo do pacote, pelas melhores notas na escola, pelo primeiro beijo. A gente compete na natação, no futebol, no Candy Crush, no Playstation. A gente compete por seguidores no Twitter, por curtidas no Facebook. A gente compete pelo amor da pessoa amada. Pela barriga mais sarada. Por ouvidos para os nossos desabafos. A gente compete no Enem, no estágio, na entrevista de emprego. A gente compete por aumento de salário, por um cargo mais alto na firma. A gente compete pelo peru da Sadia em promoção no Carrefour. Por um banheiro público no carnaval. Pelos milhões da Mega-Sena. Por um horário na agenda do dentista. A gente compete por um assento no busão. Pelo melhor lugar no cinema. A gente compete com carros, gente, bicicletas pelo mesmo espaço nas ruas. No casamento, a gente compete pela merda do controle remoto da TV. A gente compete com a gente mesmo. Com nossa memória, com nossa preguiça. A gente compete por um leito no hospital, por uma vaga na UTI. A gente compete até por uma boquinha no Céu.


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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Santiago e os riscos da vida de jornalista


Jornalismo é uma profissão de riscos.

Alguns bons, como o risco de se apaixonar por contar histórias.

E para contar histórias a gente vai chegando pertinho delas. Meio sem pedir licença.

Não se faz bom jornalismo de um helicóptero.

Santiago Andrade foi morto na rua, no meio de um protesto, no meio de uma história.

Ah, sim, há também os riscos ruins da profissão, como o risco de morrer tentando contar uma história.

Porque, por mais que pareça improvável, há o risco de um babaca acender um rojão no meio da história.

E o jornalista, acostumado a dar o sangue, derrama seu sangue.

E os outros jornalistas, que seguimos vivos, ficamos confusos com tantos riscos para calcular, o que vale a pena correr, o que não vale, logo nós, que nunca fomos bons em cálculos. Apenas em contar histórias.


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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

10 ótimas razões para protestar contra a Copa do Mundo no Brasil


Enquanto muito se fala em estádios superfaturados e no provável caos da mobilidade urbana, questões bem mais importantes são deixadas de lado. Sem medo de botar o dedo nas feridas reais, o blog levantou 10 motivos para fazer um protesto contra a Copa no Brasil realmente valer a pena. Pense nisso antes de ir pra rua.

1. No show de abertura, periga Claudinha Leitte, que se acha a globalizada, querer cantar em inglês, em francês, italiano ou em todas essas línguas ao mesmo tempo, botando em risco a ótima reputação que a música popular brasileira conquistou ao longo de tanto tempo.

2. O ufanismo de Galvão Bueno chegará a níveis estratosféricos.

3. A concentração de argentinos no Brasil, normalmente restrita a Floripa e Búzios, se dará no País inteiro. Já imaginou encontrar argentino em todo canto? Pior que um surto nacional de dengue.

4. Será insuportável ver a criativa imprensa brasileira fazer, pela milionésima vez, matérias sobre o risco de um novo Maracanazo, com direito a entrevistas psicografadas com o goleiro Barbosa defendendo-se da cruel acusação de vilão de 50.

5. Tudo ficará muito inflacionado durante a Copa. Uma ex-panicat ou uma ex-capa da Sexy que normalmente cobra R$ 5 mil por um city tour completo vai aproveitar a invasão de gringos e pedir o triplo deste valor.

6. Com a realização da Copa no Brasil, uma confusão mental sem precedentes afetará o nosso povo. Protesto por um País melhor ou assisto aos jogos? Protesto ou assisto apenas aos jogos do Brasil? Protesto ou assisto apenas aos jogos do Brasil a partir das oitavas? Grito por mais educação ou por mais um gol do Neymar? Uma mistura de dúvidas e culpa pode levar milhões de brasileiros ao divã num tratamento que duraria até a Copa de 2018.

7. Ninguém merece mascote de nome Fuleco.

8. Numa das maiores ações de marketing de guerrilha já vistas no mundo, a Dolly pode criar uma versão pirata da Coca-Cola Fun Fest. Já pensou? Um evento com centenas de tevês de tubo para o povo acompanhar os jogos do Brasil, muito funk, distribuição de ovinhos de amendoim e Dollynho Guaraná que pisca.

9. Assistir a um jogo num estádio de futebol será de uma chatice padrão Fifa. O brasileiro, dado a uma falta básica de civilidade, terá pequenos prazeres furtados, como o arremesso de copo cheio de mijo na galera e a brincadeira de apontar um sinalizador para a cabeça de torcedores rivais, no caso para a cabeça dos torcedores argentinos.

10. Eles podem odiar, mas existe também o risco de os gringos amarem Claudinha Leitte globalizada poliglota. A loira se tornaria a nova referência do País pós-Bossa Nova e a música popular brasileira estaria lascada para sempre.


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