Mas jura que era off? Cê tá falando sério? Eu tinha entendido que era para publicar numa boa.
Eu sei que exceção se escreve com “cedilha”. Eu botei os dois “esses” aí só pra ver se o editor estava esperto.
Ô, segurança, deixa eu dar uma entradinha rápida. Ô, parceiro, é para ir ao banheiro. Prometo que não vou xeretar a reunião. É que eu tenho bexiga solta. Mal de família.
Chefe, eu até poderia abrir mão da minha folga no sábado, mas não dá. Minha tia, coitada, lá de Votuporanga, tá muito doente.
Se tivessem me dado uma máquina melhor, a foto teria ficado boa.
Eu sempre dou crédito para o texto dos outros. Deve ter dado algum pau no sistema na hora de publicar e não saiu o seu nome.
Opa, desculpa, era para desligar? Nem vi que o gravador tava ligado.
Não tenho QI, por isso nunca trabalhei na grande imprensa.
Só atrasei para a entrevista por causa desse trânsito maluco.
Tá bom, tá bom, eu xinguei alguns leitores pelo Twitter, mas não imaginava que isso fosse dar tanta repercussão.
Eu fiz a cagada? Que nada, foi o estagiário!
Amor, não é que eu... amor, escuta, não é que eu esqueci seu aniversário. É que foram tantas pautas hoje que meus neurônios não tiveram tempo de se ligar na data.
Eu não bebo porque eu quero ou porque eu gosto. É porque eu preciso extravasar, entende?
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terça-feira, 24 de setembro de 2013
Desculpas de jornalista
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quinta-feira, 19 de setembro de 2013
10 dicas para um jornalista desencalhar
A primeira e talvez a dica mais importante: frequentar eventos sociais exclusivos de jornalista é uma puta cagada. Além de ser mais difícil encontrar sua alma gêmea, você corre o risco de encontrar uma alma gêmea tão pobre quanto a sua alma. Abra o leque. Que tal dar uma passadinha no Congresso Anual de Criadores de Puro-Sangue Inglês?
Evite falar sobre jornalismo no primeiro encontro. Se conseguir evitar nos 200 encontros seguintes, também será ótimo. Não há romantismo que resista a alguém reclamando da pauta, do mercado de trabalho. Eu sei que não é fácil, mas tente se concentrar. Força.
Outras coisas que devem ser evitadas: dizer que faz plantão de domingo ou no carnaval, presenteá-lo com algum jabá ganho em coletiva, levar bloquinho e caneta para o motel, pedir para ele ler e elogiar a sua matéria, ou confessar que tem um blog.
Quando puxar conversa com alguém numa balada, lembre-se de que você não está trabalhando. Pior do que “você vem sempre aqui?” é perguntar o que, quem, quando, onde, como e por quê. Xaveco não tem lead. Ah, pedir para gravar a conversa também queima o filme.
Muitos jornalistas estão encalhados por serem superexigentes. É o típico jornalista que só quer a grande reportagem e não se contenta com qualquer merda. Querer o melhor não é crime, mas amor é como frila: se você ficar esperando só os bons, vai acabar na mão.
Por mais que você não tenha tempo livre para nada, inclusive para desencalhar, é cool dizer que você mantém um hobby. Pessoas que mantêm um hobby são mais sedutoras. Invente algo legal e, lembrando mais uma vez, nada de dizer que você tem um blog.
Se conhecer alguém interessante, recomende a tal pessoal a leitura do clássico texto “10 razões para namorar um jornalista”, do blog Desilusões perdidas. E jamais o deixe acessar o ainda mais clássico “1.000 razões para não namorar um jornalista”.
Dê um upgrade na sua autoestima e valorize suas qualidades para atrair a pessoa amada. Apesar de ser jornalista, você deve ter algumas qualidades. Sei lá, umas duas pelo menos. Tipo o quê? Descolar ingresso para a área vip de shows é uma qualidade.
Essa coisa de fazer simpatia para Santo Antônio não funciona mais. O santo não se atualizou, não fez uma especialização em “Matrimônios na Pós-Modernidade” e ficou complicado para ele seguir fazendo milagre. Aposte em aplicativos como “Date a Jornalist”. É só botar o aplicativo de cabeça para baixo num copo d´água virtual. E rezar.
Por mais que o bom jornalista deva checar até declaração de amor que recebe, no caso dos encalhados isso não é necessário. E não se trata de negligenciar a apuração. Se você tiver a chance de ouvir um “eu te amo”, acredite sem desconfiar, abra aspas, abra um sorriso e responda “eu também”.
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Evite falar sobre jornalismo no primeiro encontro. Se conseguir evitar nos 200 encontros seguintes, também será ótimo. Não há romantismo que resista a alguém reclamando da pauta, do mercado de trabalho. Eu sei que não é fácil, mas tente se concentrar. Força.
Outras coisas que devem ser evitadas: dizer que faz plantão de domingo ou no carnaval, presenteá-lo com algum jabá ganho em coletiva, levar bloquinho e caneta para o motel, pedir para ele ler e elogiar a sua matéria, ou confessar que tem um blog.
Quando puxar conversa com alguém numa balada, lembre-se de que você não está trabalhando. Pior do que “você vem sempre aqui?” é perguntar o que, quem, quando, onde, como e por quê. Xaveco não tem lead. Ah, pedir para gravar a conversa também queima o filme.
Muitos jornalistas estão encalhados por serem superexigentes. É o típico jornalista que só quer a grande reportagem e não se contenta com qualquer merda. Querer o melhor não é crime, mas amor é como frila: se você ficar esperando só os bons, vai acabar na mão.
Por mais que você não tenha tempo livre para nada, inclusive para desencalhar, é cool dizer que você mantém um hobby. Pessoas que mantêm um hobby são mais sedutoras. Invente algo legal e, lembrando mais uma vez, nada de dizer que você tem um blog.
Se conhecer alguém interessante, recomende a tal pessoal a leitura do clássico texto “10 razões para namorar um jornalista”, do blog Desilusões perdidas. E jamais o deixe acessar o ainda mais clássico “1.000 razões para não namorar um jornalista”.
Dê um upgrade na sua autoestima e valorize suas qualidades para atrair a pessoa amada. Apesar de ser jornalista, você deve ter algumas qualidades. Sei lá, umas duas pelo menos. Tipo o quê? Descolar ingresso para a área vip de shows é uma qualidade.
Essa coisa de fazer simpatia para Santo Antônio não funciona mais. O santo não se atualizou, não fez uma especialização em “Matrimônios na Pós-Modernidade” e ficou complicado para ele seguir fazendo milagre. Aposte em aplicativos como “Date a Jornalist”. É só botar o aplicativo de cabeça para baixo num copo d´água virtual. E rezar.
Por mais que o bom jornalista deva checar até declaração de amor que recebe, no caso dos encalhados isso não é necessário. E não se trata de negligenciar a apuração. Se você tiver a chance de ouvir um “eu te amo”, acredite sem desconfiar, abra aspas, abra um sorriso e responda “eu também”.
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quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Jornalistas, atenção aos procedimentos de segurança antes de viajar nesta redação
Olá, senhoras e senhores jornalistas. Sou Duda Rangel. Em nome do editor-chefe, apresento as boas-vindas a bordo desta redação, com destino ao inferno do fechamento.
Durante o trabalho de apuração e checagem de informações, por telefone, e-mail ou pelo Google, o encosto de sua cadeira deverá ser mantido na posição vertical, para você não ficar reclamando depois de dores nas costas.
Para evitar frustrações, observe os avisos de atar os pés no chão, pois esta viagem está sujeita a muitas turbulências.
Em caso de bloqueio criativo na hora de escrever a matéria, uma luz divina não cairá automaticamente sobre a sua cabeça. É bom você queimar seus neurônios. Se pintarem ideias originais, ajuste-as ao seu texto e só depois empreste alguma para o companheiro ao lado – aquele com cara de bunda à espera da luz divina.
Informamos que poderão ser utilizados laptops e celulares apenas em modo “redação”, ou seja, para fins profissionais. Joguinhos no Facebook deverão permanecer desligados.
A redação tem uma máquina de café na parte do fundo, onde é proibido falar mal do chefe. O ambiente do café está equipado com detector de fofocas.
Esta redação possui três saídas de emergência: uma para fazer frilas por aí, outra para um concurso público na Petrobras e outra para vender artesanato numa praia de Floripa.
Manuais chatos de jornalismo e guias de sobrevivência em redação encontram-se na gaveta à sua frente.
Em caso de pouso de um passaralho, lembramos que o seu emprego é flutuante.
Obrigado por terem escolhido trabalhar nesta redação. Tenham todos uma ótima viagem.
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segunda-feira, 9 de setembro de 2013
10 razões para ainda se acreditar no jornalismo
Nunca se leu tanto. Lê-se muita merda, é verdade, mas se lê. E isso é ótimo. O número de leitores mais qualificados também aumenta, exigindo do jornalismo uma constante evolução.
O jornalismo é como marido: tem muito por aí que não presta mesmo, que desaprendeu a seduzir, mas existem os que ainda conseguem encantar.
Vejo vários jovens jornalistas desiludidos com a profissão, mas vejo também muitos outros com um puta tesão de resgatar os bons valores e ideais do jornalismo. Sim, há esperança.
Já temos alternativas à velha grande mídia. Com a tecnologia, surgem canais de informação mais plurais e democráticos. Tá tudo aí. Só nos resta construir outras formas de fazer jornalismo.
A mídia é muito mais fiscalizada hoje. A transparência que tanto se deseja para o País inclui também as empresas de comunicação. Com mais vigilância, fica mais difícil manipular e mentir.
Com fé, em pouco tempo o Galvão Bueno se aposenta. Isso também já vai ajudar muito.
O jornalismo está em crise há algum tempo, tadinho, mas dá para ele fazer uma terapia e ficar praticamente bom. Ele pode contar com o seu apoio?
Por mais que o jornal impresso esteja quase ganhando uma hashtag RIP nas mídias sociais, as boas histórias não morrem. E com boas histórias para se contar, o jornalismo mantém-se vivo.
Há tanta violência contra os jornalistas, tanta exploração e desaforo, mas muitos jornalistas resistem com coragem. Esse povo merece um voto de confiança, não?
A gente acredita em tanta coisa nesse mundo, duende, cartomante, diagnóstico médico. Porra, custa acreditar também no jornalismo?
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O jornalismo é como marido: tem muito por aí que não presta mesmo, que desaprendeu a seduzir, mas existem os que ainda conseguem encantar.
Vejo vários jovens jornalistas desiludidos com a profissão, mas vejo também muitos outros com um puta tesão de resgatar os bons valores e ideais do jornalismo. Sim, há esperança.
Já temos alternativas à velha grande mídia. Com a tecnologia, surgem canais de informação mais plurais e democráticos. Tá tudo aí. Só nos resta construir outras formas de fazer jornalismo.
A mídia é muito mais fiscalizada hoje. A transparência que tanto se deseja para o País inclui também as empresas de comunicação. Com mais vigilância, fica mais difícil manipular e mentir.
Com fé, em pouco tempo o Galvão Bueno se aposenta. Isso também já vai ajudar muito.
O jornalismo está em crise há algum tempo, tadinho, mas dá para ele fazer uma terapia e ficar praticamente bom. Ele pode contar com o seu apoio?
Por mais que o jornal impresso esteja quase ganhando uma hashtag RIP nas mídias sociais, as boas histórias não morrem. E com boas histórias para se contar, o jornalismo mantém-se vivo.
Há tanta violência contra os jornalistas, tanta exploração e desaforo, mas muitos jornalistas resistem com coragem. Esse povo merece um voto de confiança, não?
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013
A vida de jornalista, enfim, no Rio
Embora escrito por este paulistano, o blog Desilusões perdidas tem um sotaque carioca. Tem uma descontração carioca, um romantismo pela profissão carioca. Um quê de poesia também.
No próximo dia 12 de setembro (uma quinta-feira), estarei, enfim, no Rio, para uma conversa informal com os amigos e uma sessão de autógrafos do livro.
O papo começa às 19h30 no auditório do campus Botafogo da FACHA (Faculdades Integradas Hélio Alonso). O lançamento do livro é logo depois, no pátio da faculdade. O endereço da FACHA é Rua Muniz Barreto, 51, Botafogo.
O evento é gratuito e aberto a todos os interessados, jornalistas e estudantes, inclusive de outras faculdades do Rio. É também uma parceria da FACHA com o grupo JornalistasRJ do Facebook, organizadores do encontro.
Apareçam, chamem os amigos, divulguem. Vai ser maneiríssimo.
Aos amigos de outras cidades, o livro segue à venda pela loja no Facebook aqui, com frete grátis para todo Brasil e a possibilidade de o comprador pedir uma dedicatória.
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terça-feira, 3 de setembro de 2013
O que as pessoas dizem quando você diz...
Que é repórter de moda
Você não descola pra mim uns convites pra São Paulo Fashion Week? Tipo primeira fila?
Assessor de imprensa
Mas você faz exatamente o quê?
Colunista de fofoca
Putz, eu até ia te contar a minha vida, mas nem vou mais.
Repórter de rádio
Nossa, você tem a maior voz de locutor mesmo!
Analista de mídias sociais
Ah, você é a pessoa que passa o dia inteiro postando piadinhas no Facebook, né?
Repórter esportivo
Que massa! Você é amigo daqueles jogadores tudo?
Crítico musical
Então, a gente tem uma banda com um puta trabalho autoral. Não rola uma resenha, não? Positiva, claro.
Estudante de jornalismo
Mas não tinham acabado com o diploma?
Crítico de televisão
Você ganha pra ver novela e falar mal do povo, é isso? Porra, queria ter um emprego assim.
Revisor de jornal impresso
Cara, você ainda existe? (apertando o braço para se certificar de que não se trata de um fantasma)
Ombudsman
Quê?
Produtor de rádio pela manhã, editor de imagens à tarde, voz e violão à noite
Caraca, mano, cê não trepa, não?
Blogueiro
E isso dá dinheiro?
Fotógrafo
Já trabalhou na Playboy?
Repórter do Canal Rural
Eu acho que já ouvi falar desse canal. Passa na NET?
Qualquer função jornalística na Rede Globo
Então, meu filho tá se formando em jornalismo, não tem vaga lá pra ele? O menino é esforçado e é super fã do Bonner.
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Mas você faz exatamente o quê?
Colunista de fofoca
Putz, eu até ia te contar a minha vida, mas nem vou mais.
Repórter de rádio
Nossa, você tem a maior voz de locutor mesmo!
Analista de mídias sociais
Ah, você é a pessoa que passa o dia inteiro postando piadinhas no Facebook, né?
Repórter esportivo
Que massa! Você é amigo daqueles jogadores tudo?
Crítico musical
Então, a gente tem uma banda com um puta trabalho autoral. Não rola uma resenha, não? Positiva, claro.
Estudante de jornalismo
Mas não tinham acabado com o diploma?
Crítico de televisão
Você ganha pra ver novela e falar mal do povo, é isso? Porra, queria ter um emprego assim.
Revisor de jornal impresso
Cara, você ainda existe? (apertando o braço para se certificar de que não se trata de um fantasma)
Ombudsman
Quê?
Produtor de rádio pela manhã, editor de imagens à tarde, voz e violão à noite
Caraca, mano, cê não trepa, não?
Blogueiro
E isso dá dinheiro?
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Já trabalhou na Playboy?
Repórter do Canal Rural
Eu acho que já ouvi falar desse canal. Passa na NET?
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quinta-feira, 29 de agosto de 2013
O jornalismis, segundo Mussum
Sempre dá um branquis na hora de escrever o lidis.
Tá cheiozis de jornalistis querendo ser o novo Bonnis ou a nova Poetis.
Suco de cevadis no botequis deixa os reportis barrigudis.
Jornalistis tem uma vaidadis do caralhis.
Datenis é o reizis do jornalismis marronzis.
Os foquis morrem de medis de perder o deadlinis.
Quando vem o passaralhis, os jornalistis levam um pé no forevis.
O diplomis de jornalistis saiu pra comprar cigarris.
Coletivis bacanis tem filezis ao molho madeiris e muitos jabazis.
Cacildis, o jornalismis é igual a cachacis.
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segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Os Outros ou A história das Almas Jornalísticas na redação dos Vivos
Eram quatro as Almas Jornalísticas que perambulavam pela redação habitada pelos Outros, os jornalistas vivos.
A Alma Boêmia era a única que não aceitava a morte. Ficava lá, de um lado pro outro da redação com um cigarro apagado na mão, a pedir fogo aos Outros. Ninguém a via e, mesmo que um repórter com dons mediúnicos a visse, não teria fogo. Não se fumava por ali havia tempos. A Alma Boêmia também se atormentava com a ideia de que poucos bebiam uísque ou cerveja. Vivia-se a ditadura do suco de frutas vermelhas. Sem adição de açúcar.
Havia duas Almas Revisoras, que passavam horas e horas esparramadas em suas poltronas fazendo deboche dos erros de Português dos Outros. Era só alguém deslizar numa concordância ou botar uma vírgula onde não se devia botar uma vírgula para começarem as gargalhadas. Chegavam a engasgar de tanto rir. Ou cair das poltronas.
A quarta alma era a Alma Investigativa, que sonhava encontrar entre os Outros sua alma gêmea. A busca não era fácil, levando-se em consideração que os Outros gostavam muito do tal jornalismo declaratório e dos dossiês customizados. A Alma Investigativa, contudo, não desistia de acreditar na perpetuação da espécie.
Alguns dos Outros ralavam tanto naquela redação que não era incomum ouvi-los dizer, ao fim do dia de trabalho, que estavam mortos. Mas era só uma sensação passageira.
E assim iam-se passando os dias. A Alma Boêmia irritada toda vez que alguém saboreava um sanduíche de peito de peru; as Almas Revisoras zombando dos que, por sua vez, zombavam da língua portuguesa; e a Alma Investigativa apurando um sinal de sua alma gêmea, qualquer sinal, um pontinho luminoso sobre o ombro ou um puta texto investigativo escrito por alguém dos Outros.
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A Alma Boêmia era a única que não aceitava a morte. Ficava lá, de um lado pro outro da redação com um cigarro apagado na mão, a pedir fogo aos Outros. Ninguém a via e, mesmo que um repórter com dons mediúnicos a visse, não teria fogo. Não se fumava por ali havia tempos. A Alma Boêmia também se atormentava com a ideia de que poucos bebiam uísque ou cerveja. Vivia-se a ditadura do suco de frutas vermelhas. Sem adição de açúcar.
Havia duas Almas Revisoras, que passavam horas e horas esparramadas em suas poltronas fazendo deboche dos erros de Português dos Outros. Era só alguém deslizar numa concordância ou botar uma vírgula onde não se devia botar uma vírgula para começarem as gargalhadas. Chegavam a engasgar de tanto rir. Ou cair das poltronas.
A quarta alma era a Alma Investigativa, que sonhava encontrar entre os Outros sua alma gêmea. A busca não era fácil, levando-se em consideração que os Outros gostavam muito do tal jornalismo declaratório e dos dossiês customizados. A Alma Investigativa, contudo, não desistia de acreditar na perpetuação da espécie.
Alguns dos Outros ralavam tanto naquela redação que não era incomum ouvi-los dizer, ao fim do dia de trabalho, que estavam mortos. Mas era só uma sensação passageira.
E assim iam-se passando os dias. A Alma Boêmia irritada toda vez que alguém saboreava um sanduíche de peito de peru; as Almas Revisoras zombando dos que, por sua vez, zombavam da língua portuguesa; e a Alma Investigativa apurando um sinal de sua alma gêmea, qualquer sinal, um pontinho luminoso sobre o ombro ou um puta texto investigativo escrito por alguém dos Outros.
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Duda Rangel Tour em Aracaju e Chapecó
O Duda Rangel Tour 2013 faz, em agosto, mais duas escalas.
A primeira parada será em Aracaju (SE), nesta sexta-feira, dia 23, para o lançamento do livro “A vida de jornalista como ela é” durante o 17º Encontro Sergipano de Comunicação (ENSECOM). O evento é organizado pela Universidade Tiradentes - Unit.
A sessão de autógrafos será após um papo arretado que terei com estudantes e jornalistas de Aracaju, previsto para as 20 horas no auditório da universidade (Bloco D). Conversaremos sobre a vida de jornalista – com seus encantos e desencantos –, os desafios de nossa profissão, o blog Desilusões perdidas e muito mais.
No dia 30 de agosto, também sexta-feira, estarei em Chapecó (SC), para participar da Semana Acadêmica de Jornalismo da Unochapecó. O encontro com alunos e ex-alunos da universidade será às 19 horas, no Salão de Atos, para mais um bate-papo sobre a vida de jornalista e o lançamento do livro.
Nas duas ocasiões, terei mais uma vez o apoio de meus dois personal assessores de imprensa, que adoram uma boca-livre.
Em breve, divulgarei a nova data do encontro no Rio de Janeiro. Caso sua faculdade se interesse por uma palestra e um personal lançamento do livro, é só pedir em dudarangel2009@gmail.com.
Lembro que a venda do livro segue também pela loja no Facebook aqui, com frete grátis para todo o Brasil e a possibilidade de o comprador pedir uma dedicatória.
Obrigado e até mais!
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A primeira parada será em Aracaju (SE), nesta sexta-feira, dia 23, para o lançamento do livro “A vida de jornalista como ela é” durante o 17º Encontro Sergipano de Comunicação (ENSECOM). O evento é organizado pela Universidade Tiradentes - Unit.
A sessão de autógrafos será após um papo arretado que terei com estudantes e jornalistas de Aracaju, previsto para as 20 horas no auditório da universidade (Bloco D). Conversaremos sobre a vida de jornalista – com seus encantos e desencantos –, os desafios de nossa profissão, o blog Desilusões perdidas e muito mais.
No dia 30 de agosto, também sexta-feira, estarei em Chapecó (SC), para participar da Semana Acadêmica de Jornalismo da Unochapecó. O encontro com alunos e ex-alunos da universidade será às 19 horas, no Salão de Atos, para mais um bate-papo sobre a vida de jornalista e o lançamento do livro.
Nas duas ocasiões, terei mais uma vez o apoio de meus dois personal assessores de imprensa, que adoram uma boca-livre.
Em breve, divulgarei a nova data do encontro no Rio de Janeiro. Caso sua faculdade se interesse por uma palestra e um personal lançamento do livro, é só pedir em dudarangel2009@gmail.com.
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segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Os signos e os jornalistas
O jornalista de Áries é corajoso e impulsivo. Sobe morro não pacificado de boa. “Me dá logo essa porra de colete”, ordena ao próprio chefe. Louco por adrenalina, é perfeito para programas de esportes radicais. Só não peça a um ariano cobrir a escolha de um novo papa ou show acústico do Marcelo Camelo. Porque ele vai ter o impulso de te mandar à merda.
O jornalista de Touro é tão tranquilo, tão tranqüilo, que nem se importa se tranquilo tem ou não tem trema. Se você quiser, ele bota; se não, ele tira. Tem o perfil ideal para os longos plantões. Costuma ser teimoso. Se o entrevistado protestar “mas eu não disse isso que você anotou aí”, o taurino será firme: “disse, sim, senhor”. Mas se o entrevistado quiser, ele tira.
O jornalista de Gêmeos é o melhor dos repórteres investigativos. Adora botar o nariz onde não é chamado. E a orelha e o resto do corpo. Tem uma espécie de comichão ou quentura quando cheira notícia boa no ar. Também costuma investigar as intimidades dos próprios colegas de redação e espalhar os detalhes mais sórdidos por aí. Entre um café e outro.
O jornalista de Câncer, um fofo, trata todo mundo com delicadeza, até o assessor de imprensa que pede para ler a matéria antes da publicação. Romântico, tende a se apaixonar pela fonte, mesmo fonte casada. É o jornalista mais indicado para qualquer função. Só não pise em seu calo, porque ele é capaz de mandar você, delicadamente, tomar naquele lugar.
O jornalista de Leão nasceu para ser o editor, o diretor de redação, o repórter especial-mor. O leonino não é pouca merda, não. Se trabalhar numa assessoria de comunicação, vai querer ser o executivo-mor das contas-mor. Sua personalidade forte tem um charme-mor que seduz focas e estagiários. Emana uma luz jornalística própria, uma luz, tipo assim, mor.
O jornalista de Virgem é o profissional ideal para consertar o texto dos outros. Adora frases como “essa vírgula aqui não existe” ou “tira aquela crase ali antes do verbo”. Grandes revisores, quando estes ainda existiam na face da Terra, foram virginianos. Perfeccionista, ele se autoflagela quando faz alguma merda, chegando a reler manuais inteiros de redação.
O jornalista de Libra, apesar de viver sempre em dúvida se desiste ou não da profissão, curte muito ser jornalista. Desfilar por coletivas ou flutuar por coquetéis de lançamento de qualquer coisa é com ele mesmo. Refinado, o libriano a-do-ra as áreas de cultura e moda. Imparcial, tem grande dificuldade em trabalhar nas grandes revistas semanais do Brasil.
Não existe meio-termo para o jornalista de Escorpião. Ou vai fundo numa apuração ou recusa a pauta. Essa coisa de dar uma aliviada aqui, pegar leve ali não rola. É apaixonado pelo jornalismo a ponto de ficar excitado com uma grande reportagem. Avesso a mimimis, quase não reclama e, por quase não reclamar, quase sempre fica sem assunto no bar.
Amante da liberdade, o jornalista de Sagitário é o que mais sofre com a vida nada livre do jornalista. Alguns são tão aventureiros que chegam a criar seus próprios blogs. Apreciador das línguas estrangeiras (e outras línguas também), ele tem tudo para ser correspondente internacional. É o típico jornalista que, quando criança, sonha cobrir uma guerra.
O jornalista de Capricórnio jamais perde um texto por se esquecer de salvá-lo. Também não perde a hora da entrevista e muito menos o deadline. São os capricornianos que ficam na redação enchendo o saco com o “dez minutos pro fechamento”, “cinco minutos pro fechamento”. Metódico, é o único jornalista capaz de organizar as finanças de jornalista.
O jornalista de Aquário tem uma visão tão grande de futuro que, para ele, o jornalismo impresso já morreu. Lê muito em tablets. Nos tempos da máquina de escrever, ele já concebia algo como um Wikileaks. Entre as moças do tempo, 93% são aquarianas, justamente por conseguirem saber se vai chover ou fazer sol no fim de semana antes de todo mundo.
O jornalista de Peixes tem uma imaginação tão fértil que, para ele, uma reportagem verídica pode se transformar num puta conto de ficção. É muito requisitado para trabalhar como analista econômico ou redator do horóscopo por esta grande capacidade inventiva. Sensível e com medo de se machucar, ele evita, todo fim de mês, olhar o próprio contracheque.
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O jornalista de Touro é tão tranquilo, tão tranqüilo, que nem se importa se tranquilo tem ou não tem trema. Se você quiser, ele bota; se não, ele tira. Tem o perfil ideal para os longos plantões. Costuma ser teimoso. Se o entrevistado protestar “mas eu não disse isso que você anotou aí”, o taurino será firme: “disse, sim, senhor”. Mas se o entrevistado quiser, ele tira.
O jornalista de Gêmeos é o melhor dos repórteres investigativos. Adora botar o nariz onde não é chamado. E a orelha e o resto do corpo. Tem uma espécie de comichão ou quentura quando cheira notícia boa no ar. Também costuma investigar as intimidades dos próprios colegas de redação e espalhar os detalhes mais sórdidos por aí. Entre um café e outro.
O jornalista de Câncer, um fofo, trata todo mundo com delicadeza, até o assessor de imprensa que pede para ler a matéria antes da publicação. Romântico, tende a se apaixonar pela fonte, mesmo fonte casada. É o jornalista mais indicado para qualquer função. Só não pise em seu calo, porque ele é capaz de mandar você, delicadamente, tomar naquele lugar.
O jornalista de Leão nasceu para ser o editor, o diretor de redação, o repórter especial-mor. O leonino não é pouca merda, não. Se trabalhar numa assessoria de comunicação, vai querer ser o executivo-mor das contas-mor. Sua personalidade forte tem um charme-mor que seduz focas e estagiários. Emana uma luz jornalística própria, uma luz, tipo assim, mor.
O jornalista de Virgem é o profissional ideal para consertar o texto dos outros. Adora frases como “essa vírgula aqui não existe” ou “tira aquela crase ali antes do verbo”. Grandes revisores, quando estes ainda existiam na face da Terra, foram virginianos. Perfeccionista, ele se autoflagela quando faz alguma merda, chegando a reler manuais inteiros de redação.
O jornalista de Libra, apesar de viver sempre em dúvida se desiste ou não da profissão, curte muito ser jornalista. Desfilar por coletivas ou flutuar por coquetéis de lançamento de qualquer coisa é com ele mesmo. Refinado, o libriano a-do-ra as áreas de cultura e moda. Imparcial, tem grande dificuldade em trabalhar nas grandes revistas semanais do Brasil.
Não existe meio-termo para o jornalista de Escorpião. Ou vai fundo numa apuração ou recusa a pauta. Essa coisa de dar uma aliviada aqui, pegar leve ali não rola. É apaixonado pelo jornalismo a ponto de ficar excitado com uma grande reportagem. Avesso a mimimis, quase não reclama e, por quase não reclamar, quase sempre fica sem assunto no bar.
Amante da liberdade, o jornalista de Sagitário é o que mais sofre com a vida nada livre do jornalista. Alguns são tão aventureiros que chegam a criar seus próprios blogs. Apreciador das línguas estrangeiras (e outras línguas também), ele tem tudo para ser correspondente internacional. É o típico jornalista que, quando criança, sonha cobrir uma guerra.
O jornalista de Capricórnio jamais perde um texto por se esquecer de salvá-lo. Também não perde a hora da entrevista e muito menos o deadline. São os capricornianos que ficam na redação enchendo o saco com o “dez minutos pro fechamento”, “cinco minutos pro fechamento”. Metódico, é o único jornalista capaz de organizar as finanças de jornalista.
O jornalista de Aquário tem uma visão tão grande de futuro que, para ele, o jornalismo impresso já morreu. Lê muito em tablets. Nos tempos da máquina de escrever, ele já concebia algo como um Wikileaks. Entre as moças do tempo, 93% são aquarianas, justamente por conseguirem saber se vai chover ou fazer sol no fim de semana antes de todo mundo.
O jornalista de Peixes tem uma imaginação tão fértil que, para ele, uma reportagem verídica pode se transformar num puta conto de ficção. É muito requisitado para trabalhar como analista econômico ou redator do horóscopo por esta grande capacidade inventiva. Sensível e com medo de se machucar, ele evita, todo fim de mês, olhar o próprio contracheque.
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terça-feira, 13 de agosto de 2013
Fantásticos pacotes turísticos para jornalistas
A Magia das Marginais Engarrafadas – em um roteiro à margem dos Rios Tietê e Pinheiros – fascinantes esgotos a céu aberto –, repórteres de trânsito observam brigas entre motoristas, arrastões e acidentes com motoboys. Opção de voo panorâmico com o comandante Hamilton.
Favelas Misteriosas – desvende os segredos das vielas de comunidades não pacificadas do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, em emocionantes coberturas da guerra entre traficantes e policiais. Favela tour a bordo de um caveirão do Bope.
Carteiradas dos Sonhos – com um programa todo guiado pela blogueira da Capricho, jornalistas interesseiros podem entrar nas baladas mais encantadoras da noite paulistana. Esquema all inclusive, com direito a olhadela na festa, furada de fila e preconceito contra seguranças e hostess inconvenientes.
Maravilhas dos Plantões – descubra o lado exótico de destinos como a sala de imprensa de hospitais de rico, os fóruns de Justiça ou a porta da casa do governador Sérgio Cabral. Os passeios não têm hora para acabar e reservam muitas surpresas aos jornalistas.
As Incríveis Rondas Policiais – um tour de madrugada por distritos policiais de São Paulo promete tirar o fôlego dos visitantes. Conheça as belezas arquitetônicas do 45º DP da Vila Brasilândia e do 70º DP de Sapopemba. Guias bilíngues (português/policialês) acompanham os repórteres mais novos nas entrevistas com os delegados de plantão.
Máquina de Café Clássica – considerado Patrimônio Histórico das Redações, este famoso ponto de peregrinação atrai jornalistas morrendo de sono, os fofoqueiros, os apaixonados, e os sonhadores que, ao depositarem uma moeda na máquina e saborearem um cremoso cappuccino, acreditam que terão uma puta ideia original para o lead de suas matérias.
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Maravilhas dos Plantões – descubra o lado exótico de destinos como a sala de imprensa de hospitais de rico, os fóruns de Justiça ou a porta da casa do governador Sérgio Cabral. Os passeios não têm hora para acabar e reservam muitas surpresas aos jornalistas.
As Incríveis Rondas Policiais – um tour de madrugada por distritos policiais de São Paulo promete tirar o fôlego dos visitantes. Conheça as belezas arquitetônicas do 45º DP da Vila Brasilândia e do 70º DP de Sapopemba. Guias bilíngues (português/policialês) acompanham os repórteres mais novos nas entrevistas com os delegados de plantão.
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quinta-feira, 8 de agosto de 2013
10 passos para o jornalista superar suas crises de vaidade
É recomendável o jornalista adotar alguns mantras para serem utilizados durante uma crise pesada de vaidade, como “sou jornalista, mas não sou foda” ou “quem tem o meu saldo bancário não pode se achar Deus”. Quando o estrelismo se apoderar de você, respire fundo e repita o mantra umas cem ou duzentas vezes. Até a crise passar.
A advertência “não mexe no meu texto” é igual a dizer “não bota a mãe no meio” das brigas de infância. Calma, não somos mais crianças, e alguém mexer no seu texto não precisa virar um conflito. Ok, tem muita gente que mexe no texto alheio só para estragar, mas também evoluímos com boas críticas e sugestões.
Procure, ao máximo, evitar o desejo de ser um novo Arnaldo Jabor. Você pode se machucar. Esta vaidade exacerbada só deve ser praticada por profissionais.
O crachá pendurado no pescoço tem para o jornalista a mesma significação que o falo tem pra neguinho machista, já explicou Freud. Ou Lacan, sei lá, um desses malucos aí. Bom você começar a refletir a respeito.
O abuso de expressões do tipo “como antecipou a Folha com exclusividade” é a prova de que a vaidade pode causar danos cruéis à saúde mental de um jornalista ou a um veículo de comunicação. Coisa mais decadente esta autopromoção. É de bom-tom evitá-la.
A vaidade do “eu acho que sei tudo” é uma das mais comuns a atacar os jornalistas. É emocionante ver um jornalista pesquisando, fuçando um dicionário, aprendendo.
Outro ótimo exercício para controlar a vaidade é ficar uma semana inteira, incluindo sábados, domingos e feriados, sem postar uma foto sua com um entrevistado famoso no Facebook.
Glamour é ter um trabalho digno, com um salário digno. Entendeu? Ok? Podemos passar para o próximo tópico?
Todo jornalista já ouviu em algum momento de sua vida o blá-blá-blá de que a imprensa é o quarto poder. E muitos insistem em acreditar nisso. Nós, jornalistas, temos, sim, o poder de lutar por um mundo melhor e mais justo e, para isso ser possível, não podemos nos sentir melhores, nem piores, que ninguém.
Humildade, aliás, é essencial em todos os momentos da vida de um jornalista. Grande merda se você é blogueira da Capricho.
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Procure, ao máximo, evitar o desejo de ser um novo Arnaldo Jabor. Você pode se machucar. Esta vaidade exacerbada só deve ser praticada por profissionais.
O crachá pendurado no pescoço tem para o jornalista a mesma significação que o falo tem pra neguinho machista, já explicou Freud. Ou Lacan, sei lá, um desses malucos aí. Bom você começar a refletir a respeito.
O abuso de expressões do tipo “como antecipou a Folha com exclusividade” é a prova de que a vaidade pode causar danos cruéis à saúde mental de um jornalista ou a um veículo de comunicação. Coisa mais decadente esta autopromoção. É de bom-tom evitá-la.
A vaidade do “eu acho que sei tudo” é uma das mais comuns a atacar os jornalistas. É emocionante ver um jornalista pesquisando, fuçando um dicionário, aprendendo.
Outro ótimo exercício para controlar a vaidade é ficar uma semana inteira, incluindo sábados, domingos e feriados, sem postar uma foto sua com um entrevistado famoso no Facebook.
Glamour é ter um trabalho digno, com um salário digno. Entendeu? Ok? Podemos passar para o próximo tópico?
Todo jornalista já ouviu em algum momento de sua vida o blá-blá-blá de que a imprensa é o quarto poder. E muitos insistem em acreditar nisso. Nós, jornalistas, temos, sim, o poder de lutar por um mundo melhor e mais justo e, para isso ser possível, não podemos nos sentir melhores, nem piores, que ninguém.
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terça-feira, 6 de agosto de 2013
Crônica de um jornalista bipolar
Agora estou feliz. A matéria rendeu, repercutiu, incomodou muita gente. Agora estou triste. Um vazio enorme na alma do tamanho do vazio desta página que vou ter que preencher sozinho com sei lá quantos textos. Agora estou feliz. Edição fechada. Hora de descer para o bar e rir e rir e rir de todas as merdas do dia. Agora estou triste. A reportagem que eu fiz com tanta dedicação caiu. Agora estou feliz. Finalmente pingou meu salário na conta. Agora estou triste. Porra, mas já acabou o salário? Agora estou feliz. O cara topou falar comigo, só comigo. Agora estou triste. O cara não soltou nada de interessante, cara chato, vaselina. Agora estou feliz. Pintaram uns frilas bons. Agora estou triste. Essa coisa de a gente estar sempre buscando ser feliz me deixa meio triste, sabe? Agora estou feliz. Além de sorrir para mim, a assessora de imprensa bonitinha elogiou a minha matéria. E eu aposto que ela nem leu. Agora estou triste. Ainda não me pagaram os tais frilas bons. Agora estou feliz. Manchete do jornal, porra! Tô pensando seriamente em não desistir mais do jornalismo. Agora estou triste. Novo corte. Mais 20 amigos sem emprego. Será que não é a hora de eu, sei lá, virar hippie? Agora estou feliz. O cara que desviava o dinheiro da merenda das criancinhas que eu denunciei foi preso. Ih, se fodeu. Agora estou triste. A assessora bonitinha tem namorado. Ih, me fodi. Agora estou feliz. Com um mês de atraso, pagaram os frilas, que, pensando bem, nem eram tão bons assim. Agora estou na dúvida se eu fico triste ou feliz. Agora estou triste. Por que jornalista é sempre cheio de dúvida? Agora estou feliz. Porque a dúvida nos faz pensar, buscar uma saída. Agora estou triste. O computador travou. Agora estou feliz. A assessora de imprensa bonitinha me contou que deu um pé no namorado e tá tristinha por não ter companhia para ver no cinema um filme que ela ama muito. Agora estou triste. Não me sobrou um puto para assistir ao filme que ela ama muito. Vai acabar namoro bem no fim do mês? Agora estou quase cortando os pulsos, mas a assessora bonitinha me liga e diz que descolou dois ingressos com outro assessor. Agora eu fico feliz pra caralho.
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terça-feira, 30 de julho de 2013
Se o povo de Amor à Vida fosse jornalista
Félix – é a colunista de fofoca má, famosa pelo bordão “Eu salguei a boca-livre”.
Nicole – é a foca que recebe a desesperadora notícia de que tem apenas seis minutos para o deadline.
Patrícia – desiludida com os empregos de carteira assinada, é a repórter que decide viver de frilas.
Amarilys – é a jornalista que aluga seu MTB para dois amigos não jornalistas que desejam criar uma revista.
Valdirene – faz de tudo para ficar rica. Estuda Engenharia, Medicina, mas não consegue se livrar da vida de jornalista.
Lutero – com dificuldades para ler o teleprompter, é o experiente âncora de TV afastado da bancada por estar “velho”.
Atílio – é um ministro do STF que, ao sofrer uma acusação de sonegação fiscal, fica abalado, perde a memória e assume a identidade de um jornalista sem diploma.
Tetê Parachoque-Paralama – foi uma famosa “moça do tempo” na TV Tupi e, hoje, escreve num jornalzinho de bairro.
Perséfone – aos 37 anos, está subindo pelas paredes da redação para conseguir assinar a primeira matéria de capa da sua vida.
César – é o pai que não consegue aceitar que o filho jornalista é, sim, colunista de fofoca.
Michel e Bruno – são os jornalistas bonitões da TV, mas que quando abrem a boca para fazer uma passagem, meus Deus, troço ruim da porra.
Paloma – é a repórter que passou 13 anos procurando a agenda de telefones perdida no banheiro de um bar e, quando a encontra, percebe que está tudo desatualizado.
Ninho Chupetinha – é o jornalista clássico: desapegado ao dinheiro e a uma vida careta.
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Valdirene – faz de tudo para ficar rica. Estuda Engenharia, Medicina, mas não consegue se livrar da vida de jornalista.
Lutero – com dificuldades para ler o teleprompter, é o experiente âncora de TV afastado da bancada por estar “velho”.
Atílio – é um ministro do STF que, ao sofrer uma acusação de sonegação fiscal, fica abalado, perde a memória e assume a identidade de um jornalista sem diploma.
Tetê Parachoque-Paralama – foi uma famosa “moça do tempo” na TV Tupi e, hoje, escreve num jornalzinho de bairro.
Perséfone – aos 37 anos, está subindo pelas paredes da redação para conseguir assinar a primeira matéria de capa da sua vida.
César – é o pai que não consegue aceitar que o filho jornalista é, sim, colunista de fofoca.
Michel e Bruno – são os jornalistas bonitões da TV, mas que quando abrem a boca para fazer uma passagem, meus Deus, troço ruim da porra.
Paloma – é a repórter que passou 13 anos procurando a agenda de telefones perdida no banheiro de um bar e, quando a encontra, percebe que está tudo desatualizado.
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quarta-feira, 24 de julho de 2013
Concurso cultural “Afinal, o que é ser jornalista?” dá dois livros do Duda Rangel autografados
Eu sei que você preferiria mil vezes mais ganhar a Mega-Sena acumulada, mas um livro do Duda Rangel autografado também não é tão ruim assim. Para tentar levar o prêmio, basta participar do concurso cultural deste blog, respondendo a pergunta “Afinal, o que é ser jornalista?”.
“Afinal, o que é ser jornalista?” é uma das grandes questões que intrigam a humanidade, a exemplo de “Existe vida após a morte?” e “A dança da manivela ela dançou?”. Os autores das duas respostas mais criativas e porretas vão receber, cada um deles, um exemplar de “A vida de jornalista como ela é”, já considerado pelos críticos um clássico da literatura mundial.
Todo concurso que se preza tem uma cagação de regras e aqui não será diferente, mas será uma coisa bem básica. Só serão consideradas válidas as respostas que estiverem de acordo com as regras cagadas. Então, aperte o nariz e leia-as com atenção (elas estão mais abaixo).
Se você já comprou o livro, participe do mesmo jeito. Você pode presentear um amigo e ficar bem (ou mal) na fita com ele.
Se você não for um dos dois escolhidos, vai protestar – “Que zica, eu não ganho nada nesta vida mesmo, nem livro do Duda” –, mas calma, o livro segue sendo vendido na loja virtual no Facebook por um preço bem camarada – R$ 22,90 (com frete grátis para todo o Brasil). E, se você quiser, pode pedir também uma dedicatória. A loja está aqui.
Boa sorte a todos!
Cagação básica de regras do concurso:
As respostas devem ser postadas no campo “comentários” deste post ou enviadas para o e-mail dudarangel2008@gmail.com, com o assunto “Concurso cultural”. Frases postadas em outras plataformas, como o Facebook, não participam da disputa.
As respostas devem ter, no máximo, 150 caracteres, considerando os espaços entre as palavras, e em Português. Serão aceitas também frases em Espanhol.
Você pode mandar quantas frases quiser.
As respostas precisam ser de autoria do participante. Nada de roubar as ideias dos outros, hein?
O concurso começa a valer assim que este post entrar no ar e será encerrado à 0h01 da segunda-feira (dia 29/07/2013).
A Comissão Julgadora será formada por apenas uma pessoa (eu). As duas respostas que mais tocarem o coração deste velho jornalista serão as vencedoras.
Os vencedores serão conhecidos também na segunda-feira (29/07/2013). Serão divulgados por mim também na área de comentários deste post, a partir das 15 horas.
Os livros, com as respectivas dedicatórias, serão enviados aos vencedores pelos Correios. Assim que souberem do resultado, os vencedores deverão enviar seus endereços completos para o e-mail dudarangel2008@gmail.com.
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quarta-feira, 17 de julho de 2013
Manual para o jornalista que sofre bullying
Ao ser chamado de psicopata
Alguém vai sempre lembrar que a nossa profissão é uma das com mais psicopatas. Sim, tem um ranking que atesta isso. Uma boa dica para estes casos é carregar na bolsa uma máscara modelo Hannibal Lecter. Vista a máscara, faça um olhar de jornalista psicopata (é parecido com o olhar de um jornalista “normal”), dê um grunhido básico e diga à pessoa “quero comer o seu cérebro”. Quando ela se mostrar assustada, emende um “é brincadeirinha, seu cérebro é muito pequeno para saciar a minha fome”.
Quando o agressor apelar para os diminutivos
Forma clássica de bullying. O cara te chama de “reporterzinho”, que trabalha nesse “jornalzinho”. A ideia é fazer o jornalista se sentir mais inferiorizado do que já se sente. Mande o desgraçado tomar no cuzão dele, assim mesmo, cheio de aumentativo.
Quando o agressor disser que hoje qualquer mané pode ser jornalista
Assim como não é necessário diploma para ser cozinheiro, não é necessário para escrever uma matéria jornalística. Alguém ainda vai jogar isso na nossa cara. Putz, alguém já jogou isso na nossa cara. E a gente sabe quem foi. Se algum dia você encontrá-lo, olhe bem nos olhos do sujeito e mande ele... ou melhor, não mande nada, porque o cara é juiz do STF e isso vai acabar dando cadeia. Em pensamento, a ofensa ao tal dotô está liberada.
Ao ser chamado de pobre
Jornalista pobre não é bullying. É pleonasmo. Melhor deixar quieto.
Ao ser chamado de esfomeado
Apesar de ser outra verdade verdadeira, é, sim, configurado bullying neste caso. Lembre ao agressor que você está na terceira pauta do dia, que está há umas seis horas em jejum forçado, que suas taxas de glicemia não param de despencar e que, em questão de minutos, você vai desmaiar. O agressor ficará sensibilizado e, com sorte, até lhe pagará um almocinho. Se isso acontecer, coma feito um esfomeado.
Aos que dizem que jornalista é uma das piores profissões do mundo
O cara chega cheio de sadismo no coração e evoca, de novo, um daqueles malditos rankings que só detonam a gente. Com desprezo, solta um “que bosta ser jornalista, hein?”. Você sorri, finge que não sentiu o golpe, passa seu braço suavemente sobre os ombros do agressor, aproxima sua boca do ouvido dele e sussurra: “caguei para os seus rankingzinhos”.
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Alguém vai sempre lembrar que a nossa profissão é uma das com mais psicopatas. Sim, tem um ranking que atesta isso. Uma boa dica para estes casos é carregar na bolsa uma máscara modelo Hannibal Lecter. Vista a máscara, faça um olhar de jornalista psicopata (é parecido com o olhar de um jornalista “normal”), dê um grunhido básico e diga à pessoa “quero comer o seu cérebro”. Quando ela se mostrar assustada, emende um “é brincadeirinha, seu cérebro é muito pequeno para saciar a minha fome”.
Quando o agressor apelar para os diminutivos
Forma clássica de bullying. O cara te chama de “reporterzinho”, que trabalha nesse “jornalzinho”. A ideia é fazer o jornalista se sentir mais inferiorizado do que já se sente. Mande o desgraçado tomar no cuzão dele, assim mesmo, cheio de aumentativo.
Quando o agressor disser que hoje qualquer mané pode ser jornalista
Assim como não é necessário diploma para ser cozinheiro, não é necessário para escrever uma matéria jornalística. Alguém ainda vai jogar isso na nossa cara. Putz, alguém já jogou isso na nossa cara. E a gente sabe quem foi. Se algum dia você encontrá-lo, olhe bem nos olhos do sujeito e mande ele... ou melhor, não mande nada, porque o cara é juiz do STF e isso vai acabar dando cadeia. Em pensamento, a ofensa ao tal dotô está liberada.
Ao ser chamado de pobre
Jornalista pobre não é bullying. É pleonasmo. Melhor deixar quieto.
Ao ser chamado de esfomeado
Apesar de ser outra verdade verdadeira, é, sim, configurado bullying neste caso. Lembre ao agressor que você está na terceira pauta do dia, que está há umas seis horas em jejum forçado, que suas taxas de glicemia não param de despencar e que, em questão de minutos, você vai desmaiar. O agressor ficará sensibilizado e, com sorte, até lhe pagará um almocinho. Se isso acontecer, coma feito um esfomeado.
Aos que dizem que jornalista é uma das piores profissões do mundo
O cara chega cheio de sadismo no coração e evoca, de novo, um daqueles malditos rankings que só detonam a gente. Com desprezo, solta um “que bosta ser jornalista, hein?”. Você sorri, finge que não sentiu o golpe, passa seu braço suavemente sobre os ombros do agressor, aproxima sua boca do ouvido dele e sussurra: “caguei para os seus rankingzinhos”.
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quarta-feira, 10 de julho de 2013
Frases de jornalistas bêbados
Sou eu que encho a cara e é a minha matéria que cai? Sacanagem.
Qual dos dois títulos dessa matéria eu preciso editar?
Assessor, eu te amo, cara! Eu... ic... te amo!
Eu ouvi o patrão dizer que vai contratar mais 10 repórteres. Verdade, eu ouvi.
Meu texto é uma merda. Só tomo furo. Por quê? Por quê? (virando uma garrafa de cachaça pelo gargalo).
Eu já entrevistei o Roberto Carlos, já trabalhei no programa do Amaury Jr., já cobri carnaval na Sapucaí, já fui jurado do Troféu Imprensa...
É sério, assessor, você é um puta amigo... ic... te considero pra caralho!
Eu gostava tanto daquele emprego. Rolava uma química entre a gente, sabe? (enchendo o saco de um colega jornalista no bar).
Seu guarda, eu não bebi nada. Eu tô assim meio caidão porque acabei de sair de um pescoção. Eu juro!
Se você recebesse o meu contracheque, também beberia pra esquecer (enchendo o saco de um colega advogado no bar).
Quem disse que eu tô bêbado? Eu só tô alegre porque me formei em jornalismo! Só isso.
Assessor, vem cá... ic... posso te dar um abraço?
Garçom, desce mais uma pauta, ou melhor, desce mais um chope.
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Assessor, eu te amo, cara! Eu... ic... te amo!
Eu ouvi o patrão dizer que vai contratar mais 10 repórteres. Verdade, eu ouvi.
Meu texto é uma merda. Só tomo furo. Por quê? Por quê? (virando uma garrafa de cachaça pelo gargalo).
Eu já entrevistei o Roberto Carlos, já trabalhei no programa do Amaury Jr., já cobri carnaval na Sapucaí, já fui jurado do Troféu Imprensa...
É sério, assessor, você é um puta amigo... ic... te considero pra caralho!
Eu gostava tanto daquele emprego. Rolava uma química entre a gente, sabe? (enchendo o saco de um colega jornalista no bar).
Seu guarda, eu não bebi nada. Eu tô assim meio caidão porque acabei de sair de um pescoção. Eu juro!
Se você recebesse o meu contracheque, também beberia pra esquecer (enchendo o saco de um colega advogado no bar).
Quem disse que eu tô bêbado? Eu só tô alegre porque me formei em jornalismo! Só isso.
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sexta-feira, 5 de julho de 2013
O post do jornalista saudosista
Bom era o tempo da máquina de escrever.
Bom era o tempo em que a redação aqui era uma fumaça de cigarro só.
Bom era o tempo em que o doutor Hamilton Nogueira Pinto dirigia a merda desse jornal. Ah, o doutor Hamilton Nogueira Pinto!
Bom era o tempo quando não existiam ainda essas bobagens de Facebook, Listagram e sei lá mais o quê.
Bom era o tempo em que a gente guardava garrafa de uísque na gaveta pra beber depois do expediente.
Bom era o tempo em que linguiça tinha colesterol, mas ninguém se importava com isso.
Bom era o tempo em que linguiça tinha trema.
Bom era o tempo de fechamento às 11 da noite. Bom era o tempo em que a gente tinha tempo.
Bom era o tempo quando a gente entrevistava entrevistado olhando nos olhos dele.
Bom era o tempo em que a gente esperava cheio de ansiedade pelo jornal no dia seguinte só para ler o nosso furo.
Bom era o tempo em que eu ainda comia alguém nessa redação.
Bom era o tempo quando eu não ficava o tempo todo falando bom era o tempo.
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Bom era o tempo em que a redação aqui era uma fumaça de cigarro só.
Bom era o tempo em que o doutor Hamilton Nogueira Pinto dirigia a merda desse jornal. Ah, o doutor Hamilton Nogueira Pinto!
Bom era o tempo quando não existiam ainda essas bobagens de Facebook, Listagram e sei lá mais o quê.
Bom era o tempo em que a gente guardava garrafa de uísque na gaveta pra beber depois do expediente.
Bom era o tempo em que linguiça tinha colesterol, mas ninguém se importava com isso.
Bom era o tempo em que linguiça tinha trema.
Bom era o tempo de fechamento às 11 da noite. Bom era o tempo em que a gente tinha tempo.
Bom era o tempo quando a gente entrevistava entrevistado olhando nos olhos dele.
Bom era o tempo em que a gente esperava cheio de ansiedade pelo jornal no dia seguinte só para ler o nosso furo.
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segunda-feira, 1 de julho de 2013
Uma greve geral de jornalistas
Greve geral de jornalista é como umbigo de freira. Ninguém vê. Mas dá para imaginar como seria uma.
Bloquinhos de anotação seriam rasgados e queimados. As pilhas dos gravadores atiradas pelas janelas da redação.
Fotógrafos cegariam. Repórteres de TV e rádio ficariam mudos. Comentaristas políticos e econômicos também não abririam a boca, o que, neste caso, seria ótimo, porque alguns falam merda demais.
Não haveria releases, nem follow-up na hora do fechamento. Não haveria também fechamento.
Coletivas seriam canceladas. E, com o filé mignon ao molho madeira de volta ao freezer, a greve seria também de fome.
As moças do tempo cagariam para o sol, para a chuva e para os períodos de instabilidade.
Faixas e cartazes seriam exibidos nas portas das redações: “Pelo fim dos passaralhos”, “Gilmar Mendes não me representa”, “Pela liberdade de ser jornalista”, “Abaixo a opressão do deadline” e o clássico “Chega de piso safado. Porcelanato para todos já”.
Os estagiários, como sempre, seriam escalados para o trabalho chato, como colar os cartazes.
Serviços considerados essenciais numa redação, como o da tiazinha que passa o café fresquinho, não seriam suspensos totalmente, mas entrariam em operação-padrão.
Para evitar que seus jornais virassem um grande calhau, os patrões convocariam gente de outras profissões para salvar a edição do dia. Os grevistas impediriam o povo fura-greve de entrar nas redações. Haveria briga. A PM chegaria com bombas de efeito moral e imoral. Tumulto, correria, e, de repente, eis que o Datena entra ao vivo, mostrando a confusão com exclusividade e fodendo aquela que seria a maior greve geral de jornalistas que o Brasil já conheceu.
Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.
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Bloquinhos de anotação seriam rasgados e queimados. As pilhas dos gravadores atiradas pelas janelas da redação.
Fotógrafos cegariam. Repórteres de TV e rádio ficariam mudos. Comentaristas políticos e econômicos também não abririam a boca, o que, neste caso, seria ótimo, porque alguns falam merda demais.
Não haveria releases, nem follow-up na hora do fechamento. Não haveria também fechamento.
Coletivas seriam canceladas. E, com o filé mignon ao molho madeira de volta ao freezer, a greve seria também de fome.
As moças do tempo cagariam para o sol, para a chuva e para os períodos de instabilidade.
Faixas e cartazes seriam exibidos nas portas das redações: “Pelo fim dos passaralhos”, “Gilmar Mendes não me representa”, “Pela liberdade de ser jornalista”, “Abaixo a opressão do deadline” e o clássico “Chega de piso safado. Porcelanato para todos já”.
Os estagiários, como sempre, seriam escalados para o trabalho chato, como colar os cartazes.
Serviços considerados essenciais numa redação, como o da tiazinha que passa o café fresquinho, não seriam suspensos totalmente, mas entrariam em operação-padrão.
Para evitar que seus jornais virassem um grande calhau, os patrões convocariam gente de outras profissões para salvar a edição do dia. Os grevistas impediriam o povo fura-greve de entrar nas redações. Haveria briga. A PM chegaria com bombas de efeito moral e imoral. Tumulto, correria, e, de repente, eis que o Datena entra ao vivo, mostrando a confusão com exclusividade e fodendo aquela que seria a maior greve geral de jornalistas que o Brasil já conheceu.
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