sexta-feira, 5 de abril de 2013

10 motivos para celebrar o Dia do Jornalista


Porque eu mereço, afinal é o ano inteiro ralando, sofrendo bullying, comendo a coxinha de frango com pouco recheio que o Diabo amassou.

Porque eu tenho o maior orgulho de ser jornalista.

Porque nós, jornalistas, adoramos datas comemorativas. Todo mês tem um Dia do Jornalista, nunca reparou, não? Morram de inveja, publicitários.

Porque é o que eu tenho pra comemorar. Vou comemorar o quê? Os cinco textos que vou escrever hoje?

Porque eu vou poder beber todas, embora eu não precise de uma razão especial para beber todas.

Porque parece um pouco aniversário de namoro, sabe? Tipo mais um ano junto, ainda tá rolando uma química, apesar das crises e DRs sem fim.

Porque, segundo a minha avó, tem uma simpatia que diz que se todo mundo celebrar junto o Dia do Jornalista e acender umas velas e misturar umas pétalas de rosas a uma foto do William Bonner, vai... vai acontecer o que mesmo, vó?

Porque eu quero mais é subir nos Trend Topics.

Porque pode ser o meu último Dia do Jornalista e eu tenho que aproveitar. Vai que amanhã eu ganho na Mega-Sena.

Porra, porque eu amo a minha profissão. Precisa de outros motivos?


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.


Curta a página do blog no Facebook aqui.

terça-feira, 2 de abril de 2013

O lado bom da vida de jornalista


Quando entrevistou o trapezista, teve vontade de voar.

Quando precisou voar para a pauta, entendeu o que é ser repórter.

Quando começou a caminhar pelas ruas, aprendeu a olhar o mundo de um jeito que ninguém sabia olhar.

Quando esbarrou nas imundícies da vida, percebeu que não podia se conformar com aquilo tudo.

Quando provocou um nó na garganta do leitor, sorriu todo cheio de orgulho.

Quando meteu o pé na lama, saboreou o prazer de não viver preso num escritório.

Quando visitou o asilo de velhinhos, descobriu o valor das boas histórias que ficaram perdidas.

Quando causou uma simples mudança na sociedade, teve a certeza de que essa coisa de ser jornalista vale a pena, sim.


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.

Curta a página do blog no Facebook aqui.

terça-feira, 26 de março de 2013

Nada a seu tempo


Tudo o que ele mais queria era ser levado a sério.

Não bastasse a vergonha do currículo cheio de corpo catorze e outras pequenas trapaças, olham para mim como se eu ainda fosse um repórter que faz cocô nas pautas. Não sou mais tão foca assim, não, tá ligado? Já fiz matéria importante, já entrevistei o prefeito, já dormi em delegacia. Quer saber mais? Já li Nietzsche. E entendi tudinho. O problema é essa minha cara de bebê que nem barba crescida dá jeito. O quê? Não, senhor, não é trabalho de faculdade.

Tudo o que ele mais queria era não ser levado a sério.

Legal essa coisa da experiência, do respeito conquistado, mas de repente a gente percebe que a vida perdeu a graça. É a fase filho-da-puta em que você começa a sentir saudade de si mesmo. Eu quero a porra-louquice da minha juventude de volta, a desordem, o sonho, a chance de errar. Como a gente faz para ser foca outra vez? Ser gente grande é muito careta. Saudade do tempo em que tudo era apenas um trabalho de faculdade.


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.


Curta a página do blog no Facebook aqui.

sexta-feira, 22 de março de 2013

20 riscos da vida de jornalista


1. Risco de pautas nebulosas e oscilações de humor no decorrer do dia.

2. Risco de desenvolver TJC (Transtorno Jornalístico-Compulsivo), como reler a matéria quinhentas vezes.

3. Risco de ser riscado do mapa pelo crime organizado.

4. Risco de encontrar uma bala perdida no meio de uma pauta.

5. Risco de ver anunciante escroto pedir sua cabeça numa bandeja.

6. Risco de ficar encalhado ou, pior, risco de casar com outro jornalista.

7. Risco de descobrir que seu filho – criado com tanto amor e carinho – também quer ser jornalista.

8. Risco de sofrer bullying dos colegas engenheiros.

9. Risco de tomar um pisão no pé numa coletiva lotada.

10. Risco de ser confundido com aquele repórter da Globo, que faz aquele programa, que fala daquele assunto, qual mesmo?

11. Risco de ficar com os dentes amarelos de tanto tomar café.

12. Risco de ficar com os cabelos brancos bem antes da hora.

13. Risco de contrair Estrelíase Aguda.

14. Risco de ter que entrevistar gente que só fala merda, como jogador de futebol e mulher-rã.

15. Risco de levar cantada de fonte.

16. Risco de ser atacado por algum engraçadinho num link de TV.

17. Risco de pés na bunda indesejados.

18. Risco de criar vínculo afetivo com o cheque especial.

19. Risco de enlouquecer ainda muito jovem.

20. Risco de curtir essa loucura.


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.


Curta a página do blog no Facebook aqui.

terça-feira, 19 de março de 2013

Fontes jornalísticas


O Don Juan – é o tipo que só passa informação para “as” jornalistas, de preferência as bonitas. É sempre gentil e sugere pagar o jantar num restaurante fino para conversar – ele sabe que a jornalista, carente de comida fina, não vai recusar. Ou sugere um papo no seu apê, afinal é preciso garantir o sigilo da informação.

O agricultor – é o tipo que vive plantando notícias. Liga para o repórter e conta uma mentirinha com a esperança de que, se publicada, ela vire uma verdade. Isso acontece muito com técnico de futebol desempregado, atriz global desempregada ou cardeal que sonha ser papa.

O “putz, de novo este cara?” – é o tipo sempre chamado para palpitar sobre certos assuntos. O mesmo economista para falar sobre taxas de juros, o mesmo médico para abordar os riscos da obesidade, o mesmo psicanalista para explicar por que um jovem sai de casa para matar criancinhas numa escola americana.

O “que causa” – é o tipo que garante a manchete do dia. É procurado quando o noticiário está morno, sem graça. Gosta de dar opiniões polêmicas, fazer provocações. Romário, Jair Bolsonaro, Rita Lee, Alexandre Frota, Luana Piovani, Agnaldo Timóteo e todo o resto do povo que adora aparecer “causando”.

O cagão – é o tipo inseguro, com medo da repercussão de suas declarações. “Pensando bem, é melhor você não colocar isso, não. Bota só aquela parte inicial” ou “Vê como você vai escrever isso aí pra depois não me dar problema” ou ainda “Posso dar uma lida no texto antes de você publicar? Calma, foi só uma sugestão”.

O ocupadinho – é o tipo que está sempre em reunião, ou melhor, o que pede para a secretária dizer que está em reunião. Vai gostar de reunião assim na PQP. E, se a secretária lhe sugerir “me deixa o seu telefone que assim que acabar ele liga”, esqueça, porque esta reunião vai durar semanas, meses. Talvez a eternidade.


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.


Curta a página do blog no Facebook aqui.

quarta-feira, 13 de março de 2013

20 requisitos para ser jornalista


Requisitos básicos:

1. Gostar de ler.
2. Ser inquieto e questionador.
3. Não ter medo, vergonha, preguiça.
4. Ter engajamento social (não é a mesma coisa que curtir uma balada, ok?).
5. Ter prazer pelo que faz.

Requisitos desejáveis:

6. Capacidade de levar esporro e engolir o choro.
7. Capacidade de receber o contracheque e engolir o choro.
8. Ter um nível de vaidade moderado.
9. Não se importar em levar uma vida PJ.
10. Domínio de idiomas estrangeiros, afinal a vida real não é uma novela da Glória Perez.

Requisitos que agregam valor, geram diferencial competitivo e outras merdas do gênero:

11. Ter boas sacadas de pauta e de personagens. Incrível, mas pensar é diferencial.
12. Escrever um texto de 20 linhas sem um errinho de Português. Ainda mais incrível.
13. Aproveitar as tecnologias, mas sem ser refém delas.
14. Capacidade de ir para a rua e interagir com seres humanos de verdade.
15. Ser craque em concordância, principalmente concordar com a escala de folgas e plantões.

Requisitos imprescindíveis:

16. Desapego a essa coisa chamada dinheiro.
17. Desapego a família, datas festivas, namoro e churrascos num domingão de sol.
18. Estômago resistente a comida tosca, café por períodos prolongados e falta de comida por períodos prolongados.
19. Ser forte, persistente, guerreiro e... porra, e essas lágrimas? Dá para engolir esse choro?
20. Paciência. Muita paciência.


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.

Curta a página do blog no Facebook aqui.

quinta-feira, 7 de março de 2013

O amor nos tempos da pauta


Ele dá uma cantada tão criativa quanto os seus textos: você vem sempre em coletiva?
Ela mexe no cabelo para chamar a atenção dele. Nem vê o fone de ouvido sair voando.

Ele faz a barba, compra uma segunda calça, lava enfim o All Star.
Ela começa a usar o perfume francês que ganhou de jabá.

Ele finge que não entende uma resposta do entrevistado só para perguntar a ela.
Ela faz que perde a caneta só para pegar uma emprestada dele.

Ele acha linda a caligrafia dela, mesmo sem entender uma palavra escrita no bloquinho.
Ela suspira toda vez que ele diz “um, dois, três, gravando”.

Ele anota para ela seu e-mail. Vai que ela precisa escrever um frila a quatro mãos.
Ela anota para ele seu celular. Vai que ele tem uma dúvida de Português no sábado à noite.

Ele divide com ela o último croissant do coffee break. Uma mordidinha dele aqui, uma mordidinha dela ali.
Eles esquecem o deadline.

Ele arranca o microfone da mão do assessor na coletiva e faz uma declaração de amor para ela.
Ela atualiza o perfil no Face. Em um relacionamento sério. Se é que relacionamento entre jornalistas pode ser algo, assim, sério.


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.


Curta a página do blog no Facebook aqui.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Curtindo a vida de jornalista adoidado


Jornalismo se aprende na doideira da prática. Na doideira do dia a dia.

É arriscar, cair de paraquedas. Mergulhar no mundo sem medo. Sem dedos.

É correr para a pauta, para várias pautas. Concentração total.

É demorar a dormir porque tem texto para acabar. Demorar a dormir porque na manhã seguinte tem matéria importante e quem quer saber de travesseiro numa hora dessas?

É roer as unhas pela fonte que não liga, pela fonte que não fala, pela fonte que não para de falar e o fechamento tá chegando, porra.

É sentir na pele a chuva, o frio, o sol queimar. É nem se lembrar que existe um troço chamado protetor solar.

Jornalismo a gente respira, transpira. Pira.


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.


Curta a página do blog no Facebook aqui.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Lançamento do livro do Duda em Belo Horizonte


No meio de Beagá tinha um livro do Duda. Tinha um livro do Duda no meio de Beagá.

O livro “A vida de jornalista como ela é – o melhor do blog de Duda Rangel”, lançado em São Paulo em outubro, vai ganhar uma noite de autógrafos em Belo Horizonte. O encontro será no dia 14 de março, uma quinta-feira, das 19 às 22 horas, na Livraria Mineiriana (Rua Paraíba, 1.419, Savassi).

Meus leitores das Minas Gerais, apareçam! Para comprar este clássico da literatura mundial, para trocar um abraço ou apenas para filar um amendoim, porque, sim, vai ter amendoim. Vou adorar conhecê-los. E não se esqueçam de divulgar aos amigos.

O livro reúne 110 textos dos cerca de 500 produzidos para o blog nos quatro primeiros anos. São contos, crônicas, poesias e paródias, tudo organizado em capítulos temáticos.

Viajo a Minas graças ao pessoal da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Sou muito grato a vocês. Lá, no dia 13 de março, das 14 às 16 horas, participo da IV Secom (Semana de Comunicação) com uma palestra + bate-papo com os alunos. Aproveito para fazer um pequeno lançamento do livro no evento.

E, finalizando o Pão de Queijo Tour 2013, no dia 15 (sexta-feira), terei um bate-papo com os alunos do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH), das 9h30 às 11 horas.

Adoraria lançar o livro em outras cidades pelo Brasil. Tomara que, em 2013, alguns destes encontros sejam possíveis. De qualquer forma, aos que estão distantes, o livro segue sendo vendido pela loja no Facebook aqui. E pode pedir dedicatória, combinado?

Muito obrigado, meus queridos!

                          

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O início das aulas numa faculdade de jornalismo


Para o povo do primeiro ano

O contato com a primeira e talvez a mais importante disciplina do curso: Sociologia do Boteco. Calouro precisa confraternizar, conhecer os veteranos. Será que rola gente interessante? Tudo é novidade: as aulas, os desafios, as ilusões. Tudo é uma grande festa: o fim de noite na república, os congressos de comunicação. Tudo é descoberta. Descobrir, por exemplo, que é preciso começar a ler. Pode jornalista que não gosta de ler? Não, não pode. Pintam aqueles caras chatos, mas essenciais: Adorno, Marcuse, McLuhan. E o McDonald´s, claro, para matar a fome.

Para o povo do segundo ano

Porra, ainda faltam três anos (primeiros sinais de ansiedade). Sociologia do Boteco II, uma espécie de módulo avançado. Agora o lance é confraternizar com os novatos, pintar a cara dos novatos, beber a cerveja paga pelos novatos. Reparando bem, a turma está menor. Quem desistiu mesmo? Tempo de promessas: este ano, eu começo a ler jornal sem falta. Tempo das primeiras grandes dúvidas: será que vai rolar aula prática? Começo um estágio ou fico no emprego atual para pagar o curso? Será que esta minha vida pobre de estudante acaba quando eu me formar?

Para o povo do terceiro ano

O bar, claro, para não perder o costume. Não foi metade do curso, falta metade do curso. Caraca, dois anos ainda? Mas a galera já se sente metade jornalista, o que, convenhamos, já é alguma coisa. Este ano, as aulas prometem: vai ter entrevista de verdade, programa de rádio, TV e o escambau. Bem que poderia ter uma disciplina sobre finanças pessoais também, né? Estágio, estágio, estágio. A turma está ainda menor. Será que sobra alguém? Jornalismo é para os fortes.

Para o povo do quarto ano

É o ano da mistureba de sentimentos: angústia, euforia, medo, alívio. Quase não existem mais as confraternizações. Porque é reta final, porque tem TCC, porque tá todo mundo com a cabeça no futuro esquecendo o presente, porque o tempo escassa. A saudade começa a bater. Queria tanto que acabasse e, agora que está acabando, o povo não quer mais que acabe. Saudade dos amigos, das descobertas, das crises, dos trabalhos em grupo, de alguns professores e da Sociologia do Boteco, sem dúvida a mais importante disciplina do curso.


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.

Curta a página do blog no Facebook aqui.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Expediente


Se existe alguém que lê expediente de revista ou jornal, esse alguém é o próprio jornalista.

Tem o frila que visita bancas e livrarias bacanas à caça de contatos, contatos, contatos. É o tipo que anota tudo, mas não compra nada. Alguns preferem as bibliotecas. Os mais tecnológicos vasculham expedientes pela internet.

Tem o jornalista na cola de algum conhecido. Por onde anda o Wally? Gente curiosa em saber se um antigo colega de faculdade já virou editor-chefe. Nosso mundinho é tão pequeno quanto o nosso salário. Ainda mais numa época de redações anoréxicas.

Tem o assessor que rala para atualizar seus mailings. Com o entra-e-sai nas publicações, essas listas vendidas por aí envelhecem mais rápido do que o iPhone. Na hora de entupir com releases a caixa postal dos pauteiros, o mailing caseiro é mais confiável.

E tem, claro, o jornalista que saboreia o expediente da própria publicação. Ah, os focas. Ficam lá curtindo o nome estampado num pedaço de papel, sorriso besta na cara que diz sou jornalista de verdade, não tá vendo aqui, não?


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Pequena declaração de amor ao Jornalismo


Quer amor mais verdadeiro do que o meu por você? Um amor sem interesses financeiros, sem golpes do baú. Assim, simples: amor.

É o tal amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na pobreza e na pobreza, por todos os dias da minha vida.

Você pode ser meio safado, meio sem-vergonha, mente de vez em quando porque eu sei, mas não te troco por nada. Nem mesmo por um concurso público todo bonitão e sarado.

Sem você, minha vida seria monótona. Careta. Sem graça.

Saiba, meu amor, que por mais que eu te diga ofensas, por mais que diga que bebi pra cacete no dia do vestibular que prestei pra você, isso tudo é bobagem. As nossas brigas sempre acabam em beijos, abraços e matérias especiais.

Você é a minha comédia e a minha tragédia romântica, a minha união instável registrada em cartório. Jô, meu lindo, você é a tampa da minha caneta. A pilha que faltava no meu gravador.

 
Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Clássicos do axé para jornalistas


Eles voltaram para animar o carnaval da redação.

Carteirada na Festa
(versão de Festa, de Ivete Sangalo)

Hoje tem festa bacana
Comida pra se fartar
Carteirinha da Fenaj
Claro que eu vou usar.

Tem prosecco, sim, senhor
Croissant e canapé
Boca é livre, meu amor
Hoje é noite de filé
Vai lá, pra ver...

Repórter sem trabalhar
Só pra comer e beber
O assessor já mandou me chamar
Avisou! Avisou! Avisou! Avisou!

Carteirada na festa
Eu vou dar
Até o segurança
Mandou liberar.


Droga de matéria
(versão de Dança da Manivela, de Asa de Águia)

Eu vou perguntar pra foca, meu amor (meu amor)
Mas que droga de matéria ela entregou (mas que matéria)
Eu vou perguntar pra foca, meu amor (meu amor)
Mas que droga de matéria ela entregou.

Dizendo que aqui tá fraco, lá tá ruim
Muito fraco, muito ruim
Aqui tá fraco, lá tá ruim
Muito fraco, muito ruim.

Muda o leadzinho dela
Limpa os errinhos dela
Corta o pezinho dela
Reescreve mais um pouquinho.


Que vida louca
(versão de Levada louca, de Ivete Sangalo)

Rale, rale, rale
Trabalhe sem bico de choro
Cheque, cheque, cheque
Até o furo nascer.

Que vida louca
Que vida louca
Que vida louca
De levar.


Pauteira
(versão de Sorte Grande ou Poeira, de Ivete Sangalo)

Pauteira
Pauteira
Pauteira
Liga pra pauteira!


Cheque especial
(versão de Água Mineral, de Carlinhos Brown)

Pagou o aluguel? Não!
Tá sem grana? Tô!
Olha, olha, olha, olha o cheque especial
Cheque especial
Cheque especial
Cheque especial
Com juro espacial
Depois você se dá mal.


Pescoceition
(versão de Rebolation, de Parangolé)

Enche a cara de café que vai começar...
O pescoceition, tion, o pescoceition
O pescoceition, tion, o pescoceition.


Frila
(versão de Milla, de Netinho)

Ô, frila
Só mais uma noite
Dez laudas pra escrever
Texto pé no saco
Por um fee bem safado
Só no café requentado
No maior baixo-astral.

Já é madrugada
Não consigo acabar
Vejo estrelas caindo
Ouço o galo cantar
Eu e você... e o omeprazol
E o omeprazol.


Salário Ruim Demais
(versão de Ara Ketu Bom Demais, de Araketu)

Nem dá pra te dizer
O salário que eu vou ganhar
Não dá, não dá, não dá, não dá.

Nem dá pra te dizer
O salário que eu vou ganhar
Não dá, não dá, não dá, não dá.

Só sei
Que o rosto enrubesce
Coragem desaparece
Vergonha do cacete é o meu drama
Entendi por que o povo reclama
Pra lixeiro pagam mais
Só sei
Que meu salário é ruim demais.

Ê, ô, ê, ô
Ganho o pisô, ganho o pisô
Ê, ô, ê, ô
Ganho o pisô, ganho o pisô.


Sou jornaleiro
(versão de Sou praieiro, de Jammil e Uma Noites)

Sou guerreiro
Jornaleiro
Jabazeiro
Quero mais o quê?

Sou guerreiro
Jornaleiro
Jabazeiro
Quero mais o quê?


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.



Curta a página do blog no Facebook aqui.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

10 dicas para uma boa cobertura de carnaval


1. Seja na avenida, num baile de salão ou atrás de um trio elétrico, fuja das perguntas óbvias quando entrevistar um folião. Pelo amor de Deus, nada de “muita alegria?” ou “curtindo o carnaval?” ou ainda “e essa energia tem hora pra acabar?”.

2. Evite os personagens manjados, como o gari que samba feliz; o rapaz que sofre para empurrar o carro alegórico, mas faz isso pelo amor à escola de samba; ou a tiazinha na arquibancada do sambódromo que não perde o pique apesar da chuva.

3. Entrevistar um carnavalesco não é missão fácil. Para se ter uma dimensão da encrenca, esse povo tem o ego maior do que o de nós, jornalistas. Seja cauteloso nas perguntas para não magoá-lo e correr o risco de presenciar um dos maiores pitis de sua vida.

4. Se entrevistar subcelebridades em bailes, na concentração ou em camarotes de cervejaria, cheque o nome da pessoa antes de entrar ao vivo na TV. E tente falar apenas com gente interessante. Não caia na lorota dos “projetos artísticos sigilosos”.

5. Não se revolte se esbarrar numa Carla Perez trabalhando como repórter ao seu lado. Pensamentos ruins como “nosso diploma não vale nada mesmo” ou “poderia ter gastado a grana da faculdade numa lipo” só vão atrapalhar a sua concentração.

6. É fundamental ter cuidados com a voz. Fazer perguntas gritando num local barulhento deixa qualquer um rouco. Neste caso, não é considerada prática antiética levar a boca para bem perto da orelha do entrevistado. Mas sem enfiar a língua, ok?

7. Prepare-se para todo tipo de adversidade – chuva, sol, altos decibéis de música sem parar, cheiro insuportável de mijo nas ruas, cantadas de baixo nível e, claro, piadinhas como “aí, jornalista, trabalhando no carnaval! Se fodeu, hein?”.

8. No dia da apuração do bloco especial, é conveniente trabalhar com protetores de cabeça e maxilar (como os de pugilistas). Apuração é sempre um tumulto de repórteres querendo falar com o presidente da escola campeã ou rebaixada.

9. Se você odeia samba ou axé, cobrir o carnaval ouvindo rock é uma ótima dica. Só não se esqueça de tirar os fones do ouvido na hora de uma entrevista. Uma desintoxicação pós-festa (não ouvir Ivete Sangalo durante a quaresma) também é uma boa.

10. Se você é casado, nada de ficar ligando pra casa a todo o momento pra saber se sua mulher ou seu marido está se comportando. Relaxe! E por que não prestar atenção na diabinha safada ou no bombeiro musculoso à sua frente? Afinal é carnaval.


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.



Curta a página do blog no Facebook aqui.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Como os jornalistas são vistos pelos leigos


O leigo imagina que todo jornalista trabalha em TV, ou melhor, na TV Globo. Jornalismo se resume à TV Globo. Você não aparece no Jornal Nacional? Não? Mas você não é jornalista? Ah, você só escreve. Entendi. Que louco, mas a tua cara é muito conhecida.

O leigo acha que jornalista quebra todos os galhos por ter acesso a gente famosa. Pega o autógrafo dos jogadores do Corinthians nessa camisa. De todo mundo, tá? É pro Dudu, meu sobrinho. E não esquece o do Ganso. Ah, é Pato? Vixe, confundi os bichos.

O leigo acredita que jornalista resolve todas as encrencas de texto da humanidade. Amor, faz a minha carta de pedido de emprego. Faz, vai, você é jornalista, é craque em escrever. Te amo! Ah, dá pra revisar também esse poeminha que eu vou botar no Face?

O leigo supõe que jornalista ganha um puta salário. Já que tu é jornalista, me empresta uns duzentos! É pra pensão da minha ex. Cinquentinha, então. Dez reais, tu não tem dez reais? Caraca, meu irmão, pensei que tu ganhava bem. Tu não trabalha na Globo?


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Sobre a cobertura de uma tragédia


Para um jornalista, cobrir uma tragédia é trabalhar no limite. O limite entre o interesse público e a simples exploração da desgraça.

Cobrir uma tragédia é monitorar os próprios passos, perceber até onde se pode avançar.

É apelar para o bom gosto em meio a gosto tão amargo.

Cobrir uma tragédia é prestar serviço. E auxílio, se for preciso.

É ficar bem próximo da dor do outro, da histeria, da anestesia. E saber respeitá-las. É lembrar que o Jornalismo pertence à tal área de Humanas, por mais que a Matemática, com seus balanços de mortos e feridos e índices de audiência, insista em se intrometer.

Cobrir uma tragédia é parar com a bobagem de achar que frieza é sinônimo de profissionalismo. Jornalista pode se emocionar, pode se solidarizar. Pode se sentir pequeno. Nós, jornalistas, não somos máquinas. Pertencemos também à área de Humanas.


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.

Curta a página do blog no Facebook aqui.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A reunião de pauta segundo Jesus Cristo


Jesus: Gente, estou precisando muito de boas sacadas de pauta. Outros olhares, vocês entendem? A última grande manchete do nosso jornal foi quando andei sobre as águas.

André: E o milagre da multiplicação das pautas, chefe?

Jesus: Apenas como último recurso, André.

Pedro: Chefe, já que estamos falando em novos olhares, eu queria pedir para mudar de editoria. Não aguento mais as pautas chatas de sempre.

Jesus: Que pautas chatas de sempre, Pedro?

Pedro: Ué, só matéria de chuva, enchente, piscinão, o Rio Jordão que transbordou. Já estou ficando estigmatizado como o repórter da chuva. Daqui a uns séculos ou milênios, sei lá, eu viro santo e vou ser o quê? O santo da chuva. Vocês podem escrever isso.

João: Pedro, se você quiser, pode cobrir a Galileia Fashion Week no meu lugar. O evento é top. E sempre rolam umas roupinhas de presente, umas túnicas de linho lindas.

Jesus: Voltemos à reunião de pauta! Ideias, meus caros?

Tiago: A gente poderia fazer uma matéria especial sobre a UPP que instalaram lá no Monte Sinai. Pacificou geral o morro.

Jesus: Boa, Tiago. Isso dá chamada de primeira, hein?

Tiago: Obrigado, chefe!

Tomé: Senhor, uma fonte me bateu que tá rolando uma operação da PF para investigar a corrupção do Judiciário. Tem até nome: “Operação Mãos Lavadas”. Parece que o Pilatos tá envolvido. Eu não acredito que vai dar em alguma coisa, mas vou ficar de olho.

Jesus: Ok, Tomé. Veja isso, sim. O povo adora essas histórias de corrupção. Vende jornal.

Simão: Eu tô com a matéria das pet shops de ovelhas.

Jesus: Legal, Simão. Só não se esqueça de uma retranca com os pastores, foco na avaliação deles sobre o serviço, ok?

Tiago: Deixa comigo.

Jesus: E cadê o Mateus que não apareceu ainda? Ele não sabia da reunião de pauta de hoje?

João: Ele está cobrindo a história do Moisés, o lance lá de abrir o mar. Chefe, o senhor não viu o release, não?

Jesus: Meu Pai, verdade, João. Agora de manhã, não?

João: A abertura do mar estava marcada para as 9 horas. Agora, já deve estar rolando o brunch.

Jesus: Esses brunchs da assessoria do Moisés são ótimos.

João: E o cordeiro ao molho madeira que eles servem no almoço? Divino! Alguém aí já comeu?


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O que responder para um cara que oferece 10 reais pelo texto de um jornalista profissional


Prefiro fazer malabarismo com bolinhas no farol que eu ganho mais.

É por essas e outras que o mercado está uma bosta. Babaca.

Eu cobro 10 mil reais pelo meu texto. Mas a gente pode chegar a um meio-termo. Topa?

Eu não vou perder o meu tempo escrevendo para uma publicação furreca como a sua (gostaram da expressão “furreca”?).

Que jornalista ganha mal a gente já sabe, mas, meu amigo, também não precisa avacalhar, né?

Por que o digníssimo senhor não pega esta nota de 10 reais, faz um aviãozinho igual ao Silvio Santos e enfia no seu digníssimo cu?


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Cenas de um Big Brother só com jornalistas


CENA 1 – CONFESSIONÁRIO / PAREDÃO

Elvis, o pauteiro: Bial, eu vou votar no assessor de imprensa por uma questão de afinidade mesmo. E essa falta de afinidade vem desde os tempos em que ele tentava me vender umas pautas furadas. Valeu? Beijo, Brasil.

Paulo, o assessor de imprensa: boa noite, Bial, boa noite, Brasil. Eu vou votar no Elvis, o pauteiro. É mais um voto de defesa, porque eu sei que esse cara não gosta de assessor.


CENA 2 – A FESTA

Erika, a colunista social: tá muito boa essa festa. Uhu! E a comida japonesa? Sensacional. E olha que de boca-livre eu entendo (dançando com um prato na mão).

Sharon, a estagiária ambiciosa: eu vou é me esbaldar, passar mal de tanto comer, porque, quando eu voltar pro jornal, só vão me dar roubada pra cobrir. Brunch que é bom, nada.


CENA 3 – DIA DE CALOR NA PISCINA

Fernanda, a editora de Economia: vou te falar uma coisa, Mônica, como jornalista é feio, meu Deus. Não tem um aí que preste. Olha só a barriga do pauteiro.

Mônica, a repórter de Moda: claro, esses caras não malham, só comem porcaria. Você queria o quê? E o Carlos, o diretor de Redação? Além de careca, aquele corpo não vê sol há uns 20 anos.


CENA 4 – PAIXÕES E TRAIÇÕES

Sharon, a estagiária ambiciosa: eu não vim pra cá pensando em me envolver com alguém, mas você é um cara que mexeu comigo, sabe? A gente não controla essas coisas do coração.

Carlos, o diretor de Redação: é o que eu digo para a minha esposa sempre: a gente não controla essas coisas do coração. Ah, pega lá o edredom, vai.


CENA 5 – O BARRACO (cena exibida só no Pay-Per-View)

Mônica, a repórter de Moda: pô, Miguel, eu não te dei o direito de roubar o meu contracheque na minha bolsa e mostrar para o Brasil inteiro!

Miguel, o fotógrafo: meu, deixa de ser fresca. Foi só uma brincadeira.

Mônica: brincadeira? Agora que todo mundo já sabe quanto eu ganho, o povo vai perguntar “é esse o glamour?”. Você não ia curtir se eu revelasse pro Brasil o saldo da sua conta bancária, ia?

Miguel: faz o que você quiser, meu. E quer saber? Pra mim, glamour de cu é rola.


CENA 6 – NOITE DE ELIMINAÇÃO

Pedro Bial (depois de um longo discurso que ninguém entendeu): ele brilhou por muito tempo, mas o jogo acabou para ele. Com 98% dos votos dos internautas, o eliminado desta noite é você, Jornal Impresso. Vem pra cá, meu guerreiro.


Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.



Curta a página do blog no Facebook aqui.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Jornalista com gosto


Gosto de ser jornalista.

Gosto dessa coisa de não ter rotina. Gosto da surpresa. Do imprevisível. Gosto da rua. De andar, de olhar. De ouvir. Gosto das coisas belas e das feias também. Gosto de gente.

Gosto do frio na barriga. Gosto do gosto de primeira vez pela milésima vez. Gosto das boas histórias para contar. Das boas histórias para lembrar.

Gosto de imaginar o que o leitor achou, se refletiu, amou ou odiou.

Gosto da dúvida. Gosto de questionar. Desconfiar. Gosto do desafio de sentar e escrever. Gosto de pensar como é que eu começo essa porra. Gosto de não saber como terminar.

Gosto de não me conformar. Da inquietação que me faz andar.

Gosto do cheiro de café. Gosto do jornal fechado, do jornal folheado. Gosto do bar. Dos amigos. Gosto da conversa fiada. Da piada. Gosto dos dias alegres e dos cheios de melancolia também.

Gosto de trapacear o destino. Gosto de reclamar. Caraca, como eu gosto de reclamar.

Gosto de ficar desgostoso com a minha vida de jornalista e logo depois achar tudo muito gostoso outra vez.
 

Já comprou o livro do Duda Rangel? Conheça a loja aqui, curta, compartilhe. Frete grátis para todo o Brasil.



Curta a página do blog no Facebook aqui.